janeiro 28, 2009
julho 08, 2007
Canela por cima
Cinnamon. It should be on tables in restaurants along with salt and pepper. Anytime someone says, "Ooh, this is so good - what's in this?" the answer invariably comes back, "cinnamon." Cinnamon. Again and again.
Jerry Seinfeld
Bem hajas por teres vindo. Adeus.
julho 07, 2007
julho 06, 2007
julho 05, 2007
Poesia
Se me permite, houve um tempo em que se negava que o Homem estivesse em estado mórbido com hidratos no fígado. Não é idêntica a esta, a desconfortável sensação dum queixo agudo sobre um olho que atravessa a garganta. É esse olho que hoje preenche o conceito de Liberdade, quero dizer: o conceito, se há algum válido, de Poesia, e não Liberdade tal como nos é definida pelos racionalistas como possibilidade de Escolha através da Razão, mas como explosão acontecida no mais profundo do Ser. Síntese que corporiza espontaneamente o poema num acto tradicionalmente chamado involuntário. É ali o Banco da Poesia - energias de instintos, previsões, tendências, sentimentos, recalques, imagens remotas ou recentes. E, em vários momentos, o Poeta reconhece nas conchas, nas escamas e nas fibras vegetais essa matéria especificamente subversiva que a Cor do Futuro.
A Intervenção Surrealista, Mário Cesariny
julho 04, 2007
Found
Assim que acabar esta, dedicar-me-ei a ver de rajada [com intervalos estratégicos] a série que mais surpreendeu nos últimos tempos.
julho 03, 2007
Copular
Este singelo anúncio institucional é dedicado à madrinha Kaku, autora do malogrado Blete, para que se entusiasme nos novos projectos...
1 même, 5 livros
Aqui fica a resposta ao desafio em forma de book crossing lançado pelo Francisco que me obrigou a puxar pela memória, já que ultimamente tenho escrito mais que lido.
- Trilogia Nikopol, de Enki Bilal, que reúne três obras do mestre franco-jugoslavo: A Feira dos Imortais, A Mulher Armadilha e Frio Equador, prenda de Natal sugerida.
- Da Cidade Nervosa, que reúne um conjunto de crónicas do catalão Henrique Vila-Matas e ainda um texto inédito Mastroianni-sur-mer, sobre cinema, literatura e o ídolo Marcelo Mastroianni.
- A Verdadeira História de Ned Kelly, romance do australiano Peter Carey que lhe valeu o Booker Prize em 2001.
- A Vida é um delírio, do galego Miguelanxo Prado, que congrega todas as pequenas estórias que compuseram Quotidiano Delirante e que encontrei em saldos na Feira do Livro.
- The Wind-up Bird Chronicle, romance do japonês Haruki Murakami, emprestadado pela MissFile e que vou lendo com vagar e devoção.
Fica o desafio a quem ler esta posta e lhe apeteça. Num outro même cruzado, alguém me pede também os cinco livros da minha vida... Em breve, quem sabe, ou então dos meus cinco pratos preferidos de massa.
The Girls

Em fim-de-semana de blockbusters estridentes e divertidos, destaco esta estória dividida em cinco partes.
Depois de Blue Car, Karen Moncrieff volta a escrever e a dirigir um pequeno grande filme [como eu gosto deles!], apoiado num casting soberbo de onde destaco Rose Byrne e Toni Collette. Cinco estórias cruzadas mostradas com rudeza, raiva e dor. No feminino.
julho 02, 2007
junho 30, 2007
We'll Always Have Mika?
"You've changed the world, Mika Brzezinski," teased co-host Joe Scarborough. "At least my world," she shot back.
[...]junho 29, 2007
Filmes para sempre
Assumidamente shallow, uma lista de 1000 filmes para ver, ou rever, antes de morrer. Há até uns quizz para testar as lacunas.
Para breve, mil discos para ouvir e mil livros para cheirar...
Simpson

Isto sou eu, qual personagem dos Simpsons, feito no site oficial do The Simpsons movie. Um deles desenhado por mim, o outro desenhado pela MissFile.
É provável que passe a postar bastante menos, já que passarei a frequentar o ginásio três vezes por dia, sete dias por semana.
junho 28, 2007
El Toscano
O tal do jornalista/detective que apresenta agora uma nova pista sobre a pequena Maddie gives me the creeps.
António Toscano tranquiliza o casal McCann porque El Francês, o perigoso pederasta que terá raptado a menina, não costuma matar crianças e ela estará sã e salva, algures, até que ele decida entregá-la. O único obstáculo a que isso aconteça é o extremo mediatimo do caso. Ainda assim, o espanhol garante que a menina nunca mais aparecerá se a comunicação social deixar de falar no assunto.
Quanto às restantes pistas existentes - suspeitos, cartas anónimas, etc. - são todas falsas, assegura. E diz-se um entendido na matéria por ter resolvido dezenas de casos semelhantes por toda a Europa.
junho 27, 2007
junho 26, 2007
junho 25, 2007
junho 22, 2007
junho 21, 2007
junho 20, 2007
Bagged
Inspirados por Christian Troy?!
PS: Não há ninguém que dê a 4ª série?! Nem que seja às 4 da manhã?
junho 19, 2007
Museu da Electricidade
«Pôr os lisboetas a andar a pé!», «[...] um novo aeroporto em Sintra», «Madrid é um bom exemplo.» «[...] acesso à internet em toda a cidade», «É mentira!», «Silos de estacionamento na Baixa para resolver o trânsito.», «Ganhar a confiança dos cidadãos de Setúbal.», «Remover os graffitis...», «Criar uma cidade amigável.», «Recuperar os 50 mil lisboetas que fugiram em 6 anos!», «Vamos todos ser eleitos.»
A palavra Bragaparques não foi proferida uma única vez, nem pelos sete candidatos em estúdio nem pela condutora Ana Lourenço. Esta destacou-se pelo extremo bom aspecto.
A Maria José Nogueira Pinto e o João Soares ganharam o debate. Naturalmente, os restantes habitantes de Lisboa perderam.
junho 18, 2007
Melancolia
Já repararam como a nossa disposição depende do clima?
Todos os seres vivos funcionam como uma espécie de barómetros e variam na medida em que o clima varia. Qualquer pescador sabe que os peixes, por exemplo, se comportam de maneiras diferentes, conforme as condições climatéricas, havendo até alguns, mais conhecedores, que sabem como certo tipo de alterações provoca mudanças no comportamento de certas espécies. Alguns de vós certamente sabem como, naqueles pesados minutos que antecedem uma tempestade, as enguias ficam furiosamente agitadas e vorazes e as moscas picam de forma mais insistente. Uma das explicações para este comportamento está no facto de as alterações na pressão e na electricidade atmosféricas afectarem directamente o processo químico de cada corpo, com tais alterações a serem experimentadas, devido a essa reacção química, como alterações no campo do sentir. Se imaginarem o vosso consciente como um locutor de rádio e o corpo como as peças e válvulas do aparelho, então o clima será algo que se entretém a manipular os seus botões.
Mas que têm estas coisas a ver com a poesia?
O Fazer da Poesia, Ted Hughes
junho 15, 2007
VIP
Enquanto Lili Caneças subia para a exposição por uma escadaria, Robert De Niro descia por outra. Assim que a "socialite" percebeu que o actor já tinha saído, desatou a correr pelo palácio Galveias até à entrada principal onde De Niro aguardava o carro para regressar ao hotel. Pelo meio, Lili ia soltando: "Tenho de conhecer o homem, senão morro". Não conheceu, mas também não morreu. Em vez disso, acabou a tarde a perguntar a todos os fotógrafos presentes se a tinham apanhado ao lado "do senhor", que, assim que foi confrontado com Lili, pediu para esperar a chegada da viatura numa sala "privada e sossegada".
Jornal de Notícias
junho 14, 2007
Top 10 - século XXI

1. Amores Perros, Alejandro Gonzáles Iñarritù
2. In the Mood for Love, Wong Kar-Wai
3. Y tu Mamá También, Alfonso Cuarón
4. Adaptation, Spike Jonze
5. Lost in Translation, Sofia Coppola
6. Dogville, Lars Von Trier
7. Mulholland Dr., David Lynch
8. Irréversible, Gaspar Noé
9. Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry
10. A History of Violence, David Cronenberg
10. Closer, Mike Nichols
10. Inside Man, Spike Lee
10. The Life Aquatic with Steve Zissou, Wes Anderson
10. Match Point, Woody Allen
10. Zodiac, David Fincher
Diz o desafio que o limite é de um filme por realizador, de 2000 para cá.
Eliminar um depois de me enganar nas contas é que se vislumbra impossível...
junho 12, 2007
Paz
Pouquissimas "caixas" de supermercado terão o talento e o jeito de Paz Vega, e ainda será mais raro encontrar no jardim da cidade, seja ela qual for, raparigas cultas e soltas como a Eglantine Rembauville. Mas partamos do princípio que as há, e que seria possível que uma estrela de Hollywood se cruzasse numa vida banal e azarada e a transformasse, antes de voltar a desaparecer nos ecrãs de cinema.
Esse é o princípio do pequeno grande filme 10 Items or Less, onde Morgan Freeman mostra que é um grande actor mesmo a fazer comédias, mesmo a fazer dele próprio.
junho 09, 2007
As BP 5/12 voltaram?!
We're back?
- Quer dizer que o direito à indignação já era?
- Tb nunca foi grande cousa, pois não?
- Viva o direito à interrogação, atão?
- 25 do doze sempre?
- Não nos calarão?
- Não nos quê?
- Calarão?
- Não?
- ...?
Brigadas posterrroristas 25/12
junho 08, 2007
Paris Hilton Prison Diaries
Day 5: Gandhi went to prison. So did Martin Luther King Jr. So did Robert Downey Jr. and Martha Stewart Jr. and I think Nelson Mandela Jr. Mandela was imprisoned for, like, 50 years or something for being black and also for driving an uninsured vehicle, if I'm reading Wikipedia correctly. Nicky often mentions me and Gandhi and how incredibly thin we both are and how she wonders if he used bronzer.
John Kenney, LA Times
Grandes Frases da Publicidade
Está cansada de esperar que os seus pelos cresçam, para poder depilar-se com cera?
junho 07, 2007
L
As lésbicas não ficam atrás dos homens e votaram as 100 mulheres mais sexy do mundo. Sem surpresas, são essencialmente as que fazem parte do elenco de L Word e as Scarlett, Keira e Natalie do costume. Lésbicas sim, parvas não.
PS: Ainda assim, o artigo que sustenta a votação garante que lésbicas e homens têm gostos bem diferentes.
junho 06, 2007
junho 05, 2007
Wish I Was There
A notícia rebentou como uma granada. Os estilhaços atingiram de raspão os mais prevenidos e em cheio aqueles que se julgavam invulneráveis à surpresa noticiária da última hora. Alguns dos da Torre correram a avisar os outros para serem os primeiros a dar a novidade, necessidade absoluta de obterem sucesso à custa da divulgação dum acontecimento sentimental, verdadeiro sadismo de propagarem em palavras o texto completo da carta recebida.
Madeleine Barbelat ia casar-se. Escrevera para a Torre a dar parte, e a convidar todos para o casamento em Paris. Mas, por um sentimento acanhado e pouco comum nas francesas e ainda menos em participações nupciais, não dizia com quem ia casar. Dentro de meses se realizaria o casamento e esperava todos os primos da Barbela no dia da boda. Estava a fazer planos para os receber, tão bem como fora colhida na Torre, se isso fosse possível. E, nos parágrafos finais da carta, endereçada ao colectivo, lembrava mais uma vez os tempos maravilhosos passados na Ribeira Lima, «um dos únicos sítios no mundo onde a beleza da paisagem compreende o silêncio de almas».
A Torre da Barbela, Ruben A.
junho 04, 2007
Perfeccionistas
Não tem ainda o estatuto dos irmãos Coen, mas começo a ver David Fincher como um realizador incapaz de me desagradar. E Zodiac fica já entre os meus eleitos. Ao contrário de Seven, Fight Club e Alien 3, este é um filme fastidioso. Uma lentidão dedicada aos detalhes e obcecada pelos pormenores. Fincher filma cada passo e cada emoção de uma investigação verdadeira, em torno de um assassino mediático dos anos 60 e 70 e preocupa-se, acima de tudo, em mostrar como esse trabalho - de polícias e jornalistas - é desesperante, chato e solitário. No final, mesmo nas últimas cenas, o filme toma o partido da tese do cartoonista que escreveu o livro que lhe dá origem, mas deixa a dúvida no ar sobre a identidade do assassino.
E até nisso é perfeito.
junho 01, 2007
Week-End
Está aí o fim-de-semana, finalmente. É tempo de tirar as devidas lições morais da reunião de condomínio desta semana, evitar inalar gás mostarda ou outros e ir ao cinema espairecer. Ver um bom filme, com bom argumento, boa realização, bons actores, enfim, como a produção do trailer acima.
maio 31, 2007
tv-video
Por falar em Nip/Tuck, uma vez que ainda não chegou a Portugal 4ª temporada, aqui fica a sugestão da d*, um site onde podemos ver todos os episódios.
É só escolher e esperar uns minutos pelo download.
PS: Também estão disponíveis as outras séries, algumas delas quase tão boas.
maio 30, 2007
maio 29, 2007
Aguarela de Grafite
uma invenção portuguesa
Um pincel que pinta a aguarela como se fosse um lápis e com todas as tonalidades da grafite. A Viarco, a única fábrica de lápis portuguesa, está prestes a pôr no mercado a aguarela de grafite. Uma novidade dirigida sobretudo aos artistas ávidos por explorar novos materiais. Com a possibilidade de apagar o desenho, utilizando água e papel absorvente como borracha.
[...]Bisturi
Nunca gostei de séries de hospitais. Não foi por ter ficado traumatizado quando a SIC deu uma delas dobrada em português [Chicago Hope ou parecido], nem por achar que os argumentistas são indiferentes ao facto de os médicos serem pessoas como nós, que fogem aos impostos e se baldam do Hospital o máximo que podem para fazer render o consultório privado.
Só sei que não fui à bola com ER, nem vou com Grey's Anatomy, que sempre achei melodramáticas e heróicas demais, para além de repetitivas, mesmo vistas esporadicamente.
Há, no entanto, duas honrosas excepções, para além de Scrubs, feita precisamente para ridicularizar este tipo de televisão. São tão excepcionais que dificilmente podemos dizer que são séries sobre hopitais.
Uma é Nip/Tuck, que se tornou um vício semanal no DVD e a outra é House, que vejo sempre que posso, mas raramente.
Curiosamente, para além de tudo o resto, ambas me fazem soltar gargalhadas como poucas comédias conseguem.
maio 28, 2007
Pirata
A trilogia de Piratas das Caraíbas não passará de mero entretenimento para miúdos e acompanhantes ou gente à procura de desanuviar a cabeça e não preencher os espaços vazios. No entanto, tem Johnny Depp.
Há bons actores, é um facto, uma mão cheia deles, nestes e noutros filmes, elogiados e admirados, mas depois há Depp. Nesta 3ª parte da trilogia [única que vi na plenitude das suas três horas], há duas ou três cenas em que Johnny se esquece que está num simples blockbuster de Domingo à tarde e faz uma pequena curta-metragem só sua, aproveitando um argumento e um realizador que lhe permitem tais loucuras.
Ah, já me esquecia! E depois há a Keira Knightley...
maio 25, 2007
100 x 100
Fabulosa compilação.
Vilipendiado aqui.
PS: a lista completa dos filmes na caixa de comentários.
maio 23, 2007
Lort
Mais que a antipatia generalizada e a má vontade para falar inglês, a grande decepção foram as dinamarquesas. As ruas estão cheias de camafeus pedalantes excessivamente maquilhadas, demasiado musculadas ou a atirar para o obeso, altas e tortas como faróis de indumentária truncada. E tatuadas, muito tatuadas.
maio 22, 2007
maio 21, 2007
Køreplan
A cidade é verde, muito verde, cheia de jardins e parques com lagos e canais, rotundas relvadas e árvores na própria estrada, que afunila para não as perturbar. Os ciclistas têm direito a pavimento azul por todo o lado, estacionamento próprio e é preciso estar atento às prioridades porque os semáforos ficam quase todos verdes ao mesmo tempo. Mas não há carros em excesso, apenas confusão e maus modos como em Lisboa. Ao Domingo, com sol, os parques enchem-se de gente de fato de banho. E tatuagens.
Os dias são longos e o sono troca-se, como se houvesse jetlag: só anoitece por volta das dez e o sol nasce pouco depois das quatro da madrugada.
maio 18, 2007
Dansker
Segundas impressões: as pessoas são quase sempre rudes e evitam falar inglês, reproduzem-se imenso e também fazem ponte depois de um feriado à quinta-feira. Mesmo num dia primaveril, também é no maior shopping da Escandinávia que se concentram, aproveitando para deixar os filhos num maravilhoso centro de diversão infantil labiríntico.
maio 17, 2007
København
A primeira impressão de Copenhaga é que eles não são tão altos nem tão loiros como eu pensava. Mas têm ainda mais tatuagens [a cara e a cabeça também contam] e piercings maiores. A Dinamarca é composta por várias ilhas, mas a capital fica fora de mão, afastada da ilha maior, numa extremidade do Reino encostada à Suécia.
Para já, folgo saber que o metro não tem condutor e passa, pontualmente, a cada 4 minutos.
maio 15, 2007
Last Breath
Pronto, pronto, eu ponho uma listinha. Neste caso, uma sequência das cenas de morte mais aterradoras do cinema.
Altamente aconselhável a quem teima em não ver filmes de terror.
maio 14, 2007
maio 10, 2007
Meme**
Here her head, she lay
Until she'd rise and say:
"I'm starved of mirth;
Let's go and trip a dwarf"
Oh, what to be done with her?
Oh, what to be done with her?
Oh...
Ice water for blood
With neither heart or spine
And then just
To pass time; let us go and rob the blind
What to be done with her?
I ask myself:
What to be said of her?
Oh...
But when she calls me, I do not walk, I run
Oh, when she calls, I do not walk, I run
Oh...
Oh...
Oh
Wonderfull Woman - Morrissey, Johnny Marr
Em resposta ao desafio lançado pela Hipatia. Retribuo à MissFile, ao RG, ao Martin, à Ana, à outra Ana e a um dos Putos, vá.
(*) Um "meme" é um "gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma".
(**) Detesto "memes".
maio 09, 2007
Teia
Gostei de Spider Man 3.
O suficiente para quase ter esquecido que a sala estava cheia de adolescentes, pré-adolescentes e quase-bebés barulhentos e mal-cheirosos mais as suas sacas de pipocas e copos de refrigerante com palhinha.
A crítica esmaga o filme, como é natural, porque Manoel de Oliveira é que é bom. Mas posso fazer alguns reparos, assinalando que se trata de mais uma adaptação dos comics.
Em primeiro lugar, dá a sensação que este esteve para ser o último de uma trilogia, porque de repente surgem inimigos atrás de inimigos, do Sandman ao Venom, passando pelo Green Goblin Jr, sem esquecer o próprio Dark Spider-Man, ou o fotógrafo rival de Peter - Eddie Brock. E aí a estória perde [-se] bastante. Qualquer dessas personagens chegava para um filme inteiro, principalmente o Venom, cujo nome não chega a ser pronunciado [se bem me lembro, eu que não tenho memória], mas que tem lugar em qualquer galeria dos melhores vilões da BD. Depois, com tantos inimigos e tanta trama para encadear [de forma simples e às vezes simplista, para que o público americano percebesse] também se perde a arquirival da ruiva M. J. Watson, a loirissima e lânguida Gwen Stacy. Por último, acho que o Spidey é um bocado chorão demais, mesmo para nerd e não compro a ideia de que ele se torne um herói puro e aclamado pelos nova-iorquinos.
Ainda assim, o filme sobrevive como bom entretenimento graças aos efeitos especiais magníficos [a cena de luta inicial é de uma perfeição tri-dimensional], a gags de humor bem conseguidos [a cena da tensão alta do Director do Daily Bugle ou a do Peter Parker transformado em John Travolta dos anos zero são deliciosas, bem como a do restaurante francês, com o sempre bem-vindo Steve Campbell] e do facto de serem personagens que fazem parte do imaginário de qualquer um.
Venha o quatro, que o Venom deve reaparecer.
Raça
Somos todos diferentes, mas todos humanos.
PS: Excepção feita para os militantes daquele partido do cartaz, que não chegam a ser primatas.
maio 08, 2007
Alumbramiento
por Victor Erice
Dez minutos que assinalam um ano babado.
E sim, Martin, tenciono seguir o conselho.
maio 07, 2007
Insular
Havia um homem que amava ilhas, Nascera numa, mas não lhe agradava por ter gente demais. Queria uma ilha só para ele: não necessariamente para lá ir viver sozinho, mas para fazer dela um mundo seu.
Uma ilha grande demais não é melhor do que um continente. Para ser sentida como tal, uma ilha tem que ser, de facto, bastante pequena - e este conto mostra como tem que ser minúscula, para podermos ter a sensação de que está cheia da nossa personalidade.
Ora, as coisas proporcionaram-se de modo a este apaixonado por ilhas vir, realmente, a comprar uma ilha quando chegou aos seus trinta e cinco anos. Não a possuía em termos absolutos, mas comprara-a a um prazo de noventa e nove anos o que, pela parte que toca a um homem e a uma ilha, vale uma eternidade. É que, se se é como Abrãao e se quer que os descendentes se multipliquem como as areias da beira-mar, então não se escolhe a ilha para cenário da multiplicação. Em breve estaria super-populada, apinhada de gente a viver em condições miseráveis. E isso é uma perspectiva horrível, para quem ama a ilha pela sua insularidade. Não, uma ilha é um ninho com lugar para um ovo, e um só. Este ovo é o próprio ilhéu.
D. H. Lawrence
maio 04, 2007
Nu
Ouvi dizer que hoje é dia da nudez. Aqui fica então, um nu angelical da cintura para cima, ainda que neste caso não haja nada que envergonhe.

Luana Piovani
Ainda por cima, pode considerar-se uma fotografia de mamas.
Petição
Para que, aos Domingos e feriados, deixemos de ter como única escolha as lojas chinesas e a farmácia de serviço.
Aos poucos, aos poucos, deixaremos de ser tão atrasados.
maio 03, 2007
maio 02, 2007
Je T'Aime
Adoro ver trailers. Vou sempre cedo para a sala de cinema para ver os brevemente, narrados pelos James Earl Jones wannabes. Mas tenho visto péssimos trailers ultimamente, principalmente porque desvendam o filme por completo, em vez de me deixarem com água na boca. Este e este são exemplos paradigmáticos.
Já este trailer, é divinal:
abril 30, 2007
Abominável
Como todo o indivíduo de grande mobilidade mental, tenho um amor orgânico e fatal à fixação. Abomino a vida nova e o lugar desconhecido.
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego
abril 26, 2007
14 outonos e 15 invernos
De quando em vez ou menos que isso aparecem coisas assim, que soam diferentes de tudo o que se provou. Mas que encaixam.
Esta banda chama-se the Twilight Sad e atraíu-me pelo nome. A única coisa levemente familiar aqui é um vocalista algo aparentado de Ian Curtis, mas com sotaque escocês.
abril 25, 2007
abril 23, 2007
abril 20, 2007
Cleptomaníaco
Now I love to feel that warm southern rain,
just to hear it fall is the sweetest sounding thing
And to see it fall on your simple country dress
it's like heaven to me I must confess
And I always have to steal my kisses from you
Always have to steal my kisses from you
Now I've been hangin' around you for days,
but when I lean in you just turn your head away
Oh no, you didn't mean that
She said I love the way you think, but I hate the way you act
'Cause I always have to steal my kisses from you
Always have to steal my kisses from you
Ben Harper, Steal My Kisses
PS: Entretanto, na grafonola, acrescentámos coisas novas e reciclámos coisas velhas.
abril 19, 2007
Atirada

Não valeria a pena falar de O Atirador, porque é um daqueles filmes cheios de tiros e explosões para ver num Domingo à tarde enquanto se passa a ferro sentado, ou assim, se não estiver a dar uma conferência de imprensa sobre o currículo académico do Primeiro-ministro. Mas vale a referência à excelente escolha de actores, principalmente a que levou à rapariga acima, para fazer de psicóloga do FBI.
Aliás, já em The Departed se viu que a fasquia dos casting está bem alta, quando é para fazer de psicóloga de forças policiais.
abril 17, 2007
Ai Portugal, Portugal
Isto está muito bem feito e é interessantissimo, exibido a horas decentes o que raramente acontece.
António Barreto, sociólogo e político, sabe fazer entrevistas e contar as estórias como os jornalistas deviam saber ou poder.
abril 16, 2007
Auto Bronzeador
Poucas coisas me agradam tanto como um bom filme de Ficção Científica. Talvez só o bolo de cenoura da MissFile. Ora, uma estória de sci-fi feita sobre o Sol, que sendo a nossa estrela e tal, o planeta central da nossa existência, nunca merecera um filme, escrita por Alex Garland e realizada por Danny Boyle, parecia abrir portas a um daqueles registos épicos cheios de momentos de beleza rara e tensão crescente.
Mas não. Atá a Banda Sonora do trailer , único chamariz do mesmo, desapareceu misteriosamente.
O ambiente é, no mínimo, inspirado em Alien, o argumento cola-se a Armaggedon, depois mergulha-se num misticismo paranormal sem explicação lógica, baralha-se a pouca plausibilidade que a coisa já tinha e pronto, sai-se da sala a dizer bem do Epic Movie.
Make a Wish
[...] desejar e poder desejar, desejar de forma descarada, aproveitar resolutamente as oportunidades, ambicionar insaciavelmente é uma genialidade, tão grande como qualquer outra. É possível que não se acredite, mas em cada geração não nascem talvez dez jovens que tenham esta coragem cega, esta ânsia de acometer o infinito.
Kierkegaard
abril 13, 2007
abril 12, 2007
Serviçais
- A atitude do artista conta mais, para si, do que a obra de arte?
- Sim. O indivíduo, como tal, como cabeça, se quiser, interessa-me mais do que aquilo que ele faz, porque notei que a maior parte dos artistas não faz mais do que se repetir. Por outro lado, isto é forçoso, não se pode inventar sempre. Só que eles têm esse velho hábito que os leva a fazer, por exemplo, uma pintura por mês. Tudo depende da velocidade de trabalho; eles pensam que devem à sociedade o quadro mensal ou anual.
Marcel Duchamp, O Engenheiro do Tempo Perdido
abril 11, 2007
abril 10, 2007
Fumo
Olha! Já somos dois.
Ainda por cima, dá depois do CSI, em plena hora de ponta*.
*é por volta das duas da manhã, a par de coisas como Nip Tuck e Dr. House.
abril 09, 2007
[ainda este mês não tinha postado uma lista]
Cenas que nos fazem soltar um sonoro ouch, por mais que vejamos o filme.
Bom nome
Era pouco provável encontrar em qualquer lado pessoa que vivesse tão fundo o seu emprego. Dizer que servia com zelo é dizer pouco - não, servia com amor. Naquilo, naquela reprodução de cópias, via ele o seu mundo, variado e deleitoso. Uma volúpia se lhe exprimia na cara quando copiava; tinha algumas letras favoritas e, quando lhe apareciam, perdia a cabeça; ria-se baixinho, piscava o olho, mexia os lábios a ajudar, e como que era possível ler-lhe na fisionomia cada letra que a sua pena traçava. Se lje tivessem dado as recompensas correspondentes ao seu zelo, ele, para sua própria admiração, teria chegado mesmo ao grau de conselheiro de Estado; apenas ganhou, porém, como se exprimiam os brincalhões dos seus colegas, uma fivela na botoeira e hemorróidas abaixo dos rins.
Nikolai Gogol, O Capote
[...]abril 05, 2007
BP 5/12 revisitadas
A Câmara de Lisboa mandou retirar o placard colocado no Marquês de Pombal pelos Gato Fedorento a satirizar, de forma sublime, o ignóbil cartaz do PNR contra os imigrantes.
De repente, lembrei-me que Carmona Rodrigues ainda não se demitiu...
Ele será mesmo Engenheiro ou apenas licenciado em engenharia?! Hã?!
[...]4º Poder
Com tanta coisa em que pegar, quis o Público vingar a derrota da OPA à PT com uma marcação cerrada ao supostamente falso currículo de José Sócrates.
Todos os dias, lá vem o pasquim garantir que parece que isto e aquilo, que não é engenheiro, só licenciado em engenharia, se calhar nem isso, porque a escandalosa UnI já o era antes de o ser, porque foi criada no tempo do Guterres, meu Deus.
Cúmulo dos cúmulos, José Manuel Fernandes admite ter cometido um lapso quando disse que o Primeiro-ministro não tinha um MBA no ISCTE [que tem, veja-se bem, como é possível, um gajo que não é engenheiro nem nada!?], uma confusão de termos, admite o Director, que queria era mostrar que ele não tem Mestrado nenhum. Apesar de reconhecer a confusão, lá vêm mais dois ou três artigos de página inteira sobre o tal do falso currículo, cuja fonte principal é um blogue.
Tanta coisa em que pegar e o pasquim de Belmiro de Azevedo distrai-se com um fait-divers ridículo. Nem parece vindo de um jornal onde toda a gente tem a 4ª classe feita.
abril 04, 2007
I Can't Get No
"A coisa mais rara que tentei snifar? O meu pai. Snifei o meu pai. Ele foi cremado e não consegui resistir a fazer uma linha com ele".
Keith Richards
abril 03, 2007
abril 02, 2007
Formação profissional
Se a vontade já não era muita, como conseguirei concentrar-me após a notícia de um acidente de trabalho destes?!
março 24, 2007
Uma História Trágica com Final Feliz
de Regina Pessoa
Curta-metragem em exibição nos cinemas, antes do filme mais recente de Nanni Moretti - Il Caimano. Demora a carregar para quem não tem a socrática banda-larga ou o accelerator, mas vale bem a espera.
março 23, 2007
Brito, Michelle de Brito
Um dia, por mais longinquo e improvável que parecesse, Portugal haveria de ter uma boa tenista. Queira o destino que venha a tratar-se também de uma tenista boa.
A bem da imagem externa, claro.
março 22, 2007
O Prazer da Síntese
Era uma vez um Imperador que gostava muito de borboletas. Um dia mandou chamar o pintor mais conhecido e admirado do Império e ordenou-lhe que pintasse uma borboleta. O pintor disse que para pintar necessitava de uma casa grande e confortável, que estivesse situada no lugar mais bonito do reino, alguns criados e um prazo de três anos. O Imperador concedeu os pedidos. Ao fim de três anos o Imperador mandou chamar o pintor ao palácio e quis saber se ele já tinha pintado a borboleta. O pintor pediu ao Imperador que lhe fossem concedidos mais três anos de prazo, os mesmos criados e a mesma casa. O Imperador voltou a conceder os pedidos.
Ao fim de três anos o pintor chegou novamente ao palácio e, em frente do Imperador, em alguns segundos, com traço firme e sem levantar o pincel, pintou uma borboleta, tão bonita que nunca o Império tinha visto outra igual. O Imperador, contente mas surpreendido, perguntou ao pintor para que tinham servido os seis anos se ele fora capaz de pintar a borboleta em alguns segundos. O pintor respondeu que foram seis anos de conforto e reflexão que tinham permitido a síntese, em alguns segundos, de uma multiplicidade de gestos.
Alfredo Saramago, Os Prazeres de Alfredo Saramago
março 20, 2007
Mépris
O desprezo está prestes a ser considerado pela comunidade científica como a sétima emoção básica humana, passando a pertencer ao grupo de sentimentos como a alegria ou a tristeza.
[...]março 19, 2007
março 15, 2007
E com epicatequina!
Estou certa que Deus é homem, porque se fosse mulher, teria feito o esperma a saber a chocolate.
Ana Santa Clara, Correio da Manhã
março 13, 2007
I'll Be Back
Nenhuma estória me seduz tanto como a de uma vingança bem servida, e esta resume-se em dois parágrafos.
No auge da sua carreira, o tenista argentino Guillermo Canas foi acusado de doping e irradiado dos courts. De nada valeu ter sido a própria organização de um torneio em Acapulco a enganar-se no medicamento que lhe foi prescrito, muito menos os 700 mil dólares gastos em advogados e recursos judiciais para provar a inocência reclamada.
Dizem os amigos que Canas treinou todos e cada dia dos quinze meses que cumpriu castigo, enquanto tombava do 8º para o 514º lugar no ranking ATP. Pelo meio, foi ainda mais humilhado, quando lhe barraram a entrada no Open dos EUA onde pretendia assistir ao jogo da namorada - Maria Emilia Salerni.
Regressado à competição, eis que lhe cai numa bandeja a melhor das chances para quem acumulou tanta raiva e tamanha sede de justiça. O imbatível e quase-perfeito Roger Federer, nº 1 do ranking há uma eternidade, estava a cinco vitórias apenas - cinco - de bater um record antigo e que parecera intransponível: o de 46 triunfos consecutivos no circuito profissional de ténis. Em Indian Wells, ainda por cima nos Estados Unidos, Willy Canas só falhou numa coisa: despachou Federer em dois singelos sets sem resposta, com uma rapidez atónita, sem sequer dramatizar a vingança com um pouco de emoção ou dúvida quanto ao melhor.
Mas é mesmo assim, fria, que ela se serve, diz quem sabe.
março 12, 2007
Antes o Sexy Hot
Rui Zink induziu-me em erro e quando reparei que estava a ver um Big Brother, já tinha ouvido o apresentador do concurso [feio e irritante, suponho que propositadamente] dizer que Cuba Libre era uma bebida feita com Whiskey e Coca Cola, supostamente para humilhar uma loira que exibia uma cuecas brancas e muita celulite em cima de uma secretária enquanto olhava pela primeira vez, e última certamente, para uma fotografia de Fidel Castro.
Mudei de canal a tempo, até porque prefiro raparigas modestas e recatadas.
março 09, 2007
Escandaloso
Notes on a Scandal é mais um pequeno grande filme passado em Londres. Lembrou-me Breaking and Entering, que também é uma estória de contexto fechado, ambiente restrito e delicado recorte.
E o filme em que Judi Dench e Cate Blanchett são a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e perfeitas só não é maior, porque o trailer o estraga quase por completo. Com esta mania de me sentar vários minutos antes do filme começar e ver todos os "brevemente neste cinema", antes que a estória começasse já conhecia todos os seus detalhes e o seu desfecho. Se ainda não viste a promoção deste filme, não vejas.
Percebo agora a estratégia de Mel Gibson, no trailer de Apocalypto, em que nem os actores são os mesmos do filme.
março 07, 2007
Bica
Lá estão estes cientistas a esquecer que nós somos animais de manias, sem as quais não sabemos viver. Qualquer dia aparecem a dizer que o tabaco faz mal, ou assim.
Olha! Pronto, já disseram.
março 06, 2007
Genpets
"Respiram, sentem, sangram quando são cortados, têm personalidade própria e emitem sons, embora as cordas vocais tenham sido manipuladas de forma a que os ruídos não incomodem os donos."
E eu que já achava os Tamagotchi perturbantes...
[...]março 05, 2007
Erre e Tê de Pê
A RTP comemora por estes dias 50 anos de vida. Totalmente indiferente a Merches, Malatos e Sílvias, reconheço que seria uma pessoa diferente se não tivesse convivido, numa altura em que a minha personalidade se formava, com o Vasco Granja, o Engenheiro Souza Veloso ou o Eládio Clímaco.
março 02, 2007
fevereiro 28, 2007
Rocky VI [ou será VII?]
Naquelas listinhas de estrelas e bolas dos jornais, João Lopes - que ainda assim é o único crítico de cinema deste país - considera Rocky Balboa bem melhor que O Último Rei da Escócia.
Deve ser culpa de uma interpretação tão pungente de Sylvester Stallone...
Gaston
O mais desopilante dos personagens de BD faz hoje 50 anos. O pasquim P traz um excelente artigo sobre Gaston Lagaffe.
fevereiro 27, 2007
Distracção
Acho os relógios tão perfeitamente dispensáveis no pulso de uma mulher como absolutamente obrigatórios no meu.
fevereiro 26, 2007
Viva a Diferença
Je suis ton pile
Tu es mon face
Toi mon nombril
Et moi ta glace
Tu es l'envie et moi le geste
Toi le citron et moi le zeste
Je suis le thé, tu es la tasse
Toi la guitare et moi la basse
Je suis la pluie et tu es mes gouttes
Tu es le oui et moi le doute
T'es le bouquet je suis les fleurs
Tu es l'aorte et moi le coeur
Toi t'es l'instant moi le bonheur
Tu es le verre je suis le vin
Toi tu es l'herbe et moi le joint
Tu es le vent j'suis la rafale
Toi la raquette et moi la balle
T'es le jouet et moi l'enfant
T'es le vieillard et moi le temps
Je suis l'iris tu es la pupille
Je suis l'épice toi la papille
Toi l'eau qui vient et moi la bouche
Toi l'aube et moi le ciel qui s'couche
T'es le vicaire et moi l'ivresse
T'es le mensonge moi la paresse
T'es le guépard moi la vitesse
Tu es la main moi la caresse
Je suis l'enfer de ta pécheresse
Tu es le Ciel moi la Terre, hum
Je suis l'oreille de ta musique
Je suis le soleil de tes tropiques
Je suis le tabac de ta pipe
T'es le plaisir je suis la foudre
Tu es la gamme et moi la note
Tu es la flamme moi l'allumette
T'es la chaleur j'suis la paresse
T'es la torpeur et moi la sieste
T'es la fraîcheur et moi l'averse
Tu es les fesses je suis la chaise
Tu es bémol et moi j'suis dièse
T'es le Laurel de mon Hardy
T'es le plaisir de mon soupir
T'es la moustache de mon Trotski
T'es tous les éclats de mon rire
Tu es le chant de ma sirène
Tu es le sang et moi la veine
T'es le jamais de mon toujours
T'es mon amour t'es mon amour
Je suis ton pile
Toi mon face
Toi mon nombril
Et moi ta glace
Tu es l'envie et moi le geste
T'es le citron et moi le zeste
Je suis le thé, tu es la tasse
Toi la putain et moi la passe
Tu es la tombée moi l'épitaphe
Et toi le texte, moi le paragraphe
Tu es le lapsus et moi la gaffe
Toi l'élégance et moi la grâce
Tu es l'effet et moi la cause
Toi le divan moi la névrose
Toi l'épine moi la rose
Tu es la tristesse moi le poète
Tu es la Belle et moi la Bête
Tu es le corps et moi la tête
Tu es le corps. Hummm !
T'es le sérieux moi l'insouciance
Toi le flic moi la balance
Toi le gibier moi la potence
Toi l'ennui et moi la transe
Toi le très peu moi le beaucoup
Moi le sage et toi le fou
Tu es l'éclair et moi la poudre
Toi la paille et moi la poutre
Tu es le surmoi de mon ça
C'est toi qu'arrives des mois si ?
Tu es la mère et moi le doute
Tu es le néant et moi le tout
Tu es le chant de ma sirène
Toi tu es le sang et moi la veine
T'es le jamais de mon toujours
T'es mon amour t'es mon amour
Le Toi du Moi, Carla Bruni
fevereiro 23, 2007
Pré-publicação

Aceitamos o convite da editora Guerra & Paz e associamo-nos à pré-publicação do capítulo XXV do romance E Deus Pegou-me pela Cintura, do meu professor de Semiótica e Filmologia Luís Carmelo.
Tudo começou com este teaser.
[...]fevereiro 22, 2007
Contado Ninguém Acredita
[Perdido na Tradução]
Sim, é verdade que a Câmara da maior cidade do país está minada por corrupção e incompetência, sem que o Carmona Rodrigues se digne a demitir-se; é mais que óbvio que o Alberto João Jardim anda a esbanjar dinheiros públicos e a troçar da cara dos contribuintes... sem dúvida.
Mas é tempo de, neste país de resignados e de uma vez por todas, nos revoltarmos contra os tipos que traduzem os títulos dos filmes. Não dá para viver assim. Alguém que lhes ensine, ao menos uma língua que seja, por favor!
fevereiro 21, 2007
Carnaval desde 1978
Pela parte que me toca, e eu sei que é muito para o meu bolso, posso recusar pagar eleições da Madeira em que seja candidato Alberto João Jardim?
fevereiro 20, 2007
fevereiro 19, 2007
Ditador absoluto
Isto de escolher um preferido tem tudo de subjectivo, mas há muito que não hesito em eleger Forrest Whitaker, no que respeita aos actores.
Não deixa de ser curioso que a maior parte das pessoas só agora percebam o enorme talento, por causa do seu Idi Amin em The Last King of Scotland. Não que ele seja menos do que perfeito no papel, nada disso, mas esta é uma daquelas oportunidades que qualquer actor razoável agarraria com unhas e dentes. Ele fá-lo, como diria Paulo Bento, com tranquilidade.
O argumento não era fácil, porque deixou de fora pormenores que faziam do ditador uma verdadeira aberração de carisma e de mais, digamos, fácil caracterização - Amin comia pessoas, coleccionava a cabeça de alguns inimigos de estimação numa arca frigorífica, era absolutamente tarado sexual - mas nada disso é mostrado no filme. Ainda por cima, a estória mostra o lado humano do Presidente do Uganda, quanto mais não seja o seu medo da morte e a sua utopia. Mas sem darmos por ela, Whitaker começa por fazer de nós ingénuos e crédulos, diante do líder ugandês, para nos ir assustando, aterrorizando, até darmos por nós cercados e sem saída.
Em todos os papéis que me lembro, em filmes como Panic Room, The Crying Game, Ghost Dog, Bird ou Phone Boot, do mais complexo dos protagonistas ao secundário mais sóbrio, ele sempre se transfigurou sem um milímetro de exagero ou defeito para me fazer esquecer, desde os primeiros segundos, estar diante de um actor.
O papel principal de The Last King of Scotland vai dar-lhe o Óscar, mas é só mais uma alínea na carreira de um actor perfeito.
PS: Ah! Gostei muito do filme, ao contrário do que diz a crítica portuguesa extra João Lopes, que é o único que me merece respeito. A fotografia está longe de ser tão boa como a de Eduardo Serra em Blood Diamond, mas os actores estão todos excelentes e os factos reais em que se inspira e estória são tão impressionantes que chega e sobra.
fevereiro 15, 2007
Máximo

No renovado Maxime está tudo na mesma. O gerente/cantor enverga os mesmos casacos discretos e entoa a mesma poesia urbana delicada; o empregado de mesa mais velho continua a brincar com os macacos do nariz enquanto serve copos de cerveja e amendoins, a stripper anã continua a ser a grande atracção da casa, depois dos lustres. Já tinha saudades.
fevereiro 14, 2007
Pasquim racauchutado
O novo Público não me cativa.
Criei expectativas altas, é certo, mas o tal do grafismo inovador deixa muito a desejar, nem parece feito pela equipa que fez do Guardian, o meu diário preferido.
O jornal lembra aqueles de distribuição gratuita - o Destak e o Metro. As cores escolhidas para os títulos não funcionam [lêem-se mal, e isso é a última coisa que se quer num jornal e nem eram necessárias, porque as fotos são todas coloridas] e as colunas diluem-se e confundem-se. O tal do caderno 2, ainda assim a parte mais interessante do jornal já que parece fim-de-semana todos os dias, não se livra de alguma trapalhice. Não faz sentido ter os passatempos encaixados de forma microscópica na última página [quem é que consegue fazê-los sem lupa?!], para dar espaço a uns desnecessários destaques [se já lemos o caderno, para quê recordar os temas?!].
No geral, o contéudo mudou quase nada. Um ou outro comentadores novos ou trocados de dia e remetidos para as últimas páginas, mas nenhum rasgo. A prometida aposta na reportagem não se nota. Longe vão os tempos do jornal de referência português.
PS: Vamos ver se o ypsilon surpreende, porque tenho pouca ou nenhuma esperança na Pública.
fevereiro 13, 2007
fevereiro 12, 2007
Apocalipse
Será que só eu é que reparei que foi Deus Nosso Senhor a mostrar a sua ira, com o sismo desta manhã, depois do resultado do referendo de ontem em Portugal?! Bem nos avisaram os senhores Padres nas homilias do fim-de-semana e aqueles crucifixos que pendiam por cima das mesas de voto.
O Cavaco que promulgue a lei que vai sair do parlamento e verás como a Terra treme até se abrir um buraco que tudo engole...
fevereiro 06, 2007
As vacas parideiras
Tenho ouvido e lido verdadeiras barbaridades nesta campanha do referendo sobre a IVG. Os panfletos distribuídos aos miúdos onde se lhes pede que agradeçam à mãe não ter abortado, são do mais idiota e hipócrita que a imaginação mais perversa podia conceber. Bem como a nova teoria do Não, que quer manter a lei como está, mas pedir aos juízes para condenarem as mulheres que abortarem a "serviço comunitário", em vez da prisão.
Mas as intervenções públicas de uma pessoa têm-me incomodado mais que todas: as da jornalista Laurinda Alves. As expressões faciais que faz quando fala alguém que defende a despenalização mostram ódio, desprezo, egoísmo, sobranceria.
Não sei quantas mulheres a Laurinda Alves acompanhou em processos de decisão sobre uma interrupção da gravidez. Ou se impediu que o fizessem denunciando o crime às autoridades; se as aconselhou a não o fazer e lhes emprestou dinheiro para fraldas e biberons; se lhes arranjou emprego em part-time e um marido que fizesse de pai; se lhes deu consulta psicológica para as livrar dos traumas "pós-traumáticos"; se as escondeu da humilhação pública com roupas de marca; se lhes transplantou o útero que elas estropiaram com uma agulha de crochet; se foi ao funeral das que morreram com uma overdose de Cytotec; se adoptou todas as crianças indesejadas deste país e lhes deu de mamar.
Bastaria um só exemplo para que a minha impressão sobre ela melhorasse substancialmente.
fevereiro 05, 2007
fevereiro 01, 2007
janeiro 31, 2007
janeiro 30, 2007
Intromissão
Anthony Minghella parecia determinado a fazer coisas em grande. Uma - The English Patient - não podia ter saído melhor, a outra - Cold Mountain - não podia ter saído pior. Mas regressou com um pequeno filme, centrado no bairro londrino de King's Cross e na estória de duas famílias que se cruzam acidentalmente. E não podia ter saído melhor, dos diálogos à escolha dos actores.
Mas não me apanham no próximo pequeno filme de Minghella.
janeiro 29, 2007
Blood

Blood Diamond devia ter sido nomeado para os Óscars. Tinha que ter sido, em vez de A Rainha, por exemplo. É um grande filme, em todos os sentidos, com uma excelente fotografia e bons actores, que dispensava um final à americana. Muito realista, se dermos desconto às partes em que Leonardo DiCaprio faz de Rambo. Mostra bem como a vida tem pouco ou nenhum valor, em certas regiões de África [no caso, a Serra Leoa de Foday Sankoh]. E como um simples diamante vale mais que todas as vidas. No meio de tanta desgraça, violência e ganância, um velho pede aos deuses para não encontrarem petróleo por aquelas bandas, aí estaríamos lixados. E o mundo seria um lugar melhor, se as repórteres fossem como a Jennifer Connely.
janeiro 25, 2007
[Continuamos a acompanhar a estória de]
Mozart, a Iguana de Antuérpia
SHOWS: (W4) ANTWERP, BELGIUM (JANUARY 25, 2007) (REUTERS - ACCESS ALL)
1. CLOSEUP OF MOZART THE IGUANA, MOZART STICKING HIS TONGUE OUT
2. MOZART WALKING IN QUARANTINE CAGE
3. CLOSEUP OF MOZART
4. KEEPER HOLDING MOZART / PAN TO INTERNATIONAL MEDIA
5. CLOSEUP OF INFECTED PENIS / ZOOM OUT TO WIDE OF KEEPER HOLDING MOZART
6. ANOTHER CLOSEUP OF INFECTED PENIS
7. (SOUNDBITE) (English) PETER VAN GENECHTEN, IGUANA CARETAKER AT AQUATOPIA, SAYING:
"I don't want to lose him and I don't think we're going to lose him but the best I think is for the vet to explain what he's going to do and we shall see."
8. CLOSEUP OF GENECHTEN LOOKING AT MOZART / TILT DOWN TO MOZART
9. WIDE VIEW OF GENECHTEN HOLDING MOZART
10. CLOSEUP OF MOZART'S FACE AS GENECHTEN PETS HIM
11. WIDE VIEW OF GENECHTEN AND MOZART
12. WIDE VIEW OF MOZART'S USUAL HABITAT
13. TWO FEMALE IGUANAS LOUNGING ON TREE LIMB
14. CLOSEUP OF IGUANA CLAW ON BRANCH
15. MORE OF FEMALE IGUANAS IN HABITAT
16. (SOUNDBITE) (English) DR. LUC LAMBRECHT, VETERINARIAN, SAYING:
"An infection can get inside and may kill the animal. Therefore, if I see this morning the lesions, as veterinarian, I think it's necessary to do an amputation of one of the two penises of this animal."
17. ANOTHER CLOSEUP OF A FEMALE IGUANA
18. (SOUNDBITE) (English) PETER VAN GENECHTEN, IGUANA CARETAKER AT AQUATOPIA, SAYING:
"For me, it's very important that the animal feels well, and of course that he is not dying. And if we let it like it is now, than we will have this problem. So, I think that the best decision is to do the operation."
19. SCHOOL CHILDREN LISTENING TO LECTURE ON ANIMALS
20. FISH IN TANK
21. TILT UP ACROSS "AQUATOPIA" POSTER
Kind regards,
Reuters Television London
Any queries please contact Reuters Television help desk.
Tel: +44 20 7542 2244
Fax: +44 20 7542 4970
Sobra um, Mozart
Mozart, an iguana with an erection that has lasted for over a week, will have his penis amputated in the next couple of days.
Veterinarians at Antwerp's Aquatopia had sought to treat the animal's problem, but decided removal was the only solution because of the risk of infection. The good news for Mozart and his mates is that male iguanas have two penises.
Mozart, sitting on the shoulders of his keeper as camera crews focused on his red, swollen erection, seemed unperturbed by the news.
"It doesn't bother him. He doesn't know what amputation means," said vet Luc Lambrecht, adding that Mozart's sexual activity should be undimmed by the operation. "I don't think so. That's all in his head."
Reuters
Emily Haines & The Soft Skeleton
Hard to hold, cold to touch
Fall to pieces, treat the rush
In hindsight, primetime talk
All your pain will end here
Let the doctor soothe your brain, dear
janeiro 24, 2007
Little Miss

Acho que nunca torci tanto por alguém como vou torcer pela pequena Abigail, lá para Março.
À espera que ela grite de felicidade quando receber a estatueta.
Adenda - Também vou torcer pelo meu actor preferido, nomeado por um filme que ainda não vi: Forest Whitaker, em The Last King of Scotland.
janeiro 23, 2007
Dois?! Ah, pois custa!
Mozart, uma iguana com erecção permanente há seis dias, depois de uma sessão de acasalamento no Jardim Zoológico de Antuérpia, poderá ter o pénis amputado se a sua condição não melhorar.
"Ele será visto pelo veterinário na 5ª feira", disse Enid Balemans, a porta-voz do Aquatopia Zoo, destacando que os tratadores ainda avaliam tratamentos alternativos. Mesmo que uma amputação seja necessária, Mozart ainda poderá procriar, porque as iguanas macho têm dois pénis, lembra Balemans.
A responsável do zoo explica que o animal não demonstra sinais óbvios de aflicção, mas afirma: "Imagino que se você for homem e olhar para Mozart, deve custar ver aquilo".
Reuters
janeiro 22, 2007
janeiro 19, 2007
O Rapto
Uma jornalista portuguesa foi raptada no Líbano e está desaparecida há vários meses. As brigadas da Jihad Santa ter-se-ão esquecido que não haveria interessados em dar-lhe importância, como eventual moeda de troca.
A melhor das sortes é o que desejo à abandonada Rute Monteiro.
janeiro 18, 2007
janeiro 16, 2007
Homo Promiscuus
Com galinhas ainda se admite, em situações de carência extrema... mas isto é demais!
[...]Tuning [4]
Quereis companhia para pipetar, quereis? Ou até para usar os vossos géis?
Tomai que é grates e não tem intervais.
PS: complementa as canções de Bloc Party e afins ali à direita.
janeiro 15, 2007
Babel
Alejandro González Iñarritù só tem um problema: a suprema obra-prima saíu à primeira. Dos filmes seguintes, que seriam o orgulho da esmagadora maioria dos realizadores, teve que dizer que faziam parte de uma trilogia e contratar as vedetas interessadas. Desta vez, como mostra o título, é a linguagem, ou as diferentes formas que ela assume, que faz com que as estórias se cruzem. Mas há traduções a mais. Daí que tenha que haver também uma espingarda que atravessa o mundo e as classes sociais.
Felizmente, nem só os japoneses gostam de monstros peludos.
janeiro 12, 2007
Doutora [com as letras todas]
Quando não há pachorra para a canastrice de Horatio Caine, muda-se o canal para rever uma série bastante didática.
Tem também um tipo coxo e sarcástico e dá no meu prime time, depois da uma da manhã.
janeiro 11, 2007
A Weekend in the City
Uns amigos meus de Shepperds Bush que formaram uma banda há uns anos, mandaram-me o segundo trabalho de originais para ouvir. Ah, e tal, vê lá se gostas que isso ainda não saíu oficialmente e ainda podemos mudar qualquer coisa se for preciso, ouve com atenção, mate, vá lá faz lá isso.
Ouvi umas quantas vezes e já lhes disse que por mim pode ficar assim porque é, de longe, o melhor disco que ouvi este ano e melhor que o outro seria, de facto, impossível. Eh, pá, está bem mate, obrigadão, mas tu és aqui do bairro e tal, põe mas é isso no blog para ver o que o pessoal diz.

E pusi-o. Para além do videoclip com que brindámos o novo ano - The Prayer - que será o primeiro single, estão na Rádio na Cabeça mais três quatro canções. Comenta por aqui que depois há mais e eles são gajos para vir cá tocar ao vivo e a gente presta contas.
PS: Já passava um fim-de-semana em Londres, já...
janeiro 10, 2007
janeiro 09, 2007
Daqui para Acolá
Na empresa, chamemos-lhe assim, onde trabalho, acaba de ser nomeado um Chefe do Serviço de Movimentação de Suportes. Não sei o que é nem para que serve, mas candidato-me a adjunto.
janeiro 08, 2007
Morte por Imitação
Sete crianças e adolescentes, além de um adulto, morreram em várias zonas do planeta quando tentavam imitar a execução de Saddam Hussein.
[...]Filmes do Ano
Ainda quase a tempo, a listinha das películas que mais gostei de ver nos últimos doze meses.
Inside Man Spike Lee | Match Point Woody Allen | The Three Burials of Melquiades Estrada Tommy Lee Jones | Marie Antoinette Sofia Copppola | The Departed Martin Scorcese | Miami Vice Michael Mann | A History of Violence David Cronenberg | Me and You and Everyone We Know Miranda July | The New World Terrence Malick | Breakfast on Pluto Neil Jordan | Little Miss Sunshine Jonathan Dayton, Valerie Faris | The Squid and the Whale Noah Baumbach | Caché Michael Haneke | Babel Alejandro González Iñarritú | Le Temps Qui Rest François Ozon | Munich Steven Spielberg | Thank You for Smoking Jason Reitman | The Aristocrats Paul Provenza | Gabrielle Patrice Chéreau
Os outros, não vi ou não gostei tanto.
janeiro 07, 2007
janeiro 05, 2007
R.I.P.
A rádio onde trabalho nunca tinha passado Pixies, Depeche Mode ou The Strokes. Gostava muito que o Nuno Carvalho ouvisse a emissão de hoje, que lhe é dedicada.
Já não há pessoas como o Nuno, assim com um coração tão enorme, com aquela sede de saber, com uma calma zen intrínseca e disponibilidade para partilhar, para dar sem receber em troca. Produtor de som desde o berço, o Nuno transformava qualquer conjunto heterogéneo de depoimentos falados numa bela reportagem musicada, sempre com aquele ar pachorrento de quem tinha todo o tempo do mundo para aperfeiçoar um pouco mais. O mesmo tempo que agora lhe foi tirado, oito anos depois de ter descoberto que tinha um filho da puta de um cancro.
Não tenho jeito para obituários, para esta coisa de resumir a vida de uma pessoa a poucas palavras, prestar-lhe a homenagem devida. Como amigo, deixo-lhe um abraço de saudade, um enorme bem haja.
Esta não será a última vez que me lembro de ti, Nunai, ou que choro a ouvir ...this monkey's gone to Heaven.
janeiro 04, 2007
Comics
Marbles é apenas uma das novas tiras diárias disponíveis na barra de links à esquerda. Muitas destas novidades, como o kawaii not ou o Pearls Before Swine, foram sugestão da (d*), que se prepara para deixar Hellbany e regressar a casa.
Isto para depois não virem dizer que nunca ouviram falar do Mutts.
janeiro 03, 2007
Gadgets
Estes são os 10 objectos que mudaram o mundo, segundo a irrepreensível Wired.
Se a escolha tivesse sido feita por mulheres, estaria lá um 11º.
dezembro 28, 2006
dezembro 26, 2006
Discos do Ano
Já é tempo, penso eu de que, de apontar os que mais toquei e mais me tocaram.
First Impressions of Earth The Strokes | Showtunes Stephen Merritt | St. Elsewhere Gnarls Barkley | Damaged Lambchop | In The Maybe World Lisa Germano | Orphans: Brawlers, Bawlers and Bastards Tom Waits | The Life Pursuit Belle & Sebastian | Begin To Hope Regina Spektor | Bande A Part Nouvelle Vague | The Greatest Cat Power | Return to Cookie Mountain TV on the Radio | Rather Ripped Sonic Youth | Dying To Say This To You The Soundz | He Poos Clouds Final Fantasy | Broken Boy Soldiers The Raconteurs | Dreamt For Light Years In The Belly Of A Mountain Sparklehorse | Quando a Alma não é Pequena Dead Combo | Broken Social Scene Broken Social Scene | Savane Ali Farka Touré | Ta-Dah Scissor Sisters | A Grande Mentira Balla
Mais coisa, menos coisa, como se pode ir ouvindo na Grafonola.
dezembro 25, 2006
Presépio [2]
Eu disse que este postal de Boas Festas era imbatível. Mas sou obrigado a reconsiderar.
dezembro 22, 2006
dezembro 21, 2006
k7 drive
Já não era sem tempo, mas e o gira-discos, hã?!
adenda: Não que eu seja distraído, mas não tinha reparado que também os discos de vinyl podem ser ouvidos - e gravados - no PC.
O que seria de mim sem a caixa de comentários?!
dezembro 20, 2006
dezembro 19, 2006
dezembro 18, 2006
Bestas
É certo que falta um Jon Stewart em Portugal. Faltará à maior parte dos países, que não têm sequer um Stephen Colbert.
Mas ao menos a nós, não nos faltam políticos que fazem George W. Bush parecer um génio elegante.
dezembro 16, 2006
Tuning [3]
É fim-de-semana e há quem precise de concentrar-se, por exemplo, na cozinha.
Revista, aumentada e amplificada.
dezembro 15, 2006
MEC is alive
Ver um azul do céu, essas merdas. E os dias. Começas a apreciar a vida, a respiração, acordar bem disposto, a água do banho. Enquanto antes eram só coisas adquiridas, livros que compravas, drogas que arranjavas, whiskeys que tinhas em casa. Os prazeres eram todos caçados por ti. Ias buscar este jornal, fazias a marguerita com tequila, snifavas a coca, mandavas vir da Amazon Books não sei quê. Todos os teus prazeres eram coisas que tinhas comprado. Depois do susto da morte os prazeres deixam de ser esses. Passa a ser o barulho de um carro a passar. O tique-tique. O estarmos aqui.
A verdadeira humildade é uma gratidão. No sentido do "olha lá a sorte que tive". Voltamos ao que disse lá atrás. Saber apreciar isto de estar vivo. Os objectos pequenos, o cheiro das coisas, a maneira dos gatos entrarem em casa. A riqueza do mundo, sem precisares de comprar seja o que for. Por exemplo, no outro dia descobri uma quinta, a Quinta da Ribeira, onde vendem pão embrulhado em cobertores, óptimo. Ainda não tinham apanhado as laranjas, porque é muito cedo. Mas estava lá o pomar. E eu atrevi-me e arranquei duas laranjas, mesmo quando ia a passar um padre que olhou para o chão, como quem perdoa, porque aquilo pertence ao seminário ou ao patriarcado, parece uma coisa do século XIX. Roubei essas laranjas, as primeiras laranjas do ano, sacadas por mim, com as folhas e tudo, mais a rama. Estive uma hora e meia à volta das laranjas, com a Maria João. Partimos os gomos e revisitámos todas as maneiras de comer laranjas. O prazer, o cheiro, aquilo tudo esmigalhado, o óleo a marcar o nossos braços. A comparação com outras laranjas. É uma coisa que só se pode apreciar aos cinquenta anos.. Se tu fizeres isso agora, não chegas lá da mesma maneira. Falta-te a idade.
Miguel Esteves Cardoso, in Diário de Notícias
PS: O que é preciso fazer para que a RTP repita O Portugal de... MEC?
dezembro 13, 2006
Keret

O primeiro presentinho de Natal durou menos que o embrulho.
São dezenas de contos de um jovem escritor israelita de quem só tinha ouvido falar por alto. As estórias são tão divertidas que queria dá-lo a toda a gente, neste Natal. Infelizmente, corridas as livrarias mais à mão, nem um exemplar disponível. Bem me avisou quem mo ofereceu, que queria que lho emprestasse assim que possível.
Desde As Formigas, que não me passava uma coisa tão original pelo nariz.
Sem pio
Isto tem estado impossível de publicar ou comentar. É certo que o Balsemão comprou esta plataforma de blogues infame, mas a coisa funciona cada vez pior.
Ainda por cima, como é apanágio da época festiva, sai uma média de duas listas por dia, como esta.
dezembro 11, 2006
Feitiço
One
One or two won't do
'Cos I want it all
And a sip
A sip or a spoonful won't do
No, I want it all
And I hope
hope you know what I'm thinking of
I want all of your love
She said "If love
Is a posion cup
Then drink it up"
"Cos a sip
Or a spoonful won't do
Won't do nothing for you
Except mess you up"
And I hope
Hope you know what this means
I'm gonna give you everything
Poison Cup, M Ward
dezembro 08, 2006
dezembro 07, 2006
dezembro 06, 2006
Fama
Chamo-me Sicrano Beltrano (Dj. Alay), de nacionalidade guineense, tenho 25 anos de idade, sou solteiro, tou em Portugal à pouco tempo, vivo na Rua Ana Castro Osório x, andar x. Damaia 2720-036 Amadora. Desde muito tempo tou com uma granda Ansiedade de pertar Mãos consigo, eu senpre aconpanho com os teus telejornais. Eu tenho muitos registo do que voce relatou durante muito tempo num docie que vai servir me de testumunhas que eu sempre sou uma pessoa que sonha pra te dar um abraço muito forte. A minha preferencia era pra te ligar um dia directo para Radio, mas, dada a situação da vida que eu tava a deparar em Guiné e distancia, não me deu jeito e eu preferia escrever tudo isso num pequeno bloco chamado Rádio x. Mas, eu senpre tenho Fé que um dia Deus vai facilitar um encontro ao vivo de corpo e alma entre Sicrano e Fulano Tal. Alias, cada dia sinto-me aproximação de realizar este meu grande sonho. Pois, eu tava muito longe de ti, mas agora tou a sentir o teu calor humano. Pois tou em Portugal...
Tenho um Amor em ti parece uma mulher que pertendo casar. Por isso, peço-te este grande favor de me contactar para te conhecer. Nen se for depois de apertamos mãos eu morrer, pra mim ta tudo bem. Tou convicto que tu tens muitos Fãs, mas, concerteza sinto-me iveja quado alguen ta a dizer q gosta tanto de ti, isto faz me sentir muito infirior em voce. Fulano Tal, aceita isso, eu na verdade sou o teu Fãn numero zero, não so dizer assim na boca, mas sim, é uma coisa que sinto naturalmente dentro da minha pessoa. O que tenho pra te dizer, não acabe assim, prefiro fazer quatro olhos consigo. Portanto, aceite este meu grande favor de encontramos qualquer dia que tiver dispunibilidade.
Os meus contactos São:
Telm: 96xxxxxxx
Telef: 21xxxxxxx
e-mail: alayotcha@xxxxxx.com ou alayotcha@xxx.xx
Com os meus melhores comprimentos.
dezembro 05, 2006
Eva
Venho afastar-me de forma veemente do movimento de apoio a Daniel Craig e dos que dizem que, afinal, o actor faz o melhor Bond desde Sean Connery.
For God sake! Para além de estar sempre a fazer beicinho e de parecer o porteiro do casino, o candidato a agente secreto com licença para matar nem com motivação extra consegue abrir uma grade de elevador já torcida.
dezembro 02, 2006
novembro 29, 2006
Stand Up
O que ele disse é inadmissível, não tem justificação, nem explicação.
Mas, que diacho! Estamos a falar de Cosmo Kramer...
Tuning [2]
Ainda não descubri uma maneira de aumentar as colunas laterias do blog sem que estas entrem pela coluna central adentro ['tou pidir!]. Mas aqui fica a grafonola revista e aumentada.
novembro 28, 2006
Pelo Maxime

O Maxime está em perigo iminente. As promessas de reabertura não se cumpriram, apesar do Maxime ter respeitado a palavra, ter instalado um limitador de ruído e contratado arquitectos para licenciar obras de 1969.
Quem serão os génios das máscaras cinzentas? Algumas possibilidades se configuram, mas há ainda muito trabalho a fazer, seguno os nossos detectives. detectam-se ramificações entre algumas entidades pardas: O Dr. Fu Manchu? Extra-Terrestres? O Hotel Plaza? A Câmara de Lisboa? A Câmara do Porto? O Dr. Alberto João Jardim? s interesses imobiliários? O sapo Cocas?
Adivinha se quiseres...
novembro 27, 2006
In Memoriam: Gedeão e Cesariny
voz numa pedra
Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Amostra sem valor
Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
Só agora é possível assinalar o desaparecimento físico de Mário Cesariny e de Rómulo de Carvalho. Aqui fica uma singela homenagem, os poemas que mais me dizem de cada um.
novembro 23, 2006
novembro 22, 2006
novembro 21, 2006
novembro 20, 2006
novembro 16, 2006
Tuning
Esta nova Grafonola [este homem é obcecado!] está em teste. São 45 cançõezitas que podem servir de banda-sonora à leitura das postas. Se a geringonça funcionar [e eu conseguir reduzir-lhe o tamanho para caber na barra lateral], substituem-se as canções da lista habitual, que dão um trabalhão a colocar online.
Diz de tua justiça.
novembro 15, 2006
De cada vez
Dos sete pecados mortais, curiosamente, cometo apenas um. Mas faço-o sete vezes mais do que seria admissível no mais profundo dos infernos pessoais.
novembro 14, 2006
O Código de Pedro
Lortion hent am iniam, verosto dionsent utpation eu feugue eum in verilit nisim ing ecte eriure commy nibh euip eugait, qui bla accumsan volore dolor sum iliquat wisci tat ulput num verostie del dipisi.
Lorper se endrer sumsan hendre te duisit amet, vel utem vel ulla commod tem estis alit, veliqui blaortie corpera sequisisim iliquis enis do dolobor inim zzriustie tat. Ut venibh eu feugait, veliquatuero dolorer senim il duis autpat. Ut lametum il et autpat nonsequipit ullan vel er siscin et nim am, volorpero od mod del ut et wisisit pratisi blandiam, vel do exer suscilit nit am acin hendre molor accummy nosto euip etue enisl doluptat ad del eugait wisis nostrud tin eugue faciliscin ut el do dolese dit nit dolobor sustisl ing essim quat prat, volenibh eu faccum alis alit veliqui cipsumsandre molortin utat. Dui tem inisim zzrillam inibh eugait prat nim dunt luptat nim quis ad tat. Duisl utate euisism dolenit essequis et la feugiam velenibh et er inis etue facinci uisciduisi.
Lore molobore min exeril eu feuguerci ea acilit ex et, conse mincil dit utpatue faciliq isit, quiscidunt la faccumsan velisis iduipisit et, quat luptat. Ut dip ecte dunt vent ullam dipsum do con volore feugue delessi.
Lore modion essed duntLor senis alisi blametu molumsan hent in vel ero esequate mincilisim qui blandip exero od magna accumsandre vel in velenim nullum dolore min heniamet ea at vero odio consed molor in heniamc mmodio dionulla ad ea faccum duip elenit wissi.
Duisit dolesse dolendiam, volorem quatem quatuero ea feuisis autations nos auguerit lore consenim dolenim iriure minibh ea faccum niamcon velit, velesse magnim duipisim in hent vulputpat. Ut vel ullut dio od etummolor in hent ulputat autetuer sed dionsecte dolobore modo et lan eraesed ero euis exercipis nibh ea atummy nonsed eratem delesse dolorper sum zzrit praessim doloborem zzrit laore min ullandions at, velisis iliquisisi.Lortie ex exer sim alis et, sit, si tet alit dolestrud euguer sectem velent utat nos nonsequat wis nonsequat in etum nim quiscin vero commy nonsect tumsand atumsan iamconse delit alit enim dolum augait in heniating eum enisiss sisis nibh elenim vullam vel ipisis nons et la cortinci blandrer ip
novembro 13, 2006
Pedrito de Portugal
É com expectativa que ganho fôlego para a leitura do livro de Santana Lopes. Como se vê pelas entrevistas que o promovem, será um marco na escrita de humor em Portugal.
novembro 10, 2006
novembro 08, 2006
novembro 07, 2006
novembro 06, 2006
Segunda Animada
Já começou. Às dez de hoje, o prato principal.
Pela A1, daqui, leva duas horas e trinta minutos sem cometer excessos.
Semi-entrevista
O meu professor de Semiótica e Semiologia quer entrevistar-me e publicar o resultado no seu blogue.
Tantos anos depois já não podem tirar-me o canudo, pois não?!
novembro 04, 2006
Grafonola
O Sam enviou-me essa tal de Radio.Blog e deixa lá ver se me entendo com a coisa:
Não está nada mal, não senhor! No meu tempo, não havia nada disto.
novembro 02, 2006
Ai
Putativamente, as máquinas que suportam o Weblog terão entrado em sobrecarga devido a excesso de tráfego. Passou-se o fim-de-semana, o feriado de finados e nem o excesso nem a sobrecarga se acalmaram pelo que continua impossível comentar nos posts do blog. Ninguém foi, portanto, nem bloqueado, nem censurado, nem sitiado. Mas que aborrece, aborrece e até refreou a publicação, assim como que remetida à solidão e ao silêncio sepulcral da ausência de opiniões.
A aeiou está a tentar que o funcionamento da caixa de comentários volte ao normal ainda hoje.
Apesar de sermos totalmente alheios [não sei se já disse que adoro esta expressão], pedimos desculpa e compreensão.
outubro 31, 2006
Evil Dead
Este pequeno momento de bom humor cinematográfico é dedicado a Zita Seabra, ontem bastante desfavorecida pela maquilhagem, pelo guarda-roupa, pela iluminação do estúdio e pelo que foi dizendo, durante o concurso de televisão Prós e Contras dedicado ao tema não matem as criancinhas, estropiem as mães.
outubro 30, 2006
Telejornalista
Quando for grande quero ser como o José Rodrigues dos Santos, que bebe sopa de peixe feita com leite de mamas, escreve livros em que demonstra que Deus não existe e diz Touny Bléé.
Infiltrado

A minha memória não é fiável, mas lembro-me de ter lido a propósito de Inside Man, que Spike Lee, agora em definitivo, já não fazia filmes sobre a comunidade negra de Nova Iorque nem sobre racismo, que se tornara um realizador sem cor, que filma temáticas universais.
Devo ter visto um Infiltrado diferente, porque o filme, para além de ser um sublime policial, está cheio de racismo subtil, daquele que se escamoteia nas sociedades ditas tolerantes, daquele inconsciente que cria injustiça e obstáculos inultrapassáveis, repleto de pormenores que demonstram como uma sociedade multicultural como a nova-iorquina sofre e convive com isso.
Quer na escolha dos actores e nos diálogos, quer na banda-sonora, Spike Lee continua a ser um realizador que se orgulha da cor de pele que tem, sem que isso signifique que a defenda com preconceito.
outubro 26, 2006
A 'Ganda' portuguesa
Para não ser o único blogger que não falou do programa, aqui fica a posta sobre os Grandes Portugueses. E o meu voto vai para, ora deixa cá ver, se me vem alguém à cabeça... Não, Afonso Henriques é demasiado óbvio... Figo não foi campeão do mundo... Uma mulher para parecer melhor, Viera da Silva já tem o voto da pestanuda do Bloco é prestígio que chegue... Margarida Rebelo Pinto ainda não tem o Nobel... Já sei!
Estava mesmo à minha frente e quase me esquecia dela. Sem dúvida, é a melhor representante de um "grande português".
Quem não gostaria de chegar onde ela chegou, daquela forma, ter o que ela tem, estar onde ela está?! Uma jornalista que preparava completamente sozinha entrevistas a políticos, artistas e intelectuais, que soube filiar-se no partido que ia ganhar as eleições, que depois chegou a deputada, que conseguiu distinguir-se como parlamentar com discursos brilhantes e intervenções acutilantes e corajosas, que subiu a pulso no partido e obteve um cargo invejável fora do país, para subir e descer milhões de vezes a Oxford Street em busca de cultura, para se vir embora deixando uma marca indelével na cidade, e regressar em grande à televisão para apresentar um programa deste calibre, que consegue juntar José Hermano Saraiva e Ricardo Araújo Pereira no mesmo painel?!
O meu voto tem que ir para Maria Elisa.
PS: Tenho mesmo que pagar aqueles 70 cêntimos mais IVA?
Grandes Citações
Vai para cima de vários dias que eu não faço aqui uma lista. Esta, mostra as melhores falas do cinema, por ordem cronológica.
I love that you get cold when it's seventy-one degrees out. I love that it takes you an hour and a half to order a sandwich. I love that you get a little crinkle above your nose when you're lookin' at me like I'm nuts. I love that after I spend the day with you, I can still smell your perfume on my clothes. And I love that you are the last person I want to talk to before I go to sleep at night. And it's not because I'm lonely. And it's not because it's New Year's Eve. I came here tonight because when you realize you want to spend the rest of your life with somebody, you want the rest of your life to start as soon as possible!
When Harry Met Sally
outubro 25, 2006
outubro 24, 2006
outubro 23, 2006
Segunda Animada
Para alegrar a 2ª feira, uma linda história infantil: The Book of Clones and Possessed Children.
outubro 21, 2006
outubro 20, 2006
Caciques
E apesar disto, eles continuam a vencer as eleições, umas atrás das outras, lá em cima e cá em baixo. Pior ainda, protestos como o do Rivoli são raros e vistos como bizarros.
outubro 19, 2006
Camara Invisível

Teresa e Lena são duas lésbicas que tentaram casar, desafiando a lei. Mas o mediatismo do caso trouxe-lhes ainda mais dificuldades e discriminação. Estas duas mães - e duas filhas - são uma família de facto, mas fora da lei. Para elas, casa, escola e trabalho podem tornar-se grandes problemas.
O documentário Fora da Lei estreia este dia 21, pelas 18h30, na Culturgest. Aposta do Festival Doc Lisboa.
outubro 18, 2006
Turistas por Metro Quadrado
Eis senão quando, em plena época das chuvas e sem férias no horizonte, surge mais uma lista, das 100 maravilhas do mundo. Só conheço dez delas, culpa de ter pisado apenas dois continentes, até agora.
Para conseguir que Portugal tenha uma maravilha qualquer é preciso pedir o Top 1000 deste tal de Howard Hillman, que se gaba de ter feito um milhão de milhas em mais de 100 países, para fazer inveja. E resulta.
outubro 17, 2006
Involuntária
O problema, Luís, é que se todos os que pensam assim se abstiverem, lá vence o NÃO outra vez. Porque uma coisa é certa, os padres votam e dão missa.
outubro 12, 2006
Fait-Divers
Acho que é no Clube dos Poetas Mortos que alguém diz que as palavras podem, de facto, mudar o mundo. Chamem-me utópico, mas o mundo está como está porque quem tem o poder de chegar às massas não diz o que deve. Quase nunca se usam as palavras para defender e fazer o bem.
Na primeira página dos jornais de hoje, sem excepção, vêem-se imagens de um edifício de Manhattan a fumegar, resultado do embate de um pequeno avião que, por acaso, não se vê. Desta vez, não houve terrorismo, apenas manifesto azar ou imperícia do piloto. Do lado oposto literalmente, na última página ou remetido ao canto de uma interior, os mais atentos leram uma outra estória: em Angola, 470 mil pessoas vão perder o único meio de subsistência, porque o Programa Alimentar Mundial não tem dinheiro nem transporte para distribuir a comida recebida em donativos. Milhares de crianças vão ficar sem a merenda escolar, por exemplo.
Dizem os jornalistas que o pequeno incidente nova-iorquino reacendeu a memória do 11 de Setembro, justificando assim o destaque dado à notícia.
E a fome em Angola, a miséria em África, reacende alguma coisa?!
outubro 10, 2006
outubro 09, 2006
Engomar fácil
Afinal, parece que os ferros a vapor não funcionam sem água. É certo que nunca soube utilizar o vapor em causa ou a função borrifar do dito, e ainda é mais verdade que os babetes e as fraldas de pano nunca se ressentiram, muito menos esta ou aquela t-shirt mais torcida. Mas quando o fio eléctrico se incendeia como se fosse o pavio da dinamite ateado sem aviso para pintar a negro a estante dos DVD, o candeeiro de papel, o sofá e vários tacos do soalho, há que reconhecer que não custava ler as instruções de um aparelho que sempre se mostrou complicado e ameaçador, muito antes desta galopante onda de azar. Ouvido o conselho da mãe e desembolsados vários euros, aprendo no manual que a água a utilizar tem que ser destilada.
A vida é muito complicada.
outubro 07, 2006
Debaixo de Água
Debaixo d'água tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem tecto sem contacto com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo d'água por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo d'água protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Arnaldo Antunes
outubro 04, 2006
outubro 03, 2006
Kill the Radio Star
Gosto de listas, que hei-de eu fazer?!
Nesta, constam os melhores video-clips de todos os tempos, numa escolha criteriosa e exaustiva da Stylus. Alguns deles já não estão disponíveis, mas é possível encontrá-los no sítio do costume.
PS: Esta posta não é um pretexto para mostrar a Fiona Apple semi nua.
setembro 30, 2006
setembro 29, 2006
setembro 28, 2006
setembro 27, 2006
Sintético
Mais duas ou três piruetas encarpadas daquelas [que nem a relva artificial conseguiu afectar] e podem apresentá-lo à Merche Romero.
setembro 26, 2006
Cosmos
Não havia a escolha 24/7 do Fox e do AXN, eram dois canais generalitas apenas [com poucas horas de emissão] que só se intercalavam levantando o rabo do sofá e carregando no botão. Mas para além do Espaço: 1999, da Galáctica e do Buck Rogers, vibrava-se com isto*. Claro que também não havia esta coisa espantosa a que chamamos internet de banda larga.
* Todos os episódios disponíveis com um simples clique.
setembro 25, 2006
Vício
A ideia de ir beber mojitos a Havana é o sonho de qualquer um. Na companhia da Gong Li, isto é. Não, eu não, que costumo enjoar de barco. Em Miami Vice, a chinesa faz de cubana [aliás, quem se importaria de a ver como islandesa, busquímane, índia da amazónia ou alentejana?]. É certo que o Colin Farrell não chega aos calcanhares de Don Johnson, mesmo que vista fatinhos brancos de melhor corte e evite o sapato-vela sem meia tão em voga nos oitenta, mas o filme é uma lição de fotografia e uso da iluminação, numa história de amor simples e realista. O Jamie Foxx está au point, como sempre, e a Gong Li, acho que ainda não falei dela, dança bem e fala espanhol quase quase, mas mesmo quase, sem sotaque. E quem não gostaria de a fazer chorar com um orgasmo?! Os maus da fita são excelentes, principalmente John Ortiz, que tem um esgar paranóico como há muito não via [também é verdade que não o vi em mais filme nenhum] e o igualmente pouco visto espanhol Luis Tosar, senhor da falta de expressão mais expressiva que se possa imaginar. Espero que a Ana Cristina Oliveira não tenha ido na lábia do escocês canastrão.
setembro 24, 2006
Here It Goes Again
Este é para quem detesta aqueles videoclips com coreografias elaboradas, tão em voga nas boy e girlband. Vi o video tantas vezes que nem preciso de voltar ao ginásio.
setembro 23, 2006
Bairro do Amor
Por estes dias, e apanharam-me de férias numa pequena aldeia onde só existe o Café do Concelho que fecha às dez da noite, têm-se discutido nos blogues a degradação agudizante do Bairro Alto, num interessante debate que terá sido iniciado pelo Eduardo Pitta. Nem preciso dizer que concordo. Ela é bem visível e chega facilmente ao nariz.
Conheço razoavelmente todas as noites do Bairro Alto. Até as de Domingo, quando as ruas estão menos peganhentas e é menos fétido o cheiro. Há uns quinze anos que lá vou, quase exclusivamente, porque estão lá, ou perto, os bares que mais gosto e até alguns dos restaurantes, onde continuo a perder-me com gosto à procura de um determinado local de encontro. A ideia de condicionar o trânsito pareceu-me boa, embora reconheça que os moradores foram prejudicados, e o aparecimento de lojas cool deu mais vida aos dias de um bairro que quase só tinha noites, ainda que não tanta quanto isso.
É um bairro único. Só me lembro de ter visto algo parecido em Amesterdão, mas numa atmosfera doentia claramente encenada, com neon a mais e sem este traço castiço e genuíno. No nosso, gosto dos encontrões ébrios e do pedido de desculpa tá-se bem, dos charros que se queimam e enrolam nas soleiras das portas, das várias tribos que se cruzam e misturam, dos reencontros ocasionais inacreditáveis no meio de tanta gente e das recordações, do preço da cerveja e de poder bebê-las na rua encostado a um carro que não é meu, da variedade.
A degradação que agora merece atenção existe há muito e agravou-se, mas faz parte do cenário geral da cidade. Tirando raras excepções, por todos os bairros de Lisboa se nota lixo no chão, vidrões abarrotados e cercados por objectos contra-indicados, um cheiro esquisito, buracos na calçada, paredes com gatafunhos [não confundir com graffitti] ou cartazes vários colados e rasgados, sinais de trânsito danificados e/ou ilegíveis, espaços verdes descuidados. A falta de civismo tem sido bem acompanhada pelo desleixo total das autoridades municipais e pela quase total indiferença dos habitantes.
O Bairro Alto talvez seja o melhor lugar para começar a reclamar mudança, porque toca em mais corações em simultâneo.
setembro 21, 2006
A1 sentido norte-sul
Por distracção e depois cautela, falhei a entrada na estação de serviço de Cantanhede. A caminho de Pombal, durante uma ultrapassagem, reparo que o carro à direita trava bastante, mais que o normal para um português ultrapassado, mas não dou importância. Um cão aparece do nada, em plena auto-estrada, meio perdido e levianamente descontraído, sem que pudesse evitá-lo. Ainda o vi a olhar para mim. Segurei o volante firme e bati-lhe, uma pancada seca que não fez desviar a rota. Sinto que o carro perdeu partes e que outras meio soltas fazem barulho. Resta-me encostar à berma e constatar consternado que um mero cão, que agora jaz nos arbustos do separador central ao quilómetro 185, desfaz o pára-choques e deixa zarolhos os faróis de nevoeiro em troca da própria vida. O suficiente para meter BRISA, GNR, assistência em viagem, reboque, burocracias e telefonemas, soprar no balão e uma ida de táxi para Lisboa, depois de descarregar e voltar a carregar duas abóboras gigantes, alheiras de Mirandela, uvas, peras e favias, pimentos e tomates, vinho caseiro, malaguetas em rama, mel e presunto, uma cama de campanha de bebé, uma cadeira e um carrinho de bebé, mochilas com roupa e o kit de fraldas, pomadas e loções. Pelo caminho, oiço que Bangkok vive um golpe-de-estado e que a inteligenzia lusitana aplaude a escolha do novo Procurador-Geral da República.
setembro 17, 2006
Habemus papa
Finalmente um cartunista com tomates! Os dinamarqueses acobardaram-se logo, mal viram umas embaixadas incendiadas. É natural, sempre houve algo de podre no reino da Dinamarca. País mole, de quem já Hitler se queixava pela moleza com que tratavam os judeus. Mas agora vem a terreiro outra força: um papa alemão qu e esteve nos escuteiros até aos dezasseis anos e que fala italiano com o sotaque de um filósofo que tivesse engolido (por engano) umas pastilhas de Hannibal Lecter ao almoço.
Bento, por alcunha "o dezasseis", mostra aos infiéis a veritas nua e crua àqueles que não bebem vinho. E a veritas é: a minha religião é maior que a tua! O meu Deus é mais melhor bom que o teu Alá! Contra os infiéis da Jihad, enviemos legiões de Live G.Is! Bento mostrou-nos o caminho, só faltou fazer um desenho: contra a Guerra Santa, avancemos com a Paz Santa!
setembro 16, 2006
BLOGSITTING
Os sinais estavam todos lá. A proporção de amigos com blogs tinha nos últimos meses subido para uns belos 90%, o que, em resultados práticos, se traduzia num elevado número de conversas sobre templates e plataformas, acompanhadas de uma descoordenação temporal considerável. Os bloggers são seres sem horas certas, toda a gente sabe. Um quarto das suas vidas é passada a bloggar, e um blog não escolhe hora nem data para se ir abaixo, recusar comentários, ser atacado por spam, requerer uma reconstrução urgente. Deixado entregue a si próprio, faz bligga, não blogga.
O que nem toda a gente saberá, e muito menos sabia eu, é que os detentores de blogs têm ainda algo mais em comum. As últimas semanas de Setembro exercem sobre eles uma força libertadora que os empurra para férias.
E aí, ai, aí…
Fada Boa e Reizinho Melchior,
Vou para a minha pequena aldeia por semana e meia.
Não terei internet, por isso peço-vos que mantenham o vosso bloguezito activo, nem que seja para falar dos filmes que vão vendo no Optimus Rainy Air ou de uma nova dor nas costas.
Quando escreverem o texto, se quiserem, seleccionem a categoria. E depois publiquem e sejam felizes. Beijos
Nem mais nem menos. Largam os seu meninos na Roda. Todos, sem excepção, deixando mais ou menos indicações sobre como ter um blog, desvirtuam-se.
E é assim que me vejo com cinco blogs na mão. Há três dias.
Pergunta da noite:
a partir de que idade é que um blog é um ser vivo?
Pergunta para amanhã:
serão os blogs tamagochis?
Pergunta para depois de amanhã:
Melchior, onde estás tu?
setembro 13, 2006
Mergulho
Gosto de chuva e das cidades quando chove. Gosto de recordar dias com gente que escorre água pelos casacos agarrados junto ao pescoço ou se esconde debaixo de um guarda-chuva negro. Gosto de cidades onde parece chover pela primeira vez em vinte anos e onde as t-shirts e as camisas se colam ao corpo, onde os ombros nus parecem saídos do banho, onde pessoas atarantadas param debaixo dos toldos e ficam. Gosto do cheiro das calçadas de pedra brilhante e de olhar o céu que me beija a face.
setembro 12, 2006
Livre [3]
Desdobro mapas e olho para eles com os dedos. Puro paradoxo, perco-me insistentemente, mas posso voar sem saber o destino. Pior ainda, gosto de conforto e de saber com o que, e com quem, contar. E fujo.
setembro 07, 2006
Livre [2]
As horas apoderam-se de mim desenfreadamente e raramente cumpro os planos traçados. Crio demasiadas expectativas, mergulhado num sonho infinito. A mesma teimosia que me fez resistir, leva-me a mudar de direcção sem admitir uma segunda oportunidade.
Não sei se uma coisa tem a ver com a outra, mas acontece-me partir objectos importantes ou queimar pensamentos escritos, apenas porque me trazem uma má recordação, ainda que não deva dar maus exemplos. Depois arrependo-me, claro, porque nada disto tem a ver com rotina.
setembro 06, 2006
Livre
Apodero-me de cada segundo tranquilamente e raramente antecipo ou faço planos, que nunca batem certo. Sonho até ao infinito sem criar demasiadas expectativas. O único paradoxo é mesmo a teimosia.
Não sei se uma coisa a tem a haver com a outra, mas gosto de reler trechos de livros, de rever determinada cena de um filme ou colocar uma canção em repeat constante, agora que já não preciso de encher uma cassete crómio de 90 minutos para não estar sempre a rebobinar. Depois farto-me, claro, porque nada disto tem a ver com rotina.
setembro 04, 2006
Pó de Arroz
Porque lhes conhece as olheiras matinais, lhes elimina as rugas e as cicatrizes, lhes disfarça a calvície e esconde a caspa, lhes ouve os desabafos durante o processo, a rapariga da maquilhagem trata todas as vedetas por tu, sem obedecer a formalidades, sem qualquer complexo estatutário, hierárquico ou social reinante.
As vedetas deixam tombar a pose e retribuem o tratamento, invejosos da tatuagem e dos piercings visíveis, do à vontade e do desleixo, da vantagem clara que tem sobre eles, que nada sabem sobre ela.
setembro 03, 2006
'Ouvir Sonho na Rádio'
Boa rádio? É a rádio que não passa sempre as mesmas músicas, em que não se diz sempre a mesma coisa, em que há um factor de risco, há erro, em que o tipo que está a fazer aquilo tanto pode soar ao melhor profissional como pode engasgar-se todo e tropeçar e quase fazer de palhaço. [...] É pôr ali as entranhas e dar um bocado de mim àquilo, não ser a personagem que as pessoas de cima dizem para ser. A maioria das rádios, portuguesas e não só, são formatadas. Todas têm que dizer o slogan quando começam a falar. Como é que essas pessoa conseguem viver com elas próprias? [...] Isso não é rádio. Para isso mais valia gravarem uns takezinhos e estar sempre a dar a mesma coisa.
Palavras de Pedro Ramos - animador das tardes que oiço, no percurso casa/trabalho - ao Diário de Notícias.
setembro 01, 2006
Chill Out
No botão três do rádio do carro surge agora uma segunda alternativa à alternativa. É pouco frequente, admito, mas quando nem a Radar, nem a Oxigénio me agradam, oiço a foxx. Tem a atitude certa e boa música, para quem gosta de soul, r&b e pouca palavra. Enquanto escrevia esta posta, ouvia-se Slave to the Rhythm, de Grace Jones. Disponível online, como convém.
agosto 31, 2006
a pior revista musical de sempre
Pode comparar-se um disco de Iran Costa à música de Björk?!
Segundo a Blitz, pode. Pior ainda, num artigo que considero uma verdadeira proeza, O Bicho é uma obra superior ao último registo da islandesa.
Discos como Second Coming, dos Stone Roses, Machina/The Machines of God, dos Smashing Pumpkins ou o álbum [] de Sigur Ròs, são atirados ao molho dos 30 piores discos da história e considerados inferiores a uns quantos pimbas.
A dada altura, para tentar justificar as escolhas e a falta de critério, o artigo de Lia Pereira e Luís Guerra, diz que Björk está "algures entre o gótico e a loja dos 300".
Com um critério bastante mais objectivo, podemos classificar uma lista destas como "algures entre o papel higiénico e a sanita".
Por isso, para ler sobre música, prefiro esta.
Querido Blog
Por problemas técnicos aos quais somos alheios, não foi possível publicar postas nem comentar neste blog nos últimos dias. Ainda assim, naturalmente, pedimos desculpa pelo incidente que não foi minimizado pelos sketches de Monty Python disponíveis duas postas abaixo.
As dificuldades estão longe de estar ultrapassadas, depois do que se afigura como o maior ataque de incompetência e desleixo da história da blogosfera lusitana.
[...]agosto 29, 2006
agosto 28, 2006
And now for something completely different
As imitações nunca são suficientes, quando se conhece o original.
agosto 27, 2006
agosto 24, 2006
Por Plutão
É inacreditável o que a comunidade científica está a fazer a Plutão.
O pequeno planeta acaba de ser desclassificado na tabela universal, passando a ser designado por anão gelado, no que vejo como uma manobra invejosa pelas suas três luas, ainda que chamem ao processo arrumação do Sistema Solar.
Pesado herdeiro do inferno grego, Plutão vê desprezado o seu estatuto cultural e deixada para trás uma órbita ziguezagueada em torno do mesmo Sol que os outros, há tantos milhões de anos, seja quem for a contá-los.
Os cientistas nem se dignaram a dar um saltinho à Cintura de Kuiper, ou mandar alguém, para dar explicações e ouvir a devida contra-argumentação.
agosto 23, 2006
L'Imonde Diplomatique [3]
Histoire Tragico-maritime
Decididamente, que saudades de 2001! O ano em que, escassas semanas antes do 11 de Setembro, e parcos meses antes da fuga de Guterres, um valeroso portuguez assassinou um tio e cinco outros empresários de Setúbal na bonita Praia do Futuro.
Hoje? Hoje Portugal é uma miséria: com um bom presidente, um bom governo, um bom primeiro-ministro. Já quase incêndios não há – pelo menos, segundo consta, nos noticiários da RTP. Portugal qualquer dia parece a Bélgica: nada senão pedófilos e burgueses numa terraplana tão chata quão próspera. Só nos falta Durão, que já lá está. Porca miséria...
Resta-nos a importação de mão-de-obra estrangeira. E sim, todos os dias, desde há dias, que tenho o prazer de ver, ouvir e ler o folhetim do Naufrage au Portugal. Tal como o Equador, ele tem tudo: aventura, emoção, sexo e, até, um quase-incesto. O casal francês seria meio-irmão, vivendo em pecaminosa concubinagem, vendo a sua luxúria acentuada pelo assassinato de um terceiro, o dono do catamarã, ligotando-lhe as mãos e cimentando-lhe as pernas. Quase tão bom como um episódio dos Sopranos!
Compatriotas, estamos à beira do abismo. Encore un p'tit effort!
agosto 22, 2006
Fogo de vista
Já aqui critiquei a RTP, e muito, porque ao contrário das outras televisões, tem obrigações de serviço público que, regra geral, não cumpre. E porque é paga pelos contribuintes e pelos consumidores de electricidade, deve ter níveis de qualidade que, excusado será dizer, também não tem, quase nunca.
Mas discordo da análise de Eduardo Cintra Torres, este Domingo, sobre a cobertura dos incêndios pela televisão pública. É uma opinião inexacta e oportunista. Nem o facto de se tratar de um crítico de televisão [a pior profissão do mundo] serve de desculpa. Naturalmente, naquelas circunstâncias, a RTP teria que dar maior importância à guerra israelo-libanesa, onde estavam uma dezena de enviados-especiais. A questão dos fogos por circunscrever foi tratada com a serenidade possível, mais adiante no Telejornal.
Não deixo de assinalar com curiosidade e um abanar de cabeça trocista que uma das vozes doutas que condenou nos anos anteriores os dramáticos e prolongados directos televisivos repletos de "como é que se sente" e lágrimas de desespero, levante agora a voz contra a "censura" e a "instrumentalização" dos jornalistas, logo aplaudido por tantos bloggers.
Mais do que mergulhado na silly season, este é mesmo um silly country.
agosto 21, 2006
Willing to Try
Ninguém conhece a vagina como ela é.
Lamento de Francisco Allen Gomes, proferido numa entrevista ao Diário Notícias que, infelizmente, não pude ler.
agosto 19, 2006
Extrarradio
A rubrica de cinema do programa Extrarradio, na Rádio Galega, viaja esta semana até Portugal, país fonte de varias das propostas máis ousadas dos últimos anos. A convidada é a jornalista Teresa Nicolau.
O programa, conduzido por Eduardo Herrer e Belén Regueira, pode ser acompanhado online entre as 10 da manhã e a uma da tarde, aos Sábados, ou aos Domingos, entre as nove e o meio-dia e meia.
Dentro de dias, o nosso blogger preferido da Galiza, autor da rubrica, fará uma posta sobre esta materia. Cobrar-lhe-emos a promessa.
agosto 18, 2006
agosto 17, 2006
A ratazana
Pelos vistos, há quem não perceba a diferença entre o escritor e a sua escrita.
Isto a propósito dos que se apressam a dizer que nunca mais vão ler Guenter Grass porque este confessou, só agora, ter pertencido às Waffen SS nazis quando tinha 17 anos.
Caixa
Tudo bem, adoro ler. Quase tanto como escrever. Artigos e contos, porque o tempo urge, mas sublinho ficção científica e romances históricos sempre que posso, com fetiches por Vian e Vila-Matas. Mas será que eu conseguiria sair da frente de uma televisão se estivesse a dar um canal como este?
agosto 16, 2006
agosto 15, 2006
agosto 12, 2006
L'Imonde Diplomatique [2]
Hoje: O Imigrante Portugais
Adoro os incêndios de Verão. Têm sido, ao longo dos anos, a única forma de eu ver a pátria querida escarrapachada nos jornais franceses. Com sorte, se o incêndio for bom (do ponto de vista estético) Portugal até consegue chegar aos telejornais, à TF1, à TF2, quem sabe à M6. O canal Arte é mais complicado, porque é franco-alemão mas, com sorte, lá chegaremos um dia. Ah, que saudades do terramoto de 1755, ainda hoje lembrado porque, em boa hora, um francês (Debonnaire? Grammaire? Sacraire? não me ocorre agora) se lembrou de nos dedicar um cândido mas sensacional livro. Portugal era então, na imaginação do homem (CharlePierre? Maldemer? Volteirre? apre!), um país muito dado aos autos-da-fé, à boa fogueirinha redentora. De certo modo, podemos olhar para os incêndios de Verão como um grito do Ipiranga de um país sedento (sedento? a arder) por voltar ao tempo de antena, às primeiras páginas, à glória d'antão. A tarefa não parece fácil, sobretudo quando a Caras prefere pôr na capa o novo amor de Elsa Raposo a um esforçado incêndio no Minho ou nas Beiras... Talvez por isso, este ano, as notícias aqui escasseiem, tal como a matéria prima por arder em Portugal.
Eis senão quando, hoje, no Libération, uma página inteira dedicada à vitória do Francis Obikwelu em Estocolmo, com a lusa bandeira erguida bem alto nos seus braços. Quando imigrou para Portugal, o Francisco foi trabalhar para as obras, pois então. E, leio no jornal, em 2001 naturalizou-se português, sem quaisquer entraves por parte do Estado! Se isto não é a prova de que Portugal trata bem os seus imigrantes... Fiquei comovido. Tanto mais que, da última vez que um português ganhou a medalha de ouro em Estocolmo, a coisa foi muito diferente. É certo que Saramago não estava já em idade de correr pelas ruas da capital sueca de bandeira no ar, mas podia pelo menos ter ido embrulhado nela discursar à academia. Resta-nos esperar que, quando chegar a sua vez, o mais jovem Lobo Antunes prefira seguir o exemplo de São Obikwelu ao de São Ramago.
agosto 07, 2006
Intervalo na 'Época Parva'
Preparava-se há onze meses para o momento entre todos apetecido - especialmente se formos de comboio - que é fugir na manhã clara para as solidões queimadas do Auvergne tropical que vai até Aude e apenas se esvai ao cair da noite. Revivia a última manhã passada no escritório, o esforço que era pousar um pé de cada lado do telefone e atirar ao cesto as amachucadas bolas da correspondência ainda há pouco distribuída, a amenidade do ar que foge por baixo do elevador com um sedoso rangido, o raio de sol a dançar à sua frente, reflectido pela pulseira metálica, e de volta ao apartamento da Rua do Cais o pio das gaivotas e dos pertinazes cinzentos e pretos, a animação um tanto mole do porto e o cheiro forte de alcatrão na farmácia do senhor Latulipe, seu vizinho de baixo.
As Formigas, Boris Vian
[Tradução de Aníbal Fernandes - Assírio & Alvim]
agosto 03, 2006
agosto 02, 2006
agosto 01, 2006
Lifting
As obras na fachada do blog estão conluídas, pelo menos para já.
As alterações foram minimalistas, mas essenciais, nomeadamente na correcção de alguns erros que continha o template, detectados pela assombrosa Cátia Mourão. Por exemplo, agora já se pode ouvir uma canção da Rádio na Cabeça do Blog enquanto se navega por outras páginas, o que não acontecia a quem utilizava o Firefox.
O menu do topo da página, aquela mariquice imediatamente acima dos textos, permite alguns acessos mais rápidos e intuitivos, como à mailing list [Subscrever] - que permite incluir todos os blogues preferidos e ser avisado quando eles são actualizados.
Como sugeriam alguns comentários, que agradecemos, foram diminuídos os links e os menus, para além de se incluir em todas as postas a Categoria da mesma e a possibilidade de a enviar por e-mail.
A Kaku está a tratar do último detalhe - a criação de um novo banner.
Sim, porque este blogue não faz férias em Agosto. Quanto muito, vai a algumas festas de praia.
julho 30, 2006
julho 27, 2006
L'Imonde Diplomatique [1]
Hoje: o intelectual portuguez
Escrevo-vos de França, da minha humilde maison en Provence. Aqui está sol, e aí? Ah, fico contente: também. E os incêndios de Verão, ça va? Precisam de ajuda? Não, claro.
De resto, ninguém liga aos incendies ou até à canicule. O que está a dar agora é o Líbano. Seja.
A coisa está de facto difícil no Médio Oriente. O Líbano, o Hezbollah, o míssil, o José Roquete, o Israel. Não há intelectual portuguez digno desse nome que não opine. E eu também – ou sou menos que as outras?
Vim para França, sim, sou o primeiro a admiti-lo. Mas não o fiz impunemente. Fi-lo por patriotismo. Fi-lo porque sou um INTELECTUAL PORTUGUEZ. Estou em França (na Provença) apenas porque (estudem geografia, avestruzes!) este paiz fica mais perto do conflito. Eu sou assim: preciso de sentir o perigo rasgar-me o rosto. E, hélàs, qual esfíncter atrofiadamente estreito, Portugal é demasiado pequeno para mim.
Daqui de perto, quase sentindo as bombas, só vos posso dizer: a guerra é... é do caraças. A paz é mais curtida. Precisamos, pois, de paz. Vamos então fazer a nossa pequena oração pela paz. Vá, todos juntos, não custa nada:
E quem não salta/é israelita...
julho 25, 2006
Middle
Prolifera a verbe, na blogosfera e nos jornais, sobre a mais recente crise do Médio Oriente. A velha cisão acicatada pela morte de quatrocentos civis libaneses após a detenção [a maioria chama-lhe rapto] de dois soldados israelitas às mãos do Hezbollah.
Por aqui ainda nada se escrevera porque estou no meio. Precisamente no meio, porque acho que Israel reage, mais uma vez, com força extrema aos ataques terroristas [como faz contra a luta fanática que se opõe à ocupação da Palestina] e porque acho que o Líbano não devia dar [tanto] poder a um movimento como o Hezbollah, nem escolher para amigos o Irão e a Síria.
Felizmente, só estou no meio de ambos em teoria. Pelo menos, para já.
Ai o Carmona!*
Andar na rua com um carrinho de bebé é uma verdadeira aventura, pelo menos em Lisboa. Primeiro, porque a cidade não está minimamente preparada para isso: há pilaretes em passeios estreitos, buracos na calçada, merda de cão, ruas sem passeio ou com andaimes a ocupá-los, semáforos que dão seis segundos para chegar ao outro lado. E depois há pessoas, muita muita gente sem esse atributo que parece existir só no dicionário de português e a que se dá o nome de civismo.
As pessoas não se desviam quando verificam que estão paradas na única passagem possível e ficam à espera de ouvir desculpe, seguido de por favor e ainda de dá-me licença, às vezes repetidos, antes de, com um esgar de enfado e um acenar de cabeça reprovador, darem um micro passo para o lado que mesmo assim vai obrigar a uma manobra de destreza hercúlea para não lhes pisar os calcanhares e/ou tombar o carrinho.
No supermercado ou na mercearia, por mais que o bebé chore e mostre que não pode estar ali a respirar fumo ou sob o ar condicionado, ninguém deixa passar à frente, mesmo que tenhamos na mão meros 100 gramas de fiambre e um pacote de fraldas. E se nos lembramos de perguntar uma coisa completamente descabida como há caixa prioritária?, entre as cinco pessoas na fila há sempre uma que responde você não vê que eu sou idosa? ou [a melhor até hoje] Se o bebé precisasse estava com a mãe perante a passividade do caixa, que finge que não está a li.
Claro que ter um bebé que sorri para nós nos torna imensamente superiores a toda esta gente e nos faz ultrapassar qualquer obstáculo.
PS: Carmona é o palavrão que inventei para dizer a cada tropeção ou solavanco provocado pelos buracos eternos que o nosso querido autarca recusa reparar. Talvez lhe faltem assessores...
julho 22, 2006
julho 21, 2006
Fachada na Obra
Aproveitamos a Época Parva e as férias de grande parte dos frequentadores desta Casa de Pasto blogosférica para proceder a uma recauchutagem. Afinal, são três anos a endrominar, acabadinhos de fazer.
A assombrosa Cátia Mourão está a corrigir alguns erros do template causados por moi même em intervenções ousadas e redículas. Pretende-se ainda tornar a página mais prática e, digamos, pós-clássica para surpreender sem chocar ou baralhar de modo a facilitar em simplicidade e intuição o acesso e a fruição. Nada de radical, portanto, apesar de apetecer e de, no fundo, eu não fazer a mais pequena ideia do que vai sair daqui.
Pedimos desculpa pelo pó e por alguma tábua que caia do andaime. Aceitam-se sugestões. Aproveita agora.
Durante o processo, a publicação prossegue, as usual.
julho 20, 2006
Discos que mudaram o Mundo
Os 50 discos que mudaram a música pop e porquê, segundo o suplemento semanal The Observer. Para o bem e para o mal.
O meu mundo não foi o mesmo, a dado momento, depois de discos como este, este, ou este. Há muitos muitos mais, mas tinha que fazer um esforço hercúleo para me lembrar. E nós não queremos isso, pois não?
julho 19, 2006
julho 18, 2006
Popular
Na capa de um tabloide lê-se que Nuno Melo tentou matar a ex-mulher. Limito-me a abanar a cabeça com desdém, porque as intervenções do dirigente do PP na assembleia e nos media mostram alguém capaz disso e muito pior.
Afinal, mais adiante no jornal, descubro que se trata de outro Nuno Melo qualquer - um actor que me lembro vagamente de fazer de castrado numa telenovela portuguesa.
Ao actor, dou o benefício da dúvida.
julho 17, 2006
Post[a] It[o]
Encomendar este livro para oferecer e pedir emprestado depois.
Nota: é uma compilação de artigos destes senhores.
julho 14, 2006
Pé de Microfone
O enviado-especial da rádio a uma importante cimeira no estrangeiro, manda por telefone o que em jargão de jornalista se chama som em bruto: o resultado de conferências de imprensa que ainda não sofreu qualquer tratamento.
Por entre as estopadas, o editor pergunta ao repórter porque não faz uma peça onde resuma o que foi dito de mais importante. Sugere-lhe até que escolha "sons" da parte de perguntas e respostas, sempre a mais interessante de qualquer conferência de imprensa.
O enviado recusa e justifica-se dizendo que não está dentro do assunto. A culpa, claro, é do calor extremo.
julho 13, 2006
Viagens no Tempo
É fácil ver-me transportado para a infância com os sons do dia-a-dia, no Bairro dos Poetas. Geralmente, é a buzina da carrinha dos gelados, que pára no largo da minha rua, à espera dos avós e dos netos. Mas hoje, ao fundo, ouvi aproximar-se o toque inconfundivel do apito de amolador.
Não resisti a puxar conversa, debaixo de uma árvore. Vai andar por estas bandas, agora que Alfama já não dá nada. O negócio em si teve melhores dias, com os chineses a venderem guarda-chuvas e facas a 1 eulo e as pessoas a preferirem deitar fora e comprar outro, a reciclar. Até o fabuloso apito que ele sopra enquanto empurra a bicicleta, é feito na Alemanha mas compra-se nas lojas dos trezentos.
Felizmente, todas os gumes, lâminas e arestas cá de casa precisavam de ser aguçados com a máxima urgência.
julho 12, 2006
O Estado da Nação
Pela primeira vez na História da democracia portuguesa - que eu me lembre que sou pouco mais velho que ela - foram vistos os deputados da Nação e os membros do Governo da mesma, a suar pelas estopinhas, a abanar folhas de papel e passar lenços pela fronte, a afastar o nó da gravata do pescoço e a soprar para cima, em todas as bancadas do parlamento.
Foi por um triz, que a sessão legislativa está a acabar e o futebol ainda está nas repetições.
julho 11, 2006
PINK FLOYD IS DEAD
[...]Syd Barrett, the troubled genius who co-founded Pink Floyd but spent his last years in reclusive anonymity, has died. He was 60. A spokeswoman for the band said Barrett died several days ago. She did not disclose the cause of death. Barrett had suffered from diabetes for many years. The surviving members of Pink Floyd - David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters and Richard Wright - said they were "very upset and sad to learn of Syd Barrett's death. Syd was the guiding light of the early band lineup and leaves a legacy which continues to inspire," they said in a statement.
Barrett co-founded Pink Floyd in 1965 with Waters, Mason and Wright, and wrote many of the band's early songs. The group's jazz-infused rock and drug-laced, multimedia "happenings" made them darlings of the London psychedelic scene. The 1967 album "The Piper at the Gates of Dawn" - largely written by Barrett, who also played guitar - was a commercial and critical hit. However, Barrett suffered from mental instability, exacerbated by his use of LSD. His behavior grew increasingly erratic, and he left the group in 1968 - five years before the release of Pink Floyd's most popular album, "Dark Side of the Moon" - to be replaced by Gilmour.
julho 10, 2006
Um prato frio mas tão tão bom
1. O FDP do Domenech inaugurou um novo estilo: o insulto e troça à equipa que com a sua perdeu. Eu explico: no futebol, é tolerável – embora nem sempre bonito – provocar antes e até durante o jogo. Chama-se a isso, salvo erro, "desestabilizar o adversário".
2. Assim, até o que Materazzi terá dito a Zidane faz parte do jogo: um dia o sacana pedirá desculpas a Zidane e este aceitá-las-á, dizendo c'est la vie e les jeux sont faits. Paul Gascoigne fez um dia as pazes com um agora conhecido actor de cinema, apesar de este lhe ter apertado os testículos durante um jogo. Rooney perdoou a Ronaldo a piscadela de olho e Ricardo Carvalho o pisão com que Rooney revelou ao mundo uma de duas coisas: que Carvalho tem "tomates de aço" ou, então, mesmo muito pequeninos.
3. O French Trainer não: troçou, ressabiado (por uma vitória de há uns anos), dos portugueses no corredor de saída, gritando: « Je vous ai baisé! Je vous ai baisé! » É fodido.
4. Agora tramou-se ele. Os italianos ganharam mal? Que delícia! Os franceses jogaram melhor e perderam? Pois agora queixem-se. Toda a gente VIU que Portugal jogou melhor que a França (todos menos eu, mas isso é outra história), e mesmo assim perdeu. E os franceses ficaram todos contentes, porque o que conta é o resultado. Agora amanhem-se.
5. Adorei também a cabeçada de Zizou. Isso não deixa de fazer dele um jogador fantástico – afinal, quem nunca se passou que atire a primeira pedra. Só os burocratas vão sorneá-lo por ser "imoral", "baixo", por ter manchado a carreira. Qual quê! Dêem-me mil Zizous que se passam, mil Figos que se desesperam, mil Maradonas que se cocam. Aos grandes artistas apenas se pode condenar que desperdicem o seu talento! Doistoievsky era epiléptico, e isso não foz dele menos grande jogador.
6. Zizou é pois, para mim, intocável. Mas quero agora ver como falam da cabeçada do Figo ao holandês (uma coisa que ele e Zizou têm em comum: ambos sabem usar a cabeça) e comparem o malandro do Materazzi com as supostas fitas dos nossos valentes tugas.
7. A derrota – por deliciosa injustiça, repito – dos arroganteses vem reabilitar a nossa brilhante campanha. Porque agora já não podem dizer que os melhores ganham sempre. Não: os melhores ganharam a um Brasil sem jeito, os piores ganharam a um Portugal de peito feito. E vem também limpar a honra dos nossos "bárbaros". Fiteiro, o Ronaldo? Então e o penalti fingido com que os campeões afastaram os cangurus? Sem fair-play? Então e a provocação do homem do jogo ao homem do mundial? Sempre a atirarem-se para o chão? Então e o Malouda, o Grosso, o Henry? Uns têm a fama, outros o proveito.
8. No Europeu, os checos também eram melhores que os italianos e foram eliminados. Aqui os mesmos jogadores-maravilha não chegaram sequer aos quartos. Portugal podia – devia – ter batido a França. Não o fez. A França devia ter batido a Itália. Também não o fez. I love this game.
9. No Luxemburgo, portugueses foram acusados de não se "integrarem" por terem nas janelas bandeiras portuguesas! Em França, um português foi morto por festejar a vitória sobre Inglaterra, por ironia o arqui-inimigo dos franceses, o que lhes deu sempre na pá, até em 1940 lhes dar a mão. Vários vidros partidos, uma bandeira queimada, bîstrots de portugueses ameaçados.
10. Como é diferente o ódio em Portugal! Nem uma bandeira francesa incendiada, nem uma loja apedrejada, nem um cidadão francês agredido, nem um filme francês visto... Onde estão os bárbaros?
11. Em resumo: Portugal é um pequeno país que sabe que foi grande e sabe que é pequeno e, por isso, é grande. La France est un petit pays porque não sabe que já não tem a grandeza de outrora, não se enxerga, nunca assumiu a sua alegre colaboração com o nazismo (nisso são iguaizinhos aos italianos), nem sequer se apercebe que os grandes Zidane, Thuram, Vieira, Makelele, Gallas e Ribery são tudo menos meninas nascidas nos arribaldes do Bois de Boulogne. Moral: a França só conseguiu ter equipa quando imitou Portugal...
julho 09, 2006
Perdidos
A esta hora, gostaria de estar refastelado no sofá a ver uma série e a comer um gelado com caramelo. Mas a nossa RTP, que não achou suficientemente importante transmitir os jogos de Portugal no Mundial mas enviou um batalhão de jornalistas, técnicos e afins para a Alemanha, está há várias horas em emissão especial para acompanhar a chegada da "equipa de todos nós" a Portugal.
Tudo bem, eles merecem um aplauso pelo 4º lugar. Mas ter dezenas de repórteres nas ruas, a entrevistar a sogra do Ricardo, uma freira cujo jogador preferido "são todos", vários "populares" e um bando de "crianças sempre entusiamadas", a pedir aos jogadores algumas palavras para lhes perguntar exactamente o mesmo que das últimas 17 vezes, não será demais?!
julho 08, 2006
Infra-vermelhos
Para além da cadeirinha de descanso articulada, havia que descarregar vários sacos de compras, o carrinho de bebé desdobrável, ainda mais sacos de compras e o próprio bebé, de preferência sem que acordasse. O motor ficou a trabalhar e o carro em segunda fila, de quatro piscas engalanados, aproveitando a calmia de uma rua sem saída. Desatado o cinto de segurança que dá umas quantas voltas ao ovo e passado o bebé para o colo, pôde ainda aproveitar-se a mão livre e ir descarregando as coisas.
Eis senão quando, saído do nada, alguém entra no carro e bate a porta. Engata a marcha atrás e arranca. Sem outra reacção possível, o dono da viatura solta um grito:
- Ei! A mochila das roupas do bebé, por favor!
Com um esgar de vitória, qual samaritano, o gatuno atirou-a pela janela, antes de se virar para trás, abraçado ao grande prémio. O carro andou uns quantos metros ao longo da rua, a fazer ricochete nalguns espelhos e começou a perder força, imobilizando-se pouco depois. Foi-se abaixo sem pré-aviso.
Atónito, o ladrão procurou a chave, a ignição, mas não encontrou nada que pusesse o motor a trabalhar. Um botão de start/stop pedia-lhe um security card qualquer que ele não via, que ele não tinha. Tentou fugir, mas as portas estavam trancadas. Nem o volante mexia.
Um homem com um bebé adormecido ao colo olhava agora para ele, junto à janela entre-aberta do lugar do morto. Um abanar da cabeça deste ofendia o ladrão.
O dono do carro circundou o veículo como se verificasse que estava tudo no sítio e abriu apenas o porta-bagagens, pegando em dois sacos de super-mercado cheios. Levou-os para junto do prédio e regressou, desta vez para levar um carrinho de bebé desmontado, debaixo do braço livre. As portas continuavam estranhamente trancadas. Porque o bebé se agitava, deitou-o com carinho na cadeirinha de descanço, junto à porta, onde fazia sombra e o vento não se sentia. Tirou uma chupeta de dentro da mochila e colocou-lha na boca, seguida de um beijo na bochecha. De novo junto ao carro, de olhos tranquilos fixos num ladrão assustado, tirou um telefone celular de uma das bolsas mais pequenas da fatídica mochila e marcou 112.
Felizmente, ainda faltavam duas horas para a próxima mamada.
PS: Há três anos endrominado. Bem hajas.
julho 06, 2006
julho 05, 2006
Les Coqs
Os franceses são espertos. Deixam os portugueses jogar. Porque sabem que, se os portugueses jogarem sozinhos, perdem.
PS: O Vítor Baía defendia aquele penalty.
PS2 ao intervalo: Se Portugal ganhar, vou de cuecas para a rua. Junta-te a esta corrente emocional e vem também.
julho 04, 2006
Cenas dos próximos capítulos...
Até agora tem estado bem mas, depois do esforço que se viu obrigada a fazer no jogo contra os ingleses, Nossa Senhora deve estar esgotada! Não sei se a pobre recupera da fadiga muscular a tempo do jogo com a França...
Será que, uma vez mais, Lurdes vai bater Fátima?
Não perca, toda a emoção da luta na lama entre duas poderosas santas, já amanhã, na SIC, a seguir à Floribella.
julho 03, 2006
julho 02, 2006
Big Phil school
Antes que o Alemanha 2006 acabe com Portugal campeão do mundo ou perto disso, aqui fica uma posta futebolística. Pastei de gel o cabelo e enforquei-me com uma gravata garrida para estar a condizer. Se me é permitido, vou dispensar os "na realidade", os "e quando assim é" e a terceira pessoa do singular.
Luis Filipe Scolari é o melhor seleccionador do mundo e foi preciso ganhar muitos jogos seguidos em dois mundiais, numa equipa boa e noutra mais ou menos, para o provar. Mas é controversa esta opinião, mesmo corroborada por dados pragmáticos infalíveis.
Controversa porque Scolari vive cercado por essa classe a que chamamos de jornalistas-desportivos (palavra composta) - um grupo homogéneo e vasto de gentalha ignorante, intolerante e parcial, inflada de vaidade e preconceito. As excepções são tão raras que chega a parecer requisito obrigatório ser burro. Não acontece apenas em Portugal, mas ter-se-ão juntado por cá os piores de todos. Se renovar contrato com a selecção portuguesa, Scolari não hesitará em mandar mais uns quantos à merda ou prà puta que o pariu, naquelas conferências de imprensa diárias que o obrigam a dar.
Quando chegou a seleccionador do Brasil, Felipão encontrou um grupo de vedetas ex-favela, craques dos seus clubes europeus, habituados a passar os treinos a "bater bola" do calcanhar para a nuca sob os gritos das fãs e os jogos e driblar para os lados para não se lesionarem. Scolari sabia que não ia a lado nenhum se não se livrasse de alguns ego-excêntricos e não motivasse os restantes para ganhar jogos. Por isso, Romário - o melhor marcador dos campeonatos brasileiros - não foi sequer convocado, para desespero dos jornalistas-desportivos e dos fãs do baixinho - uns 180 milhões de pessoas. O resto já se sabe e não é desta que se repete, apesar de, todos o diziam, os brasileiros têm muito melhor equipa e este ano ninguém os bate. Pois.
Quando chegou a Portugal, Scolari viu um cenário ainda pior. A chamada selecção das esquinas era feita por um sistema de quotas: do FC Porto têm que vir entre 6 a 8 jogadores; do Benfica também que são 6 milhões e tal; do Sporting já não é preciso tantos que eles não se queixam; mas não se esqueça de sicrano e do beltrano e que o capitão é o não sei quantos.
Sem um único feito digno de registo na selecção, a não ser umas centenas de vitórias morais, os jogadores eram todos companheiros e tinham aval de técnicos e dirigentes para fazerem festas nos estágios (com prostitutas, claro está), para agredirem o árbitro se este apitasse mal e até para se embebedarem em dias especiais (que calhavam quase sempre na véspera de um jogo menos importante).
Felipão percebeu quem instigava estes comportamentos, quem gostava de mandar no balneário e marcou-lhes um traço a negro por cima, de modo a nem sequer conseguir ler-lhes o nome. Aos restantes jogadores portugueses aplicou-lhes o seu princípio: não interessa se está fora de forma ou se é suplente no clube. Se é bom jogador e tem bom carácter, isso virá ao de cima numa competição importante, basta motivá-los. Tal como no Brasil, Scolari começou por ser odiado. Hoje, os brasileiros choram por ele. Por cá, os adeptos das quotas feudais continuam a dizer que não passa de sorte.
Falta só escrever isso: Scolari não é só o melhor seleccionador do mundo, é também o mais sortudo.
julho 01, 2006
Até ao fim
A confiar nos locutores, estamos "a desgastar" os ingleses, "a controlar" o jogo, a ter paciência... Pois, foi a jogar assim que nos vimos gregos, e o risco é que os ingleses nos chamem Bacon, e a sorte nos seja Locke. Era bom que a pinta superasse a pint, mas nem só de coração vive o homem: também de fígado e aí os ânglios batem-nos aos gânglios. Resta-nos sonhar e adormecer com o nosso Socas... daqui a quatro anos há mais!
PS aos 60': Ainda bem que os portugueses não têm testiculária! Graças a Nossa Senhora, o pé do Rooney é demasiado grande para os lusos tomatins...
PS2 aos 80': O Ricardo demonstrou, dúvidas houvesse, que é o melhor guarda-redes do Montijo. Talvez de toda a margem-sul.
PSD no prolongamento: se ganharem, os ingleses merecem. Justiça seja feita. Ou não...
PP aos 123': E não se pode desqualificar ambas as equipas?
MMM no 2ª penalty falhado: Os homens foram expulsos da sala, acendeu-se uma vela, compôs-se um prato de chouriço, um copo de vinho alentejano e as mulheres (de idades compreendidas entre 7 semanas e 47 primaveras) decidiram que Ronaldo ia ganhar o jogo.
BE: SE TIVER UMA FILHA VOU CHAMAR-LHE RICAAAAARDOOOO!!!!
I Just Can't Get Enough
Tal como avisa um e-mail da Inês, este é o link do ano para duas gerações inteiras. Pelo menos.
junho 30, 2006
Código
Todas as minhas costelas são perversas, por isso uso com parcimónia expressões de linguagem como hádezirlá [hás-de lá ir, em linguagem corrente], é assim [no início de cada frase, tirou de moda o portanto, eu uso no fim.], Bom Descanso [que uso como despedida, em qualquer ocasião, excepto quando uso Felicidades para o Programa ou Obrigado por teres vindo], essa cena e é mesmo à portuga [dita, sempre, por outro portuga], entre outras que posso enumerar quando me lembrar. Olha, aplicar diminuitivos, que já fazia muito antes de ser transformado em gag pelos Gato Fedorento.
Naturalmente, o sarcasmo com que as profiro [prefiro] nem sempre é percebido [perceptível].
Estarei, eu mesmo, a contribuir para o amerdamento [enfodamento] da língua portuguesa?
junho 28, 2006
Publicidade
Um painel publicitário tentou matar-se, esta tarde, na Ponte 25 de Abril.
É a conclusão óbvia a que chego, após cruzar duas informações: numa conversa de corredor oiço que o trânsito estava impossível na Ponte sobre o Tejo, porque um homem ameaçava suicidar-se desde as três da tarde. Mas na Antena 1 dizem que um painel publicitário caíu no tabuleiro da ponte e por isso o trânsito se processa com enormes dificuldades.
junho 27, 2006
Gan'a Brasil
O Ganabrasil foi o oposto opostinho do Tugalolanda: houve fairplay até dizer chega e acabaram todos abraçados e os ganeses saíram de cabeça erguida e ainda por cima com camisolas grátis da seleção canarinha (que depois podem vender no mercado africano). Isto diz algo sobre a comunidade europeia. Como dizia mesmo aquele gajo chamado Bungalow? "Há algo de podre no reino da CE..."
Viva as hordas bárbaras! Viva a Argentina, o Brasil, o Gana e a Ucrânia! Abaixo a pérfida Albion. E no França-Espanha, quem é que irá vencer? Talvez os dois se vão...
junho 26, 2006
Lidar
Recorrente nos jornais e noticiários portugueses é aquela estória da garrafinha de água que continha uma inusitada substância tóxica e queimou uma ou mais gargantas. Estupidamente, os jornalistas não referem o nome do estabelecimento comercial ou de restauração [...num conhecido restaurante no Bairro Alto...] onde a mesma foi adquirida e consumida.
A não ser, claro, que a proveniência seja o supermercado dos pobres.
junho 25, 2006
Piratas
Queijo só o Limiano! Mamas só as portuguesas! Laranja só o nosso lindo PSD! Países Baixos? Só nós e o nosso querido Simão mailo seu metro e quarenta! Os holandeses escreveram uma página frígida na história do futebol. Onde está o famoso fairpléi que circula num attachment sobre o Ajax? Por duas vezes duas os sacanas ficaram com a bola quando A JUSTIÇA, A VERDADE, O AMOR ÀS BELAS COISAS diria que a deviam ter devolvido a quem verdadeira e esteticamente devia -- perdão, devia de -- ficar com ela. Cabrões, ciclistas, fumadores de haxixe legal, alemães de segunda, belgas de terceira, ingleses de Massamá, nórdicos do sul, dinamarqueses de baixo nível, diques entupidos, canais traseiros, pedaços de gelatina mole, teutónios leiteiros de uma figa que nem leiteira como a nossa conseguem ter! MAS NÓS, AH, NÓS FOMOS MAIS FORTES, NÓS VINGÁMOS O SÉCULO XVI E XVII E O FACTO DE SEREM MAIS LOUROS E (ligeiramente) MAIS GORDOS E GRANDES QUE NÓS. Viva Portugal viva!
junho 24, 2006
Na Cabeça

Para além de Ever Fallen in Love, ali na rádio à direita, no site oficial da banda à parte podem ouvir-se outras canções, nomeadamente Bella Lugosi's Dead.
junho 22, 2006
Sem querer
Tudo bem, mas o problema é que agora vamos jogar contra a Holanda. E na Holanda joga-se assim.
Eu gosto de Futebol
A Vagina Woolf lembra-nos que, no fundo, quando fala naquele jogador de estatura elevada, compleição robusta e casado com dois filhos, que pensa todo o jogo a meio-campo, o Gabriel Alves confirma ser um neopositivista.
junho 21, 2006
junho 20, 2006
Coisas que Mudam
Consta que, sejam seis ou sete horas da manhã e três mal dormidas ou menos que isso, mudo a fralda, dou um semi-banho com massagem na barriga e cremezinho, embalo ao antebraço com palmadinhas nas costas, danço pela casa para conter repelões do choro a cantarolar e adormeço em conjunto, sem danificar.
Não sou sonâmbulo, mas não dou por nada, muito menos me lembro seja do que for a horas decentes, quando acordo de facto, na esquina do sofá.
junho 19, 2006
junho 18, 2006
Matemática

E se comprei o disco só pela capa, qual é o problema?! Quem nunca o fez que atire o primeiro cinzeiro.
Uma coisa é certa: não consigo parar de dançar. No site oficial da banda em questão há muita generosidade em forma de canções completas para ouvir.
Claro que não se compara a fazê-lo com o CD na mão.
junho 16, 2006
junho 15, 2006
Hediondo segredo
Começo por advertir com altruísmo, há uma coisa que vai afastar todo e qualquer leitor deste blog. Agora sim, fico definitivamente arredado da querida e amiga elite blogosférica lusitana.
Assim que confessar neste blog este facto inconfessável, indesculpável apesar de não ter culpa nenhuma, serei visto como um hediondo monstro não-virtual, um ser repulsivo e desprezível, uma verdadeira aberração da natureza.
Sem mais demoras, porque não mereço sequer suspense, aqui deixo a estrondosa revelação, que servirá de inevitável despedida: sou filho único.
junho 14, 2006
junho 13, 2006
Ódio
Fuck me?
Fuck you!
Fuck you and this whole city and everyone in it.
Fuck the panhandlers, grubbing for money, and smiling at me behind my back.
Fuck the squeegee men dirtying up the clean windshield of my car. Get a fucking job!
Fuck the Sikhs and the Pakistanis bombing down the avenues in decrepit cabs, curry steaming out their pores, stinking up my day. Terrorists in fucking training. SLOW THE FUCK DOWN!
Fuck the Chelsea boys with their waxed chests and pumped up biceps. Going down on each other in my parks and on my piers, jingling their dicks on my Channel 35.
Fuck the Korean grocers with their pyramids of overpriced fruit and their tulips and roses wrapped in plastic. Ten years in the country, still no speaky English?
Fuck the Russians in Brighton Beach. Mobster thugs sitting in cafés, sipping tea in little glasses, sugar cubes between their teeth. Wheelin' and dealin' and schemin'. Go back where you fucking came from!
Fuck the black-hatted Chassidim, strolling up and down 47th street in their dirty gabardine with their dandruff. Selling South African apartheid diamonds! Fuck the Wall Street brokers. Self-styled masters of the universe. Michael Douglas, Gordon Gekko wannabe mother fuckers, figuring out new ways to rob hard working people blind. Send those Enron assholes to jail for FUCKING LIFE!
You think Bush and Cheney didn't know about that shit? Give me a fucking break! Tyco! Worldcom!
Fuck the Puerto Ricans. 20 to a car, swelling up the welfare rolls, worst fuckin' parade in the city. And don't even get me started on the Dom-in-i-cans, 'cause they make the Puerto Ricans look good.
Fuck the Bensonhurst Italians with their pomaded hair, their nylon warm-up suits, their St. Anthony medallions, swinging their, Jason Giambi, Louisville slugger, baseball bats, trying to audition for the Sopranos.
Fuck the Upper East Side wives with their Hermes scarves and their fifty-dollar Balducci artichokes. Overfed faces getting pulled and lifted and stretched, all taut and shiny. You're not fooling anybody, sweetheart!
Fuck the uptown brothers. They never pass the ball, they don't want to play defense, they take five steps on every lay-up to the hoop. And then they want to turn around and blame everything on the white man. Slavery ended one hundred and thirty seven years ago. Move the fuck on!
Fuck the corrupt cops with their anus violating plungers and their 41 shots, standing behind a blue wall of silence. You betray our trust!
Fuck the priests who put their hands down some innocent child's pants.
Fuck the church that protects them, delivering us into evil. And while you're at it, fuck JC! He got off easy! A day on the cross, a weekend in hell, and all the hallelujahs of the legioned angels for eternity! Try seven years in fuckin' Otisville, J!
Fuck Osama Bin Laden, Al Qaeda, and backward-ass, cave-dwelling, fundamentalist assholes everywhere. On the names of innocent thousands murdered, I pray you spend the rest of eternity with your seventy-two whores roasting in a jet-fuel fire in hell. You towel headed camel jockeys can kiss my royal Irish ass! Fuck Jacob Elinsky, whining malcontent.
Fuck Francis Xavier Slaughtery my best friend, judging me while he stares at my girlfriend's ass.
Fuck Naturelle Riviera, I gave her my trust and she stabbed me in the back, sold me up the river, fucking bitch.
Fuck my father with his endless grief, standing behind that bar sipping on club sodas, selling whisky to firemen, cheering the Bronx bombers.
Fuck this whole city and everyone in it. From the row-houses of Astoria to the penthouses on Park Avenue, from the projects in the Bronx to the lofts in Soho. From the tenements in Alphabet City to the brownstones in Park slope to the split-levels in Staten Island. Let an earthquake crumble it, let the fires rage, let it burn to fucking ash and then let the waters rise and submerge this whole rat-infested place.
Nada a dizer.
junho 12, 2006
Estival
Deixem-se estar à vontade, nos vossos três centímetros quadrados de areia. Nós tomamos conta das coisas.
junho 10, 2006
junho 08, 2006
Cartaz
Os posters de cinema que ficam para a estória.
Os postais do King, por falar nisso, trago sempre dois de cada.
junho 06, 2006
junho 05, 2006
Escapadela
Ah, seja como for, seja para onde for, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar,
Ir para longe, ir para fora, para a Distância Abstrata,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado, como a poeira, plos ventos, plos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!Todo o meu sangue raiva por asas!
Todo o meu corpo atira-se prá frente!
Galgo pla minha imaginação fora em torrentes!
Atropelo-me, rujo, precipito-me!...
Estoiram em espuma as minhas ânsias
E a minha carne é uma onda dando de encontro a rochedos!Ode marítima [excerto] - Álvaro de Campos
junho 01, 2006
Naturais
Gostei de ver, em pleno prime time da SIC, um casal de nudistas dar uma entrevista sobre o sossego que é uma praia sem assistência, semi-deserta. Ele não era propriamente avantajado, ela não era exactamente elegante, mas não se intimidaram com o plano de corpo inteiro oferecido pelo repórter de imagem, nem com as perguntas vestidas da jornalista.
maio 31, 2006
Choque térmico
Até me admirava que um dos meus passatempos preferidos - e nada de lhe chamar vício, porque isso é coisa que não tenho - não fizesse mal à saúde.
Antes ficar mudo e desdentado, a deixar de roer cubos de gelo!
A seguir vão dizer que snifar livros é feio e cria alergias...
maio 30, 2006
Socorro, foram-me ao louvre!
Fui ver o Código da Vinci e tenho o desgosto de concordar com os críticos: a fita é mesmo um pedaço de bosta refundida de modo a parecer queijo flamengo... Bem, o livro já era uma merda e, embora fosse “escrito como um filme” (alguém me explique o que é isto), com um fio de acção à la thriller, e tenha alguns anagramas e enigmigramas bem esgalhados, é pobre de personagens, de ideias (sim, de ideias... próprias) e de implicações que, como diria Calvino, são mais cómicas que cósmicas.
Como é que um livro assim, e um filme assim, se são tão maus, são lidos & vistos por milhões de pessoas? Não estarei com dor de corno – vulgo inveja?
Claro que estou, mas that’s not the point. O livro toca as pessoas porque... Sei lá porque toca as pessoas! Voltemos ao filme:
É aborrecido, sonso, com diálogos abaixo de cão (daqueles com sarna) e, algures a meio do projecto, alguém deve ter reparado (com vergonha) que, ao contrário dos grandes Stephen King, Michael Crichton, Elmore Leonard e quejandos, dificilmente obras póstumas e futuras do sr. Dan Brown darão bons filmes.
Nenhum actor consegue existir, não por erro do realizador mas porque, à partida, no próprio livro não há personagens, apenas pastiches das figuras (arquetípicas?) funcionais do thriller mais básico.
Não admira que os actores e o realizador, o respeitável Ron Howard que no século passado fazia de néscio no American Graffitti, salvo erro o primeiro filme do George Lucas, tenham dito, em laia de desculpa: “O bom foi filmarmos no Louvre... Uma sensação do caraças, estarmos lá dentro sozinhos, sem turistas...”
Pois, tenho a certeza que foi bom... para eles. Mas para o espectador no pasa nada. O Louvre do filme é pequenino, desinteressante, talvez por a escala de um filme não se adequar à grandiosidade que é dada, não por uma sala em particular, mas pelo conjunto, a desmesura do local e a miríade de obras-primas que por lá saltitam. Ora, se Louvre mal o cheiramos, então a Mona Lisa (a capa-emblema do livro) nem vê-la!
A ver se entendo: Leonardo é o mote, as obras de Leonardo são o fio condutor e, quando mostram a Virgem nos Rochedos, é de fugida, e quando fazem uma jiga-joga com a Última Ceia, é de fugir?!?
Há algo de podre no reino das fitas de marca...
maio 29, 2006
E o 'Juventude em Marcha' também
Nem é preciso ver este filme, para saber que devia ter ganho Cannes. Wong Kar-way merece todo o respeito [Tarantino também merecia, quando presidiu ao Júri], mas se Cannes ainda fosse um festival a sério, a obra de Iñarritú tinha ganho a tal da Palma D'Ouro.
E aquela coisa do prémio colectivo de representação, então... mais parece uma consolação que se deu porque ninguém merecia, de facto, ganhar.
maio 27, 2006
moleirinha
Sou um homem alto que às vezes pensa coisas estranhas, como por exemplo que o seu cocuruto toca o tecto. Sou um homem pouco instruído mas que sabe pensar por si próprio. Sou alguém que há cinquenta anos sonha que vive num hotel onde nunca pagou a conta, por conhecer uma rampa secreta junto ao monta-cargas que não funciona. Sou alguém que se escapa muitas noites por essa rampa. Alguém que agora procura um atalho para fugir da situação que o prende e não quer pagar as despesas do triste hotel da sua vida. Alguém que cada dia que passa tem mais medo de observar como lentamente apodrece o seu mundo. Sou um monte de trapos velhos, apenas sei que me chamo Federico. Mas, agora que penso, que estranho chamar-me Federico.
Enrique Vila-Matas, A Viagem Vertical [Assírio & Alvim, 1999]
maio 25, 2006
maio 23, 2006
maio 18, 2006
Ode ao mecónio
Não é possível transmitir o que sinto quando estes pequenos olhos negros procuram focar os meus, quando se solta um sorriso, quando se espreguiçam caretas que reagem ao toque nas bochechas. É impossível descrever as sensações que traz o agarrar minúsculo e forte dos meus dedos, o espernear e o esbracejar sem propósito aparentes, os berros de língua de fora que param quando lhe pego e a faço flutuar no colo de barriga para baixo ou encostada ao ombro, tolerante à minha falta de jeito.
Não me falta o tempo, falta-me a vontade de me afastar dela, de evitar decorar cada feição do rosto adormecido, de inspirar o perfume dos cabelos lisos macios... e a impossibilidade de verbalizar o que tudo isto me faz sentir.
maio 15, 2006
maio 14, 2006
Música nos Olhos
Gnarls Barkley para ver [outro que está apanhado] e Tom Zé para ler [ainda há boa televisão].
maio 12, 2006
maio 11, 2006
O jovem quer uma literatura?!
A Avenida da Igreja é um daqueles locais raros de Lisboa onde ainda se encontram retrosarias, lojas de ferragens ou drogarias... Mas não haverá nada a fazer, para evitar as 317 Testemunhas de Jeová que nos abordam pelo caminho?!
maio 09, 2006
A Escolha
Fugido de casa, Jacó procurou refúgio em casa do tio Labão, um latifundiário de Aran, na Caldeia. O conceito de amor à primeira vista é escasso para descrever o que sentiu quando viu a filha mais nova. Parecia incrível que, após uma busca tão longa e uma viagem tão grande, fosse uma prima quem lhe cativasse os sentidos, mas Jacó não tinha dúvidas de se tratar da mais bela visão que os seus trinta e poucos anos experimentavam.
Pediu Raquel em casamento, sem hesitar, e Labão cedeu-lha, sem reflectir. Mas num arrependimento súbito, o tio entendeu que não podia dar a mão da filha assim, sem mais. Não a de Raquel, dádiva dos céus.
Disse então a Jacó que casaria com a prima se trabalhasse para ele durante sete anos, sem receber regalias. Jacó não tinha alternativa e cedeu: fez pastoreio ao gado do tio, dois mil quinhentos e cinquenta e seis dias seguidos, sem receber um centavo de vencimento.
Na verdade, foram sete anos felizes para Jacó, na expectativa que, findo o prazo, teria Raquel nos braços. E o tempo passou, como se não quisesse, até que o dia chegou e os preparativos para o casamento começaram.
Temendo que Labão voltasse a quebrar a promessa recorrendo a um qualquer golpe baixo, Raquel e Jacó encontraram-se atrás de um poço e combinaram que sinais ela faria, debaixo dos trajes de noiva, para que ele a reconhecesse.
E o velho tentou mesmo: em vez de Raquel, ornamentou e escondeu pela penumbra do véu, a irmã mais velha - Lia. Avisado, Jacó não seria enganado, mas Raquel não teve coragem. Não suportou imaginar a irmã ser alvo de humilhação pública e da chacota permanente que a impediria de casar, ficando a única detentora da ira do pai. Mostrou-lhe os sinais secretos e permitiu que consumasse o casamento com o amado. De manhã, quando percebeu a troca, Jacó nada podia fazer.
E esperou mais sete anos para casar com Raquel.
maio 08, 2006
maio 07, 2006
Pàjó
No baú das memórias do seu 58º aniversário, o meu pai contou-me que só a sua teimosia impediu que o meu nome fosse... Paulo Jorge.
Ficar-lhe-ei eternamente grato.
maio 06, 2006
maio 05, 2006
maio 04, 2006
Burlesco
Sobre o programa de Aldo Lima Palavras Para Quê... acabado de estrear na RTP 1, digo apenas o seguinte, ainda de lágrimas nos olhos: mantenham o horário, encomendem mais e exportem. Para acabar a fama que os portugueses não sabem rir e muito menos sabem fazer rir.
PS: Vá lá, este mudou para a televisão pública e não perdeu a piada.
Castelo dos Corvos
O que me levava ao Castelo de São Jorge eram os corvos. Sempre que podia, corria pelas ruelas de Alfama até lá acima, atravessava as muralhas, escalava degraus de pedra quase tão grandes quanto eu e ia ver aqueles pássaros negros ladrões e ladrantes, que me ignoravam vaidosos. Também gostava dos poços que só podia ver no colo de alguém e das fontes de água fresca, mas as birras surgiam quando me desprendiam as mãos das grades de ferro e me puxavam para trás. Lembro-me de ter sentimentos dúbios, triste por ver que os corvos estavam presos, feliz porque sabia que eles estariam lá da próxima visita. Foi por causa deles que me perdi da minha tia-avó Mariquitas, certa vez, ainda mal falava. Um senhor bondoso e paciente levou-me a casa, ainda que eu nada mais dissesse do que em Lisboa, quando ele me perguntava onde morava. Quando o meu pai parou de me perseguir pela casa, foi escondido atrás do sofá onde a minha mãe se sentara que o ouvi dizer: vou comprar-lhe um canário para ver se ele pára com estas coisas. Um canário que, não sendo um corvo, voltava para casa sempre que lhe abria a gaiola, depois de quatro ou cinco cabeçadas nas janelas vizinhas.
maio 03, 2006
No Peito
I remember when, I remember, I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that phase.
Even your emotions had an echo
In so much space
And when you're out there
Without care,
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much
Does that make me crazy ?
Does that make me crazy ?
Does that make me crazy ?
Possibly
And I hope that you are having the time of your life
But think twice, that's my only advice
Come on now, who do you, who do you, who do you, who do you think you are,
Ha ha ha bless your soul
You really think you're in control
Well, I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me
My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking, I want to be like them
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done
Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably
maio 02, 2006
maio 01, 2006
Trabalhador
Uma manifestação de trabalhadores cuja farda eram calções floridos e t-shirts vermelhas, fez com que o trânsito fosse cortado na Avenida da Igreja, na do Brasil, na Rio de Janeiro, na de Roma e em todas as ruas circundantes.
Sem alternativa, tentei atropelar o maior número possível. Por manifesto azar e confessa imprecisão, o máximo que consegui foi esborrachar um gelado na cara de um obeso anafado e derrubar dois pinos cor-de-laranja, enquanto um polícia cantava de apito.
E cá estou eu a trabalhar.
abril 28, 2006
Na Cabeça
There's nothing that i wanna do
More than get alone and be with you
Trouble with dreams is they don't come true
And when they do they can't catch up to you
You don't need a thing from me
But i need something big from you
'cause you know i've got
An awful lot of big dreams
I'm walking down a lonely road
Clear to me now but i was never told
Trouble with dreams is you never know
When to hold on and when to let go
If you let me down it's alright
At least that leaves something for me
'cause you know i've got
An awful lot of big dreams
This is the life that i must lead now
Crossing fingers and wiping brow
Trouble with dreams is you can't pretend
Something with no beginning has an end
abril 27, 2006
Primavera, juventude do ano
Como é bela a primavera. As florzinhas, as abelhinhas, os passarinhos. E as mulheres?
![]()
Parece que ganham outra graça. Descobrem mais um pouco de pele e as minhas hormonas entram num frenesim alucinante. Sim, eu sei que é tudo um truque para eu tentar espalhar os meus genes por aí.
abril 26, 2006
Capitão Haddock
Mille millions de mille sabords!
Flibusteiros, marinheiros de água doce, mercenários, açambarcadores, judas, renegados, esquizofrénicos, rizópodos, ectoplasmas, emplastros, trogloditas, aztecas, sapos do deserto, vendedores de tapetes, iconoclastas, zulos, parasitas, bexigosos, sacripantas, esclavagistas, tecnocratas, vegetarianos, quadrúpedes, corsários, hidrocarbonetos, canacas, giroscópios, doríferos, zuavos, antropopitecos, anacolutos, invertebrados, tocadores de gaita-de-foles, bichos-de-conta, velho pepino, sinapismo, escolopendras, velho cachalote, coleópteros, atarracados, anacoretas, bichas-solitárias, piróforos, colocíntidas, zigomicetes, gargarejos, cataplasma, saguins, espécie de iconoclasta míope, fanfarrão de orquestra, cretino dos Alpes, equinodermes, fagote de Madagáscar, galináceos, espécie de babuínos, cercopitecos, velhacos feitos de extracto de cretino, turcos, saltimbancos amestrados, espécie de analfabeto diplomado, bacalhau atlético, zebróide, protozoários, lagarto desmontável, bando de zapotecas, patagónios, micróbio ornitorrinco, espécie de logarítmo, ratos neurasténicos, ciclotrão, pepino em conserva, pedaço de morcego, cabeça de martelo, emplastro em banha de ouriço, concentrado de mexilhão bexigoso, viviseccionistas, torcionários, antropófagos, astronauta de água-doce, espécie de selvagem interplanetário, subproduto de ectoplasma, bugre subnutrido, cretino dos Balcãs, autodidactas, bugre de creme de emplastro à base de idiotice, polígrafos, bazucas dos Cárpatos, selvagens preparados com molho tártaro, incendiários, fenómeno de canibal, anticristo, barroco, coloquinta, visigodos, pedaços de energúmenos com nariz de coco, espécie de equilibrista, cretinos do Himalaia, espécie de Cró-Magnon, mamelucos, macrocéfalos, rocambole, filoxera, pterodáctilo, sátrapa, espécie de lobisomem com gordura de ranúnculo, velha coruja enferrujada, oficlídio, espécie de diplodocus escapado directamente da pré-história.
Cornichons Diplomés, voilá ce que vous êtes! Bande d’urluberlus ! Sous-produit d’ectoplasme! Bougre de Papou des Carpathes! Brutes! Flibustiers! Moules à gaufres! Ecraseurs! Autodidactes! Bachibouzouks!
[Hergé e João Pedro George
com pilação da Inês]
abril 24, 2006
abril 20, 2006
abril 19, 2006
Allen Stewart Konisberg
Antes que me esqueça, vou ali ao quiosque pedinchar para não trazer o pasquim também.
Don't Let Her Get Away!
É o regresso do velho cinto de castidade, mas invisível...
[Espero que o site seja apenas uma burla!]
abril 18, 2006
Reality Show
É certo que nunca ouvi falar do jovem "actor" que morreu e admito que posso não ter alcançado a notoriedade adquirida por ele no meio audio-visual lusitano e no imaginário dos telespectadores da TVI... Mas será que se justificam estas horas todas de directos da família e do bairro onde ele cresceu, da câmara ardente e do funeral, as reconstruções digitais do acidente ad-nauseam, mais funeral ainda e mais família e amigos e colegas da novela, com regresso ao funeral de repórteres exaltados e prantos, muitos jovens a pedir autógrafos e a apontar o dedo, dias a fio?!
Arquivo Calvin & Hobbes
Esta é, provavelmente, a ferramenta mais útil que encontrei nos últimos anos.
Experimenta procurar pela palavra Spiff, por exemplo.
abril 17, 2006
abril 14, 2006
abril 13, 2006
Cinzas ao Sol
Insisto a tocar à campainha do banco, algo inédito, por estranhar a porta fechada ao meio-dia. Diz-me um jovem engravatado, do outro lado do vidro, que é 5ª feira de cinzas, que os bancos estão fechados. Fundamentalistas católicos?, pergunto eu com um sorriso largo, obtendo por resposta um encolher de ombros e um Desculpe, mas só 2ª feira.
Logo hoje, que me tinha lembrado de trazer algo que a CGD me pede há semanas, na vasta lista de burocracias obrigatórias.
No bairro dos poetas parece Domingo, tirando alguns lojistas resistentes, um quiosque de jornais e o restaurante do Sr. Antunes. Felizmente, que uma picanha destas só pode ser pecado mortal.
abril 12, 2006
abril 11, 2006
Boa vizinhança
Enquanto procuro o saca-rolhas fora da gaveta, uma das estudantes do 1º dtº queixa-se que o vizinho de cima ressona tão alto que elas não pregam olho a noite toda. E que a mulher dele, que se queixa que o homem bebe e lhe bate noite sim noite sim, se limita a ser lacónica: "façam como eu e tomem uns calmantes". Com cerca de 50 anos e baptizado de Adolfo, passa os seus dias madrugadores à volta das tarefas da gestão do condomínio. Necessárias ou inventadas, para esquecer a ressaca. Uma vez calcetada a entrada do prédio com um enorme BGC de origem desconhecida, dedica-se agora a pintar as paredes da escada de "alfazema" (para mim é verde pálido!) e as portas de verde escuro, de cima para baixo, em pendant kitsch com o creme do parapeito e o cinzento da pedra. Por fora, para não destoar, o prédio é cor-de-rosa e também será alvo de remodelação porque "há infffffffffffffiltrações na fracção nn nn nn... B."
Quando entro no prédio, segundo algumas testemunhas mais atentas, a vizinha do R/C dtº queixa-se que eu não lavo as escadas como se estivesse a falar sozinha. É um facto que não, e é um facto que nunca percebi que ela se dirigia a mim. Senhora de sessenta e poucos anos, mudou-se para cá faz três anos porque o pai - nonagenário resmungão que gosta de travar umas passas de Além Mar no quintal - precisa de cuidados desde que a mulher teve uma trombose e foi deste prédio para melhor. A Estrela, essa jovem felina de pêlo longo e olhar meigo, já topou o velho e endromina-o com miados lânguidos e rabo alçado para fugir pela porta das traseiras. Costuma travar duelos do lombo mais eriçado e do rosnar mais profundo com os gatos vadios das redondezas, ao longe, mas depois queixa-se que não lhe abro uma janela para entrar no momento estratégico.
Eu, pessoalmente, não me queixo de nada, mas tenho que arranjar um pretexto para não me sentir excluído.
abril 10, 2006
abril 09, 2006
Play More
Eis senão quando, em pleno vício, apresentam-nos outra caixa de pandora musical.
Uma sugestão do Fábio aka Noya, que me parece mais eclética e eficaz que esta.
abril 07, 2006
Escura, escura é a noite
Cair na noite. [...] Como se fosse um abismo sobre o qual nos precipitamos. E à medida que caímos vamos vendo todas as camadas da crosta deste estranho universo, até chegarmos ao núcleo líquido, cheio de inebriantes vapores tóxicos.
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Vemos-nos por aí uma destas noites numa qualquer espelunca aperaltada.
abril 06, 2006
De quem é a culpa?
Não chovia assim tanto, quando ficou no meio da zebra. Pouco habituado a que parassem, dava um passo de cada vez, alternando entre o branco e o negro, escondido no guarda-chuva verde gigante que parecia de sol.
Mas o outro fez sinal de luzes e travou, como se fumo saísse dos faróis e o pára-brisas fosse um par de asas despidas.
Ainda assim insistiu parado, que tinha tempo, e acenou na direcção dos ramos de árvore reflectidos no vidro, para que avançasse.
Do lado oposto, uma rapariga alta vestida de negro, de alva tez e cabelos em chamas, acercou-se da passadeira junto a uma carrinha branca que descarregava caixas de madeira.
Pareceu sorrir na direcção do condutor, que avançou de repente, sem motivo aparente. Talvez guiado pela expressão grave que sobre ela se abateu, o carro guinou para a direita, restando ao homem da zebra virar o chapéu verde para o lado, qual escudo de ferro.
Assustado, o comerciante largou uma das caixas e fez rebolar algumas dezenas de laranjas pela estrada. Caprichosamente, uma das peças de fruta desviou-se de uma poça e foi-se aninhar sorrateira debaixo do pé de apoio do homem da zebra, incapaz de a chutar para canto. Estatelou-se no chão molhado, sem que o chapéu servisse de pára-quedas. Ao carro, utilitário urbano metalizado de cinco portas, recebeu-o um candeeiro que piscou duas vezes, onde tinham procurado refúgio algumas laranjas bem sumarentas.
abril 05, 2006
Filmes Infantis obrigatórios
Talvez seja tempo de começar a pensar nisso e o Martin Pawley elaborou uma lista de dez grandes filmes que as crianças deviam ver antes de se tornarem adolescentes.
Les Triplettes de Belleville | Yaaba | Not One Less | Central do Brasil | 101 Dálmatas | The Miracle Worker | Onde é a casa do meu amigo? | Le Ballon Rouge | To Kill a Mockinbird | Ten Minutes Older: The Trumpet | Pather Panchali | The Night of the Hunter
Para serem vistos com pais, tios e afins.
abril 04, 2006
Socorro


Ela bem que fechava os olhos...
mas ele não a deixava dormir mais que uns minutos.
Elizabeth Taylor e Richard Burton, Ischia - Italia
Marcello Geppetti [1963]
abril 03, 2006
março 30, 2006
Em frente
Aviso: todos os forward enviados para a minha caixa de correio levam com um report as spam em cima. Sem excepção. Ainda assim, ficam amontoados até que os atropele um delete forever.
Se eu estiver interessado numa teoria sobre as vacas loucas que, por magia, também se aplica à brucelose, à peste suína africana e à gripe das aves, ou num post qualquer alterado e atribuído a Miguel Sousa Tavares, peço.
março 29, 2006
Um caso mental
Que loira burrice... agora é que as vendas vão disparar. Ainda por cima, ao dar-se ao trabalho de fazer crítica literária, João Pedro George até elogiou a nossa Guiducha [marca registada].
março 27, 2006
Trolha
Dedico alguma tinta branca a este teclado para confirmar que a humidade é inimiga da pintura a rolo. Inimiga mortal e letal, já a boa Fada tinha avisado. A tinta resiste melhor se for espalhada de forma generosa em grossas pinceladas, mas depois empola e torna-se ridícula. Quando olhei para baixo e vi sapatos brancos, calças brancas, chão branco e um gato branco, percebi que o ridículo era eu. Mas a parede estava lixada.
Já agora, o termo correcto é brocha e não pincel grosso. O que não faz de mim um brochante fingidor, como bem me explicou a minha amiga Ana.
PS: Não posso esquecer-me de comprar betume.
março 24, 2006
Primavera a 5 'eulo'
Na tal da borrasca que durou mais do que recomenda o dicionário, o meu ridículo guarda-chuva doado andou quase sempre do avesso, ao sabor da ventania, incapaz de cumprir a sua missão. Mas resistiu como eu, de roupa a secar colada à pele. Não posso dizer o mesmo de quatro outros chapéus, maiores e aparentemente mais resistentes, meros cadáveres despojados na calçada, ainda semi-abertos e torcidos, quais baixas de guerra onde tropecei.
Para amanhã, dão aguaceiros.
março 23, 2006
março 22, 2006
Remix
[sponsored by Harper & Merritt]
a finger's touch upon my lips
it's a morning yearning
pull the curtains shut, try to keep it dark
but the sun is burning
the world awakens on the run
and will soon be earning
with hopes of better days to come
it's a morning yearning
who who who who who
like amorous lovebirds do
you make my world seem new
'tis 'tis you you you you you
you make the world go round
the sun go up and down
the flowers bloom in May
the children laugh and play
shall we choose the day?
who who who who who
has made my dreams come true?
and turned my gray sky blue
why its you you you you you
março 21, 2006
março 19, 2006
fazer lista de compras com letra legível
1ª ronda:
- multilixadora 170W Black & Decker
- tinta Dyrutex amarelo nuance [1 litro]
- lixa P100 [4 folhas]
- lixa P80 [2 folhas]
- rolo anti-gota
- recargas de discos de velcro [20 unidades]
- aditivo anti-bolores
- verniz transparente acetinado [4 litros]
- cabo extensor
- mini-rolo de veludo
- tinta branca de borracha Robbialac [10 litros]
2ª ronda, já com o carro a trabalhar:
- trincha tripla especial
- tabuleiro para pintura
- trincha suave
3ª ronda, num futuro obrigatoriamente imediato:
- betume
março 17, 2006
Galego como Nós
Aqui, nunca assinalamos o aniversário de blogues. acima de tudo, porque nos esquecemos. Mas o blog preferido para lá do Minho merece os Parabéns!
O que seria da vida sem dias estranhos?
março 16, 2006
Vocação
Gostas de homens? És fogosa? Tens charme? Conheces bem o mundo e a vida? Se a resposta é sim, então talvez sejas a freira perfeita.
[Fonte Diário de Notícias]
Inscrições para entrevista pessoal na caixa de comentários.
março 15, 2006
Diva
Serve esta posta para formalizar que a faixa nº7 [sete] do Compact Disc das Shanghai Divas foi recomendada pela Inês, profícua auditora da mesma e frequentadora deste estabelecimento virtual, o que muito nos honra. Infelizmente, tal como apontámos em devido tempo, a faixa não toca no player do nosso Personal Computer - por causa desse sistema a que chamam Copy Controlled em que as editoras têm gasto milhões a desenvolver, aumentando o preço dos discos para não perder as suas margens de lucro de escassos 1000% e, consequentemente, levando à pirataria - esse flagelo mundial muito pior que as guerras, mais grave que o terrorismo, a prostituição infantil e o tráfico de droga juntos. Daí que esteja disponível neste singelo blog, apenas a faixa 1 [um, logo a primeira] do dito Compact Disc - uma remistura da mesma canção - Waiting 4 U [quatro, tu]. O CD, por sua vez, foi uma sugestão da boa Menina Má [nunca é demais reforçar - têm as duas um feitio que Ai Jesus! e não queiras ganhar-lhes à espadinha], desde as longínquas, no entanto próximas, terras de Macau.
A presente missiva serve, naturalmente, para pedir perdão pelo lapso, dando garantias expressas que o mesmo, salvo inusitada distracção, não se repetirá.
Sem outro assunto,
cordiais cumprimentos
mostrengo adamastor
Rádio na Cabeça
Aquela 'coisa brilhante' do Copy Controlled não me permite, sequer, ouvir a tal da faixa 7 do disco recomendado pela Menina Má, umas postas abaixo. Por isso, só fica disponível a versão remix dessa mesma canção - Waiting 4 U, na Rádio na Cabeça do Blog. Nada má, por sinal.
Há também outras novidades, como Anja Garbarek, Marisa Monte, She Wants Revenge, Goldfrapp e Placebo, e verdadeiros clássicos de Blur, disponibilizados pelo galhardo e solícito Sam, que também assegura um stock de Leonard Cohen, Nick Cave, Morphine,Cure e Joy Division, à disposição do arbítrio da casa.
Às três pessoas que enviaram e-mails a pedir que ali colocasse a versão anglófona de Je T'Aime Moi Non Plus, digo tão somente que abomino a adaptação agora feita à sublime canção de Birkin e Gainsbourg. A original só não está ali, porque não encontro o bendito disco na minha rearrumada estante. Para vos proteger da legítima humilhação pública, não revelo a vossa identidade, mas não pretendo perdoar reincidente desplante, nem que voltem a afiançar que passa imenso na Radar.
março 14, 2006
Vamos
Vivam estas tardes no Inverno lisboeta, os pássaros extasiados e o Sol a queimar os ombros, enquanto espalho areia húmida pelo teu corpo nu adormecido.
março 13, 2006
março 10, 2006
OPA aqui

No princípio, é sempre o som. Com música é mais fácil. Os corpos aproximam-se ou afastam-se, perde-se a timidez, as palavras deixam de fazer sentido. Não vale a pena falar nem escrever. Ouvir. No princípio, é só o som. O jazz é mais ou menos o nosso, aquele dos clubes de mulheres bonitas e homens galãs, salas cheias de fumo e de histórias de amores proibidos. As palavras não se percebem, mas adivinham-se. Mas nada disso interessa. No fim, é o som que fica. Jazz em mandarim para dançar sem distância regulamentar. As divas de Xangai.
posta da Menina má
março 09, 2006
Guardanapo no Sovaco
[post bicéfalossexual]
Gostas de experiências novas? O rapazito estremeceu e jurou ser maior de idade. A loira margem-sul espreitou a concorrência acabada de chegar. Encolheu a barriga suporta-copos e esganiçou umas palavras. Acendeu mais um cigarro e limpou freneticamente o balcão onde, desde o início da noite, um casal insuspeito a baralhava com convites pouco claros.
O bar, sempre vazio e triste, enchera naquela noite graças à festa d'anos de um moçambicano. Festa hormonada, pois claro. Friamente, o casal planeava a próxima jogada. Não tinham sequer que se mexer. As presas eram inexplicavelmente atraídas à armadilha. Um escanzelado enviava olhares de matador, um tipo com caracóis achou que estava com sorte, um careca disparava em todas as direcções e mais atrás um rapaz bonito observava tudo em silêncio. Não faltou sequer o macho latino de anoraque e bigodaça e uma rapariga de longa trança lateral e lenço palestiniano. Todos queriam entrar no jogo. Até a mamã masculina que aviava shots e putos atrás do balcão, orgulhosa da sua cintura descaída desprovida de curvas ou umbigo.
Mas o alvo da obsessão era M. Era com a loira oxigenada que o casal haveria de se divertir naquela noite. Trocados olhares e disparadas frases enigmáticas, M. foi incapaz de dizer não, ao pedido de um número de telefone. Quis apenas saber porquê... Por prazer, responderam-lhe.
O momento alto recorda-se em câmera lenta, como nos filmes americanos: a barmaid mais velha agarrou-se a vários guardanapos de papel e esfregou com vigor as axilas suadas. Levou lá as mãos despidas, pouco depois, e tê-las-à cheirado, já fora do alcance de uma visão distorcida por lágrimas.
março 08, 2006
Boa Acção
Estou com devaneios belmíricos, ainda que bem intencionados, e lanço aqui uma OPA amistosa à Menina Má Menina Boa.
Fusos horários opostos e mudanças em casa, é certo, mas com tempo para partilhar um daiquiri com morango. Pensa nisto, B.
março 07, 2006
março 06, 2006
To Crash with Rachel
Depois de uma entrada hilariante, Jon Stewart conteve-se. Quis garantir o lugar no próximo ano. Chegou para estar bem melhor que todos os outros, à excepção de Billy Cristal. O CountDown deste ano foi muito bom, com muitas imagens de clássicos, temas divertidos e pouco blá blá sobre as fatiotas na passadeira vermelha [ainda assim, demasiado]. Os decotes das senhoras eram generosos e a barriga de Philip Seymour Hoffman assustadora - por isso foi à cerimónia com a mãe e dedicou a ela, o discurso da vitória. As apresentações dos prémios foram uma desgraça, com excepção para Jack Nicholson [nem precisou dizer grande coisa] e os habituais agradecimentos idem, tirando os de Clooney e Robert Altman. A música, como quase sempre, foi uma merda e faltou, desta vez, à realização mostrar grandes planos da expressão dos vencidos, se bem que não havia Bill Murray na plateia [mas não é de justiça que estamos a falar, é de showbusiness].
março 03, 2006
Gripe Cerebral
Notícia de abertura do Jornal da Tarde da RTP 1 [parece que é feito no Porto, mas isso não é desculpa]:
- é uma situação normal, mas apareceram nove pássaros mortos na praia da Torreira, em Ovar... e a zona está interdita!
Depois de explicar que tanto autoridades como ambientalistas considerarem que se trata de algo absolutamente natural, tanto nesta época do ano como naquela zona, o pivot, sempre em tom grave e asustado, chama em directo uma repórter de cabelos ao vento, na dita fatídica praia [fatídica para os sete gansos patola, coitadinhos, não para a repórter, coitadinha].
- é uma situação perfeitamente normal, lembro que há milhares de análises feitas, todos os dias, a pássaros que aparecem mortos... Mas a praia chegou a estar interditada para se fazer a recolha das amostras.
A repórter volta ao pivot, que repete o que ela disse, por outras palavras, num tom agora menos grave, mas pouco. Entretanto, passaram vários minutos e já há pretexto para se falar de mais um caso de H5 não sei onde, e percorrer os países que já confirmaram gripe aviária. O tom grave voltou a subir de tom, sempre acompanhado de um semblante carregado.
Depois admiram-se que a RTP tenha ultrapassado a SIC nas audiências. A TVI não tarda muito...
Mas que raio quer dizer Syriana?!
A poucos dias do Jon apresentar os Óscares, não contesto que continue a discutir-se com afinco o Brokeback Mountain, nomeadamente se estamos perante uma bela estória de amor ou um mero telefilme gay para Domingo à tarde.
Já acho mal que poucos ou nenhuns falem de Syriana. Mais do que a questão económico-religiosa, chateia-me que não se teçam loas à brilhante performance dos actores secundários.
março 02, 2006
E um sinal na nádega direita... ou será esquerda?!
Pede-se o tipo ideal de mulher, em resposta ao delírio hormonal que grassa nos comentários. Há uns anos, responderia um óbvio lugar-comum superficial da alta-ruiva de olhar felino e mãos esguias ou da morena roliça e dançarina quente, para contrapôr. Que fosse interessante e com sentido de humor, atrevida e elegante, blá, blá, blá... porque a tesão era muita e os critérios q.b.
Hoje, nunca diria o que me atrai no sexo oposto, assim, de jarda, nunca o confessaria, mesmo que soubesse. Não sou capaz de definir o que me seduz numa mulher, o que me distrai de tudo o resto, de todas as outras.
Mas tudo passará pelos lábios. Pela forma como eles sorriem, primeiro, pelo sabor que passam num beijo, depois. Pelo choque dos dentes, pelo encaixe dos maxilares e dos narizes cruzados. E pelo cheiro, claro. Tudo passará pelo cheiro que emana da raiz dos cabelos, mais que os tons avermelhados que devem ter, e o comprimento. De facto, ela deve divertir-me e divertir-se, e entreter-me até nos silêncios. E importa sobremaneira o timbre da voz, a cadência das palavras. Há ainda o toque das mãos, a textura da pele percorrida pelos dedos, a reacção espontânea dos músculos.
Depois, a inteligência, a capacidade para se afirmar, a auto-suficiência que aceita companhia, a minha companhia em aventuras sem fim, em viagens sem nexo.
Não tem explicação, não tem comparação.
fevereiro 28, 2006
Broughtback Botto
Quem põe certezas na vida
Facilmente se embaraça
Na vil comédia do amor;
Não vale a pena ter alma
Porque o melhor é andarmos
Mentindo seja a quem for
Gosto de saber que vives,
Mas não perdi a cabeça
Nem corro atrás do desejo:
Quem se agarra muito ao sonho
Vê o reverso da vida
Nos movimentos de um beijo.
Ando queimado por dentro
De sentir continuamente
Uma coisa que me rala;
Nem no meu olhar o digo
Que estes segredos da gente
Não devem nunca ter fala.
Talvez não saibas que o amor,
Apesar das suas leis,
Desnorteia os corações;
Complicadissíma teia
Onde se perde o bom senso
E as mais sagradas razões.
Até agora, a melhor história de amor de 2006 que o cinema nos dá é entre dois homens.
Podia ser um homem e uma mulher. Ou uma mulher e um homem. Mas isso não chegava para os Óscares.
Importa? Importa.
posta da Fada
fevereiro 27, 2006
Tango e Bricolage
Não era bazófia. Trata-se mesmo de uma fada do lar, jeitosa de mãos e prática de ideias.
Munida apenas de uma chave de boca e um rolo de linho por estrear, depois de abastecida com uma torrada, um café quente e uma lasca de doce-de-côco feito em Cabo Verde, o elemento feminino das Brigadas Posterrroristas 5/12 eliminou em minutos o gotejar tido por crónico de uma torneira. A falta de espaço e margem de manobra do armário do lava-loiça e a teimosia de um parafuso escondido foram ultrapassados com mestria e delicadeza.
Hoje, terminamos as tarefas evocadas. Acrescentam-se metros aos cabos de fibra-óptica e de rdis, não importa que cores têm os fios internos, e deslocam-se os móveis de uma sala para outra, não importa o peso ou o recheio dos mesmos.
É uma mulher cheia de truques, a fada... e gira, ainda por cima! No intervalo de cada missão mostra uns passos de dança, como se estivesse nas Pampas.
fevereiro 23, 2006
Más acções
De acordo com os mais reputados analistas, a qualquer instante, este nosso |Substrato| será alvo de uma OPA hostil do Major-Alverca, seguida de uma contra-OPA das MMÁS...
Blog no Espelho
Volta e meia, a populaça feminina - e não só - que frequenta este respeitável estabelecimento virtual, indaga-se com ansiedade sobre o aspecto físico do homem por trás do moStrenGo [salvo seja].
Sem me conhecer pessoalmente, que eu saiba, a Péssima descreve-me na perfeição e satisfaz a curiosidade.
Parece que sou um espécime mais raro do que supunha.
fevereiro 22, 2006
a Alternativa
Finalmente!
É só carregar no link à direita, na secção do Patrocínio Oficioso, e pode ouvir-se a emissão da Radar - a rádio que inspira este blogger. Enquanto escrevo esta nota, a vocalista dos Portishead canta Give Me a Reason to Be a Woman...
Não há mais rádios assim.
Perdido
![Evangeline Lilly [Lost]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/evangelinelilly.jpg)
Pamódi?! N ka sabi, mas durante a minha estada em Cabo Verde fiquei viciado nesta série, que passa na RTP1 ao fim da noite. E a coisa ainda não me passou...
fevereiro 21, 2006
fevereiro 20, 2006
Santiago
A maior ilha do arquipélago lunar atravessa-se em duas horas. Da Praia, ruma-se a São Domingos, aproveitando a estrada nova em construção. Pelo interior da ilha, as curvas são estreitas e sinuosas, verdadeiras serpentes de calçada que cortam os maciços montanhosos que povoam Santiago e dão a muitas zonas um micro clima invernoso. A paisagem árida e vulcânica é salpicada por vales verdes onde se plantam bananas e erguem palmeiras, quase indiferentes à seca crónica. Só em Chão-Bom se vislumbra o mar que banha o Tarrafal.
Não fosse o abandono e a falta de tinta [mal que parece afectar todo o Cabo Verde], a vila onde outrora havia um campo de concentração da ditadura portuguesa seria um enorme centro turístico. De ruas amplas e perpendiculares, o Tarrafal é cercado por praias e montanhas, como a que lembra um elefante que descansa e observa o Atlântico.
É por aqui que provo o famoso cous-cous. O cabo-verdiano, totalmente diferente do maná dos vegetarianos, bem mais saboroso, pelo menos para gulosos. Mistura-se farinha de milho ralada com farinha de mandioca, açucar, canela, leite e põe-se a cozer num binde - um pote de barro com cinco furos em baixo. Deve comer-se com manteiga, como se fosse pão.
O regresso é feito por costa, ao longo das ribeiras que desaguam no mar. Calheta de São Miguel e Pedra Badejo são pequenas vilas que já merecem município, mas onde se vive essencialmente da pesca e do pastorício. À excepção da capital, do Tarrafal e da Assomada, todas as povoações da ilha parecem aglomerados de gente que cria cabras, vacas e galinhas, planta uma horta e sobrevive. Mas sempre com um sorriso dançante e muita batukada.
O regresso à Praia significa também a partida para Lisboa. O tempo não passa assim tão devagar como se diz, em África.
PS: Não dei pelos macacos que dizem existir na Ilha. O único animal selvagem com que me deparei foram mesmo os condutores das carregadas Toyota Hiace...
fevereiro 16, 2006
Maleita
A baixa desta cidade fica na parte alta: o bairro do Plateau. A maior parte dos ministérios e serviços funciona aqui, mas também é onde se encontra o mais antigo mercado da Praia. O espaço ezíguo não substitui um outro mercado, em todos os passeios destas ruas estreitas, onde se vende quase tudo. E também pululam as lojas chinesas.
Mas venho ao mercado com um fim específico: aconselharam-mo para curar esta tosse que me irrita há dois dias. Terei apanhado ventinho em África, veja-se bem, depois de chegar da neve lisboeta. Vá-se lá entender o corpo humano.
No meio de frutas e verduras, carne e peixe em tabuleiros, animais vivos e ovos frescos, gente que compra e discute o preço, encontro tratamento tradicional para praticamente tudo... Folhas de abacate secas para fazer chá, erva doce para os gases, escontra para as lombrigas, arruda para as dores menstruais, azeite purga para a prisão de ventre e as dores de barriga... pedra de carvão para afastar o mau olhado. E babosa, muito abundante por estas ilhas - há quem lhe chame alloe vera.
No meio de tanto tossir, lá me indicam a Dona Virgínia, senhora de 75 sábios e desdentados anos, que me fala da semente de manjericão. É tiro e queda. Pisa-se, mistura-se em água morna e bebe-se. Vai ver que fica tudu dreto.
Mas se não funcionar, há a empinchera - uma verdadeira bomba, tão forte que até os tubercolosos a tomam: mistura-se com grogue, pois então.
Levo dois saquinhos de cada para casa e mais um litro de grogue puro e transparente. A tosse não tem chances.
fevereiro 14, 2006
Pleito
O pontche faz-se de quase tudo, mas prefiro o de côco. Leva a aguardente de grogue, pois então, para além do sumo que lhe dá um sabor adocicado e a cor respectiva. Na Cidade Velha havia garrafinhas já envelhecidas para acompanhar a moreia frita. Junto à Fortaleza de São Filipe, onde voltei a cruzar-me dos José Rodrigues dos Santos [começava a pensar que Cabo Verde era pequeno para ambos quando ouvi dizer que ele regressou a Lisboa], vi o famoso pôr-do-sol que pinta o céu e as nuvens de um cor-de-laranja absolutamente único, bem devagar, como tudo, por aqui. A passagem do tempo é sempre relativa, em África. E por mais europeus que os cabo-vedianos procurem ser, ou brasileiros, as duas referências culturais de um cultura que não precisaria de imitar ninguém, não o fazem no stress. A espera, aqui, é encarada com naturalidade. Se combinamos algo para as três da tarde, é porque se vai conversando até às cinco, ou seis, quando começa, efectivamente, a reunião marcada.
As eleições e as campanhas terminaram. Foram cinco semanas em que as pessoas se ocupavam, prioritariamente, com comícios-festa, desfiles-festa, discussões apaixonadas e discursos políticos, pintando as dez ilhas de amarelo ou vermelho, conforme a simpatia. A paixão política é enorme, por aqui, mas raramente a animosidade extravazou. Fui apanhado num desses raros episódios, na noite a seguir à votação. Tenho que ser um pouco inconsciente, para me aproximar em vez de fugir, para estar de gravador ligado no meio de uma troca de pedras, paus, tiros e gritos, mesmo que a minha presença ainda provoque mais show off, ou ira. Uma câmara seria bem pior. Alguns colegas meus, que não presenciaram os incidentes ou os viram de longe, relataram uma noite de confrontos violentos que mancharam a noite eleitoral e a democracia que se diz exemplar de Cabo Verde. Mesmo correndo o risco de ter a cabeça aberta em três sitios por meio de uma pedrada, enquanto ia rodando à volta de um pilar confrme o lado de onde voavam as ditas, tive a serenidade para perceber que a atitude titubeante e violenta de um grupo de dez ou quinze jovens sob a influência do grogue e da decepção, não passava disso mesmo, e não substituiu o comportamento ordeiro e cívico com que os cabo-verdianos viveram estas eleições e as consequentes vitória ou derrota. Um pouco como a ventania tremenda que se levantou esta noite: não significa que vá chover outra vez.
Quanto ao pontche tradicional, esse, provoca, na grossa maioria das vezes, reacções positivas, mesmo quando é consumido em excesso.
fevereiro 10, 2006
Mantenhas
A feijoada de feijão pedra é herança clara, como muita coisa em ilhas outrora desertas e orgulhosamente lusófonas. Já o xerém é típico do interior de São Tiago. Provei-o de atum, mas a base é o milho. O carolo amarelo é esmagado - fica parecido com cous-cous, e misturado com cebola, leite de coco e malagueta, pouca, que os cabo-verdianos são doces, nessa matéria. Talvez a ordem não seja esta e podem faltar ingredientes, mas foram os paladares que identifiquei, num almoço caseiro na Cidade da Praia. Tudo regado com grogue. E fica-se mesmo, porque o sabor distrai do grau. Na sobremesa ainda tive direito aos doces tradicionais de goiaba, coco, e queijo, um de cada.
A hospitalidade é, de resto, avassaladora, e nem uma média de três almoços por dia e dois jantares por noite conseguem dar resposta à oferta. È provável que chegue a Lisboa duas ou três gramas mais gordo - o que será um feito histórico, no metabolismo mais ruim que a minha mãe conhece. Nada de espantoso, para quem dançou e provocou chuva [todos me garantem que terá sido um fenómeno causado pela forma como os meus pés se afastaram um do outro sem coordenação, à medida que se contorcia o pélvis e bamboleavam os ombros, de forma igualmente disconexa mas prazeirenta], numa cidade onde bastará um garrafão de água rebentar para provocar uma inundação.
Hoje acabam as festividades eleitorais, por aqui. Ontem, no mercado do Plateau, as vendedoras queixavam-se de tantas semanas de campanha, das duas eleições cansativas, barulhentas e seguidas. Mas comparadas com as cavaquentas e nada alegres presidenciais portuguesas de que ainda não me refiz, esta festa eleitoral salpicada de música, sabores e sorrisos, lembra-me quão triste Portugal se tem tornado, por mais neve que o viesse a pintar de branco-luz.
De cada vez que aqui venho, e falo do continente que alberga tantas ilhas e tantas cores, guardo sempre algum calor comigo.
fevereiro 09, 2006
Tudu dreto
Choveu na Praia.
Algumas gotas apenas, é verdade, como a neve de Lisboa, mas salpicou a aridez persistente da tarde e encheu de alegria [é preciso pouco] esta gente abençoada. A dança irrompia sempre que passava uma pick-up com colunas gigantes atrás e as músicas da campanha eleitoral que vai longa.
Chegam-me de Lisboa os ecos de OPAs e contra OPAs, dos cartoons satânicos malditos e da manif a favor [eu lá estaria, pelas 3 da tarde, junto à embaixada dinamarquesa], dos Depeche Mode em palco e do Munich em exibição, mas a única notícia que interrompe a morabeza em que estou mergulhado é esta, proporcionada pela Vanity Fair.
A coisa ficou bem menos morna...
fevereiro 07, 2006
Morabeza di nos tud
Longe dos Depeche Mode [que me garantiram um concerto extra no início do Verão lisboeta], sem poder dar uma saltada ao Nimas para ver Il Gattopardo pela primeira vez num cinema, com o coração em Lisboa aos pedaços, chega-me a morabeza deste povo para esquecer saudades.
Definir morabeza?!
Isso seria impossível... Talvez truncando a própria palavra - uma mistura de amor e beleza que inunda de música e alegria a vida dos crioulos e a dos que com eles convivem. Tanto, que ainda me põem a dançar, um dia destes! [era capaz de chover e tudo, se isso acontecesse].
PS: Nas ruas do bairro de Fazenda, no centro da Cidade da Praia, cruzei-me ontem à tarde com José Rodrigues dos Santos. Sorridente, o famoso apresentador de notíciários televisivos e romancista erótico-satírico procurava por um restaurante que fizesse Sopa de Peixe Loron com leite de mamas.
Também gostava de provar, já agora...
fevereiro 06, 2006
Cabo Verde
Ainda tinha neve no bolso, quando esta terra seca me acolheu.
O vento quente na cara funciona como vitamina, assim que saio do aeroporto, no banco de trás do taxi que rasga o sossego da noite. Às primeiras impressões, noto nestas gentes muita energia e vontade, expressas em sorrisos e cores garridas. Falta a chuva, mas dança-se. E talvez poucos sítios sejam assim, uma mistura tão intensa de África e Europa. Não é isso o crioulo, afinal?!
Falta-me provar os sabores, mas já se me entranham os cheiros. Os mesmos que inebriam docemente, logo que chego a este continente que se apresenta sempre como a minha segunda casa.
fevereiro 05, 2006
Partida
O arquipélago lunar é o destino.
Nos próximos dias, andarei por Kauberdi a viver e a contar estórias, no meio de umas eleições presidenciais. Conto descreve-las neste blog, com a devida colaboração dos transpórtis virtual da Ilha de São Tiago.
fevereiro 03, 2006
CodSex
José Rodrigues dos Santos e Maria de Lurdes Modesto publicam livro de receitas com leite de mamas.
Vítor Elias/ António Marques - in o Inimigo Público
fevereiro 02, 2006
Sina
Mas qual secreta perpendicular, ou as jazidas de petróleo algarvias, qual casamento lesbosexual... nem mesmo o Profeta cartoonizado!
A única posta possível neste momento deve manter acesa a contenda que ali vai na coisa da Keira - essa Carneira de trejeito no lábio.
Aquariano de ascendente Caranguejo [ou vice-versa, já não me lembro], nem às paredes confesso por quem o meu coração balança. Mas juro que é o signo, a pergunta que faço antes de pedir o número de telefone.
fevereiro 01, 2006
Keira
Em que ficamos?! O realizador de Orgulho e Preconceito conseguiu ou não, conter a sensualidade excessiva de Keira Knightley?
Nas filmagens, implorou-lhe que parasse com aquele jeitinho nos lábios, para que não tomasse de assalto toda e qualquer cena. Contratou um assistente e tudo, para lhe fazer sinais, se ela se distraísse. Mas a decisão dos membros da Academia indicia que Joe Wright... fracassou.
Lá terei que ir ver a... o filme.
janeiro 31, 2006
Noite em Claro
Afinal, o Noite Escura não foi nomeado para melhor filme estrangeiro.
Ainda não foi desta. Se ao menos o Bill tivesse vindo a Portugal mais cedo...
janeiro 30, 2006
Parou Tudo
Para mais que alguma felicidade espontânea, seriam precisos vários milhares de metros cúbicos de neve, que Lisboa não teve. Fica o marco estórico de ter visto os cristais na palma da mão.

Talvez Larry David consiga quebrar o gelo, esta noite, n' a 2. É Seinfeld sem companhia.
janeiro 28, 2006
Roubar-te um Beijo pra Te fazer Feliz
Porque se procura o mar, na noite mais fria?!
Afinal, o vento corta, mas não anestesia. Nem os espamos musculares travam as sinapses que repetem o wo ai ni que ficou sempre por dizer.
Mantenho-me acordado, para interromper um sonho que se alimenta sozinho.
Para quê o esforço?!
Gostar de alguém devia ser bom, devia ser quente. Esquisito porventura, mas não complicado. Que a vida não tem fórmulas matemáticas que a resolvam.
Molho nas mãos os restos da areia que foge entre os dedos roxos e lavo o suave veneno que me adocica a pele.
O frio é avassalador mas não me acolhe... e o Sol não nasce, como se fosse incompatível com o horizonte.
janeiro 27, 2006
azar
E lá vamos nós passar mais uma semana a ouvi-los perguntar o que é que vai fazer se ganhar? e a fazer peças com os jogadores de futebol e os estádios que se podem comprar, com não sei quantas dezenas de milhões de euros.
chinesices
Num debate da antena 2 defende-se a aprendizagem do mandarim, língua construída a partir do som musical das palavras, a propósito da mesma ter passado a ser obrigatória num dos melhores colégios britânicos.
A dada altura, a moderadora diz que sabe apenas o que quer dizer wo ai nimen e traduz a frase, que é recebida por um Ai! que bonito entusiamado dos convidados.
As coincidências desta vida...
janeiro 26, 2006
Tesão de Orelhas
Já muito se escreveu sobre as bem-humoradas cenas de sexo de José Rodrigues dos Santos, no seu Codex 632 e de algumas passagens estonteantes que metem sopa de peixe, suco leitoso de mamas eriçadas ou berreiros libertadores de fluídos.
Depois de tanto elogio desbragado por esta blogosfera fora, João Pedro George [famoso por ter perdido tempo a analisar a escrita de Margarida Rebelo Pinto] defende o apresentador e garante que a literatura erótica de referência [Henry Miller, pois então] está repleta desse tipo de imagens, digamos, foleiras. George chama-lhe o Dogma da Infalibilidade do Pénis.
janeiro 25, 2006
DYY Strip Tease
As Epustuflantes Aventuras do Super Patanisca, de Guilherme Lopes, é uma web comic que merece altos voos.
Quem não tiver jeito para desenhar, mas se achar capaz do mesmo - criar tiras de banda-desenhada - pode meter mãos à obra com o StripGenerator.
A minha desculpa é a falta de tempo...
janeiro 24, 2006
Todos com bigode
Alguém conhece um electricista honesto? E um canalizador, já agora?
Dão-se alvíssaras. Nomeadamente, os contactos de um mecânico honesto e de um carpinteiro competente e, igualmente, honesto.
segundo serviço
![Match Point [Jonathan Rhys Meyers e Scarlett Johansson]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/matchpoint.jpg)
Ninguém imaginaria fazer a Scarlett Johansson o que Woody Allen lhe faz, em Match Point. Felizmente, faz-lhe coisas bem melhores, antes disso. O filme é perfeccionista, da banda-sonora ao humor negro, do countryside verdejante à tranquila Sheperds Bush, das salas amplas e labirínticas da Tate Modern à vista panorâmica sobre o Tamisa.
Mas afinal, vale mais ter sorte, ou ser bom?
janeiro 23, 2006
Birra
Este blog junta-se ao protesto generalizado e acrescenta repúdio contra as seguintes ocorrências da noite eleitoral televisiva: Marques Mendes usou da palavra ao mesmo tempo que Jerónimo de Sousa; José Sócrates falou ao mesmo tempo que Manuel Alegre; Francisco Louçã discursou depois de Mário Soares; ninguém ligou ao que disse Ribeiro e Castro; Garcia Pereira, afinal, também era candidato; Helena Roseta e Ana Gomes disseram pouquissimo; Manuela Moura Guedes reapareceu sem avisar; Jorge Sampaio não chorou.
Now, you tell us
Diz este outro professor que foi preciso aplicar a fórmula matemática de Arnall, para chegar à mesma conclusão que todos nós, assim que sentimos a tremenda dor de cabeça desta manhã.
janeiro 21, 2006
janeiro 20, 2006
O melhor deste blog...
A discussão vai acesa, na caixa de comentários da posta anterior. Vernáculo incluído, a par de uma análise crítica e atenta de Adelino Gomes, sobre o jornalismo que se faz, ou deixou de fazer-se, neste país.
Post Scriptum: a par da contenda, a Kaku acrescenta mensagens subliminares no seu Blete.
janeiro 19, 2006
A Máquina
Diz a peça que a reacção do povo foi espontânea e esmagadora.
Espontaneamente, dizem os repórteres das televisões que já não disfarçam a encomenda, todos se dirigiram à sua varanda e lançaram do alto papelinhos com as cores da candidatura, que esvoaçavam à volta do candidato triunfante. Espontaneamente, havia câmaras nas próprias varandas, onde pessoas espontaneamente maquilhadas, jovens e sorridentes, festejavam e gritavam motes eleitorais à passagem da comitiva de Cavaco.
E esta é a única verdadeira diferença entre PSD e PS. Os do centro-direita têm traquejo e estão oleados na forma como conduzem a propaganda. Às vezes exageram, em cartazes despropositados e ofensivos, mas dominam os truques básicos da ilusão. Já os do centro-esquerda, quase sempre*, ficam-se pela birra, pela crítica à comunicação-social que não podem controlar (tirando pela militância dos jornalistas) e repetem o beijinho e passo de dança populares, bem mais atabalhoados.
O resto são interesses maiores e camuflados, que lhes conduzem o destino.
*As únicas excepções: Guterres recebeu a ajuda de um publicitário brasileiro e da música de Vangelis para vencer, quando Cavaco fugiu à derrota. Sócrates imitou a direita e aproveitou as asneiras de Santana para bater o record do partido.
janeiro 18, 2006
Últimos Cartuchos
[aka Recta Final]
![Fotografia e Texto de Kaku [blog Blete]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/blete_nevoeiro.jpg)
Se os cartazes de propaganda dos candidatos de esquerda tivessem metade da qualidade das 'mensagens subliminares' da Kaku, teríamos evitado uma derrota humilhante, logo à primeira volta.
Com aquele teríamos, refiro-me a todos os portugueses, não apenas aos de esquerda.
janeiro 17, 2006
Sala de Chá
Já eu, nada tenho contra a "invasão" da China. Não só porque os produtos são baratos, mas, acima de tudo, porque as lojas chinesas são bem mais interessantes que as usuais lojas dos trezentos e estão abertas todos os dias, todo o dia. Fico a dever à lojinha chinesa da esquina ter conseguido arranjar uma ficha tripla ou uma lâmpada de casquilho delgado num Domingo à noite, quando era mesmo urgente, por exemplo. E a essa hora nem os hipermercados estão abertos.
Ora, se é verdade que os chineses trabalham como nenhum português consegue [chegam a almoçar por turnos nas traseiras da loja, só para a manter aberta], também há portugueses empreendedores que descobrem as maravilhas do oriente enquanto chamariz e potencial de negócio.
É o caso deste ó chá Tea Room, que passarei a usar como sala-de-estar, em dias frescos. Se não bebo chá para esquecer o ruído do mundo, como fazia T'ien Ye Heng, aproveito um café muito cozy para beber uma tisana com amigos, num pequeno ritual de descontracção, enquanto espreitamos os móveis e os utensílios do Nepal, do Vietname ou da China ancestral, descendo à cave dedicada à Decoração. Os preços não se assemelham, naturalmente, aos de uma lojinha chinesa, mas a qualidade também não, para melhor.
O site oficial dá uma ideia do nível e beleza do espaço. Fica junto à Avenida da Igreja, depois do meu Bairro dos Poetas para quem chega da Baixa, e está aberto até às oito e meia da tarde, incluíndo aos Domingos. Vou até lá ver se isto dá direito a comissão.
janeiro 15, 2006
janeiro 14, 2006
Aníbal, o pequeno
Sr. professor, não coma, terá dito um assessor quando Cavaco se preparava para atacar uma qualquer vitualha ante uma equipa de reportagem. Sr. professor, não diga nada, ignore, ter-lhe-ão dito a propósito de Santana. A indiferença pode ser a mais acabada forma de desprezo e a melhor afirmação de poder (desde que, bem entendido, se tenha poder) . Mas é preciso saber encená-la. E Cavaco não sabe. Estava demasiado irritado para que o silêncio e a superioridade lhe saíssem bem - e quando o silêncio não é superior, sai ao contrário Cavaco "ficou-se". O "não merece comentários" que se seguiu já não serviu de nada.
Incapaz de esconder o azedume que o seu ex-secretário de Estado lhe provoca, não logrou um pingo de ironia, de graça - qualquer coisa como "ainda tentei ver a entrevista até ao fim, mas deu-me o sono, é que é sempre o mesmo", ou "compraz-me verificar que o Dr. Lopes já saiu do período de incubação mas, apesar dos seus esforços, não se tornou infeccioso" (esta é pedir de mais, mas pronto).
Perante as caretas de um ex-aluno que ele próprio chumbou e contribuiu para expulsar, o professor reagiu sem autoridade nem segurança nem poder de encaixe. Não teve grandeza. E chegar aos 60% nas sondagens sem grandeza para esmagar um santana é obra.Fernanda Câncio*, in Diário de Notícias
* a jornalista que tem despertado a inveja de vários tabloideiros, não porque namora com o 1º ministro, mas porque escreve bem, e é gira [mais que na pequena foto apensa ao artigo].
Euforia
[...] Eu não sou é do campeonato dele. Eu não ando nesta campanha para pedir uns tostões e para juntar uns votinhos, eu estou nesta campanha para vencer esta eleição presidencial.
Manuel Alegre, a falar de Francisco Louçã, fez-me lembrar um amigo meu. Basta-lhe beber uns whiskies e acha-se logo capaz de engatar a Soraia Chaves numa festa da Central models.
janeiro 13, 2006
Liquidação
Sou um ávido consumidor de saldos. Em contramão, durante a parte do dia em que os outros trabalham, lá estou eu na maior das FNAC - no Colombo, à procura de tudo o que tenha um autocolante verde, assim que termina o Festivus.
Deixados para trás com passo largo os grandes corredores do shopping, pergunto no guichet de apoio por coisas específicas, que poderiam ser consultadas na base de dados [La Haine, O Sargento da Força Um, etc.], mas sou remetido com desdém para a secção respectiva, por ordem alfabética. Com os dedos encardidos de pó negro que limparei às calças [não há quem, entre aquelas dezenas de jovens de colete, se preocupe em passar um pano pelas prateleiras], não encontrei mais que alguns packs de dois filmes dos clássicos de Hitchcock por 5 euros [está explicado porque vendia o pasquim Público a mesma colecção por 8 cada um, há pouco tempo] e uma preciosidade de Sergio Leone por 10 - Por Mais Alguns Dólares. Há poucos filmes decentes ao mesmo preço, que não são edições-especiais, e os restantes rondam os 20 euros, como Oldboy. Há ainda The Meaning of Life, cheio de extras, a menos de 8 euros e Aviator a 15. Prefiro uma edição de coleccionador de Red Dragon. Nos discos, a decepção é grande, com preços verdes estranhamente a rondar os 16 euros, salvo discos que já merecem o estatuto de antiguidade. Nos livros, nem dei pelos saldos.
Deve ser o reflexo da tal de crise. Pobres comerciantes das grandes superfícies.
O bacamarte
Um homem, de facto, nunca está satisfeito.
Veja-se este exemplo. O pobre desgraçado.
Chamo a tua atenção para a escala comparativa que se encontra à direita do artigo, abordada, uma pequena parte, nesta posta.
janeiro 11, 2006
Cartazes adúlteros
Os teus amigos andam muito sofisticados disse-me o Nuno, ao telefone, espantado com um cartaz da campanha de Mário Soares que tinha lá outro gajo qualquer que não era ele, mas numa montagem muito bem feita.
Mas desta vez não foram as mui amigas deste blog Brigadas Posterrroristas 5/12 a patrocinar a alteração. Foi mesmo a campanha oficial do ex-Presidente que decidiu colocar figuras como Fernando Nobre, Rosa Mota ou Francis Obikwelu a apelar ao voto.
Se fossem as Brigadas, respondi eu ao decepcionado Nuno, estaria lá a Soraia Chaves, com os trajes de O Crime do Padre Amaro versão SIC.
Lisboa a arder
Um grupo de empresários e juristas do norte exige um referendo sobre a OTA e outro sobre o TGV.
Nós concordamos e apoiamos. Desde que, claro, seja feito antes um outro referendo sobre essa possibilidade - a de submeter estas obras públicas, e outras, a referendos.
E, já agora, que se faça um outro referendo sobre o uso de galheteiros nos restaurantes, que foram proibidos e substituídos por garrafinhas de Oliveira da Serra.
janeiro 10, 2006
9 horas da manhã
Nesta manhã glaciar, tão clara que doía, fui obrigado a fingir-me acordado, a construir e a trocar frases gramaticamente correctas ou, pelo menos, perceptíveis, depois de ter sido forçado a tirar a mão direita do bolso para dar um passou bem de pele azulada e músculos trémulos. O levantar da cama ao som do telemóvel propositadamente estridente no meio de um sonho com mar, foi mecânico e de raiva. Num salto, afastei o gato e vesti-me com o que deixara na poltrona. Pus a cara debaixo de água fria sem me encarar e gargarejei. Pior ainda, sempre, é enfrentar as pessoas, reconhecê-las, compreender o que dizem. Os mais corajosos costumam dizer que pareço um zombie, inexpressivo e amnésico, quase tão hirto como um Cavaco, ainda assim com melhor aspecto, apesar das olheiras e do rigor mortis. A mim, todos me parecem disformes, estridentes nos ruídos não-traduzidos, frenéticos como moscas-varejeiras de que tento desviar-me sem sucesso antes de um encontrão indolor, apesar da sua aparente agilidade, de quem está acordado há horas. E eu também, afinal. Estava acordado há poucas horas. Não agora.
janeiro 09, 2006
Tesão de Orelha
Se a sua apresentação de notícias é simples voyeurismo esvoaçante, a escrita envereda pelo mesmo caminho, com salpicos de revista Gina. A primeira só é ultrapassada por Manuela Moura Guedes [de quem a este instante, já ninguém terá saudades, excepto naquela televisão alemã onde a confundiram com um transsexual], a segunda parece ser inspirada em Margarida Pinto Rebelo, sem recorrer a patrocínios.
N' A Memória Inventada, é-nos dado a fazer um divertido jogo com a já famosa cena erótica do último livro de José Rodrigues dos Santos.
É a chamada posta orelhuda.
janeiro 06, 2006
Pára Tudo
O apresentador dos Óscares deste ano será Jon Stewart, responsável pelo Daily Show.
A qualquer instante, a administração Bush deve anunciar que a transmissão da cerimónia deste ano terá um delay de, pelo menos, seis horas.
janeiro 05, 2006
Wasted years
Foi uma experiência traumatizante, daquelas que nos fazem parar quedos e olhar para trás, se não com arrependimento, deveras com uma vergonha cabisbaixa e proeminente rubor na face. Foi-me dado a reler coisas que escrevi há quase dez anos, durante o reencontro ocasional com uma colega de Faculdade. Em fitas lilazes e sedosas assinadas por mim, figuravam referências ao local onde me encontrava aquando da abordagem dos finalistas. Não se tratava da sala de aulas ou de um corredor barulhento, nem do auditório, ou da biblioteca, muito menos de um estúdio de aulas práticas, nem sequer do refeitório. Era o bar da esquina, no Poço do Borratém - a saudosa Tasca do Lagarto.
Em todas as dedicatórias, de uma turma inteira que vai reunir esses testemunhos em livro de souvenirs [vá-se lá saber porque superstição], lá vinha uma referência minha ao dono da Casa de Pasto ou à sua inflada esposa, aos azulejos verde-esbatido e às mesas de madeira tosca com oleado quadriculado, aos tremoços e às canecas vazias espalhadas...
Eram referências claras e constantes, em cada uma das dedicatórias que escrevi... umas trinta. O rubor permanece.
janeiro 04, 2006
Apatia
O povo português, que tem a ventura, sem exemplo na história moderna, de ser guiado neste grande e magnífico certame por seu grande Rei, o povo português, digno desta glória por sua docilidade e moderação, caminha lento, é certo, rodeado de embaraços, por uma estrada minada, semeada de estrepes, bordada de ciladas, mas caminha todavia apesar de tudo isso.
Almeida Garrett, n' O Cronista, em 1827
Mas para onde caminhamos nós, apetece perguntar, na véspera da demolição da casa onde viveu Almeida Garrett, apesar da vigília de protesto que hoje se organiza na Rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa.
janeiro 03, 2006
Lobos e Cordeiros
Quais os ingredientes para uma passagem de ano memorável?
Juntar um grupo de deslocados ou desirmanados sem planos precisos, em casa acolhedora de amigos comuns. Com chilli, David Bowie, Nouvelle Vague e sangria, rapidamente se superam as baixas expectativas - provocadas por experiências mal passadas - e se transforma a timidez em empatia partilhada.
Afinal, o Jogo do Lobo pode ser jogado por quem não se conheça bem. E podem ser dois lobos em vez de um só, rodando o papel de Moderador.
Ainda que soberbo, nem o espectáculo kitsch dos Irmãos Catita e suas strippers, no inolvidável Maxime, conseguiu ser tão animado. A noite de alguns acabou na praia, a convite do Sol.
janeiro 02, 2006
dezembro 31, 2005
dezembro 30, 2005
Desforra
Trata-se simplesmente do meu quarto, só a cor se encarregará de tudo, dando, pela sua significação, um estilo mais significativo às coisas, ser sugestiva aqui do repouso ou do sono em geral. Enfim, a visão do quadro deve repousar a cabeça, melhor dizendo, a imaginação.
As paredes são de um vileta-pálido. O chão é de ladrilhos vermelhos.
A madeira da cama e as cadeiras são amarelo de manteiga fresca, o lençol e as almofadas verde-limão muito claro.
A colcha vermelho-escarlate. A janela verde.
A mesa de toilette laranja; a bacia azul.
As portas lilaz.
E é tudo - nada neste quarto está na penumbra.
O volume dos móveis deve mais uma vez expressar um repouso inabalável. Os retratos na parede e um espelho e uma toalha e algumas roupas.
A moldura - como não há branco no quadro - será branca.
Isso para tirar a minha desforra do repouso forçado a que fui obrigado.Vincent Van Gogh, sobre O Quarto em Arles, em 1889
dezembro 27, 2005
O despertar de Eros
BD erótica: deve deixar-se em locais da casa onde uma jovem mente pode, secretamente, descobrir essas coisas do sexo. Alguns aprendem até outras coisas, como algumas palavras de francês e o gosto pela arte.
dezembro 26, 2005
Mil Contos
O rio parecia sereno, mas corria em maré cheia, numa violência interna que o plano da superfície ainda ocultava. Um velho cacilheiro avançou nas águas, arfante e cansado, e só os picos nervosos das ondas desencontradas, em choque com o casco, lembravam a sua aflição na corrente. O despertar gelado da manhã tinha um vento que obrigava os apressados viajantes a fecharem mais os casacos contra o corpo.
O barco fez a manobra de acostagem e colou-se lentamente ao cais, largando um sopro de fumo, negro e leve, que se elevou na atmosfera límpida. As gaivotas voavam nos turbilhões de ar, tentando equilibrar-se com as asas estendidas, mas sustentadas pelo vento, num equilíbrio precário que lembrava uma dança, de tal forma evoluíam no nada, umas em torno das outras.
Do barco repleto saiu a multidão. A quantidade de gente que desembarcou, homens e mulheres apressados, parecia inesgotável. Depois, havia menos gente, e ainda menos, até que ficavam só alguns mais atrasados.
Distinguiu-a então, com a sua figura esguia e frágil. A mulher viu-o também, encostado, cabelo revolto pela ventania, o cigarro apagado na mão. Não se abraçaram, nem sequer se tocaram. A mulher parecia mais infeliz que nunca, olhou-o com uma timidez, um gesto de hesitação que lhe revelou tudo.
“Ele sabe de nós?”
Ela não falou. Nem sequer confirmou com um gesto. Semicerrou os olhos, por que o vento a fazia chorar e não queria chorar.
O homem largou fora a beata meio consumida e que a humidade apagara.
“Tens que sair de casa”, disse.
A mulher permaneceu em silêncio. Talvez tivesse sorrido amargamente, pois ambos sabiam que isso era impossível. Perderia as crianças.
“Vamos?”, perguntou ela.
O homem deu-lhe o braço, que a mulher aceitou.
E caminharam assim para o emprego, juntos, amantes sem endereço.
E as gaivotas pairavam no ar e o rio descia para o mar, como sempre fizera, numa corrente poderosa e invisível.
Os amantes sem endereço - Luís Naves
O meu amigo Luís também já escreve num blog - o Prazeres Minúsculos. Bom nome. O Naves é um exemplo como jornalista e um escritor inspirado e talentoso e propõe-se a publicar pequenos contos, quase um diferente todos os dias. É obra.
dezembro 23, 2005
Um Doce [de] Natal
Pudim de Mel
Ingredientes:
8 ovos
0,5 Kg de açucar
2 colheres de sopa bem cheias de mel
2 colheres de sopa de manteigaPreparação:
Bater os ingredientes
Untar papel vegetal para uma forma (sem buraco), de preferência como a do Bolo Inglês
Despejar os ingredientes batidos para dentro da forma forrada a papel vegetal untado
Vai ao forno durante cerca de 45 minutos (mas ir verificando - está cozido depois de inserido um palito que volta seco)Nunca fiz. É receita dos meus amigos Nuno e Luísa. É de comer e babar carinho, de tão doce e delicioso que é.
Beijocas de quem acabou de ver fazer um.
posta da Filipa
dezembro 22, 2005
o Mal do Mundo
É preocupante que haja jovens que têm como ícone Che Guevara, um dos grandes assassinos do século XX. É importante que a esquerda se saiba libertar dessas suas referências tremendas de violência, crueldade e intolerância. A esquerda tem responsabilidades em grandes males do mundo. Isso é indiscutível. Olha-se para o cortejo de miséria na África contemporânea e sabe-se que isso é devido a regimes de esquerda que têm governado o continente. Acontece o mesmo em Cuba e na Coreia do Norte. O terrorismo contemporâneo tem origem numa deriva totalitária do pensamento marxista-leninista e isso tem que estar presente no consenso do combate ao terrorismo.
José Ribeiro e Castro, presidente do CDS/PP
Solidários com o líder da direita portuguesa, propomos a imediata beatificação de Adolf Hitler, Pinochet, Hideki Tojo, Muammar Khadafi, Ismail Enver, Papa Doc Duvalier, Franco, Hafez Al-Assad, Omar Torrijos, Mussolini, Rojas, Ayatollah Komeini, Rios Montt, Marcos, Idi Amin, Saddam Hussein, Suharto, Slobodan Milosevic, Noriega, Anwar Sadat e Salazar, que conseguiram exterminar, cada um, vários milhões de perigosos esquerdistas, um pouco por todo o mundo.
dezembro 21, 2005
Filmes do Ano
Ora vamos lá então, a mais uma lista, sabendo de antemão que Cavaco não viu nenhum destes filmes e que Soares só gostou dos falados em francês*:
Crash Paul Haggis | The Life Aquatic with Steve Zissou Wes Anderson | Team America: World Police Matt Stone, Trey Parker | Match Point Woody Allen | A History of Violence David Cronenberg | The Constant Gardner Fernando Meireles | Million Dollar Baby Clint Eastwood | 2046 Wong Kar-Wai | Broken Flowers Jim Jarmusch | De battre mon coeur s'est arrêté Jacques Audiard | Charlie & the Chocolate Factory Tim Burton | Sin City Robert Rodriguez | Howl's Moving Castle Hayao Miyasaki | Saraband Ingmar Bergman | Closer Mike Nichols | The Motorcycle Diaries Walter Salles | Notre Musique Jean-Luc Godard | Noite Escura João Canijo | Sideways Alexander Payne | Hotel Rwanda Terry George | She Hate Me Spike Lee | The Machinist Brad Anderson
São apenas os filmes que mais gostei de ver no ano que ora finda. Não foi um ano nada mau, no que à ficção diz respeito.
* vide interessante diatribe de comentários, na posta anterior.
dezembro 20, 2005
Duelo
Esta noite, na televisão, desinteressadamente, vi o "velhinho de 81 anos" humilhar o economista autoritário que mais não conseguia que contorcer-se na cadeira e sorrir nervoso para os amigos apresentadores, tal a frontalidade dos argumentos, disparados com precisão contra a sua, afinal, frágil carapaça.
Houvesse vontade para mudar as coisas e seria decisivo, a um mês das eleições. Podíamos começar por discutir as diferenças entre este debate... e os outros 'confrontos' entre candidatos, promovidos pelas várias televisões. Fica para daqui a dez anos.
Pachorra
O que eu acho extraordinário, absolutamente extraordinário, é que ainda haja quem veja O Eixo do Mal.
dezembro 19, 2005
dezembro 17, 2005
'Os Caricaturistas Nocturnos'
BP 5/12 na Grande Reportagem
O último número da Grande Reportagem, ilustrada na capa pela modelo/actriz Soraia Chaves, traz a primeira entrevista às Brigadas Posterrroristas 5/12. Em quatro páginas ilustradas pelo fotógrafo Pedro Loureiro, o jornalista Samuel Alemão acompanha uma acção do grupo e faz um pequeno estorial, respeitando o anonimato dos elementos - tudo gente bem na vida que não sabe o que fazer às noites.
Sem que ninguém lhes faça a encomenda, um grupo de indivíduos bem instalados na vida decide sair para o frio da noite e sabotar os painéis de propaganda eleitoral e camarária de Lisboa. Gente na casa dos quarenta, já com filhos e algum tempo livre, dedica-se a realizar operações de subversão gráfica, parodiando todo o espectro político. As Braigadas Pós-Terroristas 5/12 completam um ano de vida e dizem-se inspiradas por Santana Lopes. «Não queremos impor nada. Os cartazes é que estão lá e pedem para ser utlizados. Chamam por nós.»
Disponível hoje com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias. Não há que enganar, é a que tem a Soraia Chaves na capa.
dezembro 16, 2005
Horóscopo
Hoje é um bom dia para promover o romantismo na sua vida e para libertar-se de emoções.
Promover o romantismo, já me parece complicado... mas como é que o faço e, ao mesmo tempo, me liberto de emoções?!
dezembro 15, 2005
O Tempo da Televisão
Quando saíu, o seu filho era criança... agora já é adolescente.
Diz a jornalista da SIC, falando do co-piloto português que esteve preso 14 meses, na Venezuela.
dezembro 14, 2005
dezembro 13, 2005
Doces para os Ouvidos
[ainda a Pirataria]
A verdade é que a ideia de música como prazer borlista está instalada entre uma nova geração que não vê que "sacar" uma canção sem a pagar a quem a fez é igual a tirar um bolo da pastelaria sem dar contas a ninguém...
Eu costumo estar de acordo com as crónicas de Nuno Galopim, na última página do DNa, mas acho esta afirmação muito infeliz. Não só porque compara música a pastéis de nata, mas porque apoia a propaganda das editoras de música, um dos lobbies mais poderosos do universo, que ganham fortunas à custa dos músicos, a quem pagam injustamente pelas vendas de discos, em contratos castradores a vários níveis.
O próprio Galopim, no final da crónica, o reconhece:
E cada vez mais o futuro da música parece feito de canções grátis para levar depois o público a concertos pagos...
Esta afirmação contradiz a primeira, mas vai mais de encontro à minha opinião sobre esta questão da "pirataria". Eu, por exemplo, saco música da net. Admito sem pudor. Principalmente singles que acabam de sair, de álbuns que ainda não saíram, porque quero conhecer e divulgar aqui no blog. Mas acabo por comprar os discos, se gosto da canção [canções] que descarreguei e o mesmo fazem muitas pessoas que as descobriram na Rádio na Cabeça. Por mais que isso seja um rombo no orçamento. E depois vamos a concertos dessa banda, que é o que realmente lhes dá projecção e dinheiro.
Em que é que isso se compara ao acto criminoso de roubar um bolo?! Só se a Sony ou a BMG também forem donas de cadeias de pastelaria e também cobrarem uma exorbitância por um produto barato. E um disco, bem feitas as contas, até tem custos de produção menores que os de um pastel de nata.
dezembro 12, 2005
Discos do Ano
Por falar em listas, aqui ficam os discos que mais passaram pelas gavetas da aparelhagem lá de casa, durante este ano da graça do Senhor de 2005.
Silent Alarm Bloc Party | The Mysterious Production of Eggs Andrew Bird | Blinking Lights And Other Revelations Eels | Funeral Arcade Fire | PLaying the Angel Depeche Mode | I'm a Bird Now Antony and The Johnsons | Demon Days Gorillaz | Supernature Goldfrapp | Guero Beck | Employement Kaiser Chiefs | Come on feel the Illinoise Sufjan Stevens | Love Kraft Super Furry Animals | Want [two] Rufus Wainwright | LCD Soundsystem LCD Soundsystem | Tanglewood Numbers Silver Jews | The Witching Hour Ladytron | Takk Sigur Ròs | The Cloud Room The Cloud Room | You Could Have It So Much Better Franz Ferdinand | Get Behind Me Satan The White Stripes | The Back Room Editors | Lullabies to Paralyze QOTSA | Extraordinary Machine Fiona Apple | Pocket Revolution dEUS | With Love And Squalor We Are Scientists
Estão mais ou menos por ordem, dos repeat da aparelhagem. Se me esqueci de algum, é favor acrescentar nos comentários.
dezembro 11, 2005
Estrelas
A revista Premiere decidiu escolher as 50 maiores estrelas de cinema de todos os tempos.
Ora, se todas as listas best of são subjectivas, esta é ridícula.
Os editores da revista americana consideram que Cary Grant é o maior actor de cinema que jamais existiu, antes de Marilyn Monroe e todos os demais. E Tom Cruise surge no último lugar do pódio, antes de John Wayne ou Paul Newman, por exemplo. Marlon Brando só aparece em 15º e James Dean fica-se pelo 30º, depois de... Warren Beatty. Julia Roberts também é mais diva que Greta Garbo, Grace Kelly ou Katharine Hepburn e Steve McQueen, Robert deNiro, Peter Sellers e Johnny Depp só aparecem na recta final. A lista termina com Brad Pitt, mas Sharon Stone, Bill Murray e Sean Penn ficam de fora, apesar de haver espaço para Nicole Kidman e Russell Crowe.
dezembro 09, 2005
Poor people have no Heartbreaks
The Break Up Package
Breaking up is hard to do. But, with a little pampering from our professional staff, memories of him will be distant, to say the least. Your package will include a deluxe king size guest room (you'll no longer have to share the bed), a one-hour professional massage (we'll loosen those "knots" you almost tied), your very own copy of the book "Cowboys are my Weakness" (written by Pam Houston), an exquisite dinner in your room prepared by our Executive Chef (finally someone to cook for you), 2-pints of your favorite ice cream (what better to do than eat ice cream to forget him), and breakfast served in your room the following morning. Spend the time alone or bring your best friend with you. Either way, he'll be a forgotten memory at check-out time. Sorry guys, this package is only for the ladies. Packages from $289.00 per night.
O Hotel Magnolia tem pacotes especiais para corações partidos. Espero que haja um desconto para os que acarinham desgostos vitalícios.
dezembro 08, 2005
No Tempo da Democracia
Mário Soares está velho. É o ancião da democracia portuguesa que já podia estar reformado e ter o seu lugar de glória na História. Mas não se ficou. E mostrou na curta entrevista ao cavaquista editor de política da RTP, à chegada aos estúdios do Lumiar, porque também nós não devemos ficar-nos.
Vivemos num regime mediático onde não há qualquer discussão de ideias, mas um voyeurismo apático. São as televisões que decidem quem ganha e quem perde, são elas que nos mostram um produto final, ao qual devemos reagir com aplausos ou apupos, nunca questionar.
Soares protestou que a pergunta feita pelo jornalista, antes de um debate entre ele e Jerónimo de Sousa, não fosse nem sobre ele, nem sobre o líder do PCP. Era sobre Cavaco, claro. E Soares lamentou que o debate não pudesse ser olhos-nos-olhos, com interpelações e argumentação. Porque as televisões não deixam. Será apenas mais um show de monólogos sensaborão, que não prejudica a imagem pré-concebida criada para cada um dos candidatos.
Cavaco já venceu. E com 60% dos votos ou mais, à primeira volta. É isso que se vê, que se diz, todos os dias, em todos os telejornais, em todos os jornais e rádios. E ninguém questiona.
Paradoxalmente, o regime mediático passará a ser encabeçado por um bibelot desengonçado e ignorante, cheio de jagunços e seguidores oportunistas, mas vazio de carisma, de telegenia, ou de gosto.
Mas não será com o meu voto.
dezembro 07, 2005
Já é Nossa
Não é hábito falar de futebol neste blog [nem sequer vamos poder incluir esta posta numa categoria de arquivo específica], mas não podemos passar ao lado da vitória histórica desta noite.
O Benfica ter ganho ao Manchester é das coisas mais incríveis de que há memória, senão mesmo a mais inusitada. Foram 2-1, num extraordinariamente apinhado estádio da Luz. A euforia dos adeptos encarnados e o êxtase dos narradores televisivos são perfeitamente justificados. Merece o nosso aplauso e total apoio, a decisão do governo de decretar feriado o dia de amanhã, quinta-feira, para que os festejos prossigam ad eternum.
PS: Igualmente, condenamos a atitude dos vis cidadãos que enviaram para o mail deste blog um artigo de jornal [falso, evidentemente - uma clara montagem em Photoshop], que insinua que o Sporting terá vencido, há poucos meses, os também ingleses, e até melhor classificados, do Newcastle United. Ainda por cima, veja-se bem o tamanho do despropério, por 4-1.
Invejosos! Alguma vez eles teriam uma águia a voar de um lado para o outro do campo...
dezembro 06, 2005
Whisky velho e Bolo-Rei
Curiosamente, é no pasquim Correio da Manhã que encontro a melhor análise ao primeiro "debate" presidencial televisivo.
Alegre cavaqueira na SICO título resume tudo. E alguém ainda acredita nas "boas intenções" do poeta?!
Pescadores-Fantasma
Naherengue, Moçambique
Há sítios assim, e momentos destes, onde ser mau fotógrafo não tem qualquer importância...
Às vezes, até ajuda.
dezembro 05, 2005
BP 5/12: um ano de Acção
Três cidadãos notáveis passam por um placard vazio da Câmara de Lisboa e exclamam: Olha! Podíamos fazer ali um cartaz. quando passam de carro. Ao jantar, trocam ideias sobre o 'projecto' e chegam a um slogan engraçado. Alguém comenta: Se tivéssemos menos vinte anos...
Foi assim que, há um ano atrás, demos início neste blog ao relato das acções das auto-denominadas Brigadas Posterrroristas 5/12. Tudo começou por impulso, quase por acaso, mas ganhou proporções inesperadas e uma notoriedade tremenda, que deu azo a imitações, plágios e até pressões políticas.
Aqui ficam enumeradas todas as acções e reacções deste movimento artístico-revolucionário - as Brigadas Posterrroristas:
- O Cartaz esquecido
- Manual de Instruções
- Nasceu um Movimento
- Carta ao Rei de Espanha
- Polícia de Plantão
- Plágio no Público
- O Público erra
- Primeira acção dissidente
- Carmona envenenado?!
- O Público volta a plagiar
- O Público despede plagiadora
- Feliz Natália
- Mas foi a plagiadora errada
- Provedor do leitor apoia plágio
- Menino Guelleilo
- Rato Mickey
- Intenção de Voto
- Previsão Eleitoral
- Operação Flaua Paua
- Já Reparou que está frio comó... ?
- Temos grande líder
- Santana Rebela-se
- Ritual santânico
- A Lata Continua
- Nem o Papa escapa
- Arranca a Campanha
- Votem em Nós
- Arte por Encomenda
dezembro 02, 2005
É Quando uma Televisão Quiser
No Verão, os jornalistas invadem as matas para relatar os incêndios. Agora, na pré-época natalícia, fazem directos dos hipermercados para relatar as compras. E é vê-los nos corredores da secção de brinquedos das grandes superfícies, mesmo que não tenham quase ninguém, em qualquer dia da semana.
Os mais ousados, conseguem substituir o como é que sente? por um conseguiu comprar o que queria?, quando apanham uma mãe aflita ou uma avó prevenida.
Rádio na Cabeça
Não temos, é certo, o tempo necessário para ir mudando com mais frequência as músicas do blog. Mas procuramos ter sempre, pelo menos, uma novidade ou um clássico recuperado. Agora é a vez de Tiga. No site do d-jay podem ouvir-se outras versões da canção You Gonna Want Me. No site oficial de Richard Ashcroft - nos links à esquerda - está disponível o novo video-clip Break the Night With Colour. No site dos We Are Scientists pode ouvir-se Nobody Move, Nobody Get Hurt e The Great Escape. Outro exemplo, no site dos Protocol, sempre na mesma lista, por ordem ortopédica, estão audíveis os singles Where's the Pleasure, She Waits for Me e Those Things I Do e ainda é possível descarregar o video Vanity, com uma actuação ao vivo [ainda tu te queixas!]. Estamos a fazer uma ronda pelos links para tirar os desactualizados, e vamos reduzir a lista consideravelmente. Esperamos que isso facilite e incentive a consulta dos sites. Continuamos abertos a sugestões musicais. E não só.
dezembro 01, 2005
E uma vacina?
Os cientistas acabam de demonstrar que a paixão resulta da secreção de uma molécula - a NGF, cujos efeitos duram pouco tempo, no máximo um ano.
Mas até eu, que me apaixonei por uma cientista, prefiro continuar a ver a paixão como os poetas, a senti-la como uma magia que não precisa de explicação.
novembro 30, 2005
Pessoa
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasito,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe —todos eles príncipes— na vida...Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Poema em Linha Recta [extractos], Álvaro de Campos
novembro 28, 2005
Aleatórios Irreais
Era um gajo tão possessivo, tão possessivo, que oferecia o perfume dela a todas as amigas.
We are the Robots
Ter seguranças nos corredores e polícias à porta das escolas, não há outro remédio... Mas ver as associações de pais exigirem medidas mais drásticas para impedir que, nos recreios, os alunos mais fortes hostilizem os mais fracos, parece-me um disparate.
Ou alguém acha que no mundo real, ao longo da vida, vamos ter um guarda-costas que nos proteja dos outros, prontinhos para nos lixar e passar por cima?
]Curiosidade: em miúdo, estive nos dois lados dessa barricada: no liceu, comecei por ser tímido e imberbe e fui gozado, excluído, espancado, praxado e roubado. Lá para os 15 anos cresci abrupta e desmesuradamente: com mais de metro e oitenta e voz grossa ganhei popularidade, engatei as miúdas mais giras e vinguei esses actos de violência. E estou certo que contribuí para fazer uma melhor pessoa daquele rapaz que, depois de me ter amarrado a um caixote do lixo em pleno pátio do Liceu Camões, apenas para se exibir, se viu, dois anos lectivos depois, pouco antes de me reconhecer, conduzido pelas orelhas para dentro do mesmo caixote, já quase cheio, e rebolado até à náusea pelos campos de futebol. Eu sei que exagerei, o Conselho Directivo bem mo lembrou, e o meu pai nem se fala, mas soube melhor que a minha primeira vez.[
novembro 26, 2005
Arte por Encomenda

Desta vez a missão era diferente. Marcava-se o arranque da campanha para a Presidenciais de forma simbólica e sob o olhar atento de uma equipa de reportagem. Um jornalista e um fotógrafo fizeram perguntas e apontaram num bloco quem são as Brigadas, o que querem dizer, porque começaram, o que as move. E decidiram acompanhar uma acção das ditas.
O relógio marcava 8 graus e 2:34 da manhã. Mas este grupo já enfrentou, com estes capuzes ou outros, a noite mais fria dos últimos cinquenta anos. Uma vez que a coisa era simbólica e fotografada, esmiuçada ao pormenor, decidiu esgotar-se o stock. Cartazes antigos das autárquicas, slogans nunca ousados, ideias soltas. Tudo debaixo do braço, junto ao habitual alguidar de cola, aos três rolos extensíveis, ao cordel e ao canivete.

Tal como da última vez, um polícia mais atento forçou a debandada. Um dos rolos ficou para trás. A descontração foi suficiente, no entanto, para que, na primeira curva, o reizinho saísse do carro para libertar micções incómodas. Curiosamente, junto à sede do Departamento de Higiene da Câmara Muncipal de Lisboa. Curiosamente, não... Simbolicamente!
Depois Saldanha, onde se utilizou um novo suporte - a paragem de autocarro e, finalmente, Entrecampos. Missão cumprida que se faz manhã. O jornalista que escreva a história, o fotógrafo que revele as imagens exclusivas.
A caminho de casa, todos se indagavam sobre o significado profundo daquele T, na testa do candidato.
novembro 25, 2005
Na Bica, podia ser na Glória
Apesar do frio, havia muita gente à porta da Bicaense, na rua do ascensor da Bica, ao Bairro Alto. Desta vez, juntaram-se para o lançamento do roteiro Pisa-Papéis.
Acabámos por ser dispersados com jactos de água.
Não, não foi o corpo de intervenção da PSP, nem havia tumultos. Mas dois funcionários da Câmara estavam ali para "fazer o seu trabalho" e não hesitaram em lavar as pessoas dali para fora. Pouco passaria das duas da manhã, mas havia que varrer a calçada de beatas e copos, lixo e sujidade, pernas e sapatos.
A coisa acabou em verdadeira luta de classes e num desacato paradoxal: os homens da mangueira é que estavam ébrios e reagiam com irritação aos sarcásticos "tem lá calma, que eu tomei banho hoje!"...
"Não é tu, é você!" gritava um deles, de barriga proeminente encostada naquele que escolhera para adversário. Foi preciso um berro mais veemente deste, que lembrou "eu não estou bêbado!" e a debandada dos restantes estorvas, para que a rua fosse lavada, entre resmungões. Nada de grave aconteceu, afinal.
Quando todos respiravam de alívio, eis que surge o que alguns apelidaram de luta de titãs - o ascensor da Bica decidiu descer em direcção à Rua da Boavista!
Trata de afastar mangueiras, e esquecer exibições de força, que o dragão é de metal e electricidade e a água não trava tudo. Pelo menos, esta que esguicha de uma boca de incêndio.
Quando o outro eléctrico subiu, apenas o frio, o silêncio e uma conversa de três resistentes sobre as pessoas que ligam para as rádios a perguntar coisas, animavam a porta do Bicaense.
PS: Fiquei a dever um copo à Inês. Fica registado.
Que raio de banda és tu?

You Are... Ride.
You are young at heart and full of energy. You are
talented but very modest. You are happy go
lucky and care free. You have learned to take
the good with the bad and you just accept life
for being what it is. People tend to be envious
of you, That's only because they don't
understand you and they just want some of what
you have. There's no task too hard for you and
you excel at pretty much everything you try to
do. You have a playful personallity and a
beautiful inner soul.
what Creation Records band are you? (complete with text and images)
brought to you by Quizilla
Estes gajos nunca acertam... Acho que nunca ouvi sequer, os tais de Ride!
]Okay. Eu admito que gostei do nome da Banda e que fiquei curioso.[
novembro 24, 2005
novembro 23, 2005
novembro 22, 2005
IdiOTAs
Se percebo o ridículo do TGV - quando estiver pronto, já há soluções mais rápidas, práticas e baratas em termos de comboio de alta velocidade - e de outros projectos do governo, não apoio a contestação à construção de um novo aeroporto na capital.
Já fui [obrigado a ir] de avião a várias cidades da Europa e de África e nunca estive em mais nenhuma com o aeroporto no centro da cidade. Heathrow, Orly, Leopold Senghor ou Mavalane, ficam a muitos quilómetros da cidade e obrigam a utilizar combóio ou autocarro e, nalguns casos, o táxi. Ou uma boleia generosa, mais barata e confortável.
Eu sei que é muito bonito chegar a Lisboa, e engraçado poder dizer para quem está sentado ao lado - Olhe, aquela é a minha casa! Viu, o meu gato à janela?! Reconheceu logo o dono, a malandra... Mas quando estamos em terra custa muito, levar com o barulho dos motores de dois em dois minutos. E são milhares, as pessoas afectadas por essa coisa a que ninguém liga chamada poluição sonora.
No outro dia, em mais uma pseudo-notícia de um pasquim semanário, falava-se dos turistas que a cidade ia perder. Mas quem é o atrasado mental que acha que alguém, no seu perfeito juízo, deixará de vir a Lisboa porque o aeroporto fica fora da cidade?! Então e Londres, Paris, Maputo, Joanesburgo, Dakar, Bruxelas, Roma, e por aí fora?! Ahh, não. Buenos Aires, não. Mude aí o destino do voo para Nouakchott, que ouvi dizer tem uma pista de terra mesmo junto ao mercado!
Não se trata só de reconhecer o óbvio - que a Portela já está a rebentar pelas costuras e a colocar sérios riscos de segurança -, mas um aeroporto fora da cidade é bom para a região em que for construído: vai desenvolver infra-estruturas, transportes e comércio, trazer empregos [milhares] e serviços. E vai fazer deste país, um sítio menos centralizado e dependente da capital, porque haverá outras cidades [Santarém, por exemplo] que passarão a reclamar - temos aeroporto internacional.
Melhor ainda, com um novo aeroporto, deixarei de discutir com o taxista, de toda e qualquer vez que chego a Lisboa, por mais cansado ou saudoso que esteja, apenas porque lhe digo que vou para a Avenida da Igreja.
Night of the Chicken Dead

Finalmente, alguém ridiculariza o frenesi mediático/popular à volta da gripe das aves.
O trailer deste Poultrygeist: attack of the chicken zombies mostra uma Troma em grande forma, em mais uma sátira gore assinada por Lloyd Kaufman.
Para além de exorcizar o medo à volta do H5N1, explora como ninguém o provincianismo americano e o negócio das redes de fast food.
O filme [ou o trailer] não deve ser visto depois de uma refeição... de frango, ou de outra coisa qualquer.
novembro 21, 2005
Renascer
Está gelado, o chão da casa-de-banho. E apertado, aqui entre a parede, o bidé e o armário do lavatório. Consigo ver o tecto e a lâmpada fosforescente. Tudo branco e ofuscante. Espero que aquele quadro não me caia em cima. Se ao menos tivesse deixado a porta encostada, como costumo fazer, o gato já tinha dado por mim aqui estendido, para encostar o focinho molhado na minha cara e ronronar por cima do corpo. Tapo os olhos com o braço num pequeno alívio de escuridão. Há vozes ao longe. São várias, mas fundem-se numa só, em ecos. Há três mulheres na minha sala e eu estou deitado no chão do WC... Não sei o que sinto. Deitei-me para não desmaiar. Há instantes, a conversa era sobre Mark Sandman, um gajo novo a quem deu uma coisa em palco. Quem me dera um palco, agora. Ao menos uma casa de banho pública, sei lá. Pelo menos esta, cheira bem. Mas estou desconfortável em todas as posições. Só consigo esticar uma perna de cada vez e tenho frio nas costas, nos pés, na barriga, nas mãos. Mas o que raio é este entorpecimento? Que inércia é esta, que me cativa no chão da minha casa-de-banho? Virá a incapacidade do corpo, ou da cabeça? Terei entrado em paranóia ou parou-me a digestão? O eco de vozes fundidas numa só continua. Mas está mais difuso e arrastado. E o frio é cada vez maior. É isto?! O tal túnel de que falam!? Esconso, branco... e gelado.
novembro 20, 2005
Nepotismo descarado
Vejam só
Fazem parte dos quadros da Portugal Telecom os filhos de Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres, Jorge Sampaio, Edite Estrela, Jorge Jardim Gonçalves, Otelo Saraiva de Carvalho, Teixeira dos Santos, bem como o irmão de Pedro Santana Lopes. Estão também nos quadros da PT, ou da TMN, João de Deus Pinheiro, Briosa e Gala, Jaime Gama, José Lamego, Luís Todo Bom, Álvaro Amaro, Manuel Frexes, Isabel Damasceno. Bonito, não é? Portugal é o campeão do descaramento.
in Expresso das 9, 18 de Novembro de 2005
novembro 18, 2005
novembro 17, 2005
The Most Beautiful Woman in The World
1. You
2. Yourself
3. That girl on my dream
4. The girl of my dreams
5. The girl [not] reading this list
6. A clone of you
7. A clone of the clone of you
8. Monica Bellucci... playing you
adaptado de McSweeney's Internet Tendency, por Runjit Chandra
novembro 16, 2005
Requisito Obrigatório
Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar,
já me queimei a brincar com uma vela,
já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda,
já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista;
já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora;
já fiz chichi no duche.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado
e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme,
já me cortei ao barbear-me muito apressado
e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas
e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas,
já subi a uma árvore para roubar fruta,
já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola
e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu;
já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar,
já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado,
já mergulhei para a piscina e não quis sair mais,
já bebi whisky até sentir os lábios dormentes,
já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos,
já quase morri de amor
e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial,
já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade,
roubei rosas num enorme jardim,
já me apaixonei e pensei que era para sempre,
mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir
e depois descobri que chegaram outros novos
e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz,
tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:
" - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro.
"Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?Resposta a um anúncio de emprego da Volkswagen
novembro 15, 2005
Bolas de Neve
- Uma coisa que sempre me deu medo: como é que nós sabemos que, entre tantos triliões de pessoas, vamos encontrar as [pessoas] certas?!
Pergunta de Maggie a Fleischman, em Northern Exposure - o único motivo admissível para ver a SIC Mulher. Ainda que, por si só, a série justifique a existência de qualquer canal, por mais inócuo que seja o resto do dia.
Só aquele episódio em que Chris constrói uma catapulta [ou trébuchet] para arremessar um piano, podia ser repetido non stop, aed eternum.
Blog Calhamaço
É óbvio que o |Substrato| nunca será um livro [até porque estamos a falar de dois veículos diferentes e um não pode ser reduzido ao outro e vice-versa - nem 'quando' este blog tiver cheiro ou textura], mas divirto-me a imaginar a lombada que era precisa, para suportar as postas e os respectivos comentários.
novembro 14, 2005
Then, you turned into a Pumpkin
![Ethan Hawke, Julie Delpy [Jesse e Celine]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/before.jpg)
I don't want to be one of those people who don't believe in anything magical.
Before Sunset, Richard Linklater
novembro 13, 2005
Explicação
Um blog é só um blog. Nem sei bem definir o que é isto de um blog, mas sei que não terá grande importância na vida de uma pessoa. Nem de quem escreve, nem de quem reage, ou apenas lê.
E este blog acabou. Acabou porque serviu de pretexto para pôr fim a algo que, de facto, tem importância na vida de alguém. Toda a importância. É verdade que foi só um pretexto, mas serviu. E a intenção de o encerrar era determinada, não foi uma tentativa de chantagem emocional barata, nem sequer dramática.
Ora acontece que não era justo que o blog acabasse. Muito menos assim, sem explicação, sem nexo. Se um blog não tem importância, também não devia ser utilizado como fonte de ciúme, como desculpa.
É óbvio que os comentários deixados naqueles momentos de desencanto contribuíram, e muito, para que eu voltasse atrás. Se este blog é só um blog, também é verdade que reúne um grupo considerável e muito interessante de pessoas, que partilham experiências, pensamentos, dúvidas, ilusões. E ter um grupo de pessoas com quem possamos discutir coisas, desta forma... é muito importante.
Para além do que, este blog só pode ser terminado por todos os responsáveis por ele... e não apenas por mim, que o edito.
Agradeço todos e cada um dos comentários deixados ante-ontem e já esta madrugada. Por tudo isso e muito mais: Filipa, Klank, Pipinha, Fada, Jaime Andrajoso, Twilight, Fada, Castiço, Kaku, Beto, Ana, Benedita, Cândida, São Rosas, Jimbrinhas, Amiga Comum, Billy, Gotinha, Susa, Nuno Vieira, Inês4Jazz, FilistEu, Alguma, Andy, Impensado, Helga, M, Fdv, Kate, Hipatia, Joana, Xico, Jmn, Rafik, Voquesuange, Rui Guilherme, Marisa, Conde de Sabugueiro, Rita, Aida, Vasco, Paulo, Zita, Anaximandro, Pequena Couve, Jorge, Mojo Pin, Insondável e DaLheGas... Bem Hajam!
É bom saber que este blog está vivo e que olha por nós.
novembro 12, 2005
novembro 11, 2005
novembro 10, 2005
Momento televisivo do Dia
Ora bem... Os distúrbios em França estão a esmorecer... e já ninguém tem paciência para imagens de carros calcinados... Dois atentados bombistas no Iraque... nada de novo... O Cavaco continua calado que nem um rato a comer bolo-rei... e ainda bem... O Marques Mendes não sabe fazer contas, coitado... mas não devia conseguir ver o quadro negro, nas aulas...
Ah!! Cá está!!
Um caso de gripe das aves descoberto na... onde é que foi... ah, na Indonésia! É longe, mas olha... Não, outro caso... Há um cisne com sintomas... em Itália!
Serve: Gripe das Aves regressa em força! O Medo apodera-se dos cidadãos da Europa.
Ufff.
novembro 09, 2005
Little Britain

Se há profissão na qual teria sucesso garantido é a de psicólogo.
Primeiro, porque sou bom a ouvir enquanto penso noutra coisa. Vou franzindo uma sobrancelha de cada vez, no momento apropriado, com o dedo indicador erguido junto à boca e o polegar a apoiar o queixo, para não bocejar, dando um ar de profunda atenção. Depois, porque consigo, mesmo estando a pensar noutra coisa, repetir a última frase ouvida transformando-a numa interjeição. Finalmente, quando e se a 'conversa amiga' não resulta, recorro à minha colecção de DVD, cuja seccção séries de TV e afins consegue destroçar qualquer aspiração a depressão aguda.
Aqueles dois rapazes circunspectos ali em cima, que ainda há uns anitos faziam um programa de rádio pouco mais que impróprio para surdos, já estão a caminho da estante mais desarrumadamente organizada da casa.
A forma displicente como encaro uma depressão, minha ou alheia, também contribuiria para o tremendo sucesso profissional. A minha mãe é que tinha razão...
novembro 08, 2005
novembro 07, 2005
novembro 05, 2005
Teimosia
Quem diria,
Que um dia,
Voltava a ver Raquel
Fiquei parado e pouco lhe falei...
Há quanto tempo não te via
Julguei até já ter estancado a hemorragia
Mas ao que eu vejo, o tempo não passou...
Como era bom, contar-te o que eu sentia
Mas vejo que a conversa vai ficar para outro dia,
Por hora só me sai:
Raquel
Raquel*, Ornatos Violeta
*nome obrigatório
novembro 03, 2005
A minha MTV

Carolina é uma menina bem difícil de esquecer
Andar bonito e um brilho no olhar
Tem um jeito adolescente que me faz enlouquecer
E um molejo que não vou te enganar
Maravilha feminina, meu docinho de pavê
Inteligente ela é muito sensual
Eu te confesso que estou apaixonado por você
Ô Carolina isso é muito natural
Ô Carolina eu preciso de você
Ô Carolina não vou suportar não te ver
Ô Carolina eu preciso te falar
Ô Carolina eu vou amar você
De segunda a segunda eu fico louco pra te ver
Quando eu te ligo você quase nunca está
Isso era outra coisa que eu queria te dizer
não temos tempo então melhor deixar pra lá
a princípio no Domingo o que você quer fazer
faça um pedido que eu irei realizar
olha aí amigo eu digo que ela só me dá prazer
Essa mina Carolina é de abalar
Ô Carolina eu preciso de você
Ô Carolina não vou suportar não te ver
Ô Carolina eu preciso te falar
Ô Carolina eu vou amar você
Carolina, Carolina
Carolina, preciso te encontrar
Carolina, me sinto muito só
Carolina, preciso te dizer
Ô Carolina eu só quero amar você
Carol, Carol, Carol...
Carolina*, Seu Jorge [para conferir esta noite, na Aula Magna]
*alterar para nome correspondente
novembro 02, 2005
La Haine

Clichy-sous-Boys, Val d'Oise, Seine-et-Marne, Yvelines, bairros periféricos de Paris, respondem à desintegração a que são sujeitos com ódio extremo.
É um filme conhecido. Bem real.
novembro 01, 2005
Desistimos se formos Eleitos
Ainda que as nossas postas de teor político-demagógico o tenham deixado bem claro, reforçamos que o nosso candidato é este.
outubro 31, 2005
outubro 28, 2005
País sub-desenvolvido
Moçambique prepara-se para despenalizar a interrupção voluntária da gravidez.
Diz o take da Agência LUSA que o governo de Maputo quer pôr fim à catástrofe que representa o aborto clandestino: milhares de mulheres morrem, ou ficam impossibilitadas voltar a ter filhos, todos os anos, quando tentam interromper a gravidez de forma não assistida clinicamente.
Remata a LUSA que a actual lei moçambicana sobre o aborto ainda se baseia na legislação colonial portuguesa que previa a prisão das mulheres que praticassem o aborto.
Uma lei arcaica e desumana...
outubro 27, 2005
Vidas de Chuva
Fica assim cumprida a promessa de ilustrar a posta sobre aquele vizinho que tem os seus dois carros por amor eterno e infinito.
[...]outubro 26, 2005
Bunda Mole
Cristina acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Fez um supermercado rápido, brigou com a empregada que manchou seu vestido de seda, saiu como sempre apressada, levou uma multa por estar dirigindo com o celular no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
No caminho do trabalho batucava ansiedade no volante, num congestionamento monstro, e pensava quando teria tempo de fazer a unha e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha. Chegando ao escritório, quase foi atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa para o cargo que ela, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dor de ouvido e febre.
Tentou em vão achar o marido e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado. Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor. Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Quando chegou em casa, descobriu que tinha deixado a porra da pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte no escritório.
Telefonou para o celular do marido com a esperança que ele pudesse pegar os malditos papéis na empresa, mas a bosta continuava fora de área.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um motoboy lhe trouxesse a porra dos documentos. Tomou uma merda de banho, deu a droga do jantar para as
crianças, fez a porcaria dos deveres com os dispersos e botou os monstros para dormir.
Artur chegou puto de uma reunião em São Paulo, reclamando de tudo.
Jantaram em silêncio.
Na cama ela leu metade do relatório e começou a cabecear de sono. Artur a acordou com tesão, a fim de jogo. Como aqueles momentos estavam cada vez mais raros no casamento deles, ela resolveu fazer um último esforço de reportagem e transar. Deram uma meio rápida, meio mais ou menos, e, quando estava quase pegando no sono de novo, sentiu uma apalpadinha no seu traseiro com o seguinte comentário:
- Tá ficando com a bundinha mole, Cristina... deixa de preguiça e começa a se cuidar.
Cristina olhou para o abajur de metal e se imaginou martelando a cabeça de Artur até ver seus miolos espalhados pelo travesseiro! Depois se viu pulando sobre o tórax dele até quebrar todas as costelas! Com um alicate de unha arrancou um a um todos os seus dentes depois deu-lhe um chute tão brutal no saco, que voou espermatozóide para todos os lados!
Em seguida usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas. Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou. Não ia valer a pena, não estamos nos EUA, não conseguiria uma advogada feminista caríssima que fizesse sua defesa alegando que assassinou o marido cega de tensão pré-menstrual...
Resolveu agir com sabedoria. No dia seguinte, não levou as crianças ao colégio, não fez um supermercado rápido, nem brigou com a empregada. Foi para uma academia e malhou duas horas. De lá foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de caju e as unhas de vermelho.
Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele, da mulher dele e do projeto dele. E aguardou os resultados da sua péssima conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se hospedava num spa, ouviu o marido desesperado tentar localizá-la pelo celular e descobrir por que ela havia sumido. Pacientemente não atendeu.
E, como vingança é um prato que se come frio, mandou um recado lacônico para a caixa postal dele.
- A bunda ainda está mole. Só volto quando estiver dura.
Um beijo da preguiçosa...
Esse sexo é feminino, Patrícia Travasso
Posta da Inês4Jazz
outubro 25, 2005
outubro 23, 2005
Desafinados e Românticos
E não haverá por aí um autor de BD que subverta o sistema, que inove e crie estórias que desobedecem às leis clássicas e às regras obrigatórias?
Há: o autor do absurdo, o José Carlos Fernandes. Sim, o d' A Pior Banda do Mundo, pá. Ainda não estás a ver?!
A desenhar quilómetros de pranchas desde 1992, este algarvio ganhou o estatuto de autor de culto nos países onde conseguiu publicar [Brasil e Espanha], mas ainda há quem não o conheça em Portugal. Não que a imprensa especializada [o que estou eu a dizer, isso existe?!] não o destaque, ou a crítica não lhe reconheça o incomensurável talento - com prémios e tudo - mas há admiradores de BD que nunca ouviram falar nele, Sim, Fada, esta boca é para ti!
É verdade, no entanto, que JCF cultiva essa imagem. Os seus mundos não são apenas bizarros e utópicos; as estórias troçam a própria temática da BD ocidental. Em As Aventuras do Barão Wrangel, por exemplo, nem o ícone Corto Maltese escapa à sátira - aparece velho, gordo e quezilento. Como é que é possível não adorar, pergunto?
Mas não te iludas. São absurdas e passadas numa cidade sem nome, com gente de profissão inútil [bom, este parte é reconhecível], mas são estórias curtas e estruturadas, estrondosamente desenhadas [a preto-e-branco, de início, e depois com cores apasteladas], divertidíssimas e actuais.
Os seus livros estão editados pela Devir [os mais antigos pela PedranoCharco] e são todos absolutamente recomendados, mas quem ousa duvidar dos elogios aqui deixados, pegue em 7 euros e compre o volume desta semana da Série Ouro do pasquim Correio da Manhã. Para além de pérolas inéditas [fiquei bem impressionado, confesso], inclui excertos de coisas como O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante, Amnésia Internacional ou A Grande Enciclopédia do Conhecimento Obsoleto.
Chega e sobra para indagar: Porra! Mas este gajo é português?!
outubro 21, 2005
Isso, ou Sorte
Não tenho uma ideia muito romântica da vida, não acho que seja cor de rosa. Pelo contrário - acho que todas as coisas boas advêm de grandes momentos de catarse ou de sacrifícios.
David Fonseca, ao jornal Blitz
outubro 20, 2005
Aníbal, o boçal
O Presidente de Portugal é, tão somente, o representante do país no estrangeiro, o cicerone que desce a escadaria e recebe os outros estadistas e lhes mostra os jardins do Palácio, a figura simbólica que levanta o pescoço e semi-cerra os olhos durante o hino nacional, dono de sotaque firme quando comenta questões generalistas numa qualquer língua estrangeira, em conferências e cimeiras internacionais, para parecer tudo menos subserviente.
Assim, e uma vez que não somos uma monarquia há orgulhosos anos, quer-se do Chefe de Estado português que tenha bom aspecto e vista bem, seja prolixo e culto, viajado e reconhecido, simpático mas respeitado. Exige-se ainda que saiba exercer os poderes constituídos, dissolvendo o parlamento em casos extremos - se aparecer um novo Santana Lopes, por exemplo - declarando a nossa participação numa guerra, vetando leis que lhe pareçam absurdas, concedendo indultos a presos vários.
Ora, Cavaco Silva, o homem que hoje quebrou o tal do tabu nº 2 qual D. Sebastião que aparece do denso nevoeiro ao fim de séculos, é o oposto de tudo isso:
- Tropeça em palavras que decorou durante anos a fio, mesmo em frases com nada mais que sujeito, predicado e complemento directo, com uma timidez rígida que o impede de mover as sobrancelhas com conexão e objectividade.
- Limpa com a própria mão, de dedos bem destacados, a baba que se acumula nos cantos da boca durante o discurso, por mais água que beba a cada quatro palavras.
- Come de boca aberta - seja bolo-rei ou qualquer outra coisa que se mastigue, apesar de ter estudado em boas escolas de Inglaterra.
- Consegue dar a sensação imediata que dormiu e acordou dentro daqueles fato, gravata, meia cinzenta e laca capilar.
- Tem um sorriso tão natural como o do elefante que toca o sino no Jardim Zoológico, quando se lhe atira uma moeda.
- Sabe a raiz quadrada de 56.342 sem pestanejar, mas não faz a mínima ideia quantos cantos têm Os Lusíadas e muito menos saberia citar um qualquer poema de Fernando Pessoa, quanto recordar a prosa de qualquer importante autor estrangeiro.
Dito isto, por muito má que a memória seja, bastou uma tarde inteira a ver nas televisões os encontrões dados pelo grupo de seguranças de Cavaco aos jornalistas [que apenas queriam dar-lhe colo], para recordar os tempos das Forças de Bloqueio, das PGA, do SIS e de leis como aquela que obrigava todo e qualquer português a ter sempre consigo o B.I., mesmo que fosse passear ao café da esquina, arriscando-se a passar a noite na prisão até que fosse identificado pela polícia. Sim, foi Mário Soares quem vetou essa lei... na frescura e irreverência naturais dos seus 70 anos.
outubro 19, 2005
No Blog com os Tachos
Tofu RápidoIngredientes:
Uma embalagem de tofu
Azeite
Vinagre
Sal
Ervas aromáticas [experimentei com oregãos, mas não vou ficar por aqui]Preparação:
Cortar o tofu às fatias de p’raí 1 cm
Temperar as fatias de tofu com sal, azeite, vinagre e os oregãos
Deixar repousar um pouco [tendo mais tempo, pode deixar-se que o tempero impregne o tofu]
Colocar azeite no pirex, para que o tofu não fique agarrado ao fundo
Ir ao forno até o tofu estar corado [menos de meia hora].Fica bom, é rápido e é uma alternativa para quem não gostar de grelhados.
Posta da Filipa [a.k.a Mais Vale Só que Mal Acompanhada]
NR: A cozinhar assim, vais ter má companhia num instante.
outubro 18, 2005
Lua Desarrumada
Cedros, abetos,
pinheiros novos.
O que há no tecto
do céu deserto,
além do grito?
Tudo que é nosso.São os teus olhos
desmesurados,
lagos enormes,
mas concentrados
nos meus sentidos.
Tudo o que é nosso
é excessivo.E a minha boca,
de tão rasgada,
corre-te o corpo
de pólo a pólo,
desfaz-te o colo
de espádua a espádua,
são os teus olhos,
depois o grito.Cedros, abetos,
pinheiros novos.
É o regresso.
É no silêncio
de outro extremo
desta cidade
a tua casa.
É no teu quarto
de novo o grito.E mais nocturna
do que nunca
a envergadura
das nossas asas.
Punhal de vento,
rosa de espuma:
morre o desejo,
nasce a ternura.
Mas que silêncio
na tua casa.
Grito, David Mourão Ferreira
outubro 17, 2005
Não à indiferença
Então? Que se passa contigo!?
Este blog não é uma coisa virada para o umbigo, um chorrilho de sensações pessoais de alguém que se isola frente ao monitor. Se os comentários estão abertos - e bem destacados nos links - é para que tu opines.
Partilha connosco o que pensas da vida. Fala daquele filme ali em baixo, das canções na play list e da banda nova que descobriste e podia estar ali, ou fala daquele poema que sabes de cor, desse partido em que votas sempre, daquela gente que nunca topaste.
Onde estão as tuas 31 canções, hã?! E a tua indignação pelos cartazes na cidade?! Ou a demonstração de raiva contra as coisas que escrevemos, contra as reclamações das Brigadas? E porque não juntares-te a elas? Sim, civismo!
Fala da intoxicação alimentar que te provocaram as receitas da Filipa, do cagaço apanhado pelas demonstrações anárquicas do Sam, fala dessa vontade que dá viajar para os locais de certas fotografias, ou das recordações que tens de locais ainda mais bonitos. Extravaza as tuas emoções, faz disto o teu psicólogo, que a gente repete o fim de cada uma das tuas frases em interrogação e nem te cobra nada.
E a Sharon Stone, a Keira Knightley, o Johnny Depp?! Não te dão tesão nenhuma? És ainda melhor?! Boa.
Mostra lá o que vales.
outubro 16, 2005
Conversas Soltas
Girl #1: I like to surround myself with ugly people because it makes me look prettier by comparison.
Girl #2: I know what you mean.
Não esquecer de cuscar [é a palavra exacta] o blog Overheard in New York, sempre que possível. Há lá verdadeiras pérolas do dia-a-dia de uma cidade.
outubro 14, 2005
O Culto dos Líderes
[neste caso, lê-se lidres]
Ainda não é desta.
Eu tinha esperança que o regozijo de uma vitória contundente mudasse o edil da Câmara de Lisboa. Apesar do péssimo exemplo destes quatro anos - o Parque Mayer está mais abandonado ainda, apesar dos milhões gastos num projecto; a Feira Popular fechou e talvez vá para a Docapesca, no dia de São Nunca; o tal do Casino não arranca, só ameaça; o túnel do Marquês continua à espera de uma saída que não colida com as estruturas do metropolitano para se abrir... à sua inutilidade; a cidade continua a ter cheias aos primeiros pingos de chuva; a poluição atinge níveis da Ciudad de Mexico, mas Lisboa tem 5% da população; o trânsito é o mais caótico daqui até Bombaim; os transportes públicos não são melhores que os chapas de Maputo, mas atrasam-se mais; a especulação imobiliária só se compara a Paris ou Nova Iorque, nas zonas mais hip; os assaltos são cada vez mais frequentes, em plena luz do dia, mas as únicas autoridades que se vêem são funcionários da EMEL a bloquear carros, que se encostam em segunda fila e em cima dos passeios, sem outro lugar onde estacionar.
Apesar de tudo isto, tinha esperança que Carmona Rodrigues quisesse, desta vez, fazer mesmo qualquer coisa para melhorar a vida em Lisboa. Mas a primeira promessa que fez, foi vã. Logo para começar. E podia ter prometido mil e uma outras coisas.
Vou tirar os placards que inundam a cidade, disse ele na 2ª feira, a seguir às eleições. A cidade não pode estar assim! Vamos ter uma cidade arrumadinha, mais bonita, mais limpa e segura, - foi a bandeira pós-eleitoral vociferada nas diversas entrevistas.
Pois não pode. Mas continua assim. E assim vai continuar. Os placards gigantescos que estão espalhados em cada esquina, praça, rotunda, jardim ou viaduto, ali vão permanecer. E o primeiro partido a dar o 'exemplo' foi o PCP.
Já lá estão os cartazes novos, gigantes, a vermelho berrante, que falam na necessidade de um Portugal com futuro, num Portugal a caminho do desenvolvimento.
Merda para isto! Ainda por cima descubro que Portugal só tem futuro e só atingirá o desenvolvimento com o Partido Comunista. Assim, tipo Albânia e Coreia do Norte... países tão desenvolvidos e cheios de futuro, onde vigoram regimes comunistas vermelho berrante.
As Brigadas Posterrroristas 5/12 vão ter muito trabalho pela frente. Eu proponho queimar tudo. Deixar só as cinzas desses placards, para se varrerem de manhã.
Nada mais que cinzas e as fachadas da nossa cidade.
outubro 12, 2005
Este Amor

If there's a cloud above
If it should rain, we let it
But for tonight forget it... I'm in the mood for Love.
Fa Yeung Nin Wa, Wong Kar Way - 2000
Nota: Para melhor fruição desta posta, para além da obrigatória memória do filme em causa, aconselhamos a audição insistente de Yumeji's Theme - canção disponível por alguns dias em Rádio na Cabeça, na coluna dos links à direita.
outubro 11, 2005
Saber Viver II
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse Sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfegoAmou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse Sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o públicoAmou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o Sábado
Construção, Chico Buarque
Porque o melhor deste blog está nos comentários. Bem hajas, Inês4jazz.
outubro 10, 2005
Gaston

Bom dia. Bom Valentim, bela Fatinha, feliz Carmona. E, não me esqueço ao que vim, monstrinho, falar de Gaston Lagaffe. Mas, desculpa, é que… não, deixa, eu volto ao La Gaffe.
La Gaffe amigos, quer dizer asneira grossa. Da grossa, das antigas, merda a valer. (De certeza que o que queres de mim é uma análise do La Gaffe!? Após estas eleições?! Na própria noite?!?)
Eu volto ao La Gaffe. Pois. Que o Correio da Manhã acaba de lançar (em dia de eleições, deram conta?!?) um singelo livro juntamente com o jornal. O primeiro do La Gaffe. La Gaffe ainda de cabelo curto. (O drama de escrever sobre o La Gaffe, que conheço há.. 30 e tal anos, xoda-se, é que me ponho a ir buscar os álbuns velhinhos e cheios de pós, e rio, rio, rio…)
Quando escrevi pós, não foi gaffe. São pós no plural. Dei por mim a contar as casas por onde tenho passeado os meus La Gaffes, e já lá vão… 7. Sete pós. O pó do quarto em casa dos meus pais onde chegou o primeiro álbum em francês, que o meu pai me leu sentado no chão encostado à minha cama para eu adormecer. Nenhum de nós adormeceu tão depressa. Foi o álbum de um supetão, 300 perguntas minhas até entender essa coisa do humor, (afinal eu teria 7 anos, se tanto) e eu sei lá agora quanto tempo mais ali ficámos, em gargalhadas, a trocar absurdos, depois de descoberta a maravilha do humor. Humor.
Pois. Foi com o primeiro álbum do La Gaffe que eu entendi o que era o humor.
(Humor: digamos que, o que nos vale hoje a todos, neste pós partum eleitoral.)
Bom, eu tenho de vos fazer ir comprar o La Gaffe. Monstro, bota aqui um link para o La Gaffe, se faz favor. Que o meu, é tão pessoal, tão surreal, tão La Gaffe, que não sei como o defina.
Ok. O La Gaffe somos nós. Estes que lêem os blogs. O La Gaffe é quem (o La Gaffe entrou agora a despejar o cinzeiro do Nuno Rogeiro, que fez de conta que não o viu, e seguiu para o cinzeiro da Inês Serra Lopes que lhe disse que já ninguém fuma em Televisão) e regressou a falar sozinho porque a Ana Drago lhe tinha dito que, brocas antes dos directos, M´enfim.
Há uma gaffe fantástica que sete pós depois ainda me deixa a rir. E já nenhum de nós tem muito com que se rir, convenhamos.
Há um dia em que o Fantasio (ele, como todos, odeia o La Gaffe, que é rapaz de recados no jornal) - e na verdade a consciência de esquerda, de infância, do que resta às consciências – pois o Fantasio, diz ao La Gaffe, não, a graça tem de ser abrir a página do albúm e ver o La Gaffe a remar, a remar, a remar, mar fora. E o Fantasio que diz para o Spirou. “Eu disse-lhe, gostava de te fotografar com o horizonte, e ele aí vai!!!!!!!”
Não tem graça?!
É que o La Gaffe é bom rapaz. O La Gaffe é mesmo o que qualquer cristão devia ser.
E faz merda, gaffes, sobre gaffes, porque o mundo é como é, e quando percebe a asneira, (que não o seria se o mundo fosse um bom lugar e o Santanaz não existisse), diz M´enfim.
Viva o Valentim. M´enfim….
Desculpem, La Gaffe só lido…
posta da Fada
outubro 09, 2005
Cruzinha com Giz
Votar tem uma coisa boa: o regresso à escola. Que está exactamente como a recordo, remendada e fria.
outubro 07, 2005
outubro 06, 2005
31 songs
[a Nick Hornby inspired meme]
1. I Will Survive, Cake
2. Eternamente Tu, Jorge Palma
3. Distractions, Zero 7
4. Instant Street, dEUS
5. Across the Universe, Fiona Apple
6. Everyday I love You Less and Less, Kaiser Chiefs
7. The Summerhouse, Divine Comedy
8. Bitter Sweet Symphony, The Verve
9. Remind Me, Röyksopp
10. Papa was a Rodeo, The Magnetic Fields
11. Song 2, Blur
12. Let Down, Radiohead
13. Strange Kind of Love, Peter Murphy
14. Industry, King Crimson
15. Easy, Groove Armada
16. Angel, Massive Attack
17. Twilight, Elliott Smith
18. Save Me, Aimee Mann
19. A Chance Councel, Richard Buckner
20. Sovay, Andrew Bird
21. Lembra-me um Sonho Lindo, Fausto
22. Mysteries of Love, Antony and the Johnsons
23. Life on Mars, Seu Jorge
24. The End Has No End, The Strokes
25. Nadia, Nitin Sawhney
26. Ask, The Smiths
27. Marbles, Tindersticks
28. Where is My Mind?, Pixies
29. Long Snake Moan, PJ Harvey
30. Utopia, Goldfrapp
31. The Stranger Song, Leonard Cohen
Ainda estão em cima da mesa, mas livres de perigo, todos os álbuns de Placebo, os de Morphine, o disco branco de Bloc Party, umas coisas de Stone Roses, outras de David Sylvian, o disco das vacas dos Pink Floyd, uma pilha de discos bonitos da Tori Amos, e outra idêntica de Beck, o desgraçado do Eels [ccomo eu o compreendo], portugas sempre relegados como Clã, Belle Chase Hotel, Ornatos Violeta ou Humanos [ficam para o meu programa - ah, pois é!] e mais umas quantas compilações para auto-rádio que contêm espécimes únicos pirateados por mim ou por terceiros, mas a bem do amor pela música.
Agora a ver se arrumo isto tudo por ordem ortopédica, ou assim.
outubro 05, 2005
Maldito Meme
Eu sabia que ia meter-me em sarilhos. Neste momento, tenho cd's espalhados pela secretária do escritório, pela mesa de cabeceira, pela estante da sala, pela mesa da sala de jentar, pelo chão do quarto, pelo tapete da sala, pela casa-de-banho [são momentos mortos que se tornam muito úteis] e ainda só cheguei a uma lista de 12, com uma directa em cima e dois dias sem fazer mais nada.
Faltam 23 canções para completar e publicar o meme que me mandaram baseado no livro 31 Songs, de Nick Hornby. O problema maior nem é o facto de não poder repetir o artista, nem decidir quais é que são excluídos [e já pus de parte coisas obrigatórias como Queens of the Stone Age, Laurie Anderson, Lambchop, Franz Ferdinand, The Smashing Pumpkins, Ben Harper, The White Stripes, Björk, Air ou Mogwai, só para não enlouquecer de vez à procura de uma canção]. A dificuldade maior - ainda que seja um prazer ouvir discos escondidos no pó - é encontrar o cd que procuro e descobrir em que álbum está AQUELA música específica de cujo nome não me lembro.
Não há nada que se possa tomar e a memória apareça?!
outubro 03, 2005
Vertigem vs. Atracção pela Queda

Em Vertigo, James Stewart estava apaixonado por um sonho, uma mulher que nunca existiu. Pensava estar apaixonado por uma mulher que estava morta; mas, na realidade, tinha-se apaixonado por um sonho.
Kim Novak, in The Hitchcock Collection, volume 3 - jornal Público/Universal
outubro 02, 2005
Manipulação
É suposto Portugal ser uma democracia. Uma jovem democracia, como se diz, saída de uma áspera e prolongada ditadura que deixou marcas profundas que a nossa sociedade ainda não ultrapassou. Mas é suposto sermos uma democracia onde há liberdade de expressão. E o que temos?
Temos um povo ainda iliterado na sua maioria, distraido na generalidade, pessimista e preguiçoso, que esquece facilmente o passado e parece não ter futuro. Um povo que vive para o futebol e para a televisão, que não lê, que não debate, que apenas desenrasca quando a isso é obrigado.
Na televisão que nos domina, por exemplo, seja qual for o canal, em sinal aberto ou fechado, ninguém tem tanta atenção como Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Ferreira Torres e Isaltino Morais. E não porque se destacaram a fazer obra, apenas porque são polémicos e causam sensação e furor. Dizem uns que são esses os exemplos de como a democracia fracassou, porque vão ganhar. Pudera. Com tanta atenção mediática até os cães votaraim neles.
Concordo que há um fracasso. Mas a democracia fracassou na sua génese e devia ter dentro de si a matéria para se regenerar. E não tem. Não tem porque o chamado 4º poder se tornou o maior dos poderes da Democracia. E porque esse 4º poder é ainda mais corrupto que os outros que devia vigiar.
A comunicação social - e não só a televisão - subverte a realidade e serve-se da ignorância, para impôr as suas próprias caricaturas.
Hoje, por exemplo, o telejornal da SIC elaborou uma 'peça' de vários minutos para mostrar que José Sócrates - o Primeiro-ministro - tinha vestido a mesma camisa e casaco em dois comícios diferentes, em dois pontos distintos do país, com vários dias de intervalo. E que disse coisas semelhantes em ambos os discursos, "vejam bem". Abordou exactamente os mesmos problemas, fez as mesmas promessas, utilizou os mesmos slogans.
Mas o jornalista [que nem dá voz] não fez qualquer análise ao conteúdo, apenas à forma. Ali, José Sócrates deixou de ser um político em campanha, ou o governante máximo do país em digressão, e passou a ser uma qualquer 'celebridade' que vestiu a mesma roupa em duas ocasiões diferentes.
E cada vez mais me convenço que já não vivo numa democracia. Vivo num reality show permanente.
setembro 30, 2005
setembro 29, 2005
Esfaqueador à solta
Cruzados os depoimentos de vários amigos e dos vizinhos deles, parece desfazer-se um mito urbano: anda um psicopata à solta em Lisboa, que fez várias vítimas nas últimas duas semanas.
Entre a Praça de Londres e o Bairro do Arco do Cego, mas também na Gulbenkian, perto do Corte Inglès ou na Praça de Espanha, há relatos de onze pessoas esfaqueadas por um homem árabe vestido de branco. É assim que é descrito. Por modus operandi, o homem pergunta as horas e aproveita a distracção momentânea para desferir uma facada na barriga. Não rouba nada, nem sequer tenta, e foge sem deixar rasto.
O último caso descrito foi hoje mesmo, perto do Liceu D. Filipa de Lencastre e a vítima foi um aluno do 9º ano, que ainda conseguiu fugir com ferimentos ligeiros.
Só pode ser um doido varrido, armado e perigoso, que a polícia não consegue apanhar. Por isso todo o cuidado é pouco, seja a que hora for, em toda a zona das avenidas novas de Lisboa.
Conversas Soltas
Girl #1: Damn! You're so unhip* these days.
Girl #2: What, because I don't want to bed with my supposedly straight female friend?
Girl #1: Duhhh! The club: Bed. You really need to get out more.
Cruzam as ruas de Nova Iorque 8 milhões de pessoas, dia e noite. E o blog Overheard in New York apanha algumas das suas conversas no ar. De vez em quando, até nos carrancudos monossilábicos do metro de Lisboa se apanham pérolas destas. Temos que começar a coleccioná-las, aqui no Sub.
* unhip: careta, fora de moda
setembro 28, 2005
setembro 26, 2005
BP 5/12 - Operação Posta-Ito
Mais uma vez, uma ideia simples e uma frase explicativa: um post-it em cada cartaz denuncia quanto custa tanta e tanta campanha aos lisboetas. Afinal, o aluguer comercial daqueles espaços e a recuperação do chão destruído pelos pilares não ficaria por menos que 5 mil euros, no caso dos placards maiores. Cada um.
Já que não foi preciso o habitual brainstorming para a criação de slogans, viu-se [e reviu-se] o filme de uma outra acção, e a adrenalina aumentou. Às ausências forçadas da Fada e do Reizinho, contrapôs-se o reforço com dois novos elementos, vindos do Instituto Superior Técnico [sim, parece que tem Arquitectura, afinal] e da... Câmara Municipal de Lisboa [a revolução vem de dentro!].
A Campanha arrancou
E as Brigadas Posterrroristas 5/12 saíram à rua!
São quase 40, os cartazes devidamente explicados, nalguns pontos nevrálgicos da cidade de Lisboa ou nos locais onde os candidatos tomam o pequeno-almoço.
setembro 25, 2005
Maus sinais
Estava acordado a essa hora, tanto ontem como hoje, mas não dei pelo nascer-do-sol, mesmo de frente para o Mar da Palha.
Logo eu, que estou em pleno Outono.
setembro 23, 2005
Ilusão
![Closer [Natalie Portman, Clive Owen]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/closer2-2.jpg)
- Alice, tell me something that's true.
- Lying's the most fun a girl can have without taking her clothes off - but it's better if you do.Closer, Mike Nichols
setembro 22, 2005
Rádio na Cabeça do Blog: Novidades
Seria melhor nem referir a intenção de manter apenas 10 canções, de cada vez, na nossa playlist. A verdade é que há músicas de que não conseguimos desfazer-nos.
Quanto às coisas novas, destacamos o single Juicebox - dos Strokes, que antecipa First Impressions of Earth, a editar em 2006, e Hoppipolla, dos Sigur Ròs, saído do álbum acabado de editar: Takk. Também novidades, mas já com alguns dias de airplay/online [e se isto for redundante, soa bem] temos o viciante Dare, dos Gorillaz e o tranquilo a Chance Councel, de Richard Buckner.
Menos novos, mas recentemente adicionados, tocam por aqui Fiona Apple, Beck, Divine Comedy, Eels e Placebo [alguns parecem ter lugar cativo, mas vão mudando as faixas].
E não, não esquecemos pedidos feitos para Tori Amos, Aimee Mann, Portishead e outros. Acontece que temos espaço limitado para armazenar mp3 e tempo reduzido para descarregar ficheiros. Em breve.
setembro 21, 2005
Cidade Maravilhosa
Acho incrível, inaceitável mesmo, que nenhum dos 312 jornalistas em directo do Tribunal de Felgueiras tenha mencionado o penteado novo que a ex/futura autarca trouxe do Brasil.
setembro 20, 2005
Nem o Tempo que Passa
A memória é o nosso local de exílio, o que resta da desilusão e do sonho, daquilo que não fizemos, do que se perdeu no caminho.
Luís Naves, Os Reis da Peluda [Campo das Letras - 2002]
setembro 18, 2005
setembro 17, 2005
Donostia
Se soubesse o que sei hoje, tinha tirado férias por estes dias e ia ao Festival de Cinema de San Sebastian, aqui mesmo ao lado.
Assim, resta-me ir acompanhando as coisas na bitácora oficiosa.
setembro 16, 2005
Passarada

Porque ainda há quem não tenha visto The Birds, nada melhor para começar a colecção de livro + DVD que a Universal e o jornal Público [sem edição online gratuita] lançam hoje.
Afinal, este é o clássico dos clássicos de cinema de terror e o mais popular dos filmes de Alfred Hitchcock. Tem efeitos-especiais artesanais e geniais, suspense de tirar o fôlego, humor negro e sádico e muitas cagadelas [mas sem gripe das aves], que o mestre dos mestres diz ter sido inspirado pel' O Grito, de Munch.
Este I volume da colecção do Público custa só 8 euros e vem recheadinho de extras, entre documentários, fotografias, curiosidades da produção e material promocional. Ainda por cima é 6ª feira, dia de Inimigo Público. Por isso, se fôr obrigatório comprar o pasquim, it's not all bad... Not bad at all.
setembro 15, 2005
Huba!
Quem vai a minha casa pela primeira vez, sabendo a minha profissão e o meu gosto por BD, espera encontrar dezenas de livros de Tintin, mais o clássico foguetão em pvc, um ou dois pindericalhos de Dupond e Dupont... coisas assim, mas nada. Nem um vestígio que seja.
Os porquês são rapidamente esclarecidos com outro jovem baixinho de poupa loira e nome engraçado: Spirou.

Se há quem ache que eu sou do contra, não foi por sê-lo que preferi desde cedo um simples moço-de-recados sabichão ao mítico repórter de Hergé. Sempre achei mais engraçadas as aventuras do primeiro, repletas de acção, trama política e humor.
Criado por um tal de Rob-Vel nos anos 30 do século passado, torna-se realmente interessante com Franquin e Greg. São eles os responsáveis pela criação do Marsupilami - um animal que não tem raça definida [parte felino, parte primata, parte anfíbio], que reage a tudo com aparentemente limitado Huba [às vezes um Hop ou um Groo], mas que resulta absolutamente hilariante e se torna um dos mais carismáticos personagens terciários de toda a BD [hoje, tem o seu próprio franchise]. Claro que também foram eles que enriqueceram a personagem do fiel companheiro - Fantásio e quem criou um vilão à altura - Zorglub.
O pasquim Correio da Manhã acaba de publicar em livro, três das estórias que marcam a afirmação de Franquin à frente de Spirou. A edição é pobre: os quadradinhos são minúsculos e a riqueza dos cenários dilue-se, mas fica por 6 euros e pouco, e sempre dá para abrir o apetite a quem não conhece ou já não lê há muito tempo.
Quais foguetões vermelhos-e-brancos, qual quê!
Hemisférios

Baía de Nacala, Moçambique
[Dezembro de 2004]
O importante é que, aqui ou ali, é sempre Verão, há sempre Sol.
setembro 14, 2005
No Blog com os Tachos
Não sou vegetariano [talvez seja o oposto] e detesto alho-francês, por isso não vou experimentar estes pratos. Mas aqui ficam as receitas, gentilmente deixadas na caixa de comentários pela Filipa [aka TarteDeCougettes, aka JardineiraDeTofu, etc.]:
Alho-francês à Brás
Ingredientes:
1 cebola
3 dentes de alho
1 dl de azeite
1 alho francês
2 dl de caldo de legumes
sal
pimenta
50 g de batata-palha frita de compra
2 ovos
1 ramo de salsa
Preparação:
Cortas a cebola e os dentes de alho e salteias no azeite quente.
Acrescentas o alho francês e deixas alourar.
Regas com o caldo de legumes e cozinhas em lume forte até o molho reduzir para metade.
Temperas com sal e pimenta.
Envolves a batata palha e juntas os ovos.
Cozinhas, mexendo sempre, até os ovos ficarem como gostas.
Rectificas o tempero e polvilhas com a salsa picada.
Podes fazer a mesma receita com seitan [e fica Seitan à Brás].
Receita número dois, que penso servir de sobremesa:
Bolinhos de Corn-Flakes
Ingredientes:
6 chávenas de corn flakes triturados na 1-2-3 [ou partidos enquanto se vê televisão]
1 chávena de cebola picada
3 colheres de azeite
1 cubo vegetal
2 chávenas de tofu triturado [ou pardido...]
1/2 chávena de salsa picada
2 colheres de sopa de levedura de cerveja
Preparação:
Faz um estufado com a cebola, o cubo vegetal e o azeite.
Deixas o tofu tomar o gosto.
Misturas os outros ingredientes e deixas repousar durante 15 minutos.
Verifica o sal.
Faz as bolinhas e leva a assar num tabuleiro untado.
Serve com uma salada.
[ficam muito bons, crocantezinhos e sem saber a doce nem nada, até porque os corn flakes quase não têm açucar].
Posto isto, nem me atrevo a falar dos meus Bifes de Canela.
Morrer com Estilo
No More Games. No More Bombs.
No More Walking. No More Fun.
No More Swimming.
67. That is 17 years past 50.
17 more than I needed or wanted.
Boring. I am always bitchy.
No Fun -- for anybody.
67. You are getting Greedy.
Act your old age.
Relax -- This won't hurt.Football Season is Over - Nota de Suicídio de Hunter S. Thompson
A 20 de Agosto, tal como pedira, os restos mortais do escritor americano foram disparados de um canhão de 150 pés, ao som de Mr. Tambourine Man - de Bob Dylan. O actor Johnny Depp, admirador da obra de Thompson e seu amigo, ajudou a família a satisfazer esse desejo.
setembro 13, 2005
On Air
Another washout, brakelights showing
Probably gonna slow down, no way of knowing
Let's hear the outline
I see where it's going
I know where it came from
a bubble in the moment
Someone'll find out
Finishing the time
Crashing around
And one night you'll try it
Is something at stake?
Seen off safely, but I could've used
A chance at maybe, a time or two
One for the distance
and speaking of the roar
Stopping just to listen
at her number on the door
Isn't something calling,
coming as you go?
Never and always
and missing the throw?
With hours on the fade
It wasn't where you found it
returning late again
Waking dressed from before
in some week-long bed
Leave it all still made
Fall to a weak floor
and let it lay
Think of somebody
too far away
Get something easy
lost in the fuel?
Come back tomorrow
with a new excuse
Sparklers are passing
to the corners of the night
"I feel the heat, and they move on glowing
but I can pull away"
a Chance Counsel, Richard Buckner
setembro 12, 2005
Ed Oliveira
Na mesma festa de aniversário, depois de tentar defender o cinema americano independente, acabei a troçar com Manoel de Oliveira, juntando-me a uma renomeada actriz da nossa praça [mas nada vedeta]. Deliciado com episódios que só os actores conhecem, contava-lhe como via o mais ancião dos realizadores, daqui a alguns anos: um verdadeiro Ed Wood europeu.
E eu fiquei de ver Noite Escura e ler Philip Roth, para me deixar de coisas.
Cera que não Escorre
Ao fim de 46 anos de vida, e um de séria preocupação com isso, a Fada aprendeu que basta pôr as velas no congelador, antes de as acender, para que elas não pinguem. A fonte da descoberta foi o livro Survivor, de Chuck Palahniuk.
E ali estavam elas, as velas submetidas a teste, sem gota de cera, ao fim de cinco horas de festa.
setembro 10, 2005
Keira

O realizador da nova versão do romance de Jane Austen Orgulho e Preconceito, teve que pedir à protagonista - Keira Knightley - para conter a sua sensualidade. O pouco conhecido cineasta Joe Wright confessou-lhe que ela morde o lábio de uma forma tal, que subtrai a cena e desconcentra toda a equipa. A produção teve que contratar um assistente cuja única missão é advertir a actriz quando esta se distrai e faz algum trejeito com a face.
Esse assistente, ou fosse quem fosse, devia explicar ao realizador que a jovem actriz, por mais que se contenha, há-de ser sempre demasiado atraente para aquele papel. Keira é demasiado perfeita, ponto final.
setembro 09, 2005
is anybody there?
THIS IS A TEST.
-_______
ch
glued
to a room
in a skyscrapER
idontSpeakTheLAnguage
no st
IMulAtion
the dust and flexs
too dangerous to v enture
out side nothin aliVe
nothin in th Microwave
isleep withthe screen on
noonec h anges the bed a ndth e war dr obe s ar e
empty
i want to walk on dry land get out of this fucking room
no
a ir
Rnm64 48th fl oo r
a knokin in above argu ing shuFFling
label on pressd shirt
complimenntryyy dryyy clleeeeaaning
Thom
Os Radiohead estão em estúdio para gravar um novo disco. E vão escrevendo um blog, a que chamaram Dead Air Space. Por lá encontramos fotografias diversas, pedaços de letras e desabafos das gravações do novo álbum - ainda sem nome - que deve sair lá para a Primavera de 2006.
setembro 08, 2005
Open Sharapova
Se o meu dia-a-dia é sempre feito em contra-ciclo, a transmissão dos jogos do US Open tem-me trocado os horários de forma ainda mais radical.

Madrugada fora, é impossível resistir a um Agassi em canto-do-cisne caseiro, a um Blake que faz jus a um melodrama de Hollywood, a um Federer que até já perde sets e tudo, a um Nadal que percebeu que tem que crescer... E àquela rapariga russa... Ai, como é que se chama!?
Aquela jovem que grita a cada troca de bola [nunca vou convencer os meus vizinhos que aquilo é só na tv] e que faz caretas deliciosas sem que eu me esforce... Olha, Maria qualquer coisa: está numa das fotografias que escolhi, se não estou em erro.
Está uma delícia, este torneio americano. Agora vou dormir um bocadinho para ver se me lembro do nome da moça.
setembro 06, 2005
Bird
![[Andrew Bird - Concert Live Wire]](http://www.concertlivewire.com/jpegs/shows/bird.jpg)
Ligo o violino a um pedal de oitavas para ter uma escala sonora total e, depois, passo o som por um processador de loops que vou manipulando. Ouvirás a música camada a camada, o que te permite quase perceber como foi construída a canção. Por cima disso, toco guitarra, canto e vou ligando e desligando o loop, conforme a peça e a música. [Andrew Bird]
A demonstração do processo ao vivo, esta noite, no Lux. Duas canções disponíveis para audição na Rádio na Cabeça do blog, ali à direita.
A Vida é para levar a sério
Life is just a series of peaks and troughs. And you don’t know whether you’re in a trough until you’re climbing out, or on a peak until you’re coming down.
And that’s it you know, you never know what’s round the corner. But it’s all good.
‘If you want the rainbow, you’ve gotta put up with the rain.’ Do you know which philosopher said that? Dolly Parton. And people say she’s just a big pair of tits.Ricky Gervais, aka David Brent, The Office
setembro 04, 2005
Prometeu de Prata
Eis senão quando, surge a oportunidade de falar no meu super-herói preferido.
Quem acompanha este blog já exclamou O Wolverine outra vez?! Mas este gajo não se cansa?! Mas engana-se. Eu só costumo dizer que o Wolverine é o meu comic hero de eleição [a par do Homem-Aranha, claro] quando não estou para dar explicações. E porque anda perto, é um facto. Mas por quem eu tenho mesmo um fraquinho é por um tal de Norrin Radd.
Só para irritar, também ele foi criado por Jack Kirby e surge pela primeira vez num livro do Quarteto Fantástico, em 1966. Mas era tudo menos um herói e nunca foi, de facto, muito popular. Afinal, Silver Surfer [sim, é o cognome mais cool da BD!] chegou à Terra para a destruir. Assim, sem mais.
E tinha super-poderes como nunca visto, num exagero tal que me foi impossível resistir-lhe: era super-sónico e galáctico [e nunca caía da prancha], não precisava de respirar, comer ou dormir [embora o fizesse, para poder sonhar], tinha uma pele de prata polida impenetrável, era capaz de levantar cem toneladas sem esforço ou reduzir um planeta a cinzas só com a energia das mãos [mas essa mesma energia podia salvar vidas] e conseguia até viajar no tempo. Era um ser supremo, simplesmente perfeito.
Arauto de Galactus - o Devorador de Mundos, este surfista voador e luzidio tinha por objectivo extinguir-nos a raça e não deixar ponta solta. Não havia nada que o detivesse. Só que, por sorte, apaixonou-se por uma mulher [don't we all, my friend?!] - uma tal de Alicia roubou-lhe o coração e virou-lhe a vontade do avesso. Desobedeceu às ordens que trazia e, qual Prometeu, foi castigado com o exílio na Terra [é como um surfista de long board confinado a uma piscina de crianças].
E por aqui ficou, na nossa galáxia, a lutar contra vilões terríveis. E ia descobrindo que os homens são mesquinhos, violentos e cruéis. Nem sequer conseguia fazer grandes amigos entre os outros super-heróis e depois de alguma simpatia com os elementos do Quarteto Fantástico, a coisa correu para o torto. A Alicia casou com o Tocha Humana [Bolas! Isto é mesmo um livro de comics?!] e atingiu-o no único ponto fraco.
Mesmo encornado e decepcionado, mal-afamado e enraivecido, continuou a opôr-se aos que queriam destruir a Terra. Não, não há gajos assim. É só mesmo o Norrin Radd.
Quem não é próximo do Silver Surfer pode começar agora, se ler o livrinho oferecido este fim-de-semana pelo pasquim Correio da Manhã, em troca de 7 euros. O Sentinela das Estrelas mostra as primeiras cinco estórias do herói, já pelo traço de John Buscema e argumento de Stan Lee e ainda outras duas, com o magnífico Thor [olha! outro para dar posta...] e o Quarteto Fantástico que o acolheu.
setembro 03, 2005
Rádio na Cabeça V - Eureka
Para os que ainda não perceberam: temos rádio na cabeça do blog.
Finalmente, foi encontrado um site para descarregar e alojar a música. A que se queira. Todos os dias estarão entre 10 e 15 canções ali nos links [em Banda-Sonora] disponíveis para audição imediata enquanto se lêem as postas ou consultam outros links. Estes abrem noutra janela, para não interromper a audição.
Assim sendo, aceitam-se todas as sugestões, que devem ser deixadas nas caixas de comments ou na caixa de correio. Se se enquadrarem nos gostos dos do costume serão incluídas.
Claro que, já terão reparado, há ali bandas fétiche e canções de marca.
setembro 01, 2005
O Terceiro Mundo não é Aqui
Nos locais atingidos pelo Katrina, no Louisiana, os bandos armados 'organizam' o saque às casas destruídas e pilham os poucos haveres que sobram nos destroços. Até um helicóptero de salvamento, que resgatava sobreviventes dos telhados, foi alvejado a tiro e obrigado a partir, deixando feridos pelo caminho.
Enviados para Biloxi e New Orleans, os soldados acabados de chegar do Iraque, têm ordens para atirar a matar, mesmo que seja contra alguém que apenas tenta sobreviver à custa das prateleiras de um supermercado fechado, sem mais nada para comer ou sarar feridas. Deve ser isto a que eles chamam civilização.
Adenda: São de ler, as crónicas de Luís Costa-Ribas, enviado-especial da SIC e da TSF.
Lisboa não é Loura [nem pintada!]
Mesmo quem nunca leu um livro dela [é o meu caso, que me fiquei por esta crónica na Maxim], sabe que Margarida Rebelo Pinto pensa muito em sexo. Nas suas muitas crónicas por essa imprensa cor-de-rosa fora, o tema domina tudo. A mais recente com que deparei, fala da cidade de Lisboa.
Para a Guiducha, Lisboa seria uma mulher se tivesse sexo. Sim, uma cidade com sexo. Ela não explicita onde fica a greta de Lisboa. Já Nova-Iorque, claro, seria homem. Também não chega a dizer se o Empire State Building seria o falo. Não vale a pena tentar perceber o porquê da apreciação. E isso não interessa. O que destaco no artigo do Portugal Diário é a forma como Margarida vê a cidade que diz adorar, principalmente em Agosto quando se esvazia de residentes e se enfeita de turistas.
Se as cidades tivessem idade, Lisboa era uma velha gaiteira, de saia rodada, camisa justa sobre o peito farto e saltos altos para disfarçar a idade e ignorar as rugas. Pintaria o cabelo da cor que nunca foi, louro, por exemplo e, nos dias de festas, saberia como nenhuma outra enfeitar-se de outros e caracóis, ao mesmo tempo barroca e simplória, ao mesmo tempo gaiata e madura, ao mesmo tempo digna e devassa. É assim que vejo a minha cidade, confusa, perdida dentro de si mesma, poética nos miradouros, assustadora nas novas urbanizações sem lógica nem critério, onde edifícios vencedores do prémio Valmor toleram no silêncio do betão autênticos monstros arquitectónicos que me despertam uma alma implosiva, e de repente imagino-me num terraço qualquer da cidade a descer com convicção e ardor uma alavanca que reduzir a pó, cinzas e nada alguns destes abortos gigantes que me fazem doer os olhos e me ferem o orgulho alfacinha.
E depois há ainda o rio. Nenhuma cidade fica completa sem um rio ou o mar na sua beira. Paris, Buenos Aires, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro e Budapeste são exemplos disso. Quando a água está por perto ilumina a cidade, tornando-a muito mais bela. E Lisboa é uma cidade bela, porque não é perfeita nem simétrica, não é fácil de conhecer nem previsível, muda com as estações e com os humores e nunca perde a poesia.
Eu gostava que todos os lisboetas vissem Lisboa pelos meus olhos.
Foda-se! Salta-me logo depois disto. Nem pelos teus olhos, Guiduxa, nem pelos teus dedos. Preferia que Lisboa fosse gay.
Blog Day - a Ressaca
Eu sei que eram só cinco e acabo por referir nove. Mas também me esqueci que são blogues novos o Abóbada Palatina , A Vida é Larga! e o Buraco na Parede.
Distraí-me! Mas a minha lista de links é bem mais atenta que eu...
[E refiro mais blogues neste dois dias que nos últimos dois anos.]
agosto 31, 2005
Katrina
New Orleans [John Hay]
Mais imagens aqui.
Nunca hei-de perceber porque dão o nome de mulheres, aos ciclones.
Blogues do Dia do Blog
2+2=5
Interessante veia africana [moçambicana, para ser preciso] num blogue com muita cultura urbana e opiniões incisivas e irónicas sobre a actualidade.a Estrada
Olhar atento ao que se escreve em Portugal, com dedo firme e crítico.Jamaica Bar
O blog mais caótico, boémio e anarca da blogosfera, às vezes esquece o disfarce e escreve belos textos de paixão.Poloroids
Uma visão bicéfala da vida, apoiada por citações, imagens que marcam e inspirações repentinas.Reiniciar
Imagens amplas, coloridas ou a preto-e-branco, ilustradas por textos descritivos, de uma arquitecta que gosta de viajar.
São cinco blogues apenas... Novos, como se pede [têm menos de um ano], escolhidos para o Blog Day 2005. Se a breve descrição não corresponder à desejada, é favor reclamar na caixa de comments.
Adenda: Por distracção [nem parece meu!] não incluí na lista o Paredes Oblíquas. Consulto-o com tanta frequência, que nem reparei que também se trata de um blog novo.
agosto 30, 2005
Alegre ma non troppo
Tenho andado muito desligado da política portuguesa e talvez por isso não tenha percebido nada da conferência de imprensa/jantar que Manuel Alegre - logo ele, que fala tão claro e escreve tão bem - promoveu esta noite.
A única parte que compreendi foi quando a delegada da RTP em Viseu, numa intervenção em directo pouco depois do discurso, lhe colocou o microfone à frente enquanto Alegre estava ao telemóvel. Pude perceber claramente, mesmo sem ouvir a voz do outro lado [faltaram os meios técnicos, à repórter], que agradecia a alguém o apoio e desejava uma boa noite e cumprimentos lá em casa.
Before You Turn into a Pumpkin
![Before Sunrise [Julie Delpy e Ethan Hawke]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/before_sunrise.jpg)
If there's any kind of magic in this world, it must be in the attempt of understanding someone, sharing something. I know, it's almost impossible to succeed, but... who cares, really? The answer must be in the attempt.
Before Sunrise, Richard Linklater
agosto 29, 2005
agosto 28, 2005
agosto 26, 2005
Contigo
Se me quiseres voltar a ver
É la contigo
Se me quiseres voltar a encontrar
Terei prazer em ir vir tomar cháEstou no lado
Estou no sítio
Mal afamado
E estou esquisitoE é lá que eu vou estar
Até te escutar
E é lá que eu vou estar
Até te escutarSe me quiseres recordar
É lá contigo
Se me quiseres repetir
a fazer par ou mesmo a dividirEstou no poço
não reprimido
é bem perigoso
estou comigoE é lá que eu vou estar
Até te escutar
E é lá que eu vou estar
Até te escutar[Na Lama, António Variações - p'los Humanos]
agosto 25, 2005
agosto 24, 2005
The child as a monster

Não há explicação para o penteado à foda-se ou as olheiras de ressaca. Nem para as sobrancelhas ruivas e as sardas dispersas aleatoriamente. Muito menos se percebe aquela boquinha de menina, que deu origem a uma infância andrógina que podia ter corrido mal.
O que tem explicação lógica é a vista esquerda - vesga e mais aberta que a direita. Uns anos antes enfiara o olho pela esquina de uma mesa adentro, depois de tropeçar em mim próprio [sim, já nasci desastrado!]. Mesmo assim, tive sorte: a coisa ficou por uns grauzitos de miopia, algum astigmatismo e o olho acabou por ficar igual ao outro, com o correr dos anos.
A fotografia foi tirada no início dos anos 80 [daí a bela da camisa!] pelo magnífico Fotógrafo de Casamentos, Baptizados e Eventos Culturais da Luzfama, cujo nome não me recorda mas que tinha um bigode farfalhudo, risco ao meio e um chapéu de chuva para controlar a intensidade do flash. Foi a fotografia escolhida para aterrorizar quem entra na sala de estar da casa dos meus pais, em tamanho gigantesco.
agosto 23, 2005
O nome do Paraíso
A primeira vez que fui a Moçambique, já lá vão oito anos, levava uma referência obrigatória transmitida por boca - uma praia especial na Baía de Nacala com um nome estranho começado por R [tenho fraca memória e não fui lesto a tomar nota]. Assim que cheguei a Maputo e falei na intenção de ir para o Norte, por entre os habituais Bazaruto, Tofo e Pemba, o escritor Mia Couto - que nos recebeu em sua casa - voltou a aconselhar a dita praia, que descreveu idílica e cujo nome começava de facto por R, mas que nenhum dos membros da expedição conseguia memorizar passados poucos minutos - e éramos uma dezena!
Percorrido o sul do país, e praias sem igual na Ponta do Ouro, em Xai-Xai, Zavala ou Inhambane, acabámos por esquecer a tal referência, acreditando ser só mais uma. Mas assim que pusemos pé em Nampula, no Norte, e na estrada quente e penosa a caminho da costa, os locais voltaram a falar na tal praia...
Passámos a tratá-la por Renhaunhau, nome que ridicularizava apenas a nossa preguiça mental. Íamos ficando entretidos pelas águas cálidas de Fernão Veloso [agora Naherengue] e assim nos referíamos à outra praia - Renhaunhau - expectantes, enquanto não lhe descobríamos o rasto, sem grande pressa. Certo dia de manhã, depois de uma desconfortável viagem na caixa de uma pick-up, chegámos à misteriosa praia. Foi uma verdadeira expedição em caravana de 4x4 [diz-se fó bai fó], mas até nem ficava longe da cidade de Nacala.
Bastaram alguns segundos e uma troca de olhares, para percebermos - todos e cada um de nós - que jamais esqueceríamos o nome Relanzapo.
[...]agosto 21, 2005
Rádio na Cabeça IV
Já temos música.
Na coluna de links da direita, em Rádio na Cabeça, é só carregar no ícone do play junto à canção que se quer ouvir.
À falta de sabedoria para criar um suporte próprio onde possa alojar as músicas [neste momento, serei o único blogger do mundo a não saber fazê-lo!] estou a servir-me de canções já colocadas online pelas próprias bandas ou por fãs. Os temas de Elliott Smith são raridades e demoram um pouco mais a carregar. As canções de Bloc Party são versões ao vivo ou mixadas. Mesmo limitados, pareceu-nos mais interessante colocar aqui canções que não estão nos álbuns, com excepção para os Strokes.
A lista disponível terá um máximo de 10 músicas de cada vez. Talvez mais, às vezes menos. Obviamente, aceitamos sugestões - mas isto significa que a canção em causa terá que dispôr de um endereço online.
Graças à preciosa ajuda de raXor [incansável, mais uma vez], conseguimos encontrar uma banda-sonora para o blog.
agosto 20, 2005
Exclamação
!
Experimenta falar pela minha boca,
assoar-te pelo meu nariz...
Divertimento com sinais ortográficos, Alexandre O'Neill
agosto 19, 2005
Os Direitos do Blogger
A boa amiga de Elsinore, inspirou-se em Daniel Pennac e elaborou a deontologia do blogger:
1. o direito de não blogar
2. o direito de só ler algumas postas e o direito de não respeitar a ordem cronológica das mesmas
3. o direito de fechar o blog e recomeçar uns tempos depois ou de começar um novo blog ou de calar-se para sempre
4. o direito de reler postas antigas, as dos outros e os nossas, de gostar, de não-gostar, de falar acerca disso, de retocar postas, de apagar postas
5. o direito de não linkar blogues que toda a blogosfera linka
6. o direito ao bovarismo2
7. o direito a estar de férias e esquecer o blog ou o contrário, o direito de escrever postas imaginárias, o direito de escrever disparates e de escrever coisas sérias, o direito de escrever postas quilométricas, o direito de se contradizer
8. o direito de gostar de blogues de qualquer espécie e das pessoas que estão metidas neles e o direito de não gostar de um blog porque o template é horrível, o direito de nunca ler blogues de pessoas que nos provocam problemas de pele mesmo sendo de referência
9. o direito de fazer linques para blogues amigos quando nos apetece e também para os outros, sem quaisquer constrangimentos [p.e., pode perfeitamente linkar-se o Pacheco Pereira quando ele escreve algo que merece referência]
10. o direito de não desejar transformar o blog em livro
2 Identificação com a personagem ou com a mensagem.
Pela Estrada Fora
Finalmente, vai avançar a adaptação a cinema do livro On the Road, de Jack Kerouac.

The bottoms of my shoes are clean from walking in the rain.
Francis Ford Coppola, que andava à procura de um realizador desde 1979, entregou o projecto ao brasileiro Walter Salles, para estrear em 2007.
Será mais um roadmovie, mas será o roadmovie por excelência se tiver o espírito de liberdade ao sabor do vento que encontramos no livro. Olha, aqui está um bom papel para Clive Owen.
agosto 18, 2005
Mais 10 cm e era Perfeito
Dúvidas houvesse, o debate clarificou-se logo de início, na blogosfera - o tamanho importa. Os blogues de homens garantem tê-lo comprido, os blogues de mulheres avisam que há que ter comprido e grosso. Isso do tamanho não ser tudo é um mito sem nexo. Grande e grosso.
Ora, outra das tendências que cedo se percebeu é que, para além de grande e grosso, convinha ser um Jude Law, cândido e meigo, para seduzir as autoras de blogues. Jude Law era o galã preferido dos mesmos blogues femininos que hastearam essa bandeira e inundava postas e postas de fotografias em close-up e meros Ai, Ai!, ou até sem qualquer título e justificação. Afinal, os blogues de gajos fazem o mesmo com a Mónica Bellucci e a Scarlett Johansson.
Assim sendo, a questão que se coloca agora é a seguinte: como vão os blogues femininos contornar este... pequeno detalhe?!
[...]agosto 17, 2005
Trincar a Maçã

Fiona Apple , que mostrou em Tidal ter coisas de significado profundo para dizer aos 18 anos, está de volta. Ainda assim, o novo álbum de originais é o anterior.
Extraordinary Machine foi regravado na totalidade, com novo produtor, depois de ter estado nas lojas durante alguns dias antes de ser retirado pela Sony. No site oficial estão disponíveis para audição gratuita [em Real Player ou Quick Time] as canções Parting Gift e O' Sailor.
E a pequena amostra agrada tanto como os olhos violeta da nova-iorquina emprestada à California.
A tua Boca
Apenas uma boca A tua Boca
Apenas outra, a outra tua boca
É Primavera e ri a tua boca
De ser Agosto já na outra boca
Entre uma e outra voga a minha boca
E pouco a pouco a polpa de uma boca
Inda há pouco na popa em minha boca
É já na proa a polpa de outra boca.
Sabe a laranja a casca de uma boca
Sabe a morango a noz da outra boca
Mas sabe entretanto a minha boca
Que apenas vai sentindo em sua boca
Mais rouca do que a boca a minha boca
Mais louca do que a boca a tua boca.
David Mourão Ferreira, A Boca as Bocas
agosto 16, 2005
Festival
Paredes de Coura, há que dizê-lo com frontalidade, é o evento pop/rock do ano. [Não. Os U2 já não me dizem grande coisa!]
Quem não puder ir à Praia Fluvial do Tabuão pode sempre perceber o que perde pela televisão oficial.
agosto 14, 2005
A Acústica da Casa da Música
Leio hoje no Público de ontem (estou em modo de férias, ok?) que a Casa da Música vai fechar para melhorar a acústica (e não só). Não é nenhuma novidade, não é nenhum escândalo. Renz van Luxemburg, o engenheiro de som que trabalha com Koollhas, já o tinha admitido, ainda antes da inauguração, à Antena 2. Chegou a confessar que iria ser retirada uma cortina de ferro (que dividia o palco do coro), muito provavelmente às escondidas do arquitecto, devido às queixas dos músicos sobre a influência deste elemento meramente estético sobre a qualidade do som. Falou-se também na Antena 2 sobre os problemas que a canópia, um protótipo, apresentou na inauguração.
De fora desta lista de ajustamentos vão ficar, por impossibilidade das leis do espaço, muitas outras limitações que a casa da música tem. Seja como for, e apesar de não ser um CCB - onde se consegue, aí sim, fazer uma Festa da Música - gentes do Porto dizem-me que a programação tem andado boa e que o público tem respondido. Excelente. Também aqui o tínhamos dito: havendo sala, tem que haver programação, que é o que interessa.
Posta da Brigadeirinha
agosto 13, 2005
unputdownables

Gosto dos meus roçados e gastos, carcomidos na sola, sujos e desatados, nos pés.
Para candidatos a Imelda Marcos das sapatilhas, o guia completo de um objecto de culto urbano.
agosto 12, 2005
Um café e um cigarro
É certo que não gosto de café nem de cigarros, mas identifico-me perfeitamente com Coffee and Cigarettes, um filme de Jim Jarmusch sobre pessoas e a sua convivência.

O filme começou com uma brincadeira - um sketch com Roberto Benigni e Steven Wright, filmado a convite dos produtores de Saturday Night Live, um programa de culto humorístico nos Estados-Unidos. O resultado foi muito positivo e deu origem a várias pequenas estórias - sempre com, e sobre, café e cigarros. Mudam os actores, as conversas e o cenário, mas este apenas ligeiramente, com o preto-e-branco e um fétiche com padrões quadriculares a povoarem todas as 11 curtas-metragens, ordenadas cronologicamente [entre 1986 e 2003].
As minhas preferidas são, para além da primeira, Primas [com Cate Blanchett], aquela em que Tom Waits e Iggy Pop conversam sobre coisas banais e Primos? [com Alfred Molina e Steve Cougan]. Pelo filme desfilam ainda Bill Murray, Steve Buscemi e Jack e Meg White, dos White Stripes.
Posso revê-lo agora, acabado de comprar em DVD de preço módico numa banca de jornais.
agosto 09, 2005
O misterioso Gang do Couvert
Tudo começou numa vinha de beira de estrada. O putativo líder da quadrilha irrompeu do carro ainda mal parado e surripiou dois cachos de uvas para vinho. Foi com extrema dificuldade que os restantes membros do grupo conseguiram provar os pequenos bagos colados uns aos outros, mas estava lançado o mote para uma série de incursões que aterrorizaram a restauração do barlavento algarvio durante uma semana.
Dois homens e duas mulheres, alegadamente jovens, passaram como foguetes pelas esplanadas das terras incautas de Alcantarilha, Guia, Chão das Donas e Vila do Bispo, para lhes tirarem o maior ganha-pão sazonal. O modus operandi variava pouco: os couverts que chegavam à mesa antes das refeições eram consumidos com afoito - queijo e filetes de biqueirão incluídos - antes de os elementos desaparecerem para parte incerta, disfarçados com bonés da FRELIMO. Nalguns destes incidentes chegaram a pedir Sopa de Peixe, ou de Legumes, partindo depois de barriga e bolsos cheios, para desespero dos proprietários.
Um vendedor de Bolas de Berlim com creme da Praia da Marinha, em Lagoa, descreve ter sido vilipendiado num processo rápido e sem violência. Não que esta atemorizasse o Gang. Recorrendo apenas à força bruta de um dos elementos, evitaram que o carro de fuga resvalasse para uma vala, à saída de Sagres, e acabasse prematuramente o que os analistas consideram ter sido o crime perfeito.
agosto 07, 2005
Limpar a Mata?!
Uma mulher observa uma enorme "frente de fogo" à sua volta e a cinza incandescente que lhe sobrevoa a cabeça. O repórter da tevê indaga-lhe a tranquilidade, no meio daquele "inferno que lavra":
- Na 4ª feira, limpámos a mata toda aqui à volta da casa. Porque são os nossos bens, não é?! - responde-lhe ela.
Pois é. Tão simples quanto isto.
Na televisão, repetem-se as imagens da labaredas a lavrar nas costas de repórteres, gritos de desespero e expressões como "nunca vi nada assim", mas o que eu não vejo é mais gente com a sensatez daquela senhora.
I'm the best at what I do
but what I do isn't very nice
A idade de ouro da Banda-Desenhada tinha acabado. Estávamos nos anos 70 do século passado e heróis tremendos como Homem-Aranha, Super-Homem ou Bat-Man, viviam apenas do estatuto e da popularidade angariadas, com mais saída em filmes ou séries de TV, que nos livros. Personagens novos iam surgindo, em catadupa, mas lutavam para conseguir mais que meia-dúzia de aparições. As poucas excepções não disfarçavam um cenário que, não sendo de crise total, andava bem longe das saudosas décadas anteriores.
Um só personagem mudou tudo isto.
Politicamente correctos e certinhos, os comics deram uma volta de 180º, da noite para o dia. Os responsáveis foram Len Wein, John Romita e Dave Cockrum, encarregues de salvar uns X-Men cuja popularidade se esfumava.
Para além de Colossus, Storm, Night Crawler e Linx, um tal de Logan [recuperado da última página de uma estória de Hulk] mostrava-se o oposto de tudo a que estávamos habituados: não hesitava em usar a violência extrema para atingir os seus fins [mesmo contra agentes da autoridade] e vivia numa angústia anti-social constante, desobedecendo a padrões de moral considerados obrigatórios. Sobre o seu passado, não sabia porra nenhuma e isso também alimentava estórias mais ricas que o habitual - muitas delas passadas em Hong-Kong e Tóquio, umas quantas no Pólo Norte.
Tal como os restantes X-Men, Wolverine era um mutante. Mas não me recordo de ver "super-poderes" que superassem aquelas garras de adamantium, que irrompiam dos nós da mão e lhe compunham o esqueleto. E a raiva que se via no olhar, a sensação que nada havia a perder e que tudo era possível, davam origem a estórias mais ricas e mais interessantes. Nem sequer vou mencionar o cabelo azul e aquele penteado... Os adultos voltavam a comprar livros de BD em força.
São duas dessas estórias que o pasquim Correio da Manhã disponibiliza este Domingo, na Série Ouro [que nem sempre é interessante], por apenas 6,40 euros. Duro de Matar e Combate Mortal são duas longas tramas consideradas das melhores de sempre. O traço de ambas é de Leinil Francis Yu, recaindo os argumentos a Warren Ellis e Chris Claremont.
agosto 05, 2005
Mourning Marilyn

Marilyn [Eve Arnold]
The gorgeous Marilyn Monroe, symbol of the glamorous life of Holywood, passed away tragically this morning. Her naked body was found in her bead at her house, at 12 305 Helena Drive. She was declared dead this Sunday morning, August 5, 1962 t 4.25 am. It was, apparently, a suicide.
Let's go to our special reporter, live from 12 305 Helena Dv.
- It's my conclusion that the death of Miss Monroe was caused by a self administrated overdose of sedative drugs and that the motiv of death is probable suicide.The star was found holding telephone in her hand; an empty bottle of sleeping pills was next to her. The whole world is in mourning. A bright star has left the sky.
agosto 02, 2005
Proibida
Antes de começar esta posta, uma ressalva: esquece tudo o que viste nos filmes DareDevil e Elektra, as mais execráveis adaptações de livros de Banda Desenhada, alguma vez feitas para cinema.
Vamos a isso, então. Elektra é uma das mais ambíguas personagens - se não a mais estranha - de toda a Marvel. Criada por Frank Miller em 1981 [sim, esse mesmo!], está envolta num passado obscuro de violação, pedofilia, adultério, incesto, assassinato e abandono que mais parece saída de um livro de BD francófona underground.
[...]julho 30, 2005
Intermission

Christina's World - Andrew Wyeth, 1948 [têmpera]
As minhas férias de infância tinham disto. A solidão dos campos largos de Trás-os-Montes, num mês inteirinho de outra realidade, sem obrigações nem horário.
Por agora, as férias serão apenas alguns dias, à procura de uma vaga no bulício algarvio, de um desvio das estradas apinhadas de carros, de espaço para boiar no mar sem ondas.
Ainda há parcelas de areia livre, por lá. Mas não digo onde.
julho 29, 2005
Sexo e Drogas e Rock 'n' Roll
Nove grandes canções, noutros tantos concertos, são o mote para um filme sobre a relação amorosa entre duas pessoas.
![9 songs [Margot Stilley e Kieran O'Brian]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/9songs_xl_01.jpg)
9 songs são 69 minutos de sexo explícito, drogas duras e Rock 'n' Roll do bom, muito melhor que o resto do filme. De Michael Winterbottom [realizador do, esse sim, brilhante, 24 Hour Party People], com Margot Stilley e Kieran O'Brian.
Falámos dele quando estreou em Londres, cidade onde a estória se desenrola; reforço agora que estreia por cá. Mais pelas canções, que pelo sexo explícito mainstream.
julho 28, 2005
Economia de Bolso
[Posta Naïf]
A Economia pareceu-me uma coisa relativamente simples, enquanto cadeira da Faculdade. Apesar de ser pouco ou nada dado a matemáticas e vítima de alguma ronha colectiva, lá tirei 14 valores no exame de Setembro, mesmo sem a memória necessária para decorar as fórmulas. Baixou a média geral, é certo, mas não envergonha um estudante desde sempre virado para as letras.
Já a Economia enquanto política, ganha nuances bem menos claras para mim.
Repare-se como, depois de saír do poder, qualquer economista encontra soluções para resolver os graves problemas económicos do país. É vê-los nos painéis a recomendar isto e aquilo, tirar daqui e pôr ali e já está. Que azar tremendo, eles não terem chegado a essa conclusão há uns anos, quando até podiam aplicar as medidas e mudar o rumo da fatalidade.
Menos óbvia também, é a capacidade de, numa mesma frase, esses economistas conseguirem falar de uma crise profunda, de um futuro hipotecado para os nossos filhos, e depois explicarem que a bolsa de Lisboa sobe pelo 5º dia consecutivo, em contra-ciclo com os outros mercados, que os lucros da BRISA subiram 10 por cento no primeiro semestre deste ano, que a IMPRESA e a Media Capital estão de vento em popa e contam dobrar resultados em vários milhões, que as receitas publicitárias nos média não páram de subir, que a banca nacional nunca esteve tão bem, que a SONAE de Belmiro de Azevedo continua a ser um exemplo mundial, que a TAP conseguiu um verdadeiro milagre e tornou-se uma companhia aérea viável, etc..
A crise profunda sinto-a eu, que mesmo com as fórmulas escritas numa cábula, e por mais contas que faça, não percebo como serei capaz de comprar o que preciso para viver. Nem percebo como conseguirá fazê-lo qualquer português que não seja economista.
[Não falo do que eles sabem, mas do que ganham ao fim do mês.]
Folhas sépia
Não costumo ler livros recentes. Espero sempre que saiam da prateleira das novidades para os comprar ou pedir emprestados, sem me despertar a mínima curiosidade aquele best-seller que todos levam debaixo do braço.
A título de exemplo, ainda não li o Equador - de Miguel Sousa Tavares, nem o Código de Da Vinci - de Dan Brown. Felizmente, o último ainda deve demorar a deixar o top.
Por mim, o mundo fica um lugar melhor já hoje.
julho 26, 2005
julho 25, 2005
A Vida É Fodida
«Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas e cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas, já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. o amor é um estado de quem se sente. o amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita não faz mal. Que se invente e minta e sonho o que quiser. O amor é uma coisa a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.»Miguel Esteves Cardoso, Elogio ao Amor [extractos]
MEC, o pai de todos os blogues, faz hoje anos. Cinquenta, se não me engano.
Trocar o Tempo e o Espaço
![[Calca para Aproximar, Retroceder para Voltar]](http://photos22.flickr.com/28465583_c8a750f557_m.jpg)
Nacala-a-Velha, Moçambique [Novembro de 2004]
Legenda: a árvore - um Mangueiral - está sempre ali, no lugar que ficou dela. O barco à vela chega e a pequena barcaça parte, mas talvez seja o contrário. No céu, as nuvens dançam em círculo, sem assustar. E por mais azul que o céu ficasse, mesmo assim nublado, mais verde cristalina estaria a água, morna e calma.
julho 23, 2005
Pára Tudo
![Irreversible [Monica Bellucci, Vincent Cassell]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/irreversible.jpg)
Irreversible, obra suprema de Gaspar Noé, passa esta noite na RTP1.
O filme é difícil de ver, mas tem que ser visto mesmo quando se desvia o olhar. Monica faz-me um Bellucci e Vincent Cassell são levados ao extremo enquanto casal. A provocação estende-se ao espectador, incapaz de suportar a dor. Que depois, numa estória contada de trás para a frente, em movimentos de câmara angustiantes, constata o que se perdeu.
É certo que à hora anunciada devo estar com Ray Lema, no Monsanto. Mas é para isso que serve aquele aparelho cheio de pó que leva umas cassetes pretas enormes, especialmente quando a edição em DVD foge de mim a sete pés.
julho 22, 2005
96 000 000
Se me saísse o Jackpot do Euromilhões, este blog não acabava.
A única diferença é que passaria a ser escrito em diversos lugares do mundo, cheio de fotografias e estórias das viagens. E muitas canções disponíveis para ouvir [daria boas alvíssaras a quem percebesse de HTML e fizesse o tal upgrade necessário para ter uma rádio online].
A probabilidade disso acontecer é que não é muito grande, porque eu não joguei. Nunca jogo, de resto.
Não vale a pena apostar na lotaria e essas coisas, com a sorte que eu tenho ao amor...
julho 21, 2005
We Are Not Afraid
Os londrinos continuam calmos. Cautelosos, é certo, mas cientes que a vida continua. Tem de continuar.

Os filhos da puta, esses, continuam à solta. Há-de haver sempre filhos da puta, que vivem só para lixar os outros.
Um Messias português
Descubro pelos telejornais e pelo vox populi habitual que o arrogante, carrancudo e duplo-pensionado Campos e Cunha era afinal um homem bom e generoso, um técnico perfeccionista e competente, um óptimo ministro das Finanças.
Basta o Primeiro-ministro Sócrates chamá-lo de volta [ele que tome vitaminas para o cansaço, sei lá] e acabam-se já a crise profunda e a contestação social generalizada.
Chamas
O país continua a arder. Afinal, ficou qualquer coisa para queimar do ano passado.
Lá estão os jornalistas [agora são outros, para todos se divertirem] a entrevistar as desgostosas pessoas 'afectadas' e os corajosos bombeiros 'sem meios'.
O país continua a arder, mas ainda ninguém se lembrou de chamar a Força Aérea para apoiar no combate aos incêndios. Ou mesmo para conduzir as operações, já que nada mais tem para fazer [e assim sempre se evitava haver caças bombardeiros a perseguir helicópteros espanhóis chamados para ajudar].
As matas continuam a arder, mas continuamos sem as manter limpas e com acessos largos e ordenados, como diz a lei. Nem sequer desmatamos o terreno à volta das casas e construções que entretanto, e incorrectamente, se fizeram em plenas áreas florestais.
O país continua a arder porque somos todos Nero, e apreciamos a cinza espalhada de ambos os lados da estrada e as árvores negras despidas. Sempre fica limpo, assim. Naquele lugar já não há incêndios, para o ano.
Mas o país vai continuar a arder.
Nómada
Um trabalho artístico composto por desenho a lápis-de-cor, recortes e fotografia atraíu a atenção do Mandu, enquanto esperávamos pela chegada da Eka, no café do aeroporto de Lisboa.
A autora, interpelou ele de imediato, é uma canadiana de nome Jessica, nos seus trintas, que nada mais faz que viajar. Mostrou-nos desenhos e fotografias do Gana e da Etiópia, onde passara dois anos a trabalhar com ONG's, antes de rumar a Portugal, onde permaneceu nos últimos três meses.
Daqui, ia partir para Toronto apenas para refazer as malas, já com planos traçados para passar uns tempos no Nepal, na Tailândia e no Japão. Nunca repete um destino, ainda que goste dos lugares e das pessoas... porque há tanto por descobrir - explicou.
E muito gostaríamos nós de voltar a cruzar-nos com a Jess.
julho 20, 2005
Por falar em frases tiradas do contexto
«O problema é que as mulheres elegantes, são ilegais.»
Frase apanhada no zapping por um daqueles pseudo-debates que a SIC Notícias faz pela noite dentro, conduzido pela Conceição Lino. Foi proferida por um homem, mas nada sei sobre ele.
Mais do que fora do contexto, é bem provável que a frase nem sequer tenha sido correctamente percebida. Curiosamente, ou talvez não, nem assim fiquei mais que uns segundos a ver o programa. Apesar da Conceição Lino.
Amar assim
Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechadoEstala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfiladaCanta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenasAfaga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incensoLembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechadoEstala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfiladaAi como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitadaAi como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada
Lembra-me um Sonho Lindo, Fausto Bordalo Dias
julho 18, 2005
Golden Days
As cores da minha infância foram garridas, apesar das fotografias a preto-e-amarelo que a testemunham.
O verde seco de Trás-os-Montes, feito em bicicleta e trambulhões, está numa imagem ofuscada por uma camisa aos quadrados desabotoada no corpo de um miúdo escanzelado que tenta pedalar duas rodas maiores que ele. O azul fresco dos riachos da Beira-Baixa e as azedas amarelas chupadas no canto da boca adivinham-se numa outra, que mostra uma encosta de flores com mil cinzentos e casas de pedra, junto a uma placa que diz Sarzedas de S. Pedro. As calçadas brancas e reluzentes de Alfama daquelas tardes de chuvisco a jogar à bola contra as nódoas negras, vêem-se na fotografia tipo passe que resultou numa enorme careta, fruto do espirro provocado por um holofote colocado num chapéu de chuva.
![Calca para Aproximar [Retroceder para Voltar]](http://photos22.flickr.com/26096083_16e790ee7f_m.jpg)
[Praia de Naherengue, Moçambique - Novembro de 2004]
Agora, com estas maravilhosas e instantâneas máquinas digitais, perde-se essa magia do instante raro, preciso, captado com mestria. Com os mega-píxeis, qualquer reles amador desajeitado pode obter os testemunhos de belas recordações douradas, sem precisar de as enriquecer com a imaginação.
julho 17, 2005
No Mundo dos Filmes
1. Há sempre lugar para estacionar à porta da casa que visitamos.
5. Qualquer fechadura pode ser aberta com um gancho de cabelo ou um cartão multibanco, em poucos segundos. EXCEPTO se houver um incêndio e estiver uma criança lá dentro.
10. A Torre Eiffel vê-se da janela de todas as casas de Paris.
13. Quando estão numa casa assombrada, as mulheres investigam todos os barulhos estranhos, vestindo apenas uma lingerie transparente.
20. Todas as mulheres solteiras têm um gato.
25. Tu sobrevives a qualquer combate, em qualquer guerra, EXCEPTO se mostrares a fotografia da tua namorada.
26. Todas as putas são parecidas com a Julia Roberts. Têm roupas caras e apartamentos bonitos, mas nenhum chulo. São simpáticas para os comerciantes do bairro que são completamente indiferentes à vida que elas levam.
27. Um fósforo é suficiente para iluminar uma sala do tamanho de um estádio.
31. Qualquer rapariga feia podem transformar-se numa estrela de cinema se tirar os óculos e arranjar o cabelo.
35. No decorrer de todas as investigações policiais há-de ser necessário visitar um clube de strip-tease, pelo menos uma vez.
40. Os camiões apitam as suas buzinas assustadoras ao acaso, a qualquer instante. [Espera, isto acontece mesmo, na vida real.]
Estas são as minhas preferidas de uma lista de coisas que só acontecem nos filmes, encontradas pelo Eduardo, no Nostalgia Central.
julho 15, 2005
Pára Tudo

Quem nunca viu coisas como Pesadelo Cor-de-Rosa, diz que Plan 9 from Outer Space é o pior filme de sempre. Outros há, como eu, que reconhecem ali a mais sublime comédia jamais feita.
Realizado em 1959 pelo incompreendido Ed Wood, conta a estória de um grupo de extra-terrestres "altamente inteligente", que cria três mortos-vivos para extinguir a raça humana. A solução para salvar a Terra de tamanha tragédia? Inventar uma bomba que possa explodir o Sol. Pouco antes do arranque das filmagens, o actor Bela Lugosi morreu - um azar do caraças que Wood resolveu com mestria... Só vendo.
O filme inteirinho [79 minutos, em mp4] está disponível para download no maravilhoso Internet Archive. De borla, que foi mais ou menos o que se gastou para o fazer.
Não fiques invisível...
![Fantastic 4: Invisible Girl [Jessica Alba]](http://www.premiere.com/assets/image/2005/782005122529.jpg)
A crítica diz que a adaptação dos Fantastic 4 ao cinema não podia ser pior. Chegam a compará-lo a Elektra e Dare Devil que foram, de facto, as coisas piores que alguma vez saíu dos quadradinhos da Marvel.
Mas se já sou avesso a confiar em críticos de cinema, imagina depois de ver as primeiras imagens da Invisible Girl, como aquela no topo desta posta.
julho 14, 2005
Why don't you go fuck yourself with a sledge hammer?!
![Goswell Road, Londres [Ian Tindale]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/londres.jpg)
Londres inteira parou, quando o Big Ben bateu o meio-dia. Para homenagear as vítimas dos atentados bombistas, milhões de pessoas interromperam o que estavam a fazer e permaneceram em silêncio, durante dois minutos, num gesto repetido em muitas cidades da Europa.
Nos telejornais, constato sem surpresa que os únicos a desrespeitar o apelo foram os 'enviados-especiais' portugueses. Em plena homenagem, lá estavam eles a perguntar aos londrinos «Como é que se sente?».
Adenda: Nos comentários, a jornalista Margarida Neves de Sousa esclarece que fez a reportagem como devia ser feita. Respeitou o silêncio.
As nossas desculpas por, erradadamente, a termos incluído no pacote dos jornaleiros que vimos fazerem um mau trabalho.
Don't cry for me, Argentina
Num táxi, em Buenos Aires:
- De onde é, senhor?
- Sou de Portugal.
- Ah... Aquele país que está sempre a arder!
Ingenuidade
Eu tinha vinte e poucos anos e, para mim, dizer que o amor se reduz a uma linguagem de pele e o sexo a uma simples terminologia era quase um sacrilégio. Tinha a idade em que o amor, seja lá o que isso vier a ser, é o valor supremo de um horizonte onde só se divisa a felicidade. [...]
Com o tempo, descobri que esse horizonte, se existe, é eternamente móvel e que, além disso, quando a vista vai fraquejando, a sua perspectiva se torna cada vez mais remota.António Mega Ferreira, Amor [ed. Assírio & Alvim - 2002]
julho 13, 2005
Esquisitisses
Fico quase hipnotizado a olhar para mapas.
Adoro percorrer o tracejado azul dos rios e as estradas principais com os dedos, enquanto sussurro os nomes das terras e das maiores elevações. Ou os bairros, as ruas e zonas verdes de uma cidade.
Mas pareço desprovido de qualquer sentido de orientação.
Mesmo em Lisboa, onde nasci e sempre vivi, confundo ruas e perco-me frequentemente, mesmo depois de ter visitado os locais duas, três, quatro vezes.
É esta mania de gostar do impossível.
os fazedores
Gosto de folhear devagar a revista os fazedores de letras, publicada todos os meses pela associação de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
A textura e o cheiro do papel são suaves, as ilustrações excelentes, os artigos muito bem escritos e os temas interessantes, procurando dinamizar a actividade cultural e o debate político-social do espaço universitário.
Mas nem tudo é bom. No cabeçalho da revista aparece um endereço de internet, só que a o site oficial é pobre e desinteressante e permanece desactualizado desde 2002. E é uma pena, porque há muitos ex-estudantes que não têm acesso à revista em papel.
Deixo a sugestão: Que tal fazer um blog da revista? Como dizem os próprios, no editorial do número um: Não basta estar em Letras... é preciso fazê-las.
E a internet é hoje um meio obrigatório de divulgação.
julho 12, 2005
Stoned

Há muitos, muitos anos que não compro uma Playboy. E é uma pena, porque as revistas têm sempre bons artigos. O número especial da Sharon Stone com grãos de areia e gotas de sal, será guardado religiosamente. O mesmo destino não terá o DVD de Instinto Fatal 2, que mesmo com novo descruzar de pernas, não pretendo ver.
Princesas
Pelas quatro da madrugada, ao cimo do Bairro Alto, duas raparigas liam viagens em voz alta, com danças descalças por entre risos e lágrimas, a uma terceira que queria voar num banco de jardim.
A mim, pila racional, deram-me O Principezinho traduzido para mandarim. Mas talvez seja cantonês... não sei.
Depois de uma viagem de helicóptero de arame, amanhecemos em contra-mão numa barraquinha de Pitta's Shoarma.
Não, não metemos ácidos... Nós só metemos doces.
julho 11, 2005
Mega-Pixies
Não faço ideia quem seja Matthew Brozkowski, mas recomendo o seu site sem hesitar. Para além de disponibilizar uma lista dos bares onde se pode fumar em Toronto [dá sempre jeito, não vá eu começar a fumar um dia!], oferece-nos uma série de raras actuações ao vivo dos Pixies.
![]()
Podemos ver velhos clássicos como Planet of Sound, Gigantic e Monkey Gone to Heaven quando ainda não eram clássicos, com entrevistas pelo meio, uma actuação de Frank Black com David Bowie e até as Breeders.
Não é preciso dizer mais nada para enchermos já de fumo, todos os bares do Canadá.
julho 09, 2005
Por detrás do Tejo
Seremos nós, para além de preguiçosos, completamente estúpidos?!
Será que o calor intenso que nos entorpece os músculos, nos dilata os neurónios e afecta as ideais, como se diz nos países que não têm sol?!
Só pessoas muito burras, desprovidas de qualquer massa encefálica, seja branca ou cinzenta, desprezam desta forma um rio lindíssimo como o Tejo, uma zona ribeirinha esplendorosa como a de Lisboa.
Em vez de acolher passeios públicos, esplanadas e zonas de recreio que aproveitem a luz do Verão, a zona ribeirinha de Lisboa está atafulhada de armazéns e serviços portuários, de contentores com ferrugem, de terminais de passageiros e estaleiros abandonados.
E a coisa vai piorar, agora que a Administração do Porto de Lisboa [a que a Su chama, muito bem, um polvo de 16 tentáculos] recebeu aval do Governo para ampliar o terminal de contentores de Alcântara.
Mais vale fazer-se um muro muito alto e esconder o rio, para não doer olhar para ele de um dos miradouros da cidade.
julho 08, 2005
Aniversariantes
O tempo é uma das poucas coisas garantidas.
Ele passa, corre, com uma precisão milimétrica, de forma sistemática, sem hesitar. Não importa que o queiramos parado, ou mais rápido, a andar para trás. Se não estivermos atentos, nem damos por ele.
E dois anos passaram, precisamente, desde que comecei a escrever este blog.
julho 07, 2005
O Tempo Refina
Ainda que rigoroso - austero até, noutras matérias - o meu pai nunca teve uma atitude de falso-moralismo ou castração, em relação ao sexo. Apreciador de Russ Meyer, sempre me respondeu com clareza às perguntas difíceis da puberdade [tudo o que não consegui deduzir das Ginas e das gabarolices dos colegas do liceu] e nunca me vedou o acesso a todo o tipo de informação sobre essa matéria tão importante.

Não é por isso surpresa que, em vez de regalar os olhos com filmes leves como Emanuelle, eu tivesse acesso a coisas como Atrás da Porta Verde e Garganta Funda, para regalo de todos meus amigos.
Só me faltou arranjar um destes belos posters, para encher de manchas.
julho 06, 2005
Jornal Público noticia cartazes 'Votem em Mim'
Desta vez, o Público não procurou endrominar os leitores e citou as fontes devidas. Atribui o acto às Brigadas Posterrroristas 5/12 [ainda que lhe chame brincadeira, quando se trata de um protesto legítimo - com humor - de um grupo de cidadãos contra a inundação da sua cidade com placards de pré pré-campanha] e cita o blog que tem divulgado as iniciativas - este.
O artigo é interessante [merece toda a primeira página da secção Local] e está bem estruturado por Ana Henriques [pelos vistos, foi útil a discussão mantida na blogosfera e na redacção do jornal, nos dias seguintes ao episódio de plágio sobejamente conhecido].
O jornal ouviu até os candidatos. Os mandatários de Manuel Maria Carrilho consideram os balões usuais nesta altura, Carmona Rodrigues chama-lhe vandalismo pouco cívico [é preciso ter lata, quando se espalham milhares de placards sobre tudo e sobre nada], José Sá Fernandes diz aceitar a brincadeira, Ruben de Carvalho não se sente ofendido e Maria José Nogueira Pinto [que só não ajuda a entupir tudo o que é praça e esquina desta cidade, porque anunciou mais tarde a candidatura] chama às BP 5/12 um grupo de brincalhões com piada. Faltou perguntar a todos quanto custa tanta publicidade e quem a paga.
O Público refere outras iniciativas das Brigadas e do |Substrato| - ainda que as confunda e misture - e lembra que não é proibido apelar directamente ao voto [os candidatos só não o fazem por uma questão de "bom senso", a tanto tempo das eleições], nem deverá ser punida qualquer intervenção nos mesmos cartazes, porque ainda não arrancou a campanha eleitoral.
julho 05, 2005
Imaginário
A primeira coisa que me atraíu nos Fantastic 4 foi a inverosimilhança daquilo tudo. Quem é que, no seu perfeito juízo de 10 anos, acredita que um grupo de astronautas atingido por uma qualquer radiação cósmica desenvolve super-poderes de características completamente difusas?! Um deles estica os ossos, os órgãos e os músculos como se fossem feitos de elástico, o outro arde sem se queimar, a rapariga fica invisível quando lhe apetece e o último incha e transforma-se em pedra, mas mesmo assim consegue mexer-se. Até os nomes ajudavam: o Coisa, o Sr. Fantástico [só podia ser, com um pénis que estica sem parar!], o Tocha Humana e a Mulher Invisível.
Só que a estória era mesmo muito boa, repleta de crises quotidianas e existenciais [principalmente do Coisa, que não conseguia disfarçar a sua pedra permanente, e não sabia que ficava bem de gabardina e chapéu]. Foi nestas estórias que nasceu, a dada altura, o Surfista Prateado [também da batuta e do traço de Stan Lee e Jack Kirby], mas sobre ele terei que falar noutra posta.
O livro Imaginautas de Mark Waid e Mike Wieringo, que reúne algumas das melhores estórias dos Fantastic 4, está disponível por 10 euros, em mais uma edição conjunta do Blitz e da Devir.
Mudar o Mar
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
[Sophia de Mello Breyner Andresen - Bebido o Luar]
julho 04, 2005
Férias a Dobrar
Somos quase dez milhões de preguiçosos, mas só quinhentos mil têm esperteza.
A Junta de Freguesia lisboeta do Campo Grande, por exemplo, está a precisar de sangue novo...
Carne Viva
O Salão Erótico de Lisboa foi uma decepção.

É certo que não fomos um grupo grande e animado, que pudesse ridicularizar os rituais, mas faltou erotismo. O suposto salão não passava de um conjunto de pequenas salas sem paredes, de estrados altos e sem estilo cercados por multidões de telemóvel apontado. Não havia espaços mais íntimos, onde pudesse existir provocação e sensualidade. Em vez de erótico, o cenário aspirava a pornográfico, mas não se assumia.
A Expo-Queca foi apenas uma Feira da Masturbação. Muita pele exposta e música em distorção, mas nada de sedutor, nem na encenação. Nada que não possa corrigir-se numa edição futura, porque o público era variado e não se restringia ao castiço mirone lusitano.
julho 01, 2005
'Votem em Mim'
A Campanha arrancou
Desde a Primavera que andava intrigada com este brotar de cartazes Lisboa fora. Grandes e pequenos. Os primeiros, com a cara, laroca é verdade, de um dos famosos, diziam que ele tinha projectos com princípio meio e fim. E que se chamava Manuel Maria Carrilho. Projectos para quê???
Depois a moda pegou. Quanto mais avançava a Primavera, mais cartazes brotavam. Era um vê se te avias, nem se via mais nada
em Lisboa. Um senhor chamado Ruben de Carvalho aparecia com Soluções para Lisboa. Seria isto publicidade a uma loção capilar?
E logo outro, cheio de nomes e a cara do senhor José Sá Fernandes, “Lisboa também é Gente”, “não é de betão”. Dava-nos este senhor a cara, assim no papelão por todo o lado, para tapar o betão com gente? Lisboa não são cartazes!Finalmente, o Presidente da Câmara de Lisboa, homem alto, aparecia rodeado de gente de muitas cores com o nome dele escrito por baixo. E mais nada.
Diacho… que se andaria a passar??? Que moda mais estranha…Vieram os Santos e eles sempre lá, cada esquina, cada avenida, cada jardim, um manjerico destes. Porquê? Lisboa assim enfeitada… Coitadita. Nem se deu pelas marchas.
“Pois tu não percebes mulher, que isto é uma campanha para as eleições autárquicas que hão-de vir, passado o Verão, lá para o Outono? Que estes senhores querem ser presidentes?”
“Homessa?!? Mas eles não dizem lá isso!”
“É que não podem. Era o que faltava poderem estar em campanha este tempo todo. Mas se não disserem lá os seus verdadeiros intentos, já podem pôr quantos cartazes quiserem.”
“Mas então eles estão a enganar-nos assim? Então vão andar nisto até às vindimas?”
“É política mulher. Isto é só ter dinheiro para pagar e saber dar a volta às leis. Vale tudo.”
“Não me parece nada certo. Enganar assim o povo, quer ele queira quer não. Cartazes por todo o lado, Lisboa toda às três pancadas e eles nisto, ainda a dar mais cabo dela. E para nada. Se o que querem é votos para serem presidentes, que o dissessem!”
“Não podem, mulher! Tu não entendes, é proibido!”
Ah! E a gente é palhaços, é? E vão ficar ali a rir de nós até às vindimas?”
Posta da Fada
junho 30, 2005
Professor Guerreiro

A morte de Álvaro Cunhal teve o destaque mediático que todos vimos. De repente, não havia vivalma que não quisesse destacar num microfone a coerência do líder comunista, a vida de luta constante.
Pois bem, Emídio Guerreiro lutou cinquenta anos contra a ditadura. Lutou contra a ditadura desde que ela foi implantada em Portugal, nos anos 20 do século passado. Pegou em armas e tentou impedir que a ditadura governasse. Depois criou uma loja de maçons para conspirar contra ela. Foi detido, torturado, esteve preso e evadiu-se. E foi forçado ao exílio, em Espanha. Porque também havia causas por lá, e coragem de sobra, lutou contra o franquismo. E depois contra Hitler e os nazis. Nos anos sessenta, em Paris, cria a LUAR [Liga Unificada de Acção Revolucionária] para minar o regime de Salazar. Após o 25 de Abril, regressado ao país sem a pompa de Soares, ou Cunhal, fundou o PPD e lutou pela democracia. E não hesitou em virar um pouco à esquerda e aproximar-se do PS, quando sentiu que era tempo de continuar a lutar. Para ele, a única coisa que importava era a liberdade. Só em liberdade existe o homem, dizia, já velho de corpo mas com a cabeça num vulcão de ideais.
A vida e a morte do Professor Emídio Guerreiro não tiveram, nem terão, o destaque mediático que todos vimos com o desaparecimento físico de Álvaro Cunhal. Mas Portugal teve poucos heróis assim.
'Votem em Mim'
A última acção das Brigadas Posterrroristas 5/12, esta madrugada, vai ser notada por toda a cidade de Lisboa, aos primeiros engarrafamentos.
Munidos de capa azul do Optimus Open Air e chapéu encarnado da RFM, quatro brigadeiros deixaram marca indelével em 30 cartazes dos candidatos a autarca que começaram a campanha antes do tempo. A ideia é forçar a remoção dos mesmos e deixar Lisboa respirar o Verão.
A foto-reportagem estará neste blog assim que for possível recuperar da audição de Zorba - o grego, saída de um qualquer auto-rádio, noite dentro.
junho 29, 2005
Castração
Educação Sexual sim, mas controlada. Dizem os bispos portugueses que esse é o seu desejo e incitam os pais a intervirem na definição dos programas ministrados aos filhos.
Em comunicado, a enviar ao ministério da Educação, a Conferência Episcopal insurge-se contra o que chama metodologias pedagógicas que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória.
Mas... há mais alguma coisa?!
junho 28, 2005
Morfina

Numa mesma caixa, em forma de canções: melancolia, saudade, dor... e o antídoto para tudo isso.
100 anos, 100 frases
9. Fasten your seatbelts. It's going to be a bumpy night. - All About Eve
10. You talking to me? - Taxi Driver
12. I love the smell of Napalm in the morning. Apocalipse Now
21. A census taker once tried to test me, I ate is liver with some fava beans and a nice Chianti. - Silence of the Lambs
34. You know how to whistle, don't you, Steve? You just put your lips together and blow. - To Have and Have Not
51. You have to ask yourself one question: 'Do I fell lucky?' Well, do ya, punk? - Dirty Harry
53. One morning I shot an elephant in my pajamas. How he got in my pajamas, I don't know. Animal Crackers
67. Of all the gin joints in the world, she walks into mine. Casablanca
75. I have always depended on the kindness of strangers. A Streetcar named Desire
90. A martini. Shaken, not stirred. Goldfinger
O American Film Institute publicou há dias [como deu conta o Martín Pawley], as cem frases mais marcantes do Cinema.
junho 27, 2005
Pára Tudo

Le Sentido da Vida, talvez o terceiro melhor filme dos Monty Python, acaba de ser anunciado para A Seguir, na SIC Radical.
Every sperm is sacred,
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.
Até daqui a duas horas.
junho 25, 2005
Pornográfico, é o teu Riso
Tive o prazer de conhecer Bibian Norai. É a mais famosa actriz porno de Espanha, mas a única vez que a vi 'trabalhar' foi no último espectáculo dos La Fura Dels Baus. Tenciono colmatar essa lacuna muito brevemente.
Antes de mais uma entrevista para a promoção do Salão Erótico de Lisboa, a catalã e eu trocámos impressões sobre a vida, o amor... e o sexo. E comentámos o pudor e a vergonha dos portugueses e o extremo conservadorismo encapotado, quando comparados com os parentes mais próximos - os espanhóis.
A verdade é que, de repente, estavam naquele corredor alcatifado, à porta de um estúdio de rádio, cerca de 30 gajos de olhos esbugalhados, aparentemente incapazes de balbuciar uma consoante e tentando não fixar demasiado o olhar. Sortudo como sempre, menos tímido do que é costume, cruzei-me com ela à entrada do edifício e indiquei-lhe o caminho, escadas de caracol acima. Meti conversa, em português, e obtive uma simpatia extrema, em castelhano. Para além de linda [tem até os dentes ligeiramente desalinhados - uma tara minha], é culta, divertida, inteligente e bisexual activa. Contou-me que em todos os filmes eróticos que fez teve orgasmos, nem que tivesse que repetir uma cena ou prolongá-la ligeiramente. E é incapaz de dizer se gosta mais de homens ou de mulheres, porque se apaixona por... pessoas. E isso também aconteceu várias vezes, durante as filmagens. Sim, o tamanho importa.
Agora realizadora e actriz mainstream, a Bibian nasceu perto de Tarragona, mas convidou-me a visitar Barcelona e a Catalunha, depois de insistir que fosse à FIL. Infelizmente, não vai poder fazer um dos seus shows, disse com um sorriso matreiro. Mas agora já não os faz tanto, lamentou - Hay muchas chicas más guapas y más jóvenes que yo.
Mais jovens sim, Bibian... mas espero que cresçam! - respondi eu, antes da mais bela gargalhada que alguma vez vi a uma actriz porno.
junho 24, 2005
O crime compensa
Se há profissão que deve dar-se ao respeito, é a de agente de autoridade.
Eu compreendo, e apoio, a manifestação dos polícias, que precisam de mais e melhores meios para combater o crime e têm direito a, pelo menos, não pagarem do próprio bolso um colete à prova de bala. Mas depois de ontem ter ouvido polícias a entoar palavras de ordem como aldrabões e palhaços frente aos ministérios do Terreiro do Paço... hoje oiço um porta-voz sindical ameaçar o governo com uma greve de zelo às multas e o aumento dos pedidos de baixa por doença.
Não haveria, por ventura, formas de luta mais... legais?!
junho 23, 2005
Aprender a Nadar
Queria poder dar-te o mar de amor onde me afogo.
de Mara Grazuna [frase solta, escrita num caderninho, junto a extractos de poemas de Al Berto e recortes de fotografias]
junho 22, 2005
Glory Days
Afinal, há vida na Terra!
Já eu, puto bem mais exigente [tendo em conta os padrões do final da década de oitenta, mas ai de quem me chamasse puto, ou chaval], consegui dos meus pais um ZX Spectrum + com teclas de borracha, que me poupava os dedos, ligeiramente, no frenético Daley Thompson's Decathlon.
E ainda havia o espantoso Target Renegade, os Lemmings que só queriam morrer, o claustrofóbico Gauntlet, e tantas cassetes transparentes gravadas num tijolo de duplo-deck de marca Unisef e trocadas por revistas espanholas com os códigos para obter vidas infinitas.
Havia coisa melhor que ficar a olhar para aquelas barras amarelas e azuis, que subiam e desciam no ecrã da televisão, enquanto um ruído hipnotizante construía lentamente a primeira imagem do jogo, na esperança tantas vezes gorada que o jogo entrasse?!
PS: Quanto ao golo do Marco Van Basten no Euro 88 - aquele remate de primeira, de fora da área, de esguelha e pérna puxada atrás, que cilindrou o mítico e soviético Dassaev, que só a viu passar - deixou-me de lágrimas nos olhos. Juro que ainda deixa.
junho 21, 2005
Optimus Open Air
Diz o SMS, recebido ao início da noite:
Põe no Substrato. Mesmo.
Quem não vier ver o maior ecrã do mundo é maricas.
Vem da Fada, mas também assina o Reizinho, grande guru das BP 5/12. E eu ponho, que sou tudo menos maricas.
10 melhores [1985-2005]
2. It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back - Public Enemy
3. Nevermind - Nirvana
4. Slanted and Enchanted - Pavement
5. The Queen Is Dead - Smiths
6. Surfer Rosa - Pixies
7. 3 Feet High and Rising - De La Soul
8. Sign 'O' the Times - Prince
9. Rid of Me - PJ Harvey
10. Straight Outta Compton - N.W.A
Estes são os dez primeiros, de uma lista dos 100 álbuns mais importantes dos últimos 20 anos, para a revista Spin.
junho 20, 2005
Para que serve o jornalismo?!
Duas reportagens, na SIC Notícias, o mesmo pormenor irritante: os jornalistas optaram por ocultar um detalhe essencial.
Primeira estória: Para verificar a competência e o profissionalismo das empresas de informática, desliga-se propositadamente um cabo, no interior de um PC. Sem funcionar, o computador é levado a algumas lojas, para se proceder à necessária reparação.
Sem surpresa, só uma das lojas foi correcta e competente e nada cobrou por ligar o cabo. Houve até duas que foram incapazes de perceber o que estava mal, cobrando verbas avultadas por um diagnóstico falso.
Segunda estória: um homem que teve um grave acidente de trabalho e ficou inválido vai deixar de receber a pensão vitalícia a que tem direito. A companhia de seguros em causa decidiu calcular um valor médio da pensão, a esperança de vida por baixo, e deu-lhe o valor total de uma vez. Claro que calculado sem a devida inflação, etc.
A SIC achou que não era útil, de todo, sabermos qual é a loja de informática honesta ou a seguradora sem escrúpulos. Eu acho que dispenso à televisão de Balsemão futuras estóriazinhas destas.
Tatoo

Num momento afortunado, depois de uma manhã inteira a apanhar com um calor desértico a andar quilómetros ao longo de uma praia, um cidadão do Bangladesh vendeu quatro tatuagens não-permanentes a outros tantos banhistas, a saber: um sol espiral no ventre, uma flor na nuca, um lagarto tribal no ombro e um... simples risco, à volta do braço.
Aposto que aquela tatuagem [na imagem acima] tambem é temporária.
PS: - Isto não é um pretexto ridículo para colocar uma fotografia da Angelina Jolie.
junho 18, 2005
Respirar-te
I wanna be better than oxygen
So you can breathe when you're drowning and weak in the knees
I wanna speak louder than Ritalin
For all the children who think that they've got a disease
I wanna be cooler than t.v.
For all the kids that are wondering what they are going to be
We can be stronger than bombs
If you're singing along and you know that you really believe
We can be richer than industry
As long as we know that there's things that we don't really need
We can speak louder than ignorance
Cause we speak in silence every time our eyes meet.
On and on, and on, and on it goes
The world it just keeps spinning
Until i'm dizzy, time to breathe
So close my eyes and start again anew.
I wanna see through all the lies of society
To the reality, happiness is at stake
I wanna hold up my head with dignity
Proud of a life where to give means more than to take
I wan't to live beyond the modern mentality
Where paper is all that you're really taught to create
Do you remember the forgotten America?
Justice, equality, freedom to every race?
Just need to get past all the lies and hypocrisy
Make up and hair to the truth behind every face
That look around to all the people you see,
How many of them are happy and free?
I know it sounds like a dream
But it's the only thing that can get me to sleep at night
I know it's hard to believe
But it's easy to see that something here isn't right
I know the future looks dark
But it's there that the kids of today must carry the light.
On and on, and on, and on it goes
The world it just keeps spinning
Until i'm dizzy, time to breathe
So close my eyes and start again anew.
If i'm afraid to catch a dream
I weave your baskets and i'll float them down the river stream
Each one i weave with words i speak to carry love to your relief.
Willy Mason, Oxygen [truthflies EP]
junho 17, 2005
Viagens
Logo após um fim-de-semana na Costa da Caparica, intercalado pelas filas na ponte e à saída do parque de estacionamento, debaixo de 45c mais os do motor do carro, mas ao menos isso e espero que o tempo não piore outra vez, e se chover vou na mesma, que fica mais fresco e há menos gente, este blog vai contar as estórias e mostrar as fotografias dos enviados-especiais a Nova Iorque, Moçambique e Ilhas Berlengas.
Inveja?! Quem!?
junho 16, 2005
Por trás da máscara
Estou em plena indigestão.
Não tem a ver com o almoço, que não podia ter sido melhor. Uma belíssima cachupa bem temperada por música ao vivo, no restaurante da associação cabo-verdiana de Lisboa. O aperitivo foi um pezinho de dança na coladera [a sala estremeceu com o ranger dos meus ossos hirtos].
O estômago só começou a remoer ao fim da tarde, diante do discurso de Nuno Melo - líder da Bancada Parlamentar do PP - que decidiu debater o "arrastão de Carcavelos".
O racismo sempre me provocou náuseas. Principalmente assim, mergulhado em populismo cobarde para atiçar o ódio.
junho 15, 2005
Esquartejar o Cadáver
«Uma tarde histórica em Lisboa.»
A frase sai projectada do altifalante por uma voz feminina excitada, no arranque do noticiário da Antena 1. Fala em "centenas, não! milhares" de pessoas que "enfrentam o calor para prestar uma última homenagem" [porquê a última?!] e "o último adeus" [outra vez?! e se o visitarem no túmulo, já é o primeiro olá?!] ao "líder histórico". A voz chama os repórteres à emissão, "aqui em directo" que confirmam, "exactamente", a tal multidão "na rua Morais Soares a caminho do Alto de São João", e falam das "muitas lágrimas que se choram" [haverá lágrimas que não se chorem?!], dos aplausos, dos hinos que cantam as pessoas...
E em vários minutos, levo com dezenas [talvez milhares] de "como é que se sente?" seguidos de outros tantos "foi um homem coerente que fez tudo pelo nosso povo". E descrições exaustivas de um caixão e de uma bandeira, como se de um relato de futebol se tratasse, feito por jornalistas em catadupa.
Espreito a SIC Notícias e o espectáculo é mais estrondoso ainda. Apesar da imagem, os "repórteres" insistem em substituir-nos os olhos e os ouvidos e descrevem o vermelho, "a multidão histórica" que acompanha o cortejo fúnebre "de punho no ar", os gritos e os cânticos que se escutam, os rostos e os nomes que reconhecem[os].
Esvaída a esperança de saber o que se passa "em Portugal e no Mundo", mudo de canal, à procura de outra coisa qualquer e, não refeito do susto, penso: serei o único que não aguenta mais que alguns segundos deste macabro cenário?
junho 14, 2005
Antony

Enquanto procura por canções online para renovar o apoio musical do blog, a Sombra descobriu esta pérola: a interpretação ao vivo de The Lake, de Antony and the Johnsons. Uma actuação no Circulo de Bellas Artes de Madrid, em Março, pouco antes do americano andrógino vir a Portugal.
Abnegada e incansável, a Sombra descobriu uma versão videoclip da canção. E até uma outra música: Mysteries of Love. Ambas, trabalhos gráficos de Adam Shecter.
É muita fruta!
junho 13, 2005
Cavalo Branco

A clandestinidade dos comunistas cativou-me quando estudei a história recente de Portugal e foi sobre ela, a recensão que mais gostei de fazer na faculdade.
Em papel reciclado quase tosco, reuni uma série de entrevistas a três militantes do PCP que, algures entre os anos 40 e o 25 de Abril, escolheram viver uma vida secreta e sacrificada, para defender os seus ideais. Documentadas com fotografias amarelecidas - carinhosamente cedidas pelos próprios - as conversas que mantivémos numa pequena salinha branca da rua Soeiro Pereira Gomes, lembravam as perseguições e o medo constante, a angústia de serem descobertos pela polícia de Salazar quando imprimiam e distribuiam O Avante, os pesadelos a meio da noite e o acordar ao mínimo barulho, o quotidiano em fuga, a tortura às mãos da PIDE [ou PVDE], a prisão em locais de verdadeiro inferno - como Peniche ou o Tarrafal, as saudades da família, o exílio, a morte ou o afastamento dos amigos queridos, a impossibilidade de amar... outra coisa que não fosse o Partido.
Álvaro Cunhal [ou Duarte, Manuel Tiago, António Vale ou outro nome qualquer] foi o líder carismático dessa luta anónima pela liberdade. Luta que venceu, para benefício de todos nós.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.Adeus.
Eugénio de Andrade [1923 - 2005]
junho 12, 2005
junho 11, 2005
Girassol Azul
1. como o moscardo distingue o girassol,
.....assim eu distingo cada cadeira em que estiveste sentada.2. meter-te a língua e respirar fundo
.....como o pisco faz com o girassol.3. só de imaginar a polpa do girassol,
.....há uma cabeça que chora de alegria.
de Alberto Pimenta, in As religiões do Girassol [Assírio & Alvim]
junho 09, 2005
Hai que Botalos

Diz o e-mail do amigo blogosférico Martín:
O filme colectivo Hai que Botalos, 24 curtametraxes que oferecen unha olhada crítica sobre a Galiza de Manuel Fraga Iribarne, vai ser exibido en Lisboa, na livraría Ler Devagar.
Das 24 curtas, hai polo menos dez ou doce moi interesantes (tamén hai algunhas bastante ruíns, non cho vou negar). En todo caso é un documento valioso para entender o que é este país na actualidade.
Desta vai, desta ten que ser. Hai que botalos, a Fraga, ao PP todo. Tenhen que perder, despois de 16 anos no governo, despois do Prestige e dos milheiros de homes e mulheres que cada ano emigran fora porque aquí as oportunidades cada vez son menos. Tenhen que perder porque recibiron milhóns e milhóns de euros en axudas europeas que non gastaron como debían, e que ao final non deron servido para nada. Tenhen que perder porque son uns inútiles. Mas, por se non perden... como anda o défice por aí polo Sur? ;-)
Pois vai muito mal, obrigado.
Quem não puder dar um salto à livraria do Bairro Alto, logo às 10 da noite, ou quiser rever algum dos filmes em casa, pode descarregar as curtas-metragens [disponíveis em wmv, avi e quicktime] no site oficial.
junho 08, 2005
Blog presente
Não gosto do que escrevo.
Não é isso. Não é para ter elogios à minha escrita de quem achar o contrário. Mas eu detesto o que escrevo quando releio.
Por isso, evito reler as postas que escrevo e por isso são feitas directamente na administração do blog, de um fôlego, seguidas de um instintivo publish. E depois, arrependo-me.
Se sou obrigado a reler coisas antigas [de há bocado, por exemplo], encontro sempre mil e uma coisas que estão mal, com erros ou gralhas, que não era bem aquilo que eu queria dizer, que estão mal escritas e confusas, que não gosto como soam, que detesto a ponto de fazer caretas.
Se eu pudesse, este blogue nem sequer tinha arquivo.
Não concordo com nada do que aqui escrevi. Quer dizer, posso até concordar com a ideia por trás daquelas palavras, às vezes acontece, mas não era assim que eu o dizia, de todo. Se fosse agora, era muito mais claro, ou mais discreto, mais bem elaborado, ou mais directo.
Daí que, para responder a uma ou outra sugestão deixadas nos comentários, este blogue nunca seria... um livro.
Vai ter cheiro, um dia, isso está prometido, mas a sua publicação só faz sentido aqui, como um objecto imediato e interactivo.
Quer dizer, faz sentido se eu corrigir estes textos todos de que não gosto.
junho 07, 2005
O Começo
Se quisesse ser simplista [e eu gostava] diria que há dois tipos de BD: a normal, e aquela que se dirige exclusivamente a adultos apreciadores. A primeira engloba quase tudo e a segunda costuma vir em livros de capa estilizada, de traço artístico cuidado com obsessão, a cheirar a livro denso e de estória intrincada, que permite olhar para cada quadradinho como se fosse uma pintura a óleo.
É nesta segunda categoria que se insere o livro Bat-Man . Ano Um, disponível com a edição desta semana do Blitz, em troca de 10 euros.
Depois do impacto gráfico que é claramente positivo, a segunda impressão que o livro causa é de desagrado, antes da impressão final, de claro regozijo. O desagrado vem do desconforto, já que a narrativa está longe de ser escorreita, a estória é angustiante, o herói mais parece um milionário desgraçado [será possível?!] que não se compreende a si mesmo, quanto mais ser capaz de combater o crime. Nada do livrinho de Frank Miller [sim, esse mesmo] e David Mazzuchelli está ali para nos facilitar a vida, nem um único lugar-comum para suspirar de alívio, nem uma só piadinha para desanuviar o ambiente. É tudo negro, sombrio, difícil, realista. A única excepção [no que respeita a desanuviar] é mesmo a CatWoman, mas tem mau feitio - realista, mais uma vez.
Já não haverá muitos livros assim, neste mundo, porque o génio e a inspiração têm limites.
Comenta, se te atreves
O que é queres dizer com isso de não há nada de novo neste blog há três dias?!
Mera distracção, pá! O ping-pong verbal dos comentários dos últimos posts [principalmente o da Constituição Europeia e o de Timor] está bem aceso e interessante. Nem a praia os desconcentra.
Nunca esqueças: o melhor deste blog endrominado são os comentadores. Chamemos-lhes os postadores refundidos.
junho 04, 2005
E ISSO É COISA QUE SE DIGA?
Comigo tenho Mari Alkatiri, o Primeiro-ministro de Timor... Timor que não tem - e se calhar nunca terá - um estádio como este!
Intervenção de um jornalista da RTP, em directo da zona VIP do estádio da Luz, depois do jogo Portugal-Eslováquia. Ou um exemplo perfeito de apartes idiotas que não devem fazer-se antes de um pergunta sobre futebol.
Pecado

Dizem que o filme não tem estória, mas eu quero ir ver. Eu já sei a estória.
E já sabia que a Nancy Callahan era a Jessica Alba.
junho 03, 2005
Outubro Endrominado
O Referendo Bipolar
Na página 42 - artigo II-62 (Direito à Vida) - de uma coisa a que chamaremos de futuro a Constituição Europeia, diz-se: “Ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado.” Sim, sim, Fada, desta alucinaste. Já sabemos, esse direito faz parte da nossa constituição, da Portuguesa, há muito tempo.
Pois, pois fazia. Mas como esta que não é nossa nem de ninguém, mas de todos que a apanharem, temos a páginas 426, uma “adenda”. Onde se lê: “Um estado pode prever na sua legislação a pena de morte por actos praticados em tempo de guerra ou de perigo iminente de guerra...”.
Um Estado? Qual Estado? E em que estado andam os Estados?
Mais?
Pois é. Enquanto nós discutimos qual o livro mais perigoso, a que sabe a pele salgada ou se o amor deve ser ensinado na escola, há uns gajos que nos andam a endrominar. Devagar, devagarinho. À custa de adendas.
Alguém já leu o documento em si? Nã. Sabiam que tem “adendas”? Alguém quer saber?
Eu quis, por alto. E este skimming – maldita mania – deixou-me em derrapagem descontrolada.
Deixo-vos pois mais alguma nata hilariante (não, não fumei) retirada daqui, e daqui, de onde possam skimmar à vontade o muito que deixo de fora.
Skimpemos para a página 43 - artigo II-66 (das liberdades): “Todas as pessoas têm direito à liberdade e à segurança”. Belo. Adendemos na página 429 e à lista das razões pelas quais nos pode ser retirada essa liberdade, parando na alínea e), que diz: [...] “se tratar da detenção legal de uma pessoa susceptível de propagar uma doença contagiosa, de um alienado mental, de um alcoólico, de um toxicómano ou de um vagabundo”. Abaixo, declara-se ainda que, no caso da alínea c) – mas não a e), a essa não se aplica – a pessoa deve ser apresentada imediatamente a um juiz, ou, magistrado, etc… e tem direito a ser julgada, etc, etc, etc. E a e)? Acaba em quê essa detenção?
Ou eu não sei ler, ou a gripe é uma doença contagiosa, alienados mentais para as forças policias, seremos quantos? Alcoólicos em Portugal? Toxicómanos? Vagabundos!!!!
Posso continuar, por episódios, a fazer skimming da Constituição Europeia. Ao fim de cada noite, para vos ir dando nata. Enquanto me pergunto se ando a ver mosquitos na outra banda, se aluei de vez, se me parece que vem aí uma bela limpeza, ou se… sabiam ainda que, face à Comissão Europeia - que produziu a Constituição - o Parlamento de um qualquer país Europeu baixa a cabeça? Tipo: sim pai. Porque ela tem o poder Executivo… e Legislativo? Dois em um! Outra novidade! Falamos de PODER. Antes eram divididos ou recordo-me mal?
E finalmente. Sabiam que esta Comissão não é eleita mas sim nomeada pelos governos? Ou seja, pode exercer a politica que entender.
Fada safada que não nos oferece a Lua em véspera de fim-de-semana!
[post de Fada, elemento feminino das Brigadas Posterrroristas 5/12, à revelia]
junho 02, 2005
A Praia e Tu
Se não vou ao mar, enlouqueço.
Não! Minto. Preciso de mar para desenlouquecer.
E quem nunca beijou a pele salgada não sabe o que é viver.
Eu não sei.
junho 01, 2005
Os Dez Livros mais Perigosos
1. O Manifesto Comunista - Freidrich Engels e Karl Marx [1848]
2. Mein Kampf - Adolf Hitler [1926]
3. Citações de Mao Tsé Tung [1966]
4. O Relatório Kinsey - Alfred Kinsey [1948]
5. Democracy and Education - John Dewey [1916]
6. O Capital - Karl Marx [1867 - 1894]
7. A Mística Feminina - Betty Friedan [1963]
8. Introdução à Filisofia Positiva - August Comte [1830 - 1842]
9. Para Além do Bem e do Mal - Freidrich Nitzsche [1886]
10. General Theory of Employment, Interest and Money - John Maynard Keynes [1936]
Estes foram os livros considerados mais perigosos dos últimos dois séculos, de acordo com um painel de políticos e analistas conservadores.
A filosofia de Hitler parece surgir desfasada na lista, ainda que seja, naturalmente, considerada bem menos nociva que o livro de Marx e Engels.
O Dia que Há em Nós
Porque hoje é Dia Mundial da Criança, a edição do Público traz um exemplar de Les Triplettes de Belleville, em DVD, na troca de sete euros [défice incluído].

Porque se trata do melhor filme de animação-musical dos últimos séculos em diferentes galáxias, e porque o DVD traz extras apetitosos, como making of e comentários do realizador, compensa até ter que trazer o pasquim para casa, se não resultar o habitual choradinho junto do jornaleiro.
maio 31, 2005
Rádio na Cabeça III [and counting]
«De que vale ter um blogue se é só para endrominar as pessoas?»
A frase destaca-se no e-mail que acaba de chegar à redacção deste |Substrato|. Ao menos, desta vez, não nos partiram os vidros da janela da sala. A mesma pode ser interpretada como um elogio, à primeira vista, mas é uma crítica feroz. Lembra o mail que prometemos, mais que uma vez, transformar este blog numa rádio, com música para ouvir e mais não sei quê, e nada. Continua a missiva que não têm faltado ofertas de ajuda, expressas nas caixas de comentários, e nada.
Nada.
O silêncio que nos cerca torna necessário esclarecer aqueles que, começando por nós, gostariam de ter uma catrefada de canções para ouvir com um simples clique, uma verdadeira banda-sonora alternativa para as postas que aqui escrevemos e lemos, como foi propagandiado em campanha blogal.
Acontece que, amigo leitor, prezada leitora, ouvintes do há-de-vir, cumprir esse propósito parece difícil, mas não é nada fácil. E isto diz-vos quem ainda no outro dia ouviu uma jovem mas entendida voz dizer «isso é impossível, pelo menos em HTML».
Mas há-de ser feito. Nós mantemos a promessa. Pedimos é paciência e compreensão, porque o valor da dificuldade é superior ao esperado em várias percentagens de grandeza. E, já agora, pedimos ajuda. SOCORRO! HELP! SOS! 'TOU PIDIR! AIUTO! AU SECOURS! FODA-SE!
Adivinha-se uma caixa de comentários cheia de boa vontade. Já vemos nicks fabulosos e enérgicos a prometer mundos, fundos e parafernálias, para se juntarem à Sombra e ao Raxor que, mesmo virtuais na sua existência não-palpável, conseguiram transformar em código-fonte um mero mata-borrão de cores e links, e que nunca demoram mais que umas horas a responder aos pontos de interrogação em forma de e-mails que lhes enviamos quando o sobrolho franze.
Só que desta vez, já se percebeu, é preciso mais que mandar uns bitaites à distância e uns bota lá isto e faz aquilo. Desta vez, vai ser preciso chegar aqui, à matriz blogosférica da coisa no PC, onde estes ignotos confusos teclam umas palavrinhas, e escarrapachar as intrincadas leis informáticas que vão permitir pôr mais que aquelas duas musiquinhas a tocar com um simples carregar de tecla. Seja em flash, HTML ou estónio. Mas há-de ser possível. Tem que ser. Alguém já o deve ter feito.
Ou não?!
Skimming
«Este blog é bom para ser lido sem ler.»
Afinal, é escrito sem escrita. Feito por impulso, às vezes de um só fôlego.
maio 30, 2005
Fazer o Amor
Nota-se cada vez mais gente, e até alguns pais, preocupada com a Educação Sexual que é ministrada aos jovens na escola. Porque será excessivamente explícita, dizem.
Mas que raio! Digo eu, que não sou pai nem gente... Estão mesmo convencidos que o sexo se aprende na escola?!
Quer dizer, na escola até se aprende, mas não é com os professores, salvo raras excepções. Por falar em excepções, um aparte para o tremor que acabo de sentir só de recordar a minha professora de Francês, no 8º ano, decotada diante de mim, que tinha uma dúvida no verbo prendre ali no meu caderno de argolas, naquela minha caligrafia que lhe levava alguns minutos de inclinação a decifrar. Infelizmente, a única coisa que aprendi com ela é quão desconfortáveis são as calças de ganga e quão confortável deve ser não usar soutien. O verbo prendre, nem por isso.
É verdade que eu não sou um bom exemplo. Afinal, aos 14 anos foi-me ministrada uma aula de anatomia aplicada por uma prima mais velha. Eu até nem queria. Bom, só um bocadinho. A teoria veio dos colegas do liceu, nas revistas Gina traficadas de livro de Filosofia em livro de Geografia e na Playboy brasileira desdobrada no balneário das aulas de ginástica, por entre comentários dos repetentes que faziam isto à actriz do poster e mais aquilo.
Não me lembro de, por uma única vez, ter associado a sexo qualquer daquelas aulas de Ciências da Natureza que falava dos aparelhos reprodutivos, do corpo humano, da fecundação, da importância da vitamina D, etc.
Fosse qualquer uma das professoras de Biologia parecida com a professora de Francês e a história teria sido um pouco diferente. Mas duvido que fosse ali, numa sala de aula, que eu viesse a aprender tudo o que ainda hoje não sei sobre sexo.
maio 29, 2005
Janelas e Persianas
Encontro sempre uma película natural de pudor, de medo até, às vezes indiferença, nos outros. Por qualquer motivo, não a desenvolvi.
Não é mania, nem teimosia, mas incapacidade. Sou instintivamente frontal.
Repito. Onde posso frequentar essa escola de cinismo?
maio 27, 2005
The Car tapes Memories
Tenho na arrecadação, a encher um dos gavetões, dezenas de cassetes de audio, gravadas com muita paciência [agora é bem mais fácil] para ouvir no carro. Algumas delas têm a fita torcida nalgum ponto, uma ou outra está colada onde a mesma se partiu e duvido que toque, quase todas estão identificadas por um simples número num canto, junto à marca do carro da altura.
Apesar de algumas reclamações insistentes, não consigo desfazer-me delas. Correspondente àquele número, na caixa, numa caligrafia que já mal percebo [também aconteceria, se tivessem sido escritas ontem], há uma lista de canções desalinhadas e de nexo pouco evidente - quem colocaria Metallica, Roger Waters e Smiths juntos?! -, mas que me acompanharam em grandes viagens, com o carro em andamento ou parado.
Para quem tem uma memória de merda como eu [há que dizê-lo com frontalidade, nunca consegui jogar xadrez] as canções - naquela ordem específica - são como um elixir cognitivo, uma máquina de nostalgia.
Mais tarde, os CD substituíram as cassetes de chromio, mas o processo é parecido - um número e uma lista de canções avulsas, nunca mais que três ou quatro por banda, colocadas de modo a ter momentos de adrenalina e outros mais calmos, para evitar sobre-excitação e pé pesado no acelerador.
Já há uns tempos que não gravo um novo CD, mas o último - Mégane 1 - reza assim:
- 40 ft, Franz Ferdinand
- No One will ever Love You, The Magnetic Fields
- Banquet, BlocParty
- Please Please Please, Fiona Apple
- Fogma, Groove Armada
- Alegre 2003, Truby Trio
- I Will Survive, Cake
- 14th Street, Rufus Wainwright
- Toxic Girl, Kings of Convenience
- Auf Asche, Franz Ferdinand
- Washington DC, The Magnetic Fields
- Small Song, Lhasa
- Twilight, Elliott Smith
- Better version of Me, Fiona Apple
- Going Under, Rockers Hi-Fi
- Tulips, BlocParty
- Tell Her Tonight, Franz Ferdinand
- 11:11, Rufus Wainwright
- [Crazi For You But] Not that Crazy, The Magnetic Fields
- Papa was a Rodeo, The Magnetic Fields
Ai, se eu contasse o que aconteceu no outro dia, entre a Twilight e Better version of Me...
maio 26, 2005
Filmes em Cadeia
Para exercer o seu direito de vingança, o amigo galego Martín Pawley passou-me este même sobre cinema.
Quantos filmes tenho em casa:
- Poucos. Umas dezenas de VHS cheios de musgo e perto de meia centena de DVD, entre originais e carregados da net. Espera, mas grande parte está emprestada[da].
Último filme que comprei:
- 21 Grams, de Alejandro Iñarritú. Foi uma pechincha, na última incursão à Feira da Ladra.
Último filme que vi no Cinema:
- Der Untergang, de Oliver Hirschbiegel, sobre os últimos dias de Hitler. A mais recente decepção.
Último filme que vi em DVD:
- Kill Bill 2, de Quentin Tarantino. Revisto. E não foi a última vez.
Cinco filmes de entre os meus favoritos:
- In the Mood for Love, de Wong Kar Way
- Magnolia, de Paul Thomas Anderson
- Duel, de Steven Spielberg
- The Night of the Hunter, de Charles Laughton
- Amores Perros, de Alejandro Iñarritú
A quem vou passar este questionário:
- A ninguém, para inverter o processo.
maio 25, 2005
Baby, there's something wrong with me
Por outro lado, ainda bem que não foi possível, até agora, transformar este blog numa rádio online...

Porque, por estes dias, estaria sempre a tocar este disquinho.
País Ladrão e Preguiçoso
Estamos a ser roubados. E pelo Estado, ainda por cima.
Esta é a conclusão óbvia a que chegamos quando vemos um défice orçamental de 6,83% e não encontramos serviços públicos de qualidade em lado nenhum, neste país.
Mas porra, se o canalizador quando vêm cá a casa por cinco minutos cobra 86 euros se for sem factura e eu aceito; se no emprego ganho oficialmente 400 euros e o resto em prémios, porque senão a empresa não aguenta os impostos; se até no médico eu evito levantar ondas, para não pagar o dobro pela consulta... Acho que é melhor aguentarmos a bronca caladinhos.
Isso, e continuarmos a festejar a vitória do benfica.
maio 24, 2005
Não será Modern Talking?
Doutor... ando na casa dos Trinta, estava no planeta Terra nos anos 80, mas os Duran Duran não me dizem absolutamente nada.
Serei normal?!
Conta-me estórias...
O Dudu aka Eddie Baby é o enviado-especial deste blog ao paraíso.

Praia da Fortaleza - Ilha de Moçambique
[Ana Mântua - Junho 2004]
O plano é atravessar Moçambique de sul para norte, à boleia e de machimbombo.
Boas Férias, bro! E conta-nos estórias, daquilo que não vimos.
Blog Olímpico
Entre as classificações que tem recebido este blog figuram «é esquisito», «estranho e difuso, muitas vezes», «desorganizado e confuso» e «de talento apenas putativo», chegadas em generosos e-mails.
Os autores de tais epítetos aconselham o blog a tornar-se, acima de tudo, «mais formal» ou, no mínimo, que os posts «façam algum sentido». Explicam que não ficava mal se eu me referisse a outros blogues quando eles fazem anos, por exemplo. E às grandes notícias da actualidade, como o défice futebolístico. Pelo menos, que definisse as categorias do próprio blog. Afinal, reforçam a maioria dessas opiniões, o que é isso de Vida? Não estaria tudo e todos os posts abrangidos pela mesma? Para quê as outras categorias, então? E porque não há uma categoria Morte para lhe contrapor, mas há coisas sem nexo como Natural e Objecto, ou visivelmente panfletárias como Manifesto e Debate?!
A verdade é que, finalmente, encontrei uma categoria onde é fácil perceber que tipo de textos encontrar: nos Contos de Fadas estão os posts escritos pela Olímpia - a Fada.
Do meio de uma conversa por MSN [where else?!] surgiu o nick [acho que à terceira tentativa] e a ideia de publicar o texto que antecede este post. Ela acabou por dividi-lo em três postas autónomas, mas complementares.
E a promessa que esse seria o primeiro de outros posts da Olímpia. Muitos mais. E este foi o maior elogio que alguma vez fizeram ao |Substrato|.
maio 23, 2005
Matraquilhos
The human Abstract
E três perguntas. Tinhas três perguntas
Am i worth it? Are u that brave? Do u trust me?
Ora, isso, parece-me uma só pergunta.
Digo eu. Que tenho uma só vida. Que é minha. E de que gosto.
Que arrisco, porque também gosto de um bom petisco.Parei de ler e olhei em volta.
Branco. Até perder de vista.
E o Mundo redondo. E fome. E uma sede do camandro.Bom, e agora, Olímpia,
rapariga,
minha ursa, como vais tu resolver isto?
Ou te fazes à estrada, com IPs pelo caminho que nunca sabes como foram traçados
(Neste país onde todos sabem fazer mapas mas ninguém quer saber ler
ou saber seja o que for, ou do que for, porque já nada há a fazer.
Onde mais cartaz menos cartaz, vai dar ao mesmo,
porque as figuras de cartaz se prestam às figuras que ninguém quer fazer e,
quem quis fazer se deixou levar pelas figuras.)Ou te fazes ao caminho
Olímpia, rapariga...Fui.
Looking for wallieSabes bem.
Tu também. Conheço o teu sabor.
O sabor e o cheiro são as coisas mais importantes.
Digo eu.
Eu também.
Não quero que te doa.
Nem eu.
Passas-me a perna?
Qual delas?
A que quiseres. A que te fizer menos falta para já. Com qual vais à bola?
Porque é que toda a gente gosta mesmo é das pernas?Como é que sabias que era eu?
Sabia. Dás-me uma da frente se fazes favor? A que quiseres? Obrigada.
Sabias? Tinhas a certeza que era eu? E se não for?
És.
E se não for?
Se não fores, enganaste-me.
Faz-te diferença?Pensei muito nisso no caminho.
Pensaste mesmo? Eu também.
Faz?
Acho que não. Agora já não, de certeza.
Pois. Lol. Agora já não.Olha, ainda bem que és tu.
Sejas tu quem fores.
Na sequência da glaciação mundial, e da consequente escassez de alimentos vivos, verificaram-se avanços de enormes massas brancas vivas, quer do Pólo Sul, quer do Pólo Norte, através de quilómetros, em busca de zonas onde pescar. Aparentemente, por acordo pré estabelecido via net, alguns elementos das colónias de ursos polares de ambos os Pólos, incapazes de cometer antropofagia entre as suas próprias tribos, e conscientes da hipótese de toda a calote estar já coberta de gelo, encontraram-se perto do equador numa – obrigada, de certeza que já não precisas da cabeça?Dei-ta.
Sabe bem. Burros. A cabeça é muito melhor do que a perna.
Post da Olímpia
maio 20, 2005
Corfebol
As Time Goes By
Que resposta querias tu que eu te tivesse dado.
Que não te esteja a dar, aliás.
Dei-te as palavras que pudessem ter
o sentido que te devolvesse os sentidos.Eu que dou tanta coisa por dada e adquirida.
Que só quero as coisas dadas.
Que a cavalo dado não olho o dente, nem cor, nem idade,
nem peso, nem passos dados. Eu nem olho, sequer.
Vou pelo cheiro e pelo tacto.Há sentidos que há muito deixaram de fazer sentido. Digo eu que disse.
Estão proibidos. São sentidos que me deixaram sem sentidos.
E sem sentidos perde-se o sentido dos sentidos.
E quando se perde, seja o que for, fica-se perdido.Eu não estava perdida. Eu nunca estou perdida.
Como as palavras disseste tu. Que eu quase escrevi mas que nunca escrevo.
Nunca, é uma coisa que eu digo. É só uma palavra. Digo eu.E as palavras, dizem-se ao vento. E leva-as o vento.
As palavras têm sempre muitos sentidos.
Pode-se escolher mil sentidos para uma palavra.
Até o sentido dos sentidos podem ser várias palavras ou só uma.Agora digam-me que as palavras não são perigosas.
Ou que não há perigo em dizer certas palavras.
Ou que os sentidos, e as palavras,
e o sentido das palavras e as palavras dos sentidos
não podem deixar-nos sem sentidos.Como raio se tira o sentido do sentido
pelo sentido do sentido de uma palavra?Fuck u.
As palavras foram tudo o que foste dando.
O que pode ser muito. Pode ser dar tudo o que se tem.
Dar tudo por tudo. O que é muito mais do que muito.
É um tudo ou nada muito.Blind as a bat.
Só por palavras, chegar lá só por palavras.
Por meias palavras. Por palavras por dizer. Por palavras sem sentido.
Three blind mice. See how they run.
Ali éramos 2, ou 3 ou mesmo 4 pessoas diferentes.
Disseste. Quem és tu?Que te respondesse e te tirasse daquele inferno.
Mas porque raio há-de alguém tirar alguém
de onde esse alguém quer estar.
Se com o inferno dos outros todos podemos bem.
E se bem aventurados os pobres de espírito
que deles será o reino dos céus.E, se de todas as palavras, e de todos os sentidos,
são as mais idiomáticas as menos diplomáticas.
As mais carregadas de todos os sentidos. De duplos sentidos.
De sentidos proibidos. De sentidos sem sentido. De um só sentido.
De dois sentidos. De trânsito parado.
Fuck u. Disse eu. O mundo é redondo.
Post da Olímpia
maio 19, 2005
Abrupto Sexual [o Melhor Blog do Mundo]
Bem vindo ao meu Blog. Chamo-me Bino Coutinho d'Almeida Quintela Mexia*
Sou um cidadão do mundo, embora português de nascimento. Radicado durante muito anos na Suiça, falo fluentemente português, espanhol, françês e italiano, além de inglês e grego que falo não tão bem e alemão ainda menos porque é um idioma muito dificil de aprender.
Regressei à 4 anos ao nosso amado Portugal e estou ligado ao sector da venda de automóveis de luxo semi-novos, com facilidades e garantia, embora a minha grande paixão seja a música, pois sou cantor romântico e muito em breve espero gravar um cd com temas inéditos todos compostos por mim próprio.
Sou solteiro, porque ainda não encontrei a minha verdadeira alma gémea (serás tu ?) e porque o meu coração é um zingaro muito romântico. Mas apesar de infeliz ao amor namoradas não me faltam, os namoros é que por azar duram pouco. Um dia espero que durem mais, com sorte.
O tipo de mulher que prefiro são as ruivas, mas também aprecio as loiras e as morenas, desde que sejam honestas e asseadas é o que importa.Que eu também tenho cuidado com a saúde e faço sempre sexo seguro com perservativos que trago sempre comigo no porta luvas do carro.
Aliás, tenho vários automóveis e um jipe e também possuo casa própria com piscina, antena parabólica e lareira.
Os meus passatempos são a música, namorar, sexo, passear de carro, ir a bailes, comprar roupa cara, comer e beber em bons restaurantes, ver DVDs, navegar na internet, conversar ao telemóvel, assistir a touradas e ver jogar o Benfica.
Animais não tenho porque detesto gatos e os cães são porcos e dão muito trabalho. Também não gosto de mulheres que fumem ou que não saibam cozinhar bem e depressa.
Decidi começar a escrever este blog porque achei interessante poder publicar coisas que fui escrevendo ao longo da minha vida e nunca consegui publicar e também porque acho que tenho uma palavra a dizer sobre tudo o que se passa ao nível da política e outras notícias, em portugal e no mundo. Enfim, é a minha liberdade de expressão (além de cantor gostaria de ter sido jornalista, escritor de sucesso ou mesmo um grande político, só que neste país desgrassado nunca há oportunidades).
Não mostro a minha cara toda no blog porque não quero ser reconhecido quando for a passear na rua ou nalgum hipermercado.
*Heterónimo.
Agradeço o link [e sei que não devia, porque ele tem a Bomba Inteligente por musa!]. É incontornável convidá-lo para o próximo encontro de bloggers.
maio 18, 2005
maio 17, 2005
Love Is Not Enough
Mapa Mundi
Eu volto. Garanto. Disseste.
Be careful out there. Disse eu
Há coisas que já ninguém te tira.
Se não as tinhas nesse momento um abraço deu-tas. Disseste.
Pois. Eu não tinha nada a perder. Disse eu.
Não te vi os olhos agora. Disseste.
Viste, viste. Agora viste. Disse eu
Vou ligar para ver melhor, ok? Disseste tu.
As coisas nunca começam por acaso. Muito menos um caso.
Um caso pode ser um caso sério.
E com as coisas sérias não se brinca.
Porque a brincar, a brincar, já lá vão noites e dias e semanas,
e o tempo, a páginas tantas, transforma-se em vidas e as vidas, ah, as vidas…
essas não podem ou não devem ser feitas de páginas soltas.
Tal como os livros, precisam de capas e contra capas.Ou talvez seja ao contrário como tu uma vez disseste.
Melhor, escreveste. E pediste que eu editasse.
Porque que as capas e contracapas precisam de páginas
que as transformem em livros e daí em vidas
e há quem só as saiba ir escrevendo
mas não as saiba editar e transformar em qualquer coisa séria. Disseste tu.
Com que não se brinque. Que possa ser um caso, que não o é por acaso.Ora eu, que tanto brinco,
eu podia ter-te dito tudo o que querias ouvir.
Não disse.
Ou quase disse e parei no limite do possível não dito.
Há coisas que nunca digo. Que já não digo.
Há pessoas que lutam por aquilo que querem
e há pessoas que recebem o que lhes querem dar.
Há coisas que já disse, houve lutas em que já entrei, sou bruta.E sempre quis viver em paz.
Posto isto, há batalhas em que já não entro.Mas tu chamaste-lhe um jogo. Em que o serviço e a vantagem eram meus.
Combinando o resultado antecipadamente, propuseste.
Para garantir que ninguém perdia, mesmo que ninguém ganhasse.
Com trocas longas de bolas, umas curtas, outras longas, vá.
Os volleys eram permitidos e eram as pancadas que me caracterizavam.
Subidas à rede, disseste.E tudo isto, sem que nunca nos tivéssemos medido em campo.
Ao ar livre. Ou fora do ecran do jogo virtual.Depois deste-me uma bomba de asma fora de prazo.
Que isso já te passara, e que a minha era das más.
Agradeceste a sorte de me descobrires a mim por companheiro de jogo
E deste-me a tua cabeça para que fizesse dela o quisesse.
Como regra número um instituíste a verdade,
como número dois não ser necessário pedir desculpas.A verdade. A que tu sabes e eu sei.
Que disseste que o jogo estava viciado, sim.
Mas não que era cronometrado.
E eu joguei bolas lentas. Pelo prazer de jogar, de ir fazendo jogo,
de viver como gosto de viver porque tenho realmente uma vida.
Com dias para mim, para o que trago comigo, e dias para o que desse e viesse.Não sabia que os meus dias contigo podiam estar contados.
Dar conta disso fez-me estacar. Alto e pára o baile. A música é outra.
Acerta o compasso que o de espera não existe. Quem espera nem tudo alcança.
Vê se te avias, isto é um vê se te avias. Quem vai ao mar avia-se em terra.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra, e quem tem terra chama-lhe sua.Eu volto. Garanto. Disseste.
Be careful out there. Disse eu
Há coisas que já ninguém te tira.
Se não as tinhas nesse momento um abraço deu-tas. Disseste.
Pois. Eu não tinha nada a perder. Disse eu.
Não te vi os olhos agora. Disseste.
Viste, viste. Agora viste. Disse eu
Vou ligar para ver melhor, ok? Disseste tu.
Fuck u. Tens 20/20 de visão. Disse eu.
Post da Olímpia
maio 16, 2005
Outro 'Meme'
Por puro sadismo, estou certo, a incontornável Blogotinha passou-me este questionário:
Que fazes neste momento?
- Respondo a um forward, quem diria, enquanto sorvo o meu batido de banana e maçã, devagarinho, à procura de acordar.
Que planos tens para este fim-de-semana?
- Bolas! Ainda hoje é segunda-feira e já me falas nisso. Olha, o meu plano é chegar lá depressa e depois pegar no carro e fugir para a beira-mar.
Que coisas te causam stress, neste momento?
- Eu não sou uma pessoa de stresses, mas sou capaz de ficar colérico se faltarem muitas perguntas para isto acabar.
Que fizeste desde o acordar até agora?
- Por ordem, a ver se me lembro: abri os olhos, fiquei a olhar para o tecto do quarto, brinquei com o gato que me acordou a passar-me por cima, levantei-me, espreguicei-me, entrei na casa de banho, lavei a cara com água fria e cumprimentei o gajo que estava no espelho a olhar para mim mal-encarado, espreguicei-me, verti umas águas do joelho e sacudi duas ou três vezes, voltei a lavar as mãos e a cara mas já não cumprimentei o antipático, fui até à sala para abrir as janelas e tropecei no gato, liguei a aparelhagem e pus o volume mais alto, fui até à cozinha, descasquei uma maçã e cortei em quatro, separei o caroço mole de uma banana, juntei tudo com leite na batedeira e carreguei no botão do meio, dei comida ao gato que não parava de miar, deitei o batido num copo grande e testei cor, textura e sabor, partilhei um pouco com o gato que voltou a miar, vim até ao escritório, abri a janela e senti o sol na cara por uns minutos enquanto ouvia aquela canção nova dos Nine Inch Nails que não é grande coisa, liguei o PC quando passaram umas nuvens frias, sentei-me na poltrona e abri o e-mail, li as mensagens novas e apaguei o spam, comecei a escrever este post.
Ufff... Tanta coisa! Estou a ficar cansado. Acho que vou voltar para a cama.
A quem irás passar este teste fantástico?
- Sei lá eu, assim de repente. Olha, à Susana - do Reiniciar, ao Rui Bebiano - d' A Noite e ao Martín - do Días Estranhos. Siga.
maio 15, 2005
Nicolau Gaiola

Para a Fada, a Brigadeirinha, a DaLheGas, a Inês e todas as mulheres que visitam este blog de «tendência obviamente machista e sexista que enoja».
Ficam com o feio mais bonito do cinema, para que não se sintam discriminadas. Em breve, para demonstrar que esta não é uma excepção, uma fotografia do meu tio Orlando.
maio 13, 2005
Cova da Iria
De repente, chega o nevoeiro. Ainda é Verão, mas dir-se-ia uma madrugada de Janeiro, coberta de nuvens que escorrem pelo cabeço abaixo como leite frio. Tudo zumbe à volta deles: em cada oliveira pode bem estar escondido um cortiço de abelhas enfurecidas. Só as ovelhas estão silenciosas, miram-se umas às outras sem um movimento. "Têm medo", pensa Francisco. Ele também tem medo, nunca viu uma névoa assim, tão opaca e pesada, tão perto de o afogar. Quando os alcança, parece um cobertor de papa, escuro, gordo, pegajoso.
A brisa súbita solta protestos dos ramos à volta e molha as crianças com um frio que as magoa até aos ossos. A pouca roupa que trazem não os pode proteger de tal regelo.
"Está tão frio", grita Francisco.
A Lúcia responde-lhe lá de longe, meio escondida pela bruma:
"Vamos abrigar-nos na loca!"
Correm os três para a pequena caverna junto ao alto do monte. Não chegam a entrar; o zéfiro muda de rumo e ganha força, sopra do topo do cabeço, empurra-os para longe da abertura da rocha. O vendaval endemoninha o nevoeiro, em rodopio à frente deles, misturado com folhas arrancadas às oliveiras e poeira do chão ainda seco. Agora, sim, as ovelhas soltam balidos aflitos, como se a pressentir lobo.
Mas já não é apenas o ar que se contorce. No centro do turbilhão há um clarão, cada vez mais reluzente, um farol furando a névoa de dia de naufrágio. Não; é também mais do que luz. Ali está alguém coberto com um lençol, a bailar com o vento, envolto no brilho do seu próprio fulgor. Devagar, muito devagar, aquilo pára e desce ao chão.
A Lúcia vira-se para Francisco e diz:
"Não tenhas medo, é o mesmo Anjo que eu vi no outro dia, quando estava com a Teresa e com os outros. Estás a ver como era verdade?"
Quando o lençol se agita ao vento, Francisco vê um pouco do rosto do Anjo. E vê uma máquina, os dentes cruéis de uma debulhadora mordendo-se sem cessar. Vê agora uma chapa lisa, depois um enxame de engrenagens, dentes mecânicos a girar uns contra os outros no relógio da igreja. E agora de novo a debulhadora, de alguma forma a olhar para eles e a parecer querer falar.
Francisco apenas ouve o chio das portas velhas, um guincho que lhe ergue os pequenos pêlos dos braços em arrepio de ver defuntos. Ele arrisca e reza um Pai Nosso, olhos bem fechados e mãos enclavinhadas uma na outra até que as palmas lhe doem. Nada quer ouvir; mesmo assim, as palavras começam a chegar-lhe, roufenhas, incompreensíveis. Parecem algo que já ouviu na missa:
"ex unitate et intellectu et anima mundi vita in naturam venit, quia natura est deus revelatus et dea revelata."Jacinta está de joelhos e pose de prece, não ousa levantar-se para encarar o Anjo. A Lúcia aproxima-se dele sem receio, com um sorriso quase desafiador.
"Porque estão com medo? Não vêem como ele é bonito? É o Anjo da Paz... e veio só para falar connosco!"
Francisco deseja fugir, mas as pernas amolecem, o corpo rebela-se num quebranto doente.
"Não gosto dele, Lúcia! Diz-lhe para se ir embora!"
Ele continua às cegas, sem que isso chegue para o embotar à lengalenga do Anjo:
"...et anima mundi vita in naturam venit, quia natura est deus revelatus..."
"Mas tu queres ir para o Inferno? Então ofendes assim o Anjo da Paz?" a Lúcia, brilhando também ela à luz do Anjo. "Ele trouxe o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, para nós comungarmos. Cheguem-se a mim."
Francisco força-se a olhar de novo. O Anjo estica um braço; da sua ponta não surge uma mão, só um esguicho contínuo de sangue e pedaços de carne, caindo para a terra já empapada. Lúcia leva àquela fonte as duas mãos em concha. A submissa Jacinta aguarda a sua vez. O rapaz não quer ver o rosto encarniçado de Lúcia, o sangue que lhe escorre pelo pescoço. Mas ouve-a bem:
"É o corpo e o sangue de Jesus Cristo, e maldito sejas tu se o recusares!"
Aos gritos de Francisco, responde o uivo de um cão perdido na lonjura.
[O Último Segredo de Fátima, de Luís de Castro - Má Criação]
maio 12, 2005
Do Púlpito
Estou de acordo.
É mais violento fazer um aborto, do que matar o Padre Domingos Oliveira.
Festival

Imagino o sol que deve estar, em Cannes. E o frenesim.
Para além da rapariga da foto acima, estão lá a Sharon Stone, a Scarlett Johansson e aquela actriz italiana que tem um anjo de asas grandes tatuado no ventre e que faz de Courtney Love.
Não sei como é que sobra tempo para ver os mais recentes de Michael Haneke, Atom Egoyan, Gus Van Sant, Woody Allen, David Cronenberg, Lars Von Trier, Jim Jarmusch e Wim Wenders.
Ainda por cima com tanto sol. E a Asia Argento, que não falei dela.
maio 11, 2005
Nobre [corruptos são os outros]
Depois das suspeitas levantadas por uma investigação policial, só resta um caminho a Luis Nobre Guedes. Ser candidato a uma Câmara Municipal.
Mas Oeiras, Gondomar e Leiria já têm vencedor encontrado.
Talvez... Coimbra?!
maio 10, 2005
Cães e Gatos - II

E para quando, uma série da tv em que o gato é protagonista?
Sei lá! Uma Lassie persa ou um Inspector Rex siamês?
maio 09, 2005
maio 08, 2005
Rádio na Cabeça e no Blog - II
Entretanto, prosseguem os trabalhos para transformar este blogue num programa de rádio.
Descansem-se as alminhas que eu não falo. Vou dar música.
Haverá muita música para ouvir, onde agora só há uma canção - ali na coluna dos links, assim que o Raxor [a.k.a master Fung] crie o código e me explique como funciona.
maio 07, 2005
A debulhadora invencível
Por mais merdas que faça, e tem feito muita merda, Ridley Scott merece-me sempre o benefício da dúvida. E a eterna esperança de ver um grande filme, apesar de Blade Runner e Alien terem sido há muito, muito tempo. Valem Black Hawk Down, Thelma & Louise e Black Rain, para não ter saído sempre decepcionado do cinema.
Desta vez, o alvo da expectativa é Kingdom of Heaven, ainda por cima um filme sobre as cruzadas - episódio da História que dá pano para as mangas de milhares de camisas, mas muito pouco explorado.

Para já, dois factores far-me-iam fugir do cinema como se tivesse chegado a um encontro de bloggers: ser um épico hollywoodesco que promete pouca precisão factual e... ter como protagonista Orlando Bloom.
O primeiro factor irrita-me solenemente, e é apanágio dos filmes que visam a bilheteira: nem os produtores se interessam, nem o 'grande público' se importa. O segundo é um daqueles meus paradigmas: o rapazito actor parece-me insosso e inodoro, sem pinta nem estilo, mas as mulheres veneram-lhe a pele.
Tenho um tio que também se chama Orlando - pequeno agricultor em Trás-os-Montes, que tem mais carisma a conduzir uma ceifeira debulhadora que o Bloom de espada do século XII na mão, mas pronto. Definitivamente, eu não dava um bom gay.
Ainda assim, o filme é de Sir Scott e também tem lá o Jeremy Irons e o Liam Neeson. Tenho a certeza que a rapariga a meu lado estará embevecida. Pode sempre compensar-me a decepção, mais tarde.
maio 06, 2005
maio 05, 2005
O Amor é como, afinal?!
Love is like jazz
You make it up as you go along
and you act as
if you really know the song
but you don't
and you never will
so you flaunt your mistakes
and you make them until
they were you
Love is like jazz
the same song a million times
in different ways
"Strange Fruit" with
and without wind chimes
It's divine
It's asinine
It's depressing
and it's almost entirely
window dressing
but it'll do.
It makes you blind, it does you in
It makes you think you're pretty tough
It makes you prone to crime and sin
It makes you say things off the cuff
It's very small and made of glass
and grossly over-advertised
It turns a genius into an ass
and makes a fool think he is wise
It could make you regret your birth
or turn cartwheels in your best suit
It costs a lot more than it's worth
and yet there is no substitute.
They keep it on a higher shelf
the older and more pure it grows
It has no color in itself
but it can make you see rainbows
You can find it at the Bowery
or you can find it at Elaine's
It makes your words more flowery
It makes the sun shine, makes it rain
You just get what they put in
and they never put in enough
Love is like a bottle of gin
but a bottle of gin is not like love.
by Stephen Merritt, The Magnetic Fields
Le Colbérr Raporre

Como era de prever, Stephen Colbert - braço direito de Jon Stewart no Daily Show - vai ter o seu próprio programa.
The Colbert Report, que deve ser lido com sotaque francês, terá meia-hora diária e vai para o ar na Comedy Central, logo a seguir a Stewart e companhia. Com um convidado por noite, o programa vai fazer o mesmo que o Daily Show faz em relação às notícias, mas para troçar o próprio conceito dos talk-shows, tão populares na América.
Lá para o Outono, os mpeg. neste blog.
maio 04, 2005
Blog para o Nariz
Qual música, quais videos, ou fotografias, qual quê!...
Em breve, muito em breve, este blog vai poder ser cheirado.
maio 03, 2005
A Animação do Dia
Esta semana é obrigatório comprar o Blitz. Por mais 10 euros arredondados, o jornal oferece uma compilação de cinco histórias de Hellblazer, intitulada Nas Ruas de Londres.
Criado por Alan Moore e desenvolvido por Jamie Delano [ambos ingleses, como ele], John Constantine é o herói mais atormentado, antipático, supersticioso, sádico, desgraçado e viciado da BD, e se isso não chegar para te convencer, é também um dos mais bem desenhados. Editado pela Vertigo, Hellblazer ficou mais famoso depois da recente adaptação ao cinema, numa interpretação [se assim se pode chamar] de Keanu Reeves.
A colaboração entre o Blitz e a Devir promete mais prendinhas destas.
Acólitos de Stewart
O melhor blogador da Galiza dedica um post extenso e documentado a Jon Stewart.
Depois de um elogio que é fruto exclusivo da sua bondade, Martín Pawley explica que foi neste |Substrato| que descobriu o comediante americano. Tal como eu, o galego começa a tornar-se fã incondicional da crítica irónica e voraz do Daily Show.
Este blog podia acabar hoje, que já tinha cumprido a sua missão. E mesmo quando o dermos por terminado, os clips de Stewart continuarão disponíveis na coluna de links.
abril 29, 2005
Triple Home-Made Album
Dedico-me a um bom disco como a um livro de que gosto muito. Enquanto o oiço, não faço mais nada e enquanto o estiver a ouvir, não oiço mais disco nenhum.
Mas tive que abrir uma excepção desta vez, ou melhor duas excepções. Não consigo parar de ouvir, quase canção sim/canção não, estes três álbuns:
Beck - Guero
Eels - Blinking Lights and Other Revelations
QOTSA - Lullabies to Paralyze
Assim que meto o primeiro na gaveta da aparelhagem, duas ou três canções de êxtase depois fico ansioso pelas canções dos outros dois [que são três, já que um é duplo] e toca de mudar o disco.
Tive que copiá-los para o PC e agora faço-lhes um autoDJ, que baralha as canções ao acaso.
Não foi combinado pelos artistas, e até vão dizer-me que não têm nada a ver uns com os outros, mas garanto que esta tripla coisa funciona muito bem nos meus ouvidos.
[Por falar em] Fuga
![Calca para Aproximar [Retroceder para Voltar]](http://photos21.flickr.com/26973319_da15d6ffd7_m.jpg)
Naherengue [antiga praia de Fernão Veloso]
Nacala, Moçambique
O calor aperta, e as saudades de África também.
abril 26, 2005
O Estado [de espírito] do País
«A inauguração de uma Casa do Benfica, em Tavira, foi ontem a terceira notícia do bloco informativo da tarde da TVI. A terceira notícia. E com direito ao directo. Começava com o repórter no terreno a noticiar uma onda vermelha na cidade, seguindo-se a entrevista ao presidente do clube, acompanhado naturalmente pelo presidente da Câmara. Era caso para perguntar onde estava a notícia?
[...] Este ano, a televisão inventou o Benfica a caminho do título, como forma de potenciar a sua própria audiência. O jornalismo desportivo, no seu todo, favorece hoje os clubes com mais sócios e quase eliminou os clubes pequenos. A notícia já não é o futebol. A notícia são os adeptos. E vende.»
Esta crónica de Miguel Gaspar, no Diário de Notícias, deixa a pergunta que todos temem fazer: E se, depois disto tudo, o Benfica não for campeão?
Idiotário
Aprecio o mistério e o desafio que emanam da palavra talvez.
Destesto a forma como claudica e se resigna um quase.
Até o talvez não, ultrapassa claramente um quase quase.
abril 25, 2005
abril 22, 2005
Qualidade de Vida
Continuo sem gás em casa. Tenho subsistido a sandes de queijo e bolachas de água e sal com compota. E os banhos são de água bem fria.
Mas o pior, mesmo, é ser acordado todos os dias às oito e meia da manhã com uma broca perfuradora a martelar a parede ao lado da cama e passar o dia sem conseguir ouvir música, ouvir notícias ou ouvir-me a pensar. Se bem que esta última, não é má de todo.
Se o administrador do meu condomínio não deixar de ser gago depois do que tenho para lhe dizer, fica mudo.
abril 21, 2005
Kids with Cameras

O emocionante documentário Born into Brothels - de Zana Briski e Ross Kaufman - inaugura esta noite o festival de cinema IndieLisboa.
Exibição interdita a meninos pobres.
Casa da Música
Terminado o show-off mediático, ouvi uma pessoa que percebe de música, de facto - a Brigadeirinha*, e retivémos o seguinte:
1. O projecto de Rem Koolhaas é imponente e os interiores são especialmente vistosos, mas não parece ter sido pensado para ser uma Casa da Música, melhor, para ser uma casa das músicas.
2. A sua existência é óptima para a cidade do Porto e vai trazer muito mais gente aos espectáculos de música erudita, clássica, etc., mas foram descurados pormenores inadmissíveis, num projecto desta envergadura.
O estilo não pode ser justificação para as acentuadas inclinações, os corredores labirínticos e as escadarias. Os idosos e os deficientes motores não têm um único apetrecho para lhes facilitar a vida.
3. O Grande Auditório é grande demais. Viu-se nos espectáculos de abertura, bem compostos por convidados e imprensa, que será difícil encher uma sala daquelas com público pagante. Até porque a sala não está preparada para concertos de música electrónica e rock n'roll. Não se pode agradar a gregos e a equeus, nas questões da acústica. E as cadeiras do público são fixas. Vai ser uma desgraça, o tal Festival de Reggae que está programado.
4. A acústica foi pensada para música sinfónica - e bem pensada, com os truques todos - bem como o palco, que é amovível e com vários níveis. Mas descuraram-se, mais uma vez, aspectos essenciais, e não falamos apenas do tal fosso de orquestra que ficou por fazer.
O Pequeno Auditório fica no 5º andar, mas as salas de ensaio estão na cave. Instrumentos maiores, como o piano ou as marimbas, não cabem no elevador. Na inauguração foi preciso desmontar instrumentos, colocá-los no elevador, remontá-los, reafiná-los, voltar a desmontá-los, etc. E os que não podiam ser desmonatados foram carregados às costas, escadaria acima. Duvido que haja sempre boa vontade e tempo para tanto.
5. O palco do Pequeno Auditório não tem uma sala de apoio. Não há onde guardar os instrumentos, entre actuações de músicos, a não ser no próprio palco. Se for preciso desmontar tudo e voltar a carregá-los para a cave, esqueçam a organização de festivais.
É certo que a Casa da Música é fantástica, e vai trazer mais música às pessoas e mais pessoas à música, mas é mais um exemplo de como Portugal perde oportunidades de ouro sem conseguir fazer uma coisa como deve ser.
*A nossa Brigadeirinha teve direito a uma visita guiada acidental, conduzida pelo arquitecto himself, que mostrava a 'sua' Casa a um grupo de amigos. Entre antipatia e arrogância, e a tentativa de engate do secretário pessoal de Koolhaas, a insistência e o charme acabaram por lhe dar direito a flutes de champanhe e convívio privilegiado, na maior das salas vip, com vista para o céu.
abril 20, 2005
BP 5/12 sobre Ratzinger

As Brigadas Posterrroristas 5/12 comentam desta forma, em cartaz colocado no Marquês de Pombal, a eleição de um cardeal alemão para suceder ao polaco João Paulo II.
Mais logo, a reportagem completa de mais uma acção cívica.
abril 19, 2005
Alerta
Um paralelipípedo de granito embrulhado em papel higiénico irrompeu, há instantes, pelo vidro da janela e rebolou pelo chão de tacos envernizados da sala até derrubar a estatueta de pau preto gentilmente pousada junto ao peciché. A redacção do blogue acaba de ser notificada que as Brigadas Posterrroristas 5/12 saem da hibernação seca, esta madrugada.
A lata continua!
Pc Micro-ondas
Enquanto não houver gás cá em casa, esta é uma boa solução para cozinhar, postar e comer, sem sair da poltrona.
Afinal, estou de greve.
abril 18, 2005
A Fuga
Por volta das onze da manhã, ainda de pantufas e desgrenhado pela preguiça de mais uma segunda-feira dramática, descubro que é tempo de uma inspecção periódica quinquenal às instalações do gás de todo o prédio.
Diz-me o técnico de sotaque melado que me calha, desmontado o contador e consultados os aparelhos de diagnóstico em forma de mangueira estreita, que há uma ligeira fuga que pode ser resolvida pela introdução de um produto qualquer nas tubagens, para evitar ter que remover os armários embutidos e furar as paredes. Mas tal não compete à empresa fiscalizadora e terei seis meses para o fazer. O veredicto dos restantes condóminos é semelhante, segundo me explica, por iniciativa própria, o pragmático brasileiro.
Bem pior, no entanto, é o relatório referente à coluna central de gás do prédio: fuga grave de 13 milibares. O edifício inteiro vai ficar sem gás até que a anomalia seja reparada, cortesia dos técnicos da Lisboa Gás que supervisionavam a empresa de fiscalização. O pragmatismo dramatizou-se.
Quando saí para almoçar, o administrador do condomínio ainda gaguejava aos berros com alguém da GDP, pelo telefone, explicando que havia pessoas da 4ª idade e recém-nascidos no prédio, que precisam do gás para viver. Exagerar fica sempre bem, nestas ocasiões. Mas já estava naquele espectáculo há perto de uma hora, mesmo à minha porta, sem resultados aparentes.
Amanhã é terça-feira e, para bem da sua gaguez, é bom que haja homens de farda azul e ar atarefado, de volta das instalações de gás do prédio, quando eu acordar.
Fahrenheit 451
Não respondo a forward de email. Nem sequer os abro, venham de quem vierem. Mas tenho uma atitude diferente quanto aos meme dos blogues, se gostar de quem os lança.
Este desafio sobre livros foi-me colocado pela blogadora do Tou na Lua e aqui ficam as minhas respostas.
Não podendo sair do contexto de Fahrenheit 451, que livro querias ser?
- Não quero.
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?
- Fico sempre apanhado pelo herói, anti-herói e até pelo vilão dos livros de que gosto. Acho que a primeira 'paixão' foi o Spider-Man, se bem me lembro.
Qual o último livro que compraste?
- Foi o 2º volume da História Universal editada pela Salvat e pelo jornal Público. Na 4ª feira, para não ter que comprar o pasquim.
Qual o último livro que leste?
Estive a reler A Pomba, do Patrick Süskind.
Que livro estás a ler?
- Portugal, Hoje: O Medo de Existir, de José Gil; Encontro Magick: Fernando Pessoa/ Aleister Crowley, de Miguel Roza. Estão os dois na mesa de cabeceira e é conforme a disposição.
Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
- A Insustentável Leveza do Ser, de Kundera
- O Outono em Pequim, de Boris Vian
- O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder
- O Velho e o Mar, de Hemingway
- Quotidiano Delirante, de Miguelanxo Prado
Foram os cinco primeiros que apareceram, de entre os essenciais. Não pode ser uma ilha deserta com biblioteca?
Também gostaria de levar resmas de folhas em branco e muitas canetas.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Uma vez que isto é mesmo obrigatório [como foram a minha respostas], aqui vão os três primeiros blogadores de que me lembrei, o que não é desprimor:
- João Pedro Costa ou Clara, d' As Ruínas Circulares
- São Rosas ou Gotinha, d' A fUnda São
- Carla, do Welcome to Elsinore
Se não responderem, acho que têm dez anos sem visitas registadas pelo Sitemeter ou lá o que é. A verdade é que o questionário obrigou a uma arrumação nas minhas estantes, que bem precisavam.
abril 17, 2005
Nascer da Pedra
Desconhecia o trabalho de José Eduardo, mas a obra saltou-me à vista, assim que cheguei à Feira de Arte do Estoril.
Junto à entrada do Centro de Congressos, ali ao lado do Casino, um homem auto-esculpia-se de uma coluna de mármore. E a ideia ganha força, porque há restos de mármore espalhados pelo chão e uma coluna tombada ao lado e partida em duas.


Na exposição, o escultor de Mafra mostra outras peças igualmente interessantes, como aquela em que uma mulher procura abrir, por dentro, uma mola de roupa gigante, ou outra de um sol que grita, e a de um violino tapado por um lençol.
E ao contrário do que acontece com muitos dos artistas plásicos portugueses, mesmo com os mais consagrados, este 'desconhecido' José Eduardo tem um site oficial.
E as obras têm preços mais acessíveis, naturalmente.
abril 14, 2005
Só ele sabe, porque não ficou em casa
A poucos segundos do arranque do Sporting-Newcastle, o jornalista da RTP Pedro Martins descreve uma bandeira gigante hasteada pelos adeptos leoninos e diz que a mesma «representa a Praça do Comércio... onde costuma estar a estátua de D. José».
Espero que a presença em Alvalade de sua majestade himself, com cavalo de bronze musgado, pedestal de granito e mármore, e tudo, seja bom augúrio para o jogo.
Rádio na Cabeça e no Blog
![Bloc Party [Roger Sargent]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/blocparty3.jpg)
Já todos sabiam como fazê-los, muitos estavam fartos de os postar, outros achavam até que eles iam contra a essência dos blogues e recusavam-se, mas eu continuava sem saber como criar e publicar um post-musical.
A Carla de Elsinore chegou a publicar instruções de uso, passo a passo, e nem assim.
Só graças à infinita paciência da Cátia Mourão [a.k.a. Sombra], co-autora do template deste blogue, já está disponível uma canção dos Bloc Party na coluna direita dos links, depois do avatar. É só carregar em play.
Continuo sem perceber onde se obtêm ou alojam as músicas, nem sei como fazer uma rádio on-line no blog, mas este é um passo em frente.
Lá diz a Sombra: o HTML é como Matemática sem números. Mas o Substrato já não é um blogue sem música.
abril 11, 2005
Coito Interrompido
Cada vez mais me convenço que sou um espécime raro, em vias de extinção, que usa o telemóvel para combinar encontros e transmitir recados rápidos, ou, no máximo, para encurtar distâncias inultrapassáveis e matar saudades de quem gosto.
Um inquérito internacional mostra que catorze por cento dos utilizadores de telemóvel interrompe uma relação sexual para atender uma chamada.
Na Alemanha e na Espanha a percentagem sobe para 22 por cento, o que quer dizer que uma em cada quatro pessoas não pode participar numa orgia sem estragar a festa. O país que regista os valores mais baixos é a Itália, com 7 por cento de egoístas.
[Para variar, não existem dados sobre Portugal - mas penso que o inquérito por cá, teria que ser feito ao contrário: saber o número de pessoas que interrompe uma chamada telefónica para manter relações sexuais]
Dito isto, o inquérito - conduzido pela BBDO - avança que mais de metade dos inquiridos utiliza o telefone para namorar.
abril 10, 2005
Quem conta um conto...
Seja, então. Estou a endrominar um conto.
Tudo começou com aquela primeira parte, em que uma sirene de ambulância rasga o sossego de um bairro dos arredores de Lisboa.
A coisa era para ficar por ali, porque foi escrita assim, num impulso, porque as primeiras três linhas aconteceram mesmo, junto a minha casa, enquanto lia os meus suplementos deitado na cama. Desatei a escrever no meu caderno de cabeceira e a coisa saíu assim, aparentemente uma parábola qualquer à situação política nacional.
A insistência nos comentários levou-me a desenvolver um pouco o episódio, situar a acção, descrever o personagem, antes de desenvolver o enredo.
Já comecei a fazê-lo. O segundo capítulo, também dividido em duas partes mais fáceis de ler, chamar-se-à O Jardim. Em princípio, já que ainda nem tenho título para o conto propriamente dito. E ainda não decidi quando é que o meu herói morre. Ou se morre de todo. Ou se chega a viver depois disto.
Bom, a coisa está alinhavada na minha cabeça, o problema é que a minha cabeça é tudo menos alinhavada.
abril 09, 2005
Asia Love
Tenho sérias dificuldades em concentrar-me na trama de um filme com a Asia Argento. E quanto mais o revejo, pior fica, porque ela só melhora.
Por isso aguardo com expectativa, o novo filme de Gus Van Sant - Last Days. Argento fará de Courtney Love e o filme, está bem de ver, conta os últimos dias da vida de Kurt Cobain, ainda que o personagem principal se chame Blake [interpretado por Michael Pitt - irmão de Brad].
A obra será apresentada no Festival de Cannes e, garante Van sant, não pretende lançar polémicas sobre o suicídio, ou não, do líder dos Nirvana. O filme é apenas a visão muito particular que o realizador fez da vida de Kobain, principalmente dos atormentados momentos que antecederam a sua morte, em Abril de 1994.
Muito possivelmente, o facto de Asia surgir loira e de olheiras no queixo ajudará à minha concentração. Mas não é certo.
abril 08, 2005
A Hora do Lobo
Chama-me optimista, mas eu acho-me um tipo com sorte.
O facto de sair do trabalho por volta da meia-noite, por exemplo, e fazer a viagem para casa a ouvir as escolhas do António Sérgio, n' A Hora do Lobo, sem limites sonoros e de velocidade, é uma sorte tremenda.
abril 07, 2005
Expurgar
Como reza a tradição:
Para ver o Papa morto, paga-se bilhete.
Para furar a fila, subornam-se os guardas e os outros peregrinos.
Os previlegiados, esses, têm lugar marcado na primeira fila.
[Pela programação da televisão, principalmente a do 'serviço público', entre directos, biografias, directos e documentários, parece que vivemos num país fundamentalista católico.
Não vivemos, pois não?!]
abril 06, 2005
Excomungar
Com as televisões invadidas por jornalistas vestidos de preto, com cara fechada e voz arrastada, a repetir os mesmos impressionante manifestação de fé. Com tantas exéquias, orações e procissões, com o desfile de cardeais, de perfis e historiais... Pergunto: e o Quirguistão?!
Alguém me diz como ficou a história do Quirguistão?
abril 05, 2005
Something Glorious Is About To Happen
Os Bloc Party tinham duas coisas a seu favor, dois argumentos de peso: a referência do meu 'broitter' Eddie Baby e o facto de viverem no meu querido Shepperd's Bush, no west side de Londres. E para aumentar a curiosidade, um pouco de compaixão: tratava-se de uma banda mesclada que enfrentara sérias dificuldades para conseguir editora.

'Ripei' todas as canções disponíveis no Kazaa: She's hearing voices, Helicopter, So here we are, Positive Tension e Banquet. Quis lá saber dos direitos de autor ou dos vírus anexos. Aquele singelo EP - Silent Alarm - assim sem ordem nem nada, nem capa ou textura, era uma delícia. E falei deles aqui no blog, porque mais ninguém - para além do Eddie - parecia sensível ao imenso talento. Só muito tempo depois apareceram referências à banda, em revistas de música, mas sempre para os rotular como os próximos Franz Ferdinand, no terreno noviço do ArtRock britânico. Sabia de mim para comigo que estava perante muito mais que isso, e só esperava que o sucesso [que haveria de chegar] não os afectasse.
Finalmente, uns meses depois, oiço que são um estrondo nos Estados-Unidos, onde arriscaram uma digressão. Bolas, pá! Quantas bandas podem gabar-se de encher sempre os bares do South by Southwest, cinco noite seguidas, e repetir a dose no gigantesco Metro, de Chicago, com tão poucos originais editados [ainda por cima, pela independentíssima Dim Mak]?
No site da banda estão disponíveis algumas canções para audição. E o disco é um dos melhores investimentos que se pode fazer, na FNAC mais próxima. Ou mesmo o melhor.
abril 04, 2005
Fora do Mundo
Quando me iniciei na blogosfera, não conhecia pessoalmente ninguém que tivesse um blogue.
Ao contrário do Pedro [e quem sou eu para falar no autor do Fora do Mundo!?], o cenário pouco mudou, em quase dois anos de blogosfera activa. No meu círculo de amigos raramente posso falar de blogues, porque a conversa transforma-se num monólogo entediante.
Valem os dois amigos que fiz, graças aos blogues... e as Brigadas Posterrroristas 5/12.
Michelangelo, by Michelangelo

Aparentemente, este baixo relevo é o único auto-retrato conhecido de Michelangelo. O mestre italiano teria já 70 anos.
E agora já sabemos em quem se inspirou para retratar Deus.
Turista na própria Casa
Numa tarde solarenga e limpa, depois de um Sábado inteiro de ócio chuvoso, queixamo-nos que Lisboa devia ter mais esplanadas.
Já sentados numa esplanada recatada de vista magnífica, junto à Estação Fluvial de Belém [onde se apanham os cacilheiros para a Trafaria e o Porto Brandão], queixamo-nos que a cidade devia ter uma ligação de ferry-boat, ao longo do Tejo, do Parque das Nações a Algés.
No Bairro Alto, onde acabámos o dia e a noite, elogiamos a falta de carros e as ruas mais largas, sem darmos importância aos moradores que sobem a pé do Largo do Camões ao cimo da rua da Rosa, para chegar a casa.
abril 02, 2005
A Verdade engana
O que tem verdadeiramente piada no 1º de Abril são as notícias falsas inventadas pelos media, que depois são dadas como verdadeiras pelos concorrentes. Mas o contrário também acontece.
Apesar de ser sabido há mais de uma semana, a Reuters noticiou ontem que José Mourinho vai ter o seu próprio programa de televisão - um programa mensal, dividido com o jornalista Pedro Mourinho, a estrear na SIC, no próximo dia 18.
Só que os ingleses deduziram que se tratava da piada de April's Fool da Agência noticiosa.

E houve até quem fantasiasse que o árbitro sueco Anders Frisk seria o primeiro convidado desse programa televisivo. [Esta parte já é mesmo falsa, uma vez que o único convidado do talk-show mensal de Mourinho será... ele próprio.]
Mas a piada não fica por aqui.
Um dos tablóides 'dourou a pílula' e avançou ainda que o recente castigo aplicado pela UEFA, levou o português a pedir a Abramovich [patrão da máfia do Chelsea] que lhe permitisse deixar o clube no final da época.
E lá pude ouvir em rádios portuguesas que José Mourinho estava a caminho do Benfica.
Vere Papa Mortuus Est [o Ritual Fúnebre]

O cardeal camerlengo é a pessoa encarregue de verificar se o Papa morreu, de preferência com uma vela acesa junto à boca, para ver se há um "sopro da vida". Se a chama permanecer imóvel, o prefeito da Casa Pontificia anuncia que "O Papa morreu" e cobre-lhe o rosto com um lenço. Todos os presentes se ajoelham e começam os primeiros responsos. Por ordem hierárquica, aproximam-se do cadáver e beijam a mão do defunto pontífice.
Pouco depois, o cardeal camerlengo, que fica a mais alta autoridade da Igreja até à nomeação de novo Papa, entrará no quarto escoltado por um destacamento da guarda suíça com alabardas, símbolo da nova autoridade, para que seja assegurada, oficialmente, a morte do sumo-pontífice. Na presença do mestre de cerimónias e dos prelados da Casa Pontificia, o camerlengo aproxima-se da cama, retira o lenço que cobre o rosto do Papa e debruçando-se sobre o defunto chama-o três vezes pelo nome de baptismo. Depois golpeia-lhe a testa com um pequeno martelo de prata e cabo de marfim. Ao confirmar o falecimento, diz "Vere Papa Mortuus Est" [O Papa na verdade morreu]. De seguida, retira-lhe o Anel de Pescador - símbolo o poder pontífico, que é esmagado, frente aos cardeais, juntamente com a chancela de chumbo do Papa, para impossibilitar a eventual falsificação de documentos oficiais do Vaticano.
O notário da Câmara Apostólica regista o facto na Acta e os sinos de São Pedro dobram, anunciando a Roma a morte do Papa.
Começa o velório, de imediato. As luzes dos aposentos são apagadas. Acendem-se quatro círios aos pés do leito mortuário e colocam-se um pequeno recipiente e um hiposse, com água benta, para os responsos dos prelados visitantes.
O cadáver é entregue de seguida aos embalsamadores. Salvo declaração do Papa em contrário, são-lhe retiradas as vísceras, a seguir depositadas em urnas que serão posteriormente conservadas na cripta subterrânea da Igreja de São Vicente, diante da Fonte de Trevi, em Roma.
Uma vez embalsamado, o Papa é vestido com sotaina branca e levado para a Capela Sistina, escoltado por prelados com círios e cardeais. É colocado sob os frescos do Juízo Final, onde os fiéis lhe prestam os últimos tributos.
Durante a noite, uma vez fechado o portão de bronze, o cadáver do Papa é entregue aos cónegos de São Pedro, que lhe vestirão os hábitos pontificios: sotaina branca, amito [pano branco colocado sobre os ombros], sobrepeliz de renda, estola, túnica vermelha dourada, uma casula de cor vermelha e ouro e a mitra episcopal. Só agora pode ser fotografado.
No dia seguinte, o Papa é trasladado para a Basílica de São Pedro e o feretro colocado num estrado diante do altar. Permanecerá nesse local durante os três dias prévios às exéquias fúnebres, na Praça de São Pedro [perante líderes de todo o mundo]. O corpo é transportado para o local em procissão solene, encabeçada pelo cardeal decano e o camerlengo, enquanto os coros entoam "Libera Me, Domine, de Morte Aeterna" [livra-me, Senhor, da morte eterna].
É colocado, então, num feretro de cipreste forrado de veludo carmesim, encaixado noutro de chumbo com quatro milímetros de espessura que, por sua vez, se encontra dentro de um terceiro, de madeira de ulmeiro envernizada. Um prelado lê os factos mais importantes do pontificado e no final coloca o pergaminho num tubo de cobre, que introduz de seguida no caixão juntamente com um saquinho de veludo com moedas e medalhas do seu pontificado. Os camareiros selam o caixão de cipreste e o de chumbo colocando-os no de ulmeiro. Sobre este repousarão um simples crucifixo e uma Bíblia aberta.
O caixão, que pesa meia tonelada, é transportado no final da cerimónia por um carro fúnebre até ao Altar da Confissão, onde é feito descer, por meio de cordas, até à Cripta Vaticana, onde permanecerá até à sua deposição no sarcófago definitivo.
[Fonte: LUSA]
abril 01, 2005
1º de Abril
É bom ler O Independente no dia das mentiras.
Obrigado a ler todos os pasquins por questões profissionais, posso desta vez tentar adivinhar qual das muitas notícias falsas vai ser desmentida na semana que vem.
Padoxalmente, no entanto, o semanário faz uma honesta confissão, logo por baixo do cabeçalho: Abaixo de Cão.
Pecado Original

Sin City é o renascer de um tipo de cinema que parecia confinado às experiências de Enki Bilal.
Robert Rodriguez e Frank Miller [realizador e argumentista] guardaram fidelidade total à encenação gráfica original da BD que lhe deu origem. E não podia ser mais lânguida, a lente com que filmaram mulheres como Rosario Dawson, Jessica Alba, Jaime King e Brittany Murphy ou canastrões galãs como Bruce Willis, Josh Hartnett, Benicio del Toro, Clive Owen e Mickey Rourke.
A não perder, quando estrear por cá.
[A revista Wired traz um artigo interessante sobre a utilização de cenários digitais no filme.]
março 31, 2005
Pêndulo
Os turistas adoram aqueles painéis de publicidade e pseudo-notícias que o Euro 2004 deixou espalhados pelas estações de metro de Lisboa. Tal como eu adoro aquele igualmente irritante Mind the Gap between the Train and the Station, repetido em cada paragem do Tube londrino.
Pessoalmente, preferia que o metro pusesse boa música nos altifalantes, mas estes também já só servem para ouvir as tais notícias telegráficas, repetidas sem imaginação, e para o anúncio de que a linha azul está com problemas ou que o túnel do Rossio está fechado para obras, obrigando a que a linha de Sintra comece a meio caminho.
Vantagem clara do metro londrino são as mensagens ocasionais que se apanham, porque um dos empregados decide fazer uma partida qualquer. Certa vez, num desses painéis informativos podia ler-se Pretty girls don't ride the subway. Ainda ontem, na Victoria Station, ouvia-se uma mensagem nonsense sobre a utilização devida das cancelas:
Falta-nos um pouco de humor britânico, ou outro humor qualquer, nas nossas estações de metro. Para ver se alguém sorri, naquelas carruagens.
março 29, 2005
Rádio na Cabeça
Tivera eu os conhecimentos suficientes de programação informática e este blogue tinha a sua própria rádio online, com músicas escolhidas por mim e pelos leitores assíduos.
Aliás, se eu percebesse um pouco mais de código HTML, haveria post-musicais a rodos, com as respectivas letras disponíveis.
Até que eu aprenda a fazê-lo [e é coisa para demorar], peço aos leitores deste blog endrominado que espreitem o video do dia [ali à direita, por baixo do avatar] ou sintonizem os rádios na RadaR [97.8 fm, em Lisboa].
É a estação oficial da escrita destes textos.
março 28, 2005
Viagens paralelas

Continuam a ser distribuídos os prémios para as melhores foto-reportagens de 2005.
Serão imagens tiradas de um ângulo que opina ou constata?
Era uma vez... a defesa da língua e cultura portuguesas
Moribundo e abandonado, o Instituto Camões solta um gemido de socorro.
O artigo completo, no verrinoso O Bazonga da Kilumba!
março 24, 2005
Só mais um 'Meme'
1 - Pega no livro da tua vida.
2 - Procura uma frase sublinhada.
3 - Se não encontrares nenhuma, procura um trecho desse livro que te marcou.
4 - Transcreve-o no teu blog, juntamente com estas instruções, ou nos comentários deste postalhito, se não tiveres um.
Esta era a ideia inicial, pegar no livro preferido e deixar no blog o registo da melhor parte - a frase que mais me marcou. Mas isso vislumbrou-se impossível. Não só estou indeciso entre vários, como estarão todos emprestados. É uma mania que tenho: não permitir que as pessoas de quem gosto deixem de ler os meus livros preferidos. E deixa de ser uma vantagem, aquele meu hábito de sublinhar os livros.
Assim, se não conseguires reunir isso - a frase literária ou parágrafo que mais te marcou - pega num dos últimos livros que achaste muito bom e transcreve uma das partes que mais gostaste. Este é uma corrente cibernauta diferente da outra em que participámos, que vivia puramente do acaso.
Eu encontrei uma excepção, nos tais favoritos, que não terá sido emprestado porque estava fora do sítio, na prateleira dos dicionários e afins: O Outono em Pequim, de Boris Vian.
«Os pés derrapavam-lhe na areia quente. Ângelo sentia sentia os grãos miúdos de encontro aos artelhos, por debaixo das tiras de cabedal das sandálias espartanas. Tudo o que Ana lhe dissera, a própria voz dela, ressoava-lhe nos ouvidos, mas o que via era o rosto meigo e fresco de Rochela, a curva bem desenhada das sobrancelhas e a boca brilhante da rapariga sentada em frente da máquina de escrever, no escritório de Amadis Dudu.
Divisava-se, lá ao longe, a primeira faixa escura, sem uma ruga sequer, traçando no chão uma linha sombria que penetrava, direita e inflexível, nas sinuosidades das dunas. Ângelo ia andando neste terreno instável o mais depressa que lhe permitiam as pernas, perdendo, nas subidas, alguns centímetros em cada passo que dava, o que recuperava em seguida, ao descer. Sentia-se fisicamente feliz por ser o primeeiro a deixar pegadas impressas sobre a imensa pista amarela. A pureza porosa de quanto o rodeava, essa presença absorvente do deserto, ia-lhe, a pouco e pouco, insidiosamente, acalmando o desgosto.
Aproximava-se da franja de sombra, que se erguia a perder de vista como uma muralha nua e baça, mais atraente que uma sombra autêntica, porque, na realidade, era uma ausência de luz, um vazio compacto, uma solução de continuidade, cujo escrupuloso rigor nada podia perturbar.
Uns passos mais e entraria na completa escuridão. Estendeu timidamente a mão: a muralha ali estava, e a mão desapareceu. Sentiu a frialdade da outra zona. Então, sem uma hesitação, entrou por completo, logo ficando envolvido num véu de sombra.
Avançava devagar. Tinha frio, sentia o coração bater mais depressa. Procurou na algibeira a caixa de fósforos. acendeu um. Teve a impressão que a chama pegara; a escuridão, porém, era total. Largou o fósforo, um tanto assustado, e esfregou os olhos. Voltou a riscar, com todo o cuidado, a ponta do fósforo no lado rugoso da caixa. Sentiu o fósforo arranhar, antes de pegar fogo. Meteu a caixa no bolso esquerdo e, por palpite, às apalpadelas, aproximou o indicador livre da minúscula labareda e queimou-se. Largou o fósforo. Virou-se ccom cautela, para tentar voltar ao ponto de partida. teve a impressão que estava a andar há mais tempo que da primeira vez, sempre numa escuridão impenetrável. Parou novamente. O sangue corria-lhe mais depressa nas veias, embora tivesse as mãos geladas. Sentou-se: era preciso ter calma. Meteu as mãos debaixo dos braços, para aquecer.
Ficou à espera. O ritmo do coração diminuía. Sentia, nos membros, todos os movimentos qque fizera desde que entrara no escuro. Tentou orientar-se, sem grandes pressas e, com um andar decidido, dirigiu-se para o sol. Segundos depois sentia o contacto da areia quente e, com os olhos piscos, viu outra vez o deserto amarelo e imóvel. Lá estava ao longe aquela vibração, por cima do telhado liso do hotel Barrizona.
Afastou-se do muro de sombra, deixou-se cair na areia fofa. Uma lumeta deslizava preguiçosamente, mesmo ali, numa erva longa e recurvada, que logo se cobriu de uma película irisada. Estendeu-se no chão, escavou uns buracos para os braços e para as pernas e, relaxando por completo os músculos e o cérebro, deixou-se ficar a respirar, tranquilo e triste.»
Naturalmente, não se exige que transcrevas todo um capítulo, como eu fiz. Fi-lo por impulso, maravilhado pela releitura de cada frase.
março 23, 2005
Penumbra global
Segundo os meteorologistas - esses mesmos que nunca acertam, mas em quem confiamos sempre - não vamos ter chuva a sério até Outubro, em Portugal continental. E teremos chuva em Outubro, se a próxima época de chuvas regressar ao normal.
Apesar disso, e das oscilações climatéricas que nos têm trazido invernos cada vez mais frios e verões mais secos e quentes, há quem não admita um aquecimento global do planeta.
Para baralhar as teimosias, os cientistas falam num fenómeno novo [em termos de notoriedade], que terá começado nos anos 50 do século passado: o Global Dimming. Experiências efectuadas em vários locais demonstram que, ano após ano, chega cada vez menos luz solar à Terra.
A culpa é, pasme-se, da poluição.
Arquitectura do Redículo
Depois de uma visita demorada ao Fórum Almada - e demorada por causa das filmagens de um documentário teatral sobre a Cova do Vapor - fico com a sensação que a equipa de arquitectos esteve quase quase, a conseguir o que pretendia - transformar as compras de fim-de-semana dos almadenses em algo divertido.
O design e a concepção do Centro Comercial é tão naïf e desconexa, que é impossível pisar aquelas pontes de madeira que imitam lugares exóticos e contemplar aquelas oliveiras que surgem - em canteiros - no meio de lagos artificiais, sem um sorriso de boca aberta e o sobrolho levantado.
Mas o sorriso esvai-se num ápice e a visita acaba por não resultar em diversão de facto, porque a coisa não é assumida pela tal de Multi Development Corporation.

A sereia de vidro na entrada principal, por exemplo. Quer ser atrevida [isso nota-se pela forma como agarra ambos os seios], mas depois não se assume, porque os repuxos de água saem do chão... e não dos mamilos!
Dentro do edifício, os tectos são altos, é certo, mas dão um claro passo atrás no que já há muito se faz em centros comerciais, que é colocar tectos de vidro, com água, com uma visão do céu, para cortar a sensação de claustrofobia que se sente numa 'grande superfície' apinhada de gente.
A decoração interior [que se vê de fora porque a parede frontal é de vidro] volta a ser kitsch e psicotrópica, mas fica sempre aquém do nonsense que resultava em cheio, acabando por cair num mau gosto que se nota ocasional.
Porque nem tudo é mau, basta olhar para a esquerda quando, a seguir à ponte, seguimos para o Algarve, e para a direita quando rumamos à Costa da Caparica.
março 22, 2005
Little Earthquake
Algures na conturbada puberdade, para tentar compreender a existência, concebi uma rudimentar base de justiça própria. Era algo que me ajudava a justificar os porquês dos acontecimentos, as atitudes das pessoas, a sua personalidade e os seus actos, etc.. Escrevi sobre isso num post antigo.
Mas Tori Amos abalou a teoria de forma avassaladora.
Dizia essa minha Lei da Compensação que uma pessoa não podia ser, simultaneamente, bonita, talentosa e inteligente. E que tudo o que acontecia era correspondido por algo equivalente, mas contrário - para equilibrar a balança. Só assim o mundo seria justo. Mas a visão de Tori, na capa de um disco, e a audição do mesmo, numa loja da baixa, subverteu tudo isso.

Simplesmente linda, comprovadamente genial, dona de uma voz doce e potente, como só em sonhos. Ainda por cima apenas eu me apercebera disso, no meu círculo de amigos. O que dava ainda mais força à descoberta.
Tentei compensar o fracasso da tal Lei, de alguma forma, com o facto de Tori ter sofrido muito, na vida. Cantava em bares pouco recomendados desde muito nova, longe do reconhecimento e do sucesso, e foi violada depois de uma actuação. A infelicidade seria a paga, por tanta sorte genética, pensei.
Mas não havia volta a dar-lhe.
Evidentemente, Tori Amos está na categoria restrita dos seres humanos superiores, que se destacam naturalmente...
É a mesma perfeição que encontro nas mulheres por quem me apaixonei.
março 21, 2005
Viver na Ignorância
Queres saber a verdade?
Será que queres?
Mesmo?
A verdade?
A origem das coisas.
A verdade da História.
As regras da física.
Os porquês da química.
A essência dos seres.
Queres mesmo saber?
O que os fantasmas significam?
O que eles contêm de real?
Queres mesmo?
Queres mesmo saber o que os outros pensam de ti?
Queres mesmo saber quem tu és?
março 19, 2005
Mamas elásticas
- Olha, querida... não queres uma pastilha?
- É que andas tão stressada, ultimamente.
Primavera à vista

An Indian villager shouts religious slogans as he watches a re-enactment of a local tradition of Latthmar Holi celebrated since the times of Hindu Lord Krishna in the town of Barsana, Uttar Pradesh state. The tradition of Holi heralds the beginning of spring and is celebrated with great enthusiasm all over India. - Photo Kamar Kishore/ Reuters
março 18, 2005
À espera do Dilúvio
A crónica semanal de Miguel Sousa Tavares merece ser relida:
«O que eu queria mesmo agora é que chovesse sobre nós. Uma chuva densa, constante, dias a fio. Uma chuva que tudo lavasse, que devolvesse a esperança onde só há desilusão, que reanimasse todas as coisas verdadeiramente importantes. Uma chuva refundadora.»
[...]março 17, 2005
Doce de Abacate Canelado

Ingredientes:
- um abacate grande e maduro
- dois iogurtes naturais
- açucar
- canela em pó
- um pacote de natas
Preparação:
Começar por descascar o abacate, que tem uma casca algo rija e pouco estética, para além de ser amarga [não proves, confia em mim].
Tirar-lhe o caroço e cortá-lo aos pedaços [não ao caroço, à polpa do dito].
Colocá-lo na misturadora [aquela que tem uma hélice no fundo e faz vrrrrrrrrrm].
Juntar-lhe os dois iogurtes e bater tudo, bem batidinho, no botão intermédio da misturadora.
Adicionar açucar e canela a gosto e um pouco de natas [1/3 de um pacote pequeno, não é preciso mais] e bater mais um pouco, desta vez na velocidade máxima [não descurar este pormenor, porque a textura é quase tão importante como o paladar].
Colocar num recipiente de vidro [bonito, pronto a servir] e colocar no frigorífico.
Deixar arrefecer, mas não para o dia seguinte, porque o abacate oxida que é uma coisa parva e fica bom para dar ao gato.
Comer apenas como sobremesa e não açambarcar tudo com colheradas de sopa. Partilhar também é bonito e pode impressionar.
Aprender a Dançar
Moons in June I've given up on that stuff
Arms have charms but I've no hope of falling in love
The rest of life pales in significance
I'm looking for somebody with whom to dance
With whom to dance? With whom to dance?
I'm looking for somebody with whom to dance.
Rings and strings What use have I for these things?
Bells and carousels I'd just be fooling myself.
And you You look like heaven
An angel who stepped from a dream
777 times lovelier than anything I've ever seen.
[O vídeo-clip desta canção dos Magnetic Fields está disponível na coluna direita dos links deste blog, logo por baixo do avatar de BD, calcando em Watch]
março 16, 2005
março 15, 2005
Freak
Pelos vistos, há traços da minha personalidade que tomava por corriqueiros, que são considerados quase insuportáveis:
- Ficar à espera que termine a canção, antes de sair do carro.
- Sublinhar frases e tomar notas nas bordas dos livros.
- Não abandonar o cinema nem parar o DVD, antes que termine o genérico final do filme.
- Comer a última fatia de bolo, se esta permanece abandonada no prato, há vários minutos.
E, se calhar, aquele quase está a mais.
março 13, 2005
Sexo e Drogas e Rock 'N' Roll
Por falar em sexo...

9 songs, de Michael Winterbottom, estreou em Londres com furor, este fim-de-semana. Vamos aproveitar o sorriso deixado pelo apelido do realizador e espreitemos o site oficial do filme, enquanto ele não estreia por cá. Podemos ver pequenos clips do mesmo e ouvir algumas das tais nove canções que fala o título - compostas por Franz Ferdinand, Primal Scream, Dandy Warhols ou Black Rebel Motorcycle Club.
Apesar do X a vermelho que se sobrepõe às imagens, é impossível não reparar que há cenas de sexo explícito e sem tabus, a rodos [entre Kieran O'Brian e Margot Stilley].
Espera-se, no entanto, que o filme seja mais que a mera contemplação de nove quecas, ao som de um boa banda-sonora.
março 11, 2005
Sardas e Letras
À falta de jeito para desenhar um símbolo significante, quando decidir fazer uma tattoo, esta será constituída por palavras.
Só me falta encontrar a... frase ideal, que me acompanhará até ao fim dos dias, qual estigma permanente, veredicto e influência [ou então uma coisa nonsense, para que mal se perceba a piada].
![Textoo [imagem gentilmente surripiada ao blog Flickr]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/textualtattoo.jpg)
Há várias textoo's inspiradas, no blog Flickr. Mais dois exemplos.
Brigadas reivindicam manif
«Camaradas,
aqui vão alguns pensamentos socráticos que me ocorreram a propósito da nossa platónica filmage:
Ponderei, ponderei, e cheguei à conclusão, em relação à primeira parte semifusa da Monstruosa Manif de Apoio ao Regresso do Desejado (MMARD), seguida de um psicogótico Ritual Santânico com a oração adequada e, à falta de velhinhas laranja, duas velinhas vermelhas, as quais não foram objecto de reportagem fílmica porque dois profissionais televisivos se sentiram incomodados pela nossa reclamação de legítimo anonimato (legítimo dado que não estávamos a difamar ninguém nem a passar informação que pudesse lesar primeiros, segundos ou terceiros), do seguinte:
Acho que nos estamos A PASSAR.
março 10, 2005
A Lata continua, Carmona pá Rua!
Um grupo de Santanetes manifestou-se hoje pelo regresso de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa.
De luto e mascaradas, as Santanetes organizaram um ritual Santânico em que submeteram a voodoo um boneco de Carmona Rodrigues e rezaram a Santana [a força desta novena é comprovada pelo facto de ter começado a chuviscar de imediato].

A primeira parte da manif decorreu, naturalmente, junto à casa de Monsanto - residência oficial do edil lisboeta.
Por esta altura, dois funcionários de imagem de uma televisão, com câmara ao colo [expressão sem segundas intenções], recusaram fazer a reportagem do acontecimento, porque exigiam que as Santanetes se identificassem. Como se uma Santanete fosse qualquer outra coisa.
O Substrato agradeceu o exclusivo.
Depois de se manifestarem junto à própria Câmara Municipal, e na Praça do Comércio, as Santanetes seguiram, em silêncio, pela Rua Augusta abaixo, até ao Rossio.

A dada altura, os curiosos identificaram-se com as reivindicações e centenas de lisboetas anónimos entoaram palavras de ordem como: Ó Carmona, larga o osso! ou Lisboa reclama, Pedro pá Câma!
Algo nos diz que as Brigadas Posterrroristas 5/12 estão por trás disto.
março 09, 2005
A Bela, ou o Monstro?
Talvez seja um filme para mentes perversas, para voyeurs sádicos, ou talvez seja uma parábola sobre o amor e a solidão. Será ambos, numa mistura inquietante de beleza e horror.

Audition brilhou no Fantasporto há uns anos [mas ninguém deixou a sala a meio da exibição, como em Cannes] e deu a conhecer ao ocidente Takashi Miike - realizador frenético que faz uma média de 5 longas-metragens por ano, entre video, televisão e cinema.
Como o título indicia [em português ficou-se por Anjo ou Demónio, que estraga muito do suspense], o filme começa com um casting de actrizes, conduzido por um pai viúvo que já foi vedeta da TV, para um filme que ele não tem qualquer intenção de fazer. A escolhida é a bela e sossegada Yamazaki, de quem nada se sabe, mas que parece aceitar o papel de esposa.
O DVD de Audition pode ser adquirido em qualquer quiosque por 7 euros, numa colecção que assinala os 25 anos do Fantasporto.
Esquisitisses
Tenho um sonho recorrente em que sou ave. Ou, pelo menos, em que voo por cima das árvores e dos prédios da cidade, com o vento na cara e a liberdade na ponta dos dedos.
Mas sempre tive medo de andar de avião.
Não deixo de o fazer, mas não me agrada nada a ideia de não estar dependente de mim próprio. Acabo por nunca conseguir adormecer a bordo, por mais longa e cansativa que seja a viagem.
E sempre gostei de barcos.
Em miúdo, muito pequeno, ficava a comer broa de milho com manteiga e a olhar para o Tejo, para ver os cacilheiros atravessá-lo na diagonal.
Mas enjoo.
Adoro balançar-me nas ondas, o vento e o cheiro a sal, mas nem aquela força magnética que transforma o mar numa estrada suave, evita a agonia e a inusitada vontade de vomitar.
É esta mania de gostar do impossível.
março 07, 2005
A Dança da Chuva [2ª parte]
Numa peça da RTP sobre a seca que afecta o país, em directo, um Padre explica à repórter porque razão as novenas alentejanas não têm dado resultado, na obtenção da tão desejada chuva.
Porque as explicações do pároco não nos pareceram satisfatórias, apontamos os motivos prováveis:
1 - as orações não têm sido as indicadas. Há falhas em certas estrofes quando cantadas em grupo e faltam palavras-chave ou rimas precisas [é como numa poção mágica - a fórmula tem que ser a exacta ou o feitiço não resulta].
2 - ainda não foram encontradas virgens disponíveis para se submeterem a sacrifício [ou veio a demonstrar-se que as mulheres escolhidas não eram virgens].
3 - as pessoas que invocam a chuva já usaram contraceptivos em alguma fase da sua vida, ou conhecem quem tenha usado e não o denunciaram à santa Igreja [Andam a matar criancinhas - não merecem beber água!].
Se forem seguidas estas indicações, estamos em crer, todos dançaremos à chuva enquanto o Diabo esfrega um olho.
Garotices
No correio desta manhã, a Acácia recebeu cinco encomendas sem remetente e cinco fotografias minhas lá dentro.
Numa das imagens, ainda a preto-e-branco amarelado, eu não teria mais que 15 anos. Trazem moldura e tudo.
março 06, 2005
março 05, 2005
O Verão e Tu
A culpa não é do Sol,
se o meu corpo se queimar.
A culpa é da vontade
que eu tenho de te abraçar.
A culpa não é da praia,
se o meu corpo se ferir.
A culpa é da vontade
que tenho de te sentir.
A culpa é da vontade
que vive de dentro de mim
e só morre com a idade,
com a idade do meu fim.
A culpa não é do mar,
se o meu olhar se perder.
A culpa é da vontade
que eu tenho de te ver.
A culpa não é do vento,
se a minha voz se calar.
A culpa é do lamento
que sufoca o meu cantar.
A culpa é da vontade
que vive de dentro de mim
e só morre com a idade,
com a idade do meu fim.
António Variações
março 04, 2005
Afinal, eles não voltam?!
Em vez de se criticar o excesso de tecnocratas de direita, ou de académicos com pouca prática, ou a heterogeneidade que parece querer agradar a todas as correntes, a oposição preferiu reagir à equipa de governo escolhida por José Sócrates com o mais despudorado e hipócrita saudosismo. Uma manifestação uníssona, que lembra aquele cartaz da JSD que dizia: Quer mesmo que eles voltem?, mas expresso ao contrário.
O Partido Popular lamenta a ausência de Jaime Gama e de Vítor Constâncio.
O Bloco de Esquerda questiona porque ficaram de fora Maria de Belém e João Cravinho.
O PSD sente a falta de Jorge Coelho e António Vitorino [este é comum a todos os partidos - estaria lançado para Belém, se o candidato socialista não fosse... Freitas do Amaral].
Por lapso, estamos certos, esqueceram-se de pedir o regresso de António Guterres.
Santana imita Brigadas Posterrroristas 5/12

Desesperado e ignorado pelos mesmos media que o veneravam [falamos da revista Caras, do pasquim 24 Horas e do catálogo Lux], Santana Lopes decidiu fazer-se ouvir através de... placards clandestinos.
A primeira mensagem que encontrámos, perto do seu mui querido há-de ser túnel, é dirigida a Carmona Rodrigues, pouco disposto a deixar a Câmara Municipal de Lisboa e único poiso capaz de acolher o ex-Primeiro-ministro na incubadora.
Sabores de Lisboa
A Acácia telefonou-me entusiamada para que fosse ter com ela a uma tasca chinesa espectacular. A companhia bastaria e foi em pleno largo do Martim Moniz dos repuxos de água que a descobri, debaixo de um pequeno toldo amarelo que circundava uma esplanada refundida, junto a um quiosque minúsculo de alumínio.
O ambiente era o de uma cozinha familiar, com cinco ou seis mesas de plástico e muitas cadeiras ocupadas por chineses a falar alto e rápido. Não havia menu, nem tabela de preços, mas uma máquina de café e Super-Bock em garrafa. A escolha do almoço fez-se ao balcão, quase só por gestos, aproveitando a simpatia da cozinheira, já que bastou ver e cheirar para se perceber que estávamos perante comida chinesa... a sério. Nada de chao-chao, ou chop-suey, muito menos banana frita com gelado. Na pequena barraca de lona amarela vimo-nos transportados para uma rua de Pequim. Movidos pela curiosidade, provámos uns pãezinhos cozidos em vapor e recheados com carne [uma delícia] e ainda vimos a clientela deliciar-se com as sopas, o polvo, as carnes fritas cortadas em pedacos e os vegetais com amendoim torrado. Tem take-away [é preciso levar o tupperware] e fica tudo por meia leca.
março 02, 2005
Maria Filomena Mónica
o que seria de nós, sem ti?!
«Quando casei, o que de mim se esperava, além da procriação continuada, era que passasse o dia a arrumar a casa, a cozinhar pratos requintados e a vigiar a despensa. Hoje, a estas tarefas vieram juntar-se outras. As mulheres modernas são também supostas ser boas na cama, profissionais competentes e estrelas nos salões. Mas isto é uma utopia. Nem a mais super das supermulheres pode levar as crianças à escola, atender os clientes no escritório, ir à hora do almoço ao cabeleireiro, voltar ao escritório onde a espera sempre um problema urgente, fazer compras num destes modernos supermercados decorados a néon, ler umas páginas de Kant antes de mudar as fraldas do pimpolho, dar um retoque na maquilhagem, telefonar a três "babysitters" antes de arranjar uma, ir ao restaurante jantar com os amigos do marido, discutir a última crise governamental e satisfazer as fantasias sexuais democraticamente difundidas pelos canais de televisão. Estou a falar, note-se, de mulheres socialmente privilegiadas. A vida das pobres é um inferno sem as consolações de que as suas irmãs de sexo, apesar de tudo, usufruem.»
[Excerto de um artigo de jornal chamado As mulheres portuguesas são parvas.]
Coude neime: Flaua Paua

Desta havia reforços garantidos. Sangue novo, fresquinho, brigadeiros meninos dispostos a aliviar a sexta missão das brigadas. [apesar de, diga-se a verdade, os jovens voluntários terem requerido confirmação da acção durante a tarde, que o frio, que o vento…]
Confesso que me mantivera mal informada ao longo do dia e apenas sabia que tinha de ter tinta, cola, o chão da sala desimpedido e atenção à campainha a partir das dez e meia da noite. E, foi quando entendi a extensão da sexta missão, que a premonição me assaltou: desta vez haveria cinco cartazes de uma só vez? Ena! Desta vez haveria sangue! Desta vez haveria flores, muitas flores e só flores a encher o Areeiro? Quase cinco metros de papel cenário? Homessa! Desta vez superávamo-nos!
Só flores?!? Flores porquê? Ainda queríamos fazer flores? Ainda o Insone não chegara e já as frases germinavam no lugar das flores. A primeira, Que bem se está sem governo, nasceu sem dores, plácida e posta a secar no quarto ao lado. Cumpria-se o horário, havia sangria e Ferry para acompanhar, do Insone uma mensagem sucinta que o dizia a caminho, e o Velho de Restelo aceitou enfrentar o esboço da primeira flor. A negro. E que lhe passássemos o vermelho logo de seguida para as pétalas.
Quando um homem dá uma ordem uma mulher obedece. Que eu abanara a lata do vermelho abanara, que a deixara com a tampa apenas pousada à espera da trincha, deixara, que ninguém reparou, ninguém reparou, que uma lata de tinta energicamente abanada uma segunda vez por um homem, sem tampa, produz um resultado impressionante sobre uma sala geralmente branca, produz.
Era o sangue da minha premonição - o verdadeiro mar de sangue sobre telemóveis, máquinas digitais, comandos de televisão, DVDs, sofás, puffs, paredes, portas, chão, e gente com camisolas de lã, casacos, calças e sapatos - no preciso momento em que o Insone chegava, seguido de perto da operadora de câmara, de mais uma brigadeira menina, e… do Velho do Restelo ainda alheio aos acontecimentos, ainda de gatas, ainda de trincha na mão, contemplando a sua flor, à espera do vermelho para as pétalas.
A frase seguinte brotava naturalmente: Eleissões Já!
Uma hora depois de muitos baldes de sangue terem sido retirados dos telemóveis, máquinas digitais, comandos de televisão, DVDs, sofás, puffs, paredes, portas, chão, e gente com camisolas de lã, casacos, calças e sapatos, enfrentámos os 50 graus negativos de Lisboa.
E, despistada a carrinha da Câmara que nos seguiu até à Praça Francisco Sá Carneiro, descobriu-se o vento. Glaciar.
O treino de acção em rotundas nacionais perante o habitual débito de automobilistas indiferentes ao nosso bando garantia a nossa desenvoltura. Impressionámos os brigadeiros meninos com a comprovação do facto: ninguém estranha, ninguém pára, ninguém questiona. Nenhum português é um polícia, e nenhum polícia é português às duas da manhã sob um vento glaciar numa rotunda de Lisboa. O senão desta acção, o valente contratempo, terá sido mesmo o vento.
Ou não, já que cada corrida de um lado para o outro da rotunda de seis embarretados atrás de cartazes esvoaçantes e registada pela fervorosa operadora de câmara, passou despercebida aos sete carros da recolha do lixo lisboeta que se cruzaram com os vultos embarretados, em corrida atrás de cartazes voaçantes.
Que bem se está sem governo. Às duas e meia da madrugada passou o táxi que a operadora de câmara esperava e cumpriu-se a sexta missão das Brigadas Posterrrrrrroristas 5/12 e seus brigadeiros meninos.
Mas… Sobravam pedacitos de papel. E um cartaz camarário que dizia, as coisas no lugar certo. E que se decidira em reunião de câmara fazer já nem me lembro o quê. Parque Mayer? Um casino? Um Silo? Bah! Em dois segundos arrumámos a história.
Que bem se está com a casa arrumada. Flaua Paua
[Postalhito de Fada - elemento feminino das BP 5/12]
março 01, 2005
BP 5/12: operação Flower Power

Este é o culminar de uma noite de peripécias, de uma operação gelada, das Brigadas Posterrroristas 5/12 reforçadas.
E que bem estiveram esta madrugada, com uma produção total de quatro cartazes e o 'melhoramento' de outros dois, em plena Praça do Areeiro.
O relato pormenorizado, incluindo as partes do banho de tinta vermelha, do cerco movido pelos carros do lixo e da luta desigual contra o vento glaciar, estará no blog assim que a ressaca desaparecer. Com imagens de todos os placards colocados, bem enquadrados com o degolado Sá Carneiro.
fevereiro 27, 2005
Adaptação
«Tu és aquilo que amas, não o que te ama a ti.»
in Adaptation - de Spike Jonze.
Nós somos o que amamos. Vivemos do amor que sentimos. Mas na fase do crescimento emocional, da formação da personalidade, nós somos o que significamos para os outros. Ser amado nessa altura cultiva-nos o ego, a auto-estima, a ambição... e a própria capacidade de amar. O contrário torna-nos inseguros, medrosos e... frios.
Somos aquilo que amamos. Mas seríamos capazes de amar perdidamente, se ao longo da vida nunca tivéssemos sido amados?
E a cada desilusão, a cada coração partido, essa capacidade de amar não diminui?
Quantas vezes é preciso ficar mal-de-amor, para deixar de [ser capaz de] amar?
Quantas vezes é preciso amar, para encontrar o grande amor?
fevereiro 25, 2005
Design metafórico
![Faqueiro de Cozinha Facadas [by Santana Lopes]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/facadas.jpg)
Este é o magnífico faqueiro de cozinha Facadas - uma concepção prática e moderna de Santana Lopes.
No portfólio de utensílios domésticos deste arquitecto do delírio, consta ainda a clarabóia à prova de pedradas e o micro-ondas incubadora.
Se ligar já, oferta de uma prancha de body-board da marca Ganda Nóia, assinada pelo famoso long boarder Marques Mendes.
Ténis nas Estrelas

Se há tenistas que elevam o seu jogo ao patamar de deuses, são André Agassi e Roger Federer. O americano rebelde não envelhece e o suiço não erra uma bola, mesmo quando se deixam perder.
E foram estes dois homens, os escolhidos pelos 'senhores do petróleo', para fazerem algumas trocas de bolas no héliporto do Burj al Arab - hotel de 7 estrelas do Dubai.
Parece uma imagem alterada em photoshop, mas aconteceu mesmo, para apresentar o Dubai Duty Free Tennis Open. É pena que as partidas não se joguem mesmo neste court, porque seria bem engraçado ver os apanha-bolas mergulharem para a praia de Jumerah, em bunjee jumping, e ver quem recuperava mais bolas perdidas, sem partir o elástico.
Os árabes lunáticos do Dubai é que ainda não se lembraram desta.
Entretanto, continuo a imaginar o que significa um hotel ter sete estrelas. Presumo que cada suite venha com um harém incluído.
fevereiro 24, 2005
Zeca

«A morte saíu à rua num dia assim.»
Ainda não tinha ideais na cabeça [acho que nem ideias, sequer] e não fui ao Coliseu com o meu pai. Não percebia o simbolismo de um «concerto qualquer», e não compreendi a euforia do relato que ele fazia à minha mãe, sobre a empatia emocionada sentida por todos quantos acompanharam o Grândola, Vila Morena.
O tempo não recua, mas a educação que os meus pais me deram, a compreensão da História que permitiram que eu tivesse - apesar de ter nascido apenas alguns meses antes do 25 de Abril e de nunca ter, de facto, sentido a ditadura na pele - corrigiram eventuais lacunas na minha formação cívica. E tive a liberdade para poder fazer os meus próprios juízos.
E hoje, não podia estar mais grato a Zeca Afonso e ao que ele cantava.
fevereiro 23, 2005
2005-2009: a Tgavessia do Desegto
[ganda nóia, man]
As Brigadas Posterrroristas 5/12 já têm candidato.
Ilusão
Sou frontal de uma forma tão inconsciente, que fico vulnerável.
E depois invocam sempre aquele ditado do «quem comete o mesmo erro três vezes...» que é totalmente castrador. Detesto sabedoria popular empacotada em frases feitas e com resposta aparente para tudo. Eu nunca consigo adornar as minhas reacções nem esconder os sentimentos.
Onde posso frequentar essa escola de cinismo?
fevereiro 22, 2005
Luís Delgado
astrólogo do [antigo] Regime
![Luís Delgado [pelas Brigadas Posterrroristas 5/12]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/delgado.jpg)
«Na noite de domingo, os portugueses castigaram severamente uma coligação governamental de três anos e três líderes: dois que estavam cá e um que foi para Bruxelas. Está também à vista que, por muito que Santana e Portas tentassem inverter o descontentamento, ele era incomensurável, indesmentível e irreversível. [...]
[Durão] Barroso prometeu baixar os impostos, com um choque, e não só os aumentou, como criou uma onda de pessimismo e austeridade, que em tudo era contrária às suas promessas. Santana e Portas ainda tiveram a ingenuidade e a convicção de que poderiam inverter o ciclo, com um mandato completo, mas o novo estilo de ruptura - que um dia terá de acontecer - não foi compreendido.
O resultado seria o mesmo, convenhamos, com qualquer outro primeiro-ministro. Estava nas estrelas.»
Estado Desgraça
As auto-denominadas Brigadas Posterrroristas 5/12 zelam pela democracia portuguesa e assumem a oposição.fevereiro 21, 2005
Ambulâncias cor-de-laranja [I]
Um só barulho rasga a noite. Uma sirene de ambulância aproxima-se, mais e mais, e entra na minha rua.
- Para quem será?!- indago. E o som fica quase ensurdecedor, entra pelas janelas da sala, sem se afastar. Num apito desafinado, pára. Mas as luzes azuis continuam a girar nas paredes, através das vidraças. O efeito é bonito, algo hipnotizante.
-Está parada à porta. Deve ser a velhota lá de baixo, coitada. Ou o gordo ali de frente... - especulo. Uma porta rangeu e vozes inundam o fundo da escada. A voz esganiçada da porteira e outra mais grossa, mas quase sussurrada, misturam-se, sem deixar perceber o que dizem. A um bater de porta seguem-se passos, de muitas pernas, cada vez mais próximos. De repente, o silêncio total. Detiveram-se no meu patamar.
- É mesmo o Engenheiro Obeso... - deduzo. Novo silêncio e um susto. Salto, quando oiço a minha própria campaínha seguida por três batidas fortes na porta, daquelas de mão aberta, e mais dois toques insistentes. Apago a televisão, para que não vejam luz e movimento pelas frinchas da porta. Fico a ouvir as minhas pulsações aceleradas e a ver as luzes azuis que passeiam na parede. Espero que eles não... , penso. Alguém diz qualquer coisa que não consigo perceber e páro de pensar. E mais silêncio. Um estrondo quase me arranca o coração.
- Ai... - solto, sem mais tempo. Entram-me
- aahhhmffff... - são os sons que consigo produzir, quase sem respirar, de cabeça prensada e torcido em relação a ela. Outras duas mãos puxam-me os braços para trás e metem-nos numa manga de uma roupa qualquer, os dois ao memo tempo, com uma eficácia simétrica que eu jamais teria num dia de sorte. A dor nos ombros pára com um estalo. Sou virado para a frente, qual marioneta de pau e amarrado por uns cintos de fivela que saem do meu novo casaco branco. No peito, na cintura, entre as pernas e atrás. Muito apertado. Só agora olho para as caras de ambos os homens, mas não consigo definir-lhes feições. As expressões sim, que me causam um terror tal que sinto um líquido quente pelas pernas abaixo. Ainda por cima é amarelo e suja-me o tapete do Irão.
Não consigo mexer-me. Onde posso, tremo. Tremo tanto que quase caio, mas as mãos que me agarram sustentam-me por baixo dos braços, como se eu pesasse o mesmo que um gato bebé de pelo curto.
- A espreitar a vizinha, hã!? - troça um dos homens, sem se preocupar com o mau hálito e a falta de dentes. Tem uma farda verde, ou um fato-macaco verde, com um emblema qualquer, que não consegui focar, com uma sigla. Sou arrastado pelas escadas, que desço sem tocar os degraus, a dada altura. A porteira esguicha qualquer coisa, que não consigo perceber. Mas fá-lo duas vezes ou três, como um disco de vynil que não sai do sítio, mas tem fade out. E aqui estou fechado, nesta ambulância sem amortecedores, que rompe o silêncio das ruas da cidade.
fevereiro 20, 2005
Boicote à Inteligência
Na freguesia do Soito, a população está descontente porque não tem um Centro de Saúde.
O Hospital mais próximo, no Sabugal - capital do Concelho, fica a não-sei-quantos quilómetros e não serve a população que não tem carro, é idosa... ou está doente e não pode deslocar-se.
Mas em vez de protestar com o voto [em Democracia, pode e deve fazer-se], os habitantes do Soito decidiram boicotar estas eleições. E estão a contribuir para que tudo fique na mesma.
Curiosamente, uma das apostas do Programa de Governo do maior partido da Oposição, na área da Saúde, até era "aproximar os Centros de Saúde da população: melhorar os que existem, torná-los aptos a conceder cuidados básicos de Saúde e criar novos Centros onde não existem e são necessários."
Mas os cidadãos do Soito preferem esperar mais quatro anos, para reivindicarem os seus direitos.
fevereiro 18, 2005
Reflexão Política
Estabilidade, ou incerteza?
Mudança ou resignação?
Voto Útil, ou irresponsável?
Domingo à noite veremos, se a Democracia portuguesa é adulta... ou imatura e sujeita aos caprichos de meninos de colo e meninos de coro.
A Dança da Chuva

Sandomil - Portugal [2003]
Fotografia de zé aquilino santos
Finalmente, as pessoas começam a mobilizar-se para mudar o país.
A partir de agora, as missas celebradas no Santuário de Fátima e restantes preces, passam a incluir orações a pedir que chova. O apelo da Igreja é uma resposta à "maior seca das últimas décadas", como a imprensa a classifica, e estende-se a todas as paróquias.
No entanto, o apelo fica suspenso durante este fim de semana, para que as rezas se centrem numa vitória eleitoral de Paulo Portas - o defensor dos bons valores cristãos.
Mas a concretizar-se esta última súplica... é bom que venha outro dilúvio.
Sempre a Ver
[Dogville, de Lars Von Trier]
Dogville somos nós. Em qualquer época ou lugar do mundo.
![Nicole Kidman [Grace] e algumas maçãs](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/dogville.jpg)
Se nem todos somos mesquinhos e invejosos, se há os que procuram aprender e fugir da ignorância, todos nós somos corrompidos, mais tarde ou mais cedo, e todos suportamos o peso na consciência. Mesmo aqueles de nós que receberam o dom da bondade e permanecem puros, a dada altura - porque são usados e excluídos - só pensam em responder à letra, num castigo egoísta.
Não se trata de uma redenção, de tornar o mundo melhor, como se procura justificar tais actos... Mas da mais pura vingança.
fevereiro 17, 2005
Made of Portugal
José Mourinho não tem uma gota de humildade nas veias.
Mas esse é o seu único defeito. E o treinador português pode gabar-se do que quiser [e geralmente quer], que ninguém o acusará de exagero. Not any more. Bom, não vale falar dos invejosos descarados, como os adeptos do Barcelona, que o defrontarão na semana que vem, para a Liga dos Galifões. Os cronistas catalães chamam-lhe «tradutor ganacioso» e «chulo anti-desportivo», entre outros elogios.

E essa sua imagem de ambição desmesurada, de superioridade à flor da barba de três dias, de charme que lhe escorre pelo colarinho levantado, de frieza gelada no olhar semi-cerrado, acaba de ser 'comprada' pela American Express. Um pequeno anúncio de televisão [sim, o gajo é telegénico comó caraças! e até veio do país dos treinadores do bigode farfalhudo com restos de sopa] em troca de um milhão de euros, filmado no estádio onde ele tem a mania de ganhar sempre. Bom... num dos estádios.
Haverá algum adepto de futebol, seja de que clube for, que consiga impressionar com VISA ou Mastercard?
Brigadas lançam Repto

Ter-me-ei tornado um Dissidente?
O documento que as Brigadas Posterrroristas 5/12 me mandaram foi ligeiramente alterado em Photoshop [nota-se pelas subtis imperfeições, da minha responsabilidade].
Assim, este passa a ser um jovial manifesto contra a abstenção, contra o luto em que mergulhámos, contra o bronco que nos governa.
fevereiro 16, 2005
Politicus lusitanus: a evolução da espécie
Santana Lopes queria ter apresentado hoje a sua equipa de 'Governo' [e eu a pensar que ele já tinha uma, há vários meses], mas não conseguiu. E lá se foi a oportunidade de limpar a imagem pálida, deixada no debate de ontem à noite.
Pelos vistos, e mais uma vez, ninguém lhe atendeu o telefone.
A única excepção foi Pinto Balsemão - patrão da SIC - que não conseguiu dizer que não, porque ele até é «o militante número um do PSD e tal, e foi o único Primeiro-ministro de Portugal [quase] tão mau quanto ele e tal»...
Neste momento, os assessores de Santana procuram na lista telefónica da Madeira por nomes possíveis e o líder social-democrata tentará, amanhã ou sexta-feira, apresentar uma lista dos seus 'ministeriáveis'.
É provável que Alberto João Jardim venha a receber um super-ministério que integre as Finanças, Negócios-Estrangeiros, Educação, Saúde e Justiça. Arnaut ficará como vice-Primeiro-ministro responsável pela Segurança-Social e Ambiente. Gomes da Silva terá o ministério da Administração Interna só pra si e Morais Sarmento fica o responsável pela Comunicação Social, Defesa, Assuntos do Mar e Pesca Submarina.
Desta forma, haverá menos ministérios, ainda que estes sejam deslocados cada um para sua ponta do país [e o super-mega Ministério de Jardim fica no Funchal, naturalmente], ficando os ministros isentos de pagar portagens ou taxa de aeroporto para os Falcon, por estarem "a servir o povo".
Ainda mais penoso que a falta de algo novo para dizer, no Parque das Nações esta manhã, foi o comentário do Primeiro-ministro aos números do INE que cifram a taxa de Desemprego nos 7,1%. Santana chamou-lhe uma notícia «menos boa», que se deveria exclusivamente à dissolução da Assembleia da República, e garantiu que «a situação do país vai melhorar depois do dia 20, quando as coisas mudarem e regressar a confiança».
Parem de atirar pedras ao menino, por favor. Mas desliguem-lhe a máquina.
fevereiro 15, 2005
Algo para fazer, enquanto dá o 'debate'
O 'Jogo do Lobo' foi-nos ensinado recentemente pela Suzana Branco - a melhor actriz que conheço [incluíndo as que conheço de vista] - na véspera da última passagem-de-ano.
É simples de jogar, não precisa de ser montado, nem deixa nada para arrumar, mas requer um mínimo de cinco pessoas. Ainda assim, não acredito que tivesse grande interesse ver como jogavam os cinco contendores desta noite.
O Jogo do Lobo resulta melhor se as pessoas se conhecerem bem, já que as regras incentivam a veia artística e a capacidade de fingimento e argumentação de cada um.
Guitarra portuguesa
Não estava frágil naquela noite, nem sou pessoa de soluçares fáceis, mas chorei quase convulsivamente no último concerto que vi de Carlos Paredes, na Aula Magna.
Estive mergulhado em catarse e meditação o concerto todo, mas a dada altura a melancolia da música tornou-se grito e rasgou-me o peito. E chorei.
Não podia disfarçar os olhos brilhantes, o rosto avermelhado e o nariz ranhoso que me acompanhavam à saída. Mas também um riso rasgado.
Como essa comoção que senti, gosto de recordar a humildade com que Paredes interrompeu uma das canções e pediu desculpa por uma nota falhada [que poucos terão notado]. Depois dos aplausos efusivos, a que reagiu com um sorriso tímido, voltou a baixar a cabeça junto à guitarra e recomeçou a melodia do início. Porque a música, para ele, tinha que ser perfeita.

Hoje estou triste, porque me lembrei que Carlos Paredes faria 80 anos por estes dias.
E voltei a chorar, esta tarde, aos primeiros acordes do Espelho de Sons, que guardo em vynil sem mácula. Só que aquele meu choro da Aula Magna, era de felicidade extrema.
fevereiro 14, 2005
As vítimas
A freira carmelita morreu, velhinha na clausura, e os partidos da Direita servem-se do cadáver.
Ainda o corpo está quente a ser velado, a alma lhe foge para qualquer lado, e já os abutres pairam à volta da pastorinha, para a usarem como trunfo da campanha - que não têm muitos.
Santana vai a um comício do PSD como Primeiro-ministro e pede que emudeçam, só desta vez, a apoteose do 'Menino Guerreiro', para mostrar pesar. Com a voz embargada pela dor [se bem que tem estado assim desde o início da pré-campanha] apela à contenção e ao luto nacional, "aproveitando a presença da comunicação social".
Volta a fazê-lo depois de trocar beijinhos e prendas com os militantes presentes e compara até Lúcia de Jesus... a Amália. Que triste fado.
Paulo Portas é muito mais rigoroso no teatro montado. De fato azul claro e gravata preta [não fosse alguém distrair-se e não reparar] cerra os lábios quando não fala e franze a testa quando gesticula.
O partido "dos bons valores" chora e decide também ele cancelar os jantares-comício por dia e meio.
Choram-se votos, nesta campanha eleitoral.
Tal como os princípios morais, da família e cristãos, as lágrimas parecem património da Direita.
P.S. - Este blog está de luto. E fica de luto até que mude o Governo de Portugal.
Aproveitar os Laranjas desocupados
Sendo que o mais provável é que o nosso Primeiro-ministro regresse a presidente da CML por alguns meses, e com o seu 'amor' a Lisboa, deveríamos começar a lançar sugestões capazes de lhe fazer luzir o olho e inofensivas para a cidade.
Não vá o diabo tecê-las.
Esta, parece-me contemplar todos os requisitos!
[Postalhito da autoria de fada - elemento feminino das Brigadas Posterrrroristas 5/12]
fevereiro 13, 2005
rrrrrrrrrrrrr...
«Esta era fácil. Quase batota, abastardamento total das brigadas. Qual tinta, fixador, secador, esperas com barretes enfiados por horas mortas da madrugada. Por €60.00 tínhamos um cartaz verdadeiramente profissional, produzido à medida do nosso placard pessoal, um direito adquirido das brigadas ao longo de uma semana de campanha honrosa do herói bebé, batida mano a mano com os adversários profissionais na rotunda mais cobiçada do País.
Agora, qualquer meia hora de ida, colagem e regresso, resolvia a história. Faltava marcar a hora.
O insone ainda refilou mas o velho do Restelo tinha de se despachar para dormir que tinha um voo às sete da manhã. Onze horas, marcou-se.
Cola feita, meio pacote bastava, arrancámos. Não sem eu ter de ouvir os homens comentar a tontice feminina que me levava a ter ocupado o carro com o velho apanhador de nêsperas. Desta vez um simples rolo bastava, porra! E onde estava o CD do Team America? Team America é que devia ser o nosso hino!
Eu sei que eu sabia.
O nosso herói tinha voado e ali estávamos nós de Mickey enrolado numa mão, apanhador de nêsperas na outra, alguidar de cola aos pés e o Marquês em animação de onze da noite de sexta feira, a debitar quatro autocarros, vinte táxis, trinta veículos privados, duas ambulâncias e meia dúzia de autoridades por voltinha.
"Estamos loucos?"
"Estamos."
"Algum de nós é reconhecível?"
Investigámos cada canto da rotunda. Considerámos cada cartaz da oposição: Colar sobre o PC? Era injusto. Ligar para o Bloco? Perguntar se se chateavam? Era mais justo. Mas era noite de Bairro Alto. Enfrentar o PP? Era in. Mas simples demais. O PSD? Esse não era partido. Colar sobre o PS? Ninguém tinha os óculos, todos os cartazes nos pareciam do PS.
O velho do restelo queria ir para casa e despachar a coisa.
"Pegamos já neste."
"Pegamos???"
Pegámos. Mesmo. Porque desta vez éramos quatro e, ali aos nossos pés, abandonado entre as ervas, jazia abandonado um heróico placard de ferro (oitenta quilos??) com três metros por dois e meio, vá, estacas e tudo.
E onde se espetava? Por junto tínhamos um canivete, mais outro canivete, uma faca de lançamento, e um escopro retorcido da semana anterior.
Logo se via. Para já colava-se assim mesmo com ele no chão. Tarefa fácil.
Colagem feita faltou só o mais simples: atravessar o marquês, com oitenta quilos de placard entre o débito de quatro autocarros, vinte táxis, trinta veículos privados, duas ambulâncias e meia dúzia de autoridades por voltinha, com os reconhecíveis a olhar para o umbigo e finalmente amarrar o abandonado a um ombro amigo.
Há pouco ainda lá estava. Mais um herói. Um guerreirito de chumbo.
Não me perguntem pelos três errs da assinatura, nem se somos os dissidentes, os não dissidentes ou os originais. Mas que deu jeito o apanhador de nêsperas deu.
Fada,
pelas brigadas posterrrroristas 5/12»
Domingo em Carcavelos
Está uma tarde perfeita para um passeio até à praia.
Em Carcavelos, esta tarde, há uma onda humana que visa sensibilizar a opinião pública para a morte de uma das melhores praias de Surf da Europa.
A Câmara de Cascais anunciou uma intervenção que prevê a construção de pontais que vão eliminar as ondas. O mar de Carcavelos é conhecido pela regularidade da sua rebentação e funcionam naquela praia quatro escolas de Surf, que aproveitam essas condições ideais.
Portugal tem uma óptima costa, com praias de diversas condições de mar, que poderiam, facilmente, ser transformadas em 'mecas' do Surf. Mas em vez de se construírem recifes artificiais, por exemplo, nada se faz nesse sentido. E numa altura em que aumentam os praticantes e a qualidade dos surfistas rofissionais, as autoridades intervêm para destruir as condições das praias.
Mais uma vez, Portugal mostra que anda para trás, em questões ambientais [sim, também é disso que estamos a falar].
Não deixes que te atirem areia para os olhos. Vêmo-nos daqui a nada, em Carcavelos.
fevereiro 12, 2005
Brigadas Dissidentes atacam?!
Alguém retirou [cobardemente?] o cartaz das Brigadas Posterroristas 5/12 do posto que esse herói bebé guardava estoicamente no Largo do Marquês do Pombal, em Lisboa.
Coincidência ou talvez não, surgiu no mesmo local novo cartaz, que – pela qualidade da impressão, e pelo facto mesmo de o dito ser impresso e não manufacturado – se supõe ter sido produzido e realizado por uma facção dissidente das ditas Brigadas Posterroristas.
Seria a mesma? Ou outra?
[Uma pista: a palavra "posterrorista" surge escrita com três, e não com dois rr.]
Nota do blogger: foi postada na íntegra a mensagem anónima enviada para o e-mail do |Substrato| que dava conta deste 'incidente'.
fevereiro 11, 2005
Desespero sem Causas
«CIA E INTERPOL INVESTIGAM SÓCRATES
Um pacto estabelecido com o diabo, em troca da vitória socialista nas eleições, terá levado Portugal à maior seca dos útimos 350 anos.
Agricultores anunciam voto maciço em Santana Lopes e convidam-no a vir ao Alentejo sem os autocarros da JSD, nem nada» O Independente.
«GARCIA PEREIRA MINISTRO DAS FINANÇAS, SE PS NÃO GANHAR COM MAIORIA
POUS procura quem saiba fazer nó de gravata, porque Sócrates vai dar-lhes a pasta dos Negócios Estrangeiros. Primeiras medidas do governo serão estabelecer relações previligiadas com Cuba e Coreia do Norte e a nacionalização do BCP e do Benfica. Manuel Alegre anunciou que vai filiar-se no PSD.» Diário Económico
«SANTANA MOBILIZA 13 MILHÕES EM COMÍCIO
Emigrantes regressaram ao país, entusiasmados com o crescimento económico anunciado. Intervenções do repórter em directo, destacam quão jovens, saudáveis e bonitas eram as pessoas presentes e quão cristalina era a voz de Santana Lopes. Noutra intervenção, comparou os festejos laranja aos da última vitória do Porto na liga dos Campeões, na Avenida dos Aliados. Chegou a citar um popular benfiquista que trocaria o Simão e um campeonato nacional, pela vitória do PSD nestas eleições. Referência ao 25 de Abril de 74 foi interrompida pelo pivot de Carnaxide, porque o repórter ainda não era nascido na altura.»
SIC Notícias
[Lamentamos a extensão deste último trecho, mas é complicado resumir três horas de directo - e esta parte não é sarcasmo].
Amanhã, não percas:
«SÓCRATES DÁ ASILO A SADDAM,
ASSIM QUE PORTUGAL ABANDONAR UE
Sérvio Karadzic escolhe casa na Rua Braancamp, para ficar perto do futuro Primeiro-ministro»
E no dia 19 - grande exclusivo dos órgãos controlados pela Media Capital, Lusomundo e PT [afinal, não é assim tão exclusivo, porque só sobram A Capital e o Diário de Portalegre]:
«BUSH AMEAÇA INVADIR PORTUGAL, SE SÓCRATES FOR ELEITO
Durão Barroso já convidou Santana Lopes, Blair e Aznar [não está no poder, mas Zapatero é amigo do outro] para nova Cimeira nas Lajes.»
Nota do blogger: Nenhuma destas 'notícias' consta da edição de hoje de O Inimigo Público. Todas elas são inspiradas em manchetes da dita imprensa séria e do semanário O Independente.
fevereiro 10, 2005
Precisa-se: Free-lancer com 'tomates'
![Luís Delgado [Imagem gentilmente surripiada ao blog Afixe]](http://blogsubstrato.no.sapo.pt/luisdelgado.jpg)
E que tal... investigar o passado de Luís Delgado?
A sugestão é do Paulo Querido e merece um reforço, por mais humilde que seja.
De facto, seria de todo o interesse perceber como é que um «ex-jornalista sem história e "empresário" sem dinheiro se tornou em pouco tempo, num dos homens influentes da comunicação social de Portugal».
Lembra o autor do blog (o vento lá fora)* que o maior apoiante laranja [seja qual for o líder do PSD] começou por controlar a agência LUSA e está agora «a alcandorar-se ao controlo do maior grupo de media português - naturalmente como testa de ferro, resta saber de quem».
A sugestão não parece ter mobilizado muita gente... até porque, haverá jornalistas interessados em colocar o emprego em risco?!
Kubrick íntimo
A Taschen edita no próximo mês de Março um volume dedicado a Stanley Kubrick.

São mais de quinhentas páginas e 1600 fotografias ou notas pessoais, retiradas dos fotogramas originais dos filmes ou de material inédito do arquivo do realizador, nunca antes reunido e mostrado.
Pode encomendar-se já, em troca de... 150 euros.
fevereiro 09, 2005
No Jardim do Lopes

Interrompendo a 'reportagem' dos desfiles de Samba e dos cortejos de gigantones, vemos no ecrã da televisão um Primeiro-ministro indigitado-demitido de fato domingueiro cor-de-merda, a passear os filhos nos recantos solarengos dos jardins do palácio de São Bento.
Já no gabinete, mas espojado numa poltrona de pele marron [para parecer que se desprende dela sem pena], o Primeiro-ministro garante aos jornalistas convidados que não fez ponte e ficou a 'trabalhar'.
Ainda mais refastelado e com a gravata à banda, mas de óculos não-graduados na cara para parecer intelectual, aquele que gosta de ser conhecido por menino guerreiro mostra uns papéis de 2001 para justificar a utilização indevida de um Falcon do Estado.
- Eles também faziam!, choraminga.
Quando já sentimos falta das carantonhas de gesso e das meninas do Rio, a imagem seguinte traz-nos um Presidente regional vitalício a debitar o que parecem ser os disparates do costume, mas desta vez sobre um tal de Sr. Silva.
Naquele sotaque inconfundível, pede a «expulsão desse senhor» [mas com letra bem pequena] do partido no poder, porque «tudo o que ele é, deve ao PSD».
O madeirense desbocado garante que o Sr. Silva pertence a uma «brigada do reumático, que deve ser banida» do país.
O desrespeito é tal, que desconfiamos da veracidade, que olhamos para o lado a ver se ouvem o mesmo que nós, e tapamos os olhos, implorando que tudo isto termine.
Mesmo tratando-se do dia de Carnaval, haverá algum português consciente que não tenha levado a mal?
fevereiro 08, 2005
JSD ultrapassada
Não há limites para o mau gosto, nesta campanha eleitoral.
E mau gosto, é adjectivação mais indicada para aqueles cartazes da JSD onde aparece um José Sócrates trabalhado em Photoshop para parecer mais circunspecto, ou ladeado por figuras dos governos de Guterres [mais Edite Estrela - porque algum jovem laranja nutre uma qualquer fantasia erótica pela ex-autarca].

Este cartaz de campanha de um partido de extrema-direita [não, não falo no PP - ainda que tenha ouvido dirigentes populares dizerem coisas equivalentes, para defenderem a prisão de mulheres obrigadas a interromper uma gravidez] merece uma classificação que não consta no dicionário.
Repare-se no pormenor da criancinha loira - ariana tipicamente portuguesa.
Temo pela 'resposta' dos jovens sociais-democratas.
fevereiro 06, 2005
E Deus castigou...
A morte dos habitantes de Pompeia, há quase dois mil anos, foi precedida por momentos de inimaginável agonia. Mas antes de se verem engolidos por um mar de lava, os vizinhos do Vesúvio levaram uma vida bem interessante.

São pequenas descrições desses momentos lúdicos que nos mostram os frescos retirados das cinzas e recentemente restaurados, e que em tempos ornamentaram as paredes dos banhos públicos da cidade.

A reportagem é da revista alemã Der Spielgel.
fevereiro 05, 2005
Socorro! As BP - 5/12 estão de volta...
As Bigadas Postellolistas 5/12 leivindicam caltaz no Malquês de Pombal.
Não confundir com o placal do Menino Guelleilo.
«Dormi todo o dia... a idade já não nos perdoa e foi uma missão dura. Um dos elementos precisou mesmo de dormir uma boa hora no colo do sofá, enquanto os outros dois se debatiam com a pintura.
Afinal, fora ele o elemento a transportá-lo aos ombros (dois por um de contraplacado e respectivas estacas deixaram-no K.O.) a pé, ao longo de vários quarteirões e ainda escadas acima até ao lar escolhido para a fase da pintura.
Mas, às duas da manhã, depois de encontrados os óculos de ver ao pé do dono da casa (desta vez seria preciso apertar parafusos, escavar a terra para espetar as estacas) e recolhidos escopro e maço de outro lar, conseguiu-se chegar ao Marquês.
O elemento semi adormecido estava velho do Restelo com alguma razão: estávamos mal preparados para esta acção. Não é fácil escavar buracos na Rotunda do Marquês sem dar com o metro. Há mesmo mais quem ande a tentar, há largos meses, com o mesmo problema.
Mas com jeito, ao fim de uma hora (muito acontece no Marquês pela calada da noite e partilhámos a rotunda com um carro da polícia vazio, dois senhores do departamento de recolha de lixo da CML, um taxista e um condutor que se acidentaram ao nosso lado, o que fez chegar mais um veículo da brigada de trânsito, desta vez com ocupantes) tínhamos dois buracos para as estacas e, com a ajuda de algumas pedras de cantaria já retiradas pelos escavadores anteriores, conseguimos firmar as estacas.
Entretanto, reconheça-se a boa índole do povo português, e a generalidade dos funcionários públicos nacionais, forças de autoridade, etc., ninguém nos interpelou, ninguém estranhou que dois homens e uma mulher embarretados andassem a escavar o Marquês ou a espetar estacas.
Prosseguimos pois, com o içar do próprio placard e ao aparafusamento do mesmo, e às primeiras fotografias feitas a partir da faixa de rodagem. O único perigo que corremos, de facto, foi o de sermos atropelados.
Mas já não temos idade para isto. Foi essa a conclusão a que chegámos.
Com alguma tristeza, reconhecemos e decidimos que queremos mesmo passar este testemunho aos jovens que nos têm apoiado aqui neste blog.
Por favor, eram quase cinco da manhã quando regressámos às nossas casas, onde temos filhos, gatos, obrigações familiares para cumprir, gente que amamos.
Estamos frágeis, precisamos de remansos, desejamos colo. Não queremos castrar os vossos sonhos, mas isto mata-nos. A barra deste tempo não pode continuar nos nossos ombros. Este tempo não é nosso.
Brigadeiros meninos, chegou o vosso tempo.
Pelas Brigadas Posterroristas 5/12,
Fada»
fevereiro 04, 2005
'Rude Boy' rebel

Bob Marley faria 60 anos este Domingo. Para assinalar a data, as galerias londrinas Proud [em Camden Town, perto do mercado] exibem uma série de fotografias do mítico cantor jamaicano, muitas delas nunca mostradas ao público.
É impossível olhar para elas, para ele, e resistir ao impulso de pegar num disco de reggae e pô-lo a tocar bem alto. Faltam-me é mortalhas...
fevereiro 03, 2005
Ao lado

A abrir o tão propalado debate único, foram-nos servidos largos minutos de chafurdice no boato e na utilização do mesmo por uma das campanhas. E deu-se azo a novas insinuações, a mais fingimento descarado, a ainda menos vergonha na cara. Santana merecia ser sodomizado por um semáforo com as luzes a piscar. E que depois dissessem que ele adorou a experiência.
De seguida, começaram a ser disparadas perguntas alternadas que permitiam a evasão, o lugar-comum, a promessa demagógica.
Os jornalistas do 'painel' tinham tudo escrito e ponderado, mas não colocaram uma questão concreta sobre a Educação, a Saúde, a Justiça ou a Política Externa, nem exigiram explicações aos números atirados para o ar, muito menos interromperam disparates como aquele dos referendos sobre a clonagem, a eutanásia e o casamento de homossexuais ou o da redução do Imposto Automóvel.
E como irritavam aquelas vozes constantes que interrompiam as respostas, para lembrar o tempo que faltava.
Um único tropeção quebrou a monotonia, quando se defendeu que os idosos com pensões sociais precárias deviam ser sujeitos a estágios profissionais [se calhar, até faz bem à artrose - o Santana deve saber do que fala, pelo menos convicção não lhe faltou].
Este foi um frente-a-frente que passou ao lado, porque cada um jogava no seu meio-campo, como num aquecimento. Mas nem sequer houve remates à baliza, ou passes curtos e longos, uma pequena rabia, nada. Apenas uma exibição de toques sem bola.
Na declaração final, Sócrates esqueceu-se de olhar para a câmara e Santana mentiu com toda a naturalidade, sem pestanejar.
Ganharam o debate Portas, Jerónimo de Sousa e Louçã. E eu perdi noventa preciosos minutos da minha vida.
fevereiro 02, 2005
Televisão de cão [sem ofensa para o animal]
Chega de andarmos todos distraídos e a fingir que estamos num país normal - é preciso protestar.
Esta foi a reacção de três 'jovens' jornalistas quando viram, no Jornal da Noite, a 'notícia' de um pastor alemão perdido que os donos reencontraram, passado oito dias, porque o viram noutra reportagem qualquer.
Um de cada vez, pegaram no telefone e ligaram para a redacção da SIC com estórias idênticas à do cão, que mereciam investigação jornalística:
- um gato persa numa árvore há três dias que não deixa dormir ninguém com o miado;
- um sapato de estimação longe do par e em sofrimento atroz;
- uma camisola de gola alta que dava jeito no frio, mas foi levada de avião para Moçambique, inadvertidamente.
Deram a 'cacha' a uma rapariga da redacção, à telefonista e ao senhor da agenda de Carnaxide, ameaçando contá-la à TVI se eles nada fizessem para 'cobrir' o assunto e ajudar a solucioná-lo.
Não aguardaram resposta, porque se tornou impossível manter uma voz séria.
Espero que os camaradas da SIC tenham percebido a piada, porque o jornalismo que eles andam a fazer já não tem piada nenhuma.
Rotinas
O facto de trabalhar só a partir do fim da tarde [pelo menos, no emprego] faz-me viver em contra-ciclo das pessoas ditas normais e permite que me sinta parte de uma série de desocupados que vivem na minha rua, quando estou em casa a escrever ou a preguiçar.
O role começa pelo meu próprio prédio, onde o administrador vitalício do condomínio rega os jardins da frente e o quintal das traseiras, ou vai pendurando enfeites de Natal no prédio, caixas de metal para publicidade na fachada, telheiras de vidro junto à porta que quase impedem que chova a quem chega, suportes para a mangueira, caixas ergonómicas para correio A4, perfumes ambience para a escada, etc.. E depois vai comunicando os feitos a cada um dos condóminos, na sua gaguez engraçada que me leva a acabar-lhe as frases, para a coisa não demorar o dia todo. Muitas vezes, talvez por isso, opta por fazê-lo em longas cartas formais escritas m computador. Um primor, por 20 euros de mensalidade. Menos bom é quando decide colocar comida para os gatos mesmo debaixo da minha janela ou exigir que os moradores lavem a escada. Fica a gaguejar sozinho ou com as frases a meio.
Mas no prédio em frente vive a figura mais carismática da rua [que não é grande e nem sequer tem saída, diga-se de passagem]. O homem não terá mais que 50 anos e e dono do penteado mais inaudito que alguma vez vi ou descrevi. A brilhantina do cabelo já ralo forma uma espécie de ondas piramidais que lhe dão um look à Elvis alienígena, condizente em certa medida com a barriga saliente e peluda que exibe à janela aos primeiros raios de Primavera. Diz-se que ainda dorme com a mãe - uma senhora muito velhinha, quase sempre imóvel - mas isso já serão rumores santanistas, que se aproveitam do facto de eles passarem horas abraçados à janela e discutirem como se fossm um casal. Os dias deste homem são um desfilar de dedicação obsessiva - o amor que dedica aos seus dois carros - um Fiat 127 e um Fiat Punto.
O primeiro está coberto por uma lona e imobilizado desde que aqui moro, e já lá vão uns anos. É uma novela mexicana sempre que algum incauto estaciona junto ao mesmo e lhe dá um toque, por menor que seja. Ele aparece à janela, qual cuco ao bater da hora, e gesticula como um doido [que é, de facto] e chama tudo o que é nome-feio ao condutor, aos berros, antes de saie e levantar, com carinho, a capa do carro para verificar se ficou com algum arranhão. Sempre com palavras amáveis vociferadas na direcção do incuto condutor
Certa vez, fiz um daqueles encostos de estacionar, toque ligeiro para situar, bem devagarinho, e quando ele teve a reacção do costume saíu-me uma frase do instinto: «Olhe que foi a minha carrinha que lhe deu um beijo. Acho que ela já andava de olho no seu Fiat há uns tempos - sempre gostou de carrinhos pequenos, a malandra.» E não é que ele acalmou?!
Agora diz-me sempre bom dia e boa tarde, como está passou bem. No outro dia até o vi tirar umas folhas de cima do meu capot, enquanto varria a estrada.
Mas nada disto se compara ao amor que lhe merece o outro carro. É um Fiat Punto com seis ou sete anos, mas novo em folha, estacionado mesmo junto à janela, num espaço cimentado onde esteve em tempos um jardim. E 'ai' de quem tentar tirar dali o carro, para renovar a pintura do prédio, por exemplo, que bem precisa.
Todo o santo dia ele destapa o carro, abre-lhe o capot e as portas, limpa-lhe cada peça, cada tubo, cada válvula, cada plástico, cada correia, cada turbina, cada botão, cada vareta, cada lâmpada, cada fio... enfim, são sprays e panos de água e sabão, camurças suaves e aspirador, cuspo nas mãos e pinças delicadas. Por dentro, por fora, por cima e por baixo, nas rodas, nas jantes, no escape e até no tanque de gasolina. O carro brilha intensamente, num cinzento metalizado que ofusca. E a cena repete-se, no dia seguinte, só interrompida por algum encosto no outro Fiat, uma carro que pare junto à porta, ou para uma varridela às folhas do passeio.
Tenho que mudar de horário, ou ainda dou nisto.
fevereiro 01, 2005
Facadas e Colo
Muito se tem escrito contra Santana Lopes. Não que seja um qualquer fétiche dos jornalistas que exercem opinião [directores, analistas e afins], mas o ainda Primeiro-ministro dá azo a muitos comentários, seja pelos disparates que lhe saem da boca [são antológicos os processos às empresas de sondagens, as metáforas que envolvem facadas e incubadoras ou as gabarolices sobre o seu carácter engatatão], seja pelos actos irresponsáveis e inconsequentes que lhe saem das mãos e destroem o país.
Mas pensam os distraídos que só o Luís Delgado luta contra esse 'Desígnio Nacional'. Enganam-se redondamente.
Tenho reparado que a SIC Notícias, e mesmo os telejornais da SIC [ainda que estes me mereçam, regra geral, apenas alguns segundos de atenção] estão a levar Santana Lopes ao colo [é uma expressão futeboleira muito querida ao ainda líder do PSD].
janeiro 31, 2005
janeiro 29, 2005
Adrenalínico
Estou cansado. E farto da campanha, dos comícios de hipocrisia, dos cartazes de propaganda parva, do frio estúpido, do bulício da rua. Sento-me no sofá macio onde há calor e entro na ficção audiovisual.
Os heróis são dois, como sempre - o atormentado inocente e o vilão obstinado. O primeiro foi treinado para ser melhor desde que engrossou a voz. Ágil de pensamento [treina-se com xadrez e livros de Agatha Christie], forte [até ao músculo da glande], frio [para matar sem hesitar] e sem medo [para não fugir a sete pés] - uma arma letal com comando à distância. Mas o rival também é, no lado oposto do muro. Ambos são peões, mas um deles persegue e o outro foge-lhe. Estão cercados pelo sistema, pelo dinheiro... pelo poder que outros querem ter, usando-os.

O que podia ser melhor para me abstrair, do que um blockbuster competente?
The Bourne Supremacy é puro entretenimento, perfeccionista. As cenas de perseguição automóvel são melhores do que o habitual. A trama percorre sítios díspares como Goa, Nápoles, Berlim ou Moscovo. O confronto físico [muito] é mais realista e espantoso. O misto de espionagem/policial é mais intrincado e envolvente, sem excessos ou pistas óbvias.
Em DVD, num fim de tarde de Sábado como esta, não haveria filme melhor. [E este já me serviu num dia semelhante].
A realidade vem a seguir, e eu recarguei baterias.
janeiro 28, 2005
Faltam 23 dias...
O ivan lançou uma corrente de optimismo a que deu o nome de Desígnio nacional: faltam 23 dias para o fim da carreira política de Pedro Santana Lopes.
Já aqui escrevi que, de facto, a vida de Santana depende do resultado das eleições de 20 de Fevereiro. Mais que a carreira política, está em jogo a própria sobrevivência e a confirmarem-se os resultados das sondagens - e a pior votação de sempre no PSD - Santana terá que pedir exílio nalgum lugar, ou o estatuto de refugiado político, que teria que ser criado de propósito para si, numa qualquer ilha deserta.
A iniciativa do blog A Praia merece todo o meu incentivo, mas não consigo ser tão optimista.
Afinal, estamos a falar do país que seguiu religiosamente a Quinta das Celebridades e que admira e venera aquela coisa que dá pelo nome de José Castelo-Branco [que é candidato a deputado pelo PSD - a pedido do próprio Santana Lopes]. E estamos a falar de eleitores que manifestam o seu descontentamento com capitulação e não têm pejo em dizer: eu não vou votar, que aqueles cabrões só querem é poleiro!
E o pior é que me faltam argumentos e pachorra para os convencer a tomarem outra atitude [ou a utilizarem a televisão para reproduzir DVD's].
Temo que possam faltar 23 dias para que... eu emigre.
Tecnosexuais
O blog Wordspy, que anda à pesca dos novos termos que surgem na net, define tecnosexual como "um homem com um elevado sentido estético e profundo amor pela tecnologia".
Não sei porquê, mas as mulheres ficam de fora, como se fossem incapazes de se interessar por estas coisas da tecnologia com estilo. O jornal catalão La Vanguardia dá-lhe uma conotação idêntica e define estes novos seres como "technomachos".
Seja como for, o termo distingue claramente estas pessoas dos habituais engenhocas [geeks, em inglês] que pouco ou nenhum sentido estético possuem e orgulham-se das suas máquinas feias e estranhas que não só funcionam, como debitam maravilhas.
Mas, mais até que o sexismo do termo, intriga-me a parte sexual do mesmo. Onde é que acaba a beleza dos objectos e começa a sua conotação sexual ou a sua interacção enquanto instrumento de contacto íntimo?
Ou falamos de alguém que usa as novas tecnologias, a internet, os chats e a webcamera, o MMS e o videofone, para se relacionar e seduzir?
Assim sendo, conheço uns quantos bloggers tecnosexuais, que se adornam de poemas dengosos e citações lamechas, ou fotografias perfeitas trabalhadas em Photoshop e programas ainda mais sofisticados, para atraírem as leitoras e as prenderem na sua rede de duplo sentido.
janeiro 27, 2005
O fenómeno das cócegas auto-infligidas
Um bom contador de piadas é aquele que o faz com o ar mais impávido deste mundo. Também entro naquelas correntes de gargalhada grupal em que já ninguém se lembra porque começou a rir, mas não consegue parar, só que adoro aquelas 'bocas foleiras' bem mandadas, aquela piada seca verrinosa, que é disparada no momento oportuno, sem o mínimo esgar da parte do autor, por mais que mandemos gafanhotos para a sua cara ou pareçamos um porco no chiqueiro. E rimos ainda mais só de lhe ver a indiferença profissional.
Um estudo feito por Robert Prudine, autor do livro Laughter: A Scientific Investigation mostra quão raro é esse dom.
Na maior parte das vezes, garantem as observações feitas por este estudioso do riso, quem discursa ri mais que quem ouve, e muitas vezes ri de coisas que não têm piada nenhuma. Ainda assim, um grande número dessas tiradas sem piada acaba por arrancar risos da audiência.
Entre essas frases estão:
Imaginem um bébé numa incubadora a quem a família dá estalos.
Era uma casa de vidro a quem todos atiravam pedras.
Havia um menino no recreio que não queria brincar comigo.
Não vou falar de incubadoras porque parece que eles não gostam.
Nós governámos bem e vamos ganhar as eleições.
Estou, naturalmente, a gozar. Não são estas as frases de que fala Prudine. São coisas tipo I should do that, but I'm too lazy e I try to lead a normal life.
Até porque as frases destacadas acima têm mesmo piada, sobretudo se nos lembrarmos da carinha de vítima sofrida de quem as proferiu. Mas não mostrei um milímetro de dente, quando as escrevi.
O livro de Prudine diz ainda que o riso é um comportamento social, e que a gargalhada só se solta aos pares, mas também o tenho por um prazer quase onanista.
Naquelas alturas em que, por exemplo, vejo 'às escondidas' os meus VHS empoeirados e com grão do Fliyng Circus. Facilmente, desmancho o sofá e enrolo o tapete do espernear compulsivo e quase rebento o estômago e os canais que o ligam à boca, para além de deixar dúvidas sérias sobre a minha sanidade mental se sou 'apanhado'.
E chega a ser anti-social, porque os motivos que tenho para rir nem sempre são os óbvios. Há quem lhe chame sentido de humor refinado, eu chamo-lhe personalidade distorcida. Bem vincada pelas rugas de expressão à volta dos lábios que ostento desde os 15.
janeiro 26, 2005
Uns e Outros
No mesmo dia, os dois mundos debatem o futuro do planeta.
Em Davos, na Suiça, os senhores do poder trocam impressões sobre as suas intenções e políticas. E em Porto Alegre, no Brasil, os restantes expurgam os seus medos face à 'globalização'.
São duas realidades distintas, mas os segundos dependem dos primeiros para sobreviver. E os primeiros precisam dos segundos para permenecer ricos.
Entre as discussões de Porto Alegre estarão as questões ambientais. As mesmas que pouco ou nada preocupam os senhores de Davos.
O Fórum Social Mundial terá que analisar as consequências do aquecimento global da Terra e a desgraça que isso trará para algumas zonas já desfavorecidas.
Em Davos, a questão também será abordada, mas de um outro ponto de vista.
Com o aquecimento global do planeta, o maior banco de gelo do Ártico vai derreter.

A NASA fotografou o fenómeno o ano passado, e o ritmo de degelo é acelerado.
De tal modo que, em largos períodos do ano, os barcos conseguem navegar no Mar de Barents, entre Churchill - no Canadá e Murmansk - na Rússia, onde as águas sempre estiveram geladas, bem junto ao Pólo Norte.
Haveria medidas a tomar para reverter o processo e salvar a Terra [degelo = desertificação = morte], mas os governos de Moscovo e de Ottawa estudam já as possibilidades comerciais que abre essa nova rota marítima entre os dois países. [Notícia]
E nós percebemos que o Fórum de Porto Alegre não passa de uma utopia.
janeiro 25, 2005
janeiro 24, 2005
um Hoje eterno
E se nos apaixonássemos à primeira vista todos os dias?
Mas pela mesma pessoa?
É nesta condição que vive Clive Wearing.
Em 1995, este musicólogo inglês de 40 anos foi atingido por um vírus que deu origem ao maior caso de amnésia conhecido. Por causa de uma encefalite grave, Clive esqueceu quase todo o seu passado e perdeu a capacidade de fazer novas memórias.
Agora, cada momento de consciência é como um novo acordar. As únicas excepções são a música... e a sua mulher. A primeira reconhece-a como familiar aos primeiros acordes e consegue reproduzi-la na perfeição no seu piano, a segunda recorda-a perfeitamente como sua, ainda que não se lembre das suas feições.
Quase vinte anos mais nova, Deborah era uma rara visão a cada visita, alvo do enamoramento do marido a cada sorriso. Assim que a via, Clive dançava com ela ao som de uma valsa e oferecia-lhe flores, beijos.
E esta estória poderia ter um final feliz, apesar de Clive permanecer internado numa casa de repouso, sob constante vigilância. E apesar de não ter amigos, porque se esquece deles num ápice.
Mas Deborah não aguentou a condição do marido e divorciou-se dele. Deu-lhe todo o apoio durante nove anos, mas desistiu. Começou uma nova vida nos Estados-Unidos e escreveu a biografia de Clive, onde fala da estranha doença que o afecta. E está no bom caminho para enriquecer à custa dele. [Notícia]
E ele, por mais que tentasse, não conseguiria esquecê-la.
Mas ela também não, e acabou por regressar a Londres, para o visitar todos os fins-de-semana. E é sempre recebida por uma valsa de beijos, de um eterno apaixonado.
janeiro 22, 2005
Mozart anti-distúrbios
A mais recente moda entre os jovens londrinos é o Happy Slapping. Munidos do seu telefone com câmara, os putos esbofeteiam um estranho na cara e fotografam a reacção.
A brincadeira sem piada começou nas escolas, cujas vítimas eram os 'nerds' do costume [quantos de nós não foram um deles?!], mas alastrou ao tube e a todos os locais onde há aglomeração de pessoas, surpreendidas pelos jovens enquanto lêem o tablóide da manhã. [Notícia]
Para afastar este tipo de comportamentos desordeiros, a Metronet - responsável pelo metropolitano de Londres - teve uma ideia fantástica. 'Invadir' os microfones dos comboios com música irritante para esses hooligans.
Nas estações mais problemáticas, e nas carruagens de linhas suburbanas como Hammersmith & City, Metropolitan, East London ou District, vão escutar-se os recitais de Pavarotti, Vivaldi e Mozart. [Notícia]
De facto, o que pode ser mais 'uncool' que música clássica?
Só espero que os jovens não se transformem em algo ainda pior, como os compinskas criados por Kubrick, n' A Laranja Mecânica.
janeiro 21, 2005
Cabeças diferentes
Homens e mulheres têm uma composição bem diferente do cérebro. As mulheres têm muito mais matéria branca e os homens mais matéria cinzenta, relacionada com a inteligência.
Ainda assim, dizem os investigadores da UC Irvine [palpito que sejam todos homens], não há diferenças reais entre a inteligência de ambos os sexos.

A matéria cinzenta representa os centros de processamento de informação no cérebro e a matéria branca representa as ligações entre esses centros de processamento. [Notícia]
Este estudo pode ajudar a explicar porque tendem os homens a destacar-se em tarefas ligadas à Matemática, enquanto as mulheres serão mais precisas em questões relacionadas com a linguagem.
Talvez a descoberta também ajude a compreender porque é aconselhado às mulheres, e não aos homens, o consumo diário de um copo de vinho, de modo a ajudá-las a manter as suas capacidades mentais e funções cognitivas à medida que vão envelhecendo. [Notícia]
Mas também pode ser só por causa da menopausa.
janeiro 20, 2005
Portas, o pecador
Paulo Portas é um excelente actor. É o que retenho do debate desta noite, com Francisco Louçã. Confirmei-o com maior clareza.
Da goma e do vinco do seu fato às riscas, Portas foi mestre em desacreditar o líder do Bloco de Esquerda. Sempre que este lhe apontava erros, como o da dúbia política fiscal da banca, era das próprias virtudes sem igual que falava o líder popular.
Portas pode ter apenas 7% dos votos, mas fala como se representasse 100% dos eleitores e o oponente não passasse de um miúdo birrento sem direito a queixume.
Paulo Portas só desarmou mesmo no fim, quando se discutia a interrupção voluntária da gravidez e o julgamento de mulheres que a praticaram.
O líder do PP chegou mesmo a ficar corado, num claro contraste à sua gravata dourada, quando Louçã lhe disse "o Senhor nunca gerou uma vida, não tem legitimidade para falar sobre isso".
A tirada radical custou-lhe o debate, mas Francisco Louçã abriu uma brecha no submarino de cinismo: tocou na questão melindrosa, no calcanhar de Aquiles invisível.
Portas diz ser o bastião da democracia cristã e dos valores morais da família... mas vive em pecado mortal.
Máquina dos Sonhos sem Lágrimas
Em 1959, Brion Gysin e Ian Sommerville construiram a Dreamachine.
Basearam-se nas experiências de dois cientistas que demonstraram que o disparo de vários flashes de luz por segundo, contra as pálpebras fechadas de um sujeito, reduzia os impulsos eléctricos do cérebro e colocava-o numa semi-consciência conhecida por Estado Alfa - capaz de produzir imagens oníricas.
O New York Times escreve hoje um interessante artigo sobre a máquina, descrita pelos que a utilizaram como um objecto mágico - a sua utilização provoca um estado de transe e serenidade, que intensifica a criatividade e o conhecimento profundo e traz de volta memórias perdidas.
«The machine started to cast strobelike patterns of bright light on our faces, and when I closed my eyes as instructed, there they were, the dazzling multicolored forms that I'd been told about: mandalas and crosses and even Mandelbrot fractals, dancing across my eyelids.»
São poucas, as Dreamachine construídas. A última das quais, em 1996, foi encomendada por William S. Burroughs, pouco antes de morrer.
janeiro 19, 2005
Santana tem que ganhar
O PSD tem utilizado a táctica que tão bem serviu aos Republicanos, nas eleições dos EUA.
Incapaz de defender as suas políticas, George W. Bush percebeu que só ganharia as eleições se denegrisse a imagem dos Democratas e se convencesse o eleitorado que John Kerry tinha posições dúbias e contraditórias, que iam contra a moral e os bons costumes do povo americano.
Pedro Santana Lopes debate-se com um problema idêntico - os seus seis meses de governação não podiam ter sido mais catastróficos - e resta-lhe lançar a confusão.
Todos os dias, num novo comício com militantes, acusa o principal adversário de uma contradição ou várias. Porque sabe que os portugueses não têm memória nem lhe topam os truques de retórica, inventa declarações e posições a José Sócrates e garante que este se desdiz, se confunde, se engana.
Sejam a retirada da GNR do Iraque, o Orçamento Geral do Estado, obras públicas programadas, ou as reformas necessárias para sair da crise, Santana cria os factos, interpreta-os, analisa-os, explica-os e baralha-os. E aproveita Sócrates ainda não ter recebido das mãos de António Vitorino o Programa de Governo PS.
Mas ao contrário de W. Bush, Santana é movido pelo desespero. Se o presidente americano podia sempre regressar ao seu enorme rancho no Texas e prosseguir uma existência tranquila e próspera, Santana Lopes tem a própria vida em jogo.
O ainda chefe do governo português está cercado por encargos fixos elevados e não possui bens ou imóveis de assinalar. O ordenado de Primeiro-ministro e presidente de Partido mal lhe chegam para pagar às ex-mulheres e manter alguma vida de socialite. Porque não é um advogado de sucesso, muito menos um empresário astuto, terá que viver da política. Mas se perder as eleições terá que humilhar-se num regresso à Câmara Municipal de Lisboa, onde deixou um buraco orçamental e obras sem nexo ou utilidade, a meio.
E será uma despromoção, ainda por cima. Um gigantesco passo atrás para o homem que, um dia, sonhou ser Presidente da República de Portugal.
janeiro 18, 2005
Influenza [actualização]
A primeiro investida envolveu um xarope para tosses secas - Bromidrato de Dextrometrofano - e o composto de Paracetamol, Ascorbato de Cálcio 2H20, Cafeína, Hidrogenomaleato de Bromofeniramina e Excipientes, comercializado sob a marca de Ilvico N.
Nem sempre foram tomados na hora indicada, mas isso era compensado com uma sobredosagem estratégica.
A febre não baixou, nem o torpor em todo o corpo. E os dias e as noites passaram-se a custo, num maremoto de ranho, numa tempestade de tosse, sem apetite, nem forças.
Seguiram-se um antibiótico - cocktail de Amoxicilina, Crospovidorona, Aspartame e Estereato de Magnésio, ou Clamoxyl, e um xarope para tosses com expecturação - Ambroxol HCI.
E a febre baixou.
Apenas isso.
Mas foi uma conquista tremenda, mesmo para quem começava a gostar dos delírios.

Porque a tosse não pára, uma última tentativa, desta vez assistida por um Médico, envolve a insistência no composto do Ilvico [que, aliás, esteve sempre comigo], e a aquisição de um terceiro xarope - Cloridrato de Clobutinol [depreendo que seja para tosses mistas] e mais dois tipos de comprimidos - Nimesulida Jabasulide e Desloratadina Aerius.
Um dia depois deste novo tratamento, continuo ranhoso, é certo, tusso que me desconjunto e já não tenho voz, mas estou vivo.
Embora não pareça a quem lê este post.
Para a minha sobrevivência contribuíram ainda o chá de casca de cebola, limão e mel e o xarope de cenoura - verdadeiras 'mezinhas' luso-moçambicanas ministradas com um carinho e paciência infinitos.
A tortura da tosse
«Todos os dias enlouqueço de uma loucura qualquer, de qualquer sentido doente que sobre o meu sangue se curva. Todos os dias tenho perguntas para tudo e não tenho respostas nenhumas e a minha mente, que é carnal de medo e memória sem propósito, não descansa; e a minha alma, que é uma névoa e arde de mentira e de vácuo, não tem luz; e a minha vida, essa aspiração imensa, que quase já não é palpável e humana, não me sabe a nada a não ser ao álcool a que me reduz.
Queria amputar-me dessas manias mas não sou capaz, queria rebentar com elas, abri-las até ao pus com que me envenenam, esquartejá-las maliciosamente paciente e voraz. Depois, bebia-lhes o sangue e dava pinos de alegria por estar a fazê-lo.
No entanto, não sou capaz.
Se ainda o fosse.
A vida que levo é um suposto mal entendido como, aliás, eu próprio. Existo com esta ironia que não é, esta tortura que não morre. Quero fugir disto.
Quero dormir.
Quero dormir e que não me belisquem pois é a dormir que não sonho comigo.»
O Desafio à Tristeza [Eduardo White]
janeiro 16, 2005
Impacto súbito
Enquanto olhamos para as primeiras imagens que chegam de Titã - o 'tal' lugar que pode ter sido habitado - um forte abalo súbito vai arrancar a Antártica da sua calma inóspita.
Ninguém sabe exactamente com que forças ou consequências, mas um iceberg de 150 quilómetros de diâmetro está em rota de colisão iminente com a língua de um glaciar flutuante, na costa de Scott.

Os satélites da NASA estão a acompanhar o acontecimento, online. [Colisão 'ao vivo']
Até porque as primeiras imagens decentes da Huygens devem demorar mais uns dias.
janeiro 14, 2005
No ouvido
Acabadas as festas, o meu 'cunhado' Dudu [a.k.a. Eddie Baby] regressou a Londres. Desta vez, leva o coração cheio.
Como é hábito, deixou-nos as últimas novidades da terra do smog: Razorlight e Blocparty.
Os primeiros coloquei de imediato na coluna da direita do blog, para ouvir e ver. Os segundos, são já uma paixão assolapada, mesmo com apenas uma mão cheia de canções disponíveis.

Quarteto muli-racial a laborar no chamado art rock, os Blocparty ainda não são muito conhecidos fora do meio londrino...
Espero que não se estraguem, quando a fama aparecer.
janeiro 13, 2005
janeiro 12, 2005
Viva a Democracia
Acabo de decidir em quem vou votar nas eleições de Fevereiro.
No gajo que não tiver fato às riscas.
Influenza
Percebi ontem que nunca tinha tido gripe.
Quando me constipo, e não é muito frequente, passo um dia inteiro a tossir. Sem parar. Parece que a garganta quer separar-se do resto do corpo. E levar a língua e os dentes com ela. Não há xarope que atenue a tosse, com todas as forças do corpo [mesmo contra minha vontade] a quererem expulsar rapidamente o vírus. E no dia seguinte estou consideravelmente melhor.
Mas ontem acordei diferente.
[...]janeiro 10, 2005
Costura
A minha tia-avó fazia o que queria da sua Singer negra de letras douradas.
Quando a via cozer, bem pequeno, ficava embasbacado. Como se estivesse a olhar para alguém que tocava piano e bateria ao mesmo tempo e ainda desenhava num pano, com uma agulha aparentemente perigosa que lhe dançava entre os dedos.
Era imaginação de criança, eu sei.
Mas o que diria a ti Mariquitas disto?

Uma máquina de costura com memória, que coze qualquer padrão que seja introduzido no seu ficheiro de imagens. Directamente do PC, se for preciso, que a Innov-ís 4000D vem com entrada USB e ecrã touchscreen, a cores.
janeiro 08, 2005
Prova Marginal
Uma amiga nossa esperou 'toda a vida' para ter uma pergunta destas, num exame escrito.
À volta de um círculo, desenhado no papel:
Também a Terra
é uma vogal.
Comente o Poema.
Um exame da cadeira de Literaturas Marginais, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.
O Professor era Rui Zink.
janeiro 07, 2005
janeiro 06, 2005
Nova casa
Esta é a nova cara do Substrato.
Um blog é vivo e interactivo e podem surgir mais alterações, mas passam a ficar alojados aqui, na plataforma do Querido Paulo, os posts novos que escrevermos. São retoques de grafismo e funcionalidade que deram muito trabalho e que melhoram bastante o acesso aos conteúdos. Os textos antigos ficam no Blog-City [vide Arquivos], onde permanecemos durante mais de um ano. A verdade é que o blog estava já demasiado pesado e lento para satisfazer as exigências. Passarão a estar aqui todas as fotografias da Marisa Cruz nua que disponho - e ainda são umas quantas - os dados interessantes que reuni sobre o caso de Pedofilia na Casa Pia - quase todos em segredo de Justiça, os clips dos vídeos caseiros de Tomás Taveira [a sua grande obra], o video porno de Elsa Raposo, imagens de Isabel Figueira nua [para quem goste, que não é o meu caso] e até o latest homevideo of Paris Hilton [mesmo sem nunca ter estado num dos seus hotéis]. E viva o Google e vivam todos os tarados sexuais.
Esta mudança só foi possível graças à pura bondade, à infinita paciência e à auto-didacta sabedoria de Cátia Mourão, do Blog Crónicas de uma Depressão, que, sem me conhecer de lado nenhum, se disponibilizou a construir o template do zero e a mostrar-me como tudo funciona.
A ela ficarei eternamente grato.
Agradeço ainda ao Miguel Fung, verdadeiro mestre nestas coisas da programação e do código, por nos ajudar a resolver os erros que fomos cometendo na construção do template e à Kaku - do Blog Zoom Blete - que foi a primeira pessoa a propôr ajudar-me, e a fazê-lo, apenas porque lamentei, algures, que o Blog-City era desesperadamente lento e eu demasiado ignorante em HTML para conseguir mudar as coisas.
Bem hajam.























































































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