junho 30, 2007

We'll Always Have Mika?

"You've changed the world, Mika Brzezinski," teased co-host Joe Scarborough. "At least my world," she shot back.


When Mika Brzezinski, a presenter on the US cable channel MSNBC's morning show, refused this week to read a bulletin about Paris Hilton's release from jail and even attempted to burn the script on air, she struck a blow for journalistic seriousness and fluff-surfeited Americans everywhere.

It was 7am east coast time, the prime morning news hour, when Brzezinski told viewers: "I hate this story, and I don't think it should be the lead."

She first tried to burn her script (she couldn't work the lighter), then tore it up and finally, after being handed a second Hilton script by a clearly determined producer, got up from her anchor's chair and fed the new script into a nearby shredder, all on air.

"You've changed the world, Mika Brzezinski," teased co-host Joe Scarborough. "At least my world," she shot back.

She clearly spoke for many - a clip of the incident was viewed more than 250,000 times in a day on YouTube. But while many Americans may be fed up with heiress Hilton and actor Lindsay Lohan and the whole celebutante obsession, there still appears to be a greater number who cannot get enough.

Hilton gave her first post-release interview to Larry King on Wednesday, the same day as Brzezinski's protest. It was King's highest rated show of the season - 3.2 million viewers - and triple his average audience. She even outdid the Beatles. Paul McCartney and Ringo Starr, along with Yoko Ono and George Harrison's widow, Olivia, were King's guests the night before and drew about half her audience.

It would be nice to think Brzezinski represents the vanguard of a trend, but one leading US media observer cautions against getting one's hopes up. "What you're seeing in the media culture in this country is an almost crazed effort by traditional media to shore up an economic model that has been shattered by digital technology," said Alex Jones, the director of the Joan Shorenstein Centre for Press, Politics and Public Policy at the Kennedy School of Government at Harvard. "And that means anything that will produce ratings."

Mr Jones added that "there's always this sort of breast-beating after 'silly season' moments like this", and said nothing ever came of it. But Brzezinski's act, he believed, "goes to something deeper: the feeling that people who consider themselves to be serious journalists did not sign on to do this sort of baloney".

It so happens that the week just ending was also an unusually big news week in America on the non-Hilton front. On Tuesday, the Bush administration suffered a major blow when a key Republican senator, Richard Lugar of Indiana, signalled in a speech on the Senate floor that he might not be able to support Bush's Iraq policy when it comes up for its next funding vote in September.

Mr Lugar is highly respected among his colleagues, leading to speculation that other Republicans will follow him, which could hasten the war's end. It was in fact the Lugar story that Brzezinski wanted to read as her superiors kept shoving Hilton scripts in front of her.

It was also a week when the Washington Post published a scoop-laden four-part investigative series on vice-president Dick Cheney's influence on the president; when Congress debated and rejected an immigration bill that was the most contentious piece of domestic legislation of the year; and when the supreme court issued controversial decisions that provided evidence of a sharp move to the right.

These stories were amply covered, even on cable TV, which is reassuring. But in a media world in which conglomerates scramble for every ratings point, it also seems that we'll always have Paris.

Michael Tomasky, The Guardian



junho 28, 2007

El Toscano

O tal do jornalista/detective que apresenta agora uma nova pista sobre a pequena Maddie gives me the creeps.

António Toscano tranquiliza o casal McCann porque El Francês, o perigoso pederasta que terá raptado a menina, não costuma matar crianças e ela estará sã e salva, algures, até que ele decida entregá-la. O único obstáculo a que isso aconteça é o extremo mediatimo do caso. Ainda assim, o espanhol garante que a menina nunca mais aparecerá se a comunicação social deixar de falar no assunto.

Quanto às restantes pistas existentes - suspeitos, cartas anónimas, etc. - são todas falsas, assegura. E diz-se um entendido na matéria por ter resolvido dezenas de casos semelhantes por toda a Europa.


junho 19, 2007

Museu da Electricidade

«Pôr os lisboetas a andar a pé!», «[...] um novo aeroporto em Sintra», «Madrid é um bom exemplo.» «[...] acesso à internet em toda a cidade», «É mentira!», «Silos de estacionamento na Baixa para resolver o trânsito.», «Ganhar a confiança dos cidadãos de Setúbal.», «Remover os graffitis...», «Criar uma cidade amigável.», «Recuperar os 50 mil lisboetas que fugiram em 6 anos!», «Vamos todos ser eleitos.»

A palavra Bragaparques não foi proferida uma única vez, nem pelos sete candidatos em estúdio nem pela condutora Ana Lourenço. Esta destacou-se pelo extremo bom aspecto.

A Maria José Nogueira Pinto e o João Soares ganharam o debate. Naturalmente, os restantes habitantes de Lisboa perderam.


junho 09, 2007

As BP 5/12 voltaram?!

We're back?

- Quer dizer que o direito à indignação já era?
- Tb nunca foi grande cousa, pois não?
- Viva o direito à interrogação, atão?
- 25 do doze sempre?
- Não nos calarão?
- Não nos quê?
- Calarão? 
- Não?
- ...?

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Brigadas posterrroristas 25/12


maio 04, 2007

Petição

Para que, aos Domingos e feriados, deixemos de ter como única escolha as lojas chinesas e a farmácia de serviço.

Aos poucos, aos poucos, deixaremos de ser tão atrasados.


abril 25, 2007

Sempre!


Cartaz da Revolução

25 de Abril, Cid


abril 05, 2007

BP 5/12 revisitadas

A Câmara de Lisboa mandou retirar o placard colocado no Marquês de Pombal pelos Gato Fedorento a satirizar, de forma sublime, o ignóbil cartaz do PNR contra os imigrantes.

De repente, lembrei-me que Carmona Rodrigues ainda não se demitiu...

Ele será mesmo Engenheiro ou apenas licenciado em engenharia?! Hã?!

Segundo uma nota do gabinete do vereador dos Espaços Públicos da CML, António Proa, o cartaz dos Gato Fedorento, colocado ao lado do do PNR, "não possui licença camarária".

Caso a notificação para a retirada do cartaz não seja cumprida, a autarquia vai "proceder à sua remoção coerciva", que terá que ser paga pelo infractor.

A nota da autarquia refere que em relação ao cartaz do PNR "não tem capacidade legal" para o remover, ressalvando que "a lei confere total liberdade" às forças políticas e que a autarquia não pode agir "mesmo quando a razoabilidade e o bom senso assim o pareçam exigir".

José Diogo Quintela, um dos "gatos", disse à agência Lusa que "se o cartaz estiver ilegal, tem de ser retirado", adiantando que a sua colocação passou pela produtora do programa "Diz que é uma espécie de magazine", que os quatro humoristas protagonizam.

Contactado pela agência Lusa, o presidente do PNR, José Pinto Coelho afirmou que "saiu pela culatra" a intenção dos Gato Fedorento de "achincalhar" o cartaz dos nacionalistas. "É uma prova que o nosso cartaz não passou indiferente e que tocámos na ferida", afirmou. José Pinto Coelho referiu-se ao vandalismo que o cartaz do PNR sofreu, afirmando que mostra que "a liberdade de expressão é só para alguns". "Gozar com os portugueses que trabalham de sol a sol e que os enriquecem, comprando os seus DVD, é que é grave", disse o presidente dos nacionalistas, referindo-se à frase "Com os portugueses não vamos lá", inscrita no cartaz dos humoristas.

O cartaz dos Gato Fedorento provocou crispação em alguns meios nacionalistas, como no site do Fórum Nacional Internet, em que vários utilizadores ameaçam explicitamente os humoristas, e do qual José Pinto Coelho fez questão de demarcar o PNR.

Questionado pela agência Lusa sobre as ameaças, José Diogo Quintela afirmou esperar que "sejam só fogachos intempestivos", acrescentando que o grupo "não esperava reacções violentas, porque não há razões para isso". José Diogo Quintela recusou que o cartaz seja uma provocação aos nacionalistas, afirmando que é "uma piada e uma paródia, não é ofensivo e não pode ser visto como uma provocação".

Agência LUSA


4º Poder

Com tanta coisa em que pegar, quis o Público vingar a derrota da OPA à PT com uma marcação cerrada ao supostamente falso currículo de José Sócrates.

Todos os dias, lá vem o pasquim garantir que parece que isto e aquilo, que não é engenheiro, só licenciado em engenharia, se calhar nem isso, porque a escandalosa UnI já o era antes de o ser, porque foi criada no tempo do Guterres, meu Deus.

Cúmulo dos cúmulos, José Manuel Fernandes admite ter cometido um lapso quando disse que o Primeiro-ministro não tinha um MBA no ISCTE [que tem, veja-se bem, como é possível, um gajo que não é engenheiro nem nada!?], uma confusão de termos, admite o Director, que queria era mostrar que ele não tem Mestrado nenhum. Apesar de reconhecer a confusão, lá vêm mais dois ou três artigos de página inteira sobre o tal do falso currículo, cuja fonte principal é um blogue.

Tanta coisa em que pegar e o pasquim de Belmiro de Azevedo distrai-se com um fait-divers ridículo. Nem parece vindo de um jornal onde toda a gente tem a 4ª classe feita.


fevereiro 28, 2007

Rocky VI [ou será VII?]

Naquelas listinhas de estrelas e bolas dos jornais, João Lopes - que ainda assim é o único crítico de cinema deste país - considera Rocky Balboa bem melhor que O Último Rei da Escócia.

Deve ser culpa de uma interpretação tão pungente de Sylvester Stallone...


fevereiro 21, 2007

Carnaval desde 1978

Pela parte que me toca, e eu sei que é muito para o meu bolso, posso recusar pagar eleições da Madeira em que seja candidato Alberto João Jardim?


fevereiro 06, 2007

As vacas parideiras

Tenho ouvido e lido verdadeiras barbaridades nesta campanha do referendo sobre a IVG. Os panfletos distribuídos aos miúdos onde se lhes pede que agradeçam à mãe não ter abortado, são do mais idiota e hipócrita que a imaginação mais perversa podia conceber. Bem como a nova teoria do Não, que quer manter a lei como está, mas pedir aos juízes para condenarem as mulheres que abortarem a "serviço comunitário", em vez da prisão.

Mas as intervenções públicas de uma pessoa têm-me incomodado mais que todas: as da jornalista Laurinda Alves. As expressões faciais que faz quando fala alguém que defende a despenalização mostram ódio, desprezo, egoísmo, sobranceria.

Não sei quantas mulheres a Laurinda Alves acompanhou em processos de decisão sobre uma interrupção da gravidez. Ou se impediu que o fizessem denunciando o crime às autoridades; se as aconselhou a não o fazer e lhes emprestou dinheiro para fraldas e biberons; se lhes arranjou emprego em part-time e um marido que fizesse de pai; se lhes deu consulta psicológica para as livrar dos traumas "pós-traumáticos"; se as escondeu da humilhação pública com roupas de marca; se lhes transplantou o útero que elas estropiaram com uma agulha de crochet; se foi ao funeral das que morreram com uma overdose de Cytotec; se adoptou todas as crianças indesejadas deste país e lhes deu de mamar.

Bastaria um só exemplo para que a minha impressão sobre ela melhorasse substancialmente.


janeiro 08, 2007

Morte por Imitação

Sete crianças e adolescentes, além de um adulto, morreram em várias zonas do planeta quando tentavam imitar a execução de Saddam Hussein.

Um adolescente de 12 anos enforcou-se utilizando uma cadeira e um fio metálico que pendurou na porta de casa em Hafr al-Baten, no norte da Arábia Saudita.

No vizinho Iémen, dois adolescentes escolheram a mesma sorte. Em Sanaa, Saddam Al-Jaki, 13 anos, enforcou-se 4ª feira ao passar à volta do pescoço uma corda que pendurou numa árvore em frente da casa da família. Três dias depois, Mohammad al-Razami, também com 13 anos, morreu ao imitar a execução em Syani, uma aldeia a 200 quilómetros a sul de Sanaa. Perante um grupo de amigos, passou uma corda pendurada a uma árvore à volta do pescoço e caiu no vazio, ficando a debater-se em vão.

No Paquistão, no distrito de Rahim Yar Khan, um rapaz de 9 anos enforcou-se com a ajuda da irmã de 10, graças a uma corda ligada a uma ventoinha no tecto. O pai explicou que a televisão paquistanesa passou vezes sem conta a cena dos minutos que precederam a execução de Saddam Hussein.

Nos Estados Unidos, um menino de 10 anos enforcou-se acidentalmente ao querer imitar o enforcamento de Saddam, depois de ter visto uma reportagem sobre a morte do antigo ditador. Segundo o jornal Houston Chronicle, a criança enforcou-se no beliche.

Na Argélia, na aldeia de Oued Rihou, um rapaz de 12 anos foi encontrado morto na extremidade de uma corda, enforcado pelos seus colegas durante um jogo a imitar a execução.

Também na Argélia, uma cidadã de Orão de 35 anos, traumatizada pelas imagens do enforcamento suicidou-se de desgosto lançando-se do 3º andar enquanto que, na Índia, uma adolescente de 15 anos se enforcou para poder sentir a mesma dor que o antigo presidente iraquiano.

Agence France Press



dezembro 07, 2006

Exemplo

Na fria e civilizada Noruega, os homens são sensíveis e sabem apreciar arte.


novembro 14, 2006

O Código de Pedro

Lortion hent am iniam, verosto dionsent utpation eu feugue eum in verilit nisim ing ecte eriure commy nibh euip eugait, qui bla accumsan volore dolor sum iliquat wisci tat ulput num verostie del dipisi.
Lorper se endrer sumsan hendre te duisit amet, vel utem vel ulla commod tem estis alit, veliqui blaortie corpera sequisisim iliquis enis do dolobor inim zzriustie tat. Ut venibh eu feugait, veliquatuero dolorer senim il duis autpat. Ut lametum il et autpat nonsequipit ullan vel er siscin et nim am, volorpero od mod del ut et wisisit pratisi blandiam, vel do exer suscilit nit am acin hendre molor accummy nosto euip etue enisl doluptat ad del eugait wisis nostrud tin eugue faciliscin ut el do dolese dit nit dolobor sustisl ing essim quat prat, volenibh eu faccum alis alit veliqui cipsumsandre molortin utat. Dui tem inisim zzrillam inibh eugait prat nim dunt luptat nim quis ad tat. Duisl utate euisism dolenit essequis et la feugiam velenibh et er inis etue facinci uisciduisi.
Lore molobore min exeril eu feuguerci ea acilit ex et, conse mincil dit utpatue faciliq isit, quiscidunt la faccumsan velisis iduipisit et, quat luptat. Ut dip ecte dunt vent ullam dipsum do con volore feugue delessi.
Lore modion essed duntLor senis alisi blametu molumsan hent in vel ero esequate mincilisim qui blandip exero od magna accumsandre vel in velenim nullum dolore min heniamet ea at vero odio consed molor in heniamc mmodio dionulla ad ea faccum duip elenit wissi.
Duisit dolesse dolendiam, volorem quatem quatuero ea feuisis autations nos auguerit lore consenim dolenim iriure minibh ea faccum niamcon velit, velesse magnim duipisim in hent vulputpat. Ut vel ullut dio od etummolor in hent ulputat autetuer sed dionsecte dolobore modo et lan eraesed ero euis exercipis nibh ea atummy nonsed eratem delesse dolorper sum zzrit praessim doloborem zzrit laore min ullandions at, velisis iliquisisi.Lortie ex exer sim alis et, sit, si tet alit dolestrud euguer sectem velent utat nos nonsequat wis nonsequat in etum nim quiscin vero commy nonsect tumsand atumsan iamconse delit alit enim dolum augait in heniating eum enisiss sisis nibh elenim vullam vel ipisis nons et la cortinci blandrer ip


O texto acima, surge na edição online do pasquim Público, a propósito do livro Percepções e Realidade, de Santana Lopes.

São as palavras que melhor descrevem o que se passou naqueles gloriosos meses de [des]governação santanista.


novembro 13, 2006

Pedrito de Portugal

É com expectativa que ganho fôlego para a leitura do livro de Santana Lopes. Como se vê pelas entrevistas que o promovem, será um marco na escrita de humor em Portugal.


novembro 06, 2006

Welcome to the Machine

Dentro de pouco tempo, até o prazer será automático.


outubro 31, 2006

Evil Dead

Este pequeno momento de bom humor cinematográfico é dedicado a Zita Seabra, ontem bastante desfavorecida pela maquilhagem, pelo guarda-roupa, pela iluminação do estúdio e pelo que foi dizendo, durante o concurso de televisão Prós e Contras dedicado ao tema não matem as criancinhas, estropiem as mães.


outubro 26, 2006

A 'Ganda' portuguesa

Para não ser o único blogger que não falou do programa, aqui fica a posta sobre os Grandes Portugueses. E o meu voto vai para, ora deixa cá ver, se me vem alguém à cabeça... Não, Afonso Henriques é demasiado óbvio... Figo não foi campeão do mundo... Uma mulher para parecer melhor, Viera da Silva já tem o voto da pestanuda do Bloco é prestígio que chegue... Margarida Rebelo Pinto ainda não tem o Nobel... Já sei!

Estava mesmo à minha frente e quase me esquecia dela. Sem dúvida, é a melhor representante de um "grande português".

Quem não gostaria de chegar onde ela chegou, daquela forma, ter o que ela tem, estar onde ela está?! Uma jornalista que preparava completamente sozinha entrevistas a políticos, artistas e intelectuais, que soube filiar-se no partido que ia ganhar as eleições, que depois chegou a deputada, que conseguiu distinguir-se como parlamentar com discursos brilhantes e intervenções acutilantes e corajosas, que subiu a pulso no partido e obteve um cargo invejável fora do país, para subir e descer milhões de vezes a Oxford Street em busca de cultura, para se vir embora deixando uma marca indelével na cidade, e regressar em grande à televisão para apresentar um programa deste calibre, que consegue juntar José Hermano Saraiva e Ricardo Araújo Pereira no mesmo painel?!

O meu voto tem que ir para Maria Elisa.

PS: Tenho mesmo que pagar aqueles 70 cêntimos mais IVA?


outubro 20, 2006

Caciques

E apesar disto, eles continuam a vencer as eleições, umas atrás das outras, lá em cima e cá em baixo. Pior ainda, protestos como o do Rivoli são raros e vistos como bizarros.


outubro 18, 2006

Ibéria

Aproveitem agora, que eles estão distraídos.


outubro 12, 2006

Fait-Divers

Acho que é no Clube dos Poetas Mortos que alguém diz que as palavras podem, de facto, mudar o mundo. Chamem-me utópico, mas o mundo está como está porque quem tem o poder de chegar às massas não diz o que deve. Quase nunca se usam as palavras para defender e fazer o bem.

Na primeira página dos jornais de hoje, sem excepção, vêem-se imagens de um edifício de Manhattan a fumegar, resultado do embate de um pequeno avião que, por acaso, não se vê. Desta vez, não houve terrorismo, apenas manifesto azar ou imperícia do piloto. Do lado oposto literalmente, na última página ou remetido ao canto de uma interior, os mais atentos leram uma outra estória: em Angola, 470 mil pessoas vão perder o único meio de subsistência, porque o Programa Alimentar Mundial não tem dinheiro nem transporte para distribuir a comida recebida em donativos. Milhares de crianças vão ficar sem a merenda escolar, por exemplo.

Dizem os jornalistas que o pequeno incidente nova-iorquino reacendeu a memória do 11 de Setembro, justificando assim o destaque dado à notícia.

E a fome em Angola, a miséria em África, reacende alguma coisa?!


setembro 01, 2006

Reticências

Mas só agora é que deram pelo fim de O Independente?!


agosto 22, 2006

Fogo de vista

Já aqui critiquei a RTP, e muito, porque ao contrário das outras televisões, tem obrigações de serviço público que, regra geral, não cumpre. E porque é paga pelos contribuintes e pelos consumidores de electricidade, deve ter níveis de qualidade que, excusado será dizer, também não tem, quase nunca.

Mas discordo da análise de Eduardo Cintra Torres, este Domingo, sobre a cobertura dos incêndios pela televisão pública. É uma opinião inexacta e oportunista. Nem o facto de se tratar de um crítico de televisão [a pior profissão do mundo] serve de desculpa. Naturalmente, naquelas circunstâncias, a RTP teria que dar maior importância à guerra israelo-libanesa, onde estavam uma dezena de enviados-especiais. A questão dos fogos por circunscrever foi tratada com a serenidade possível, mais adiante no Telejornal.

Não deixo de assinalar com curiosidade e um abanar de cabeça trocista que uma das vozes doutas que condenou nos anos anteriores os dramáticos e prolongados directos televisivos repletos de "como é que se sente" e lágrimas de desespero, levante agora a voz contra a "censura" e a "instrumentalização" dos jornalistas, logo aplaudido por tantos bloggers.

Mais do que mergulhado na silly season, este é mesmo um silly country.


agosto 17, 2006

A ratazana

Pelos vistos, há quem não perceba a diferença entre o escritor e a sua escrita.

Isto a propósito dos que se apressam a dizer que nunca mais vão ler Guenter Grass porque este confessou, só agora, ter pertencido às Waffen SS nazis quando tinha 17 anos.


agosto 16, 2006

Outrem

O que seria deste país, sem as baby sitters?


julho 18, 2006

Popular

Na capa de um tabloide lê-se que Nuno Melo tentou matar a ex-mulher. Limito-me a abanar a cabeça com desdém, porque as intervenções do dirigente do PP na assembleia e nos media mostram alguém capaz disso e muito pior.

Afinal, mais adiante no jornal, descubro que se trata de outro Nuno Melo qualquer - um actor que me lembro vagamente de fazer de castrado numa telenovela portuguesa.

Ao actor, dou o benefício da dúvida.


julho 14, 2006

Pé de Microfone

O enviado-especial da rádio a uma importante cimeira no estrangeiro, manda por telefone o que em jargão de jornalista se chama som em bruto: o resultado de conferências de imprensa que ainda não sofreu qualquer tratamento.

Por entre as estopadas, o editor pergunta ao repórter porque não faz uma peça onde resuma o que foi dito de mais importante. Sugere-lhe até que escolha "sons" da parte de perguntas e respostas, sempre a mais interessante de qualquer conferência de imprensa.

O enviado recusa e justifica-se dizendo que não está dentro do assunto. A culpa, claro, é do calor extremo.


julho 05, 2006

Bons rapazes


Olha, eu peço-vos o mesmo. Já que chegámos aqui...


junho 22, 2006

Sem querer

Tudo bem, mas o problema é que agora vamos jogar contra a Holanda. E na Holanda joga-se assim.


junho 01, 2006

Naturais

Gostei de ver, em pleno prime time da SIC, um casal de nudistas dar uma entrevista sobre o sossego que é uma praia sem assistência, semi-deserta. Ele não era propriamente avantajado, ela não era exactamente elegante, mas não se intimidaram com o plano de corpo inteiro oferecido pelo repórter de imagem, nem com as perguntas vestidas da jornalista.


abril 18, 2006

Reality Show

É certo que nunca ouvi falar do jovem "actor" que morreu e admito que posso não ter alcançado a notoriedade adquirida por ele no meio audio-visual lusitano e no imaginário dos telespectadores da TVI... Mas será que se justificam estas horas todas de directos da família e do bairro onde ele cresceu, da câmara ardente e do funeral, as reconstruções digitais do acidente ad-nauseam, mais funeral ainda e mais família e amigos e colegas da novela, com regresso ao funeral de repórteres exaltados e prantos, muitos jovens a pedir autógrafos e a apontar o dedo, dias a fio?!


março 24, 2006

Gato Escaldado

Is it me, ou eles perderam a piada de outros tempos?!


janeiro 23, 2006

Birra

Este blog junta-se ao protesto generalizado e acrescenta repúdio contra as seguintes ocorrências da noite eleitoral televisiva: Marques Mendes usou da palavra ao mesmo tempo que Jerónimo de Sousa; José Sócrates falou ao mesmo tempo que Manuel Alegre; Francisco Louçã discursou depois de Mário Soares; ninguém ligou ao que disse Ribeiro e Castro; Garcia Pereira, afinal, também era candidato; Helena Roseta e Ana Gomes disseram pouquissimo; Manuela Moura Guedes reapareceu sem avisar; Jorge Sampaio não chorou.


janeiro 21, 2006

O grito


por BZ


Em exposição no Palácio de Belém, até 2016.


janeiro 20, 2006

O melhor deste blog...

A discussão vai acesa, na caixa de comentários da posta anterior. Vernáculo incluído, a par de uma análise crítica e atenta de Adelino Gomes, sobre o jornalismo que se faz, ou deixou de fazer-se, neste país.

Post Scriptum: a par da contenda, a Kaku acrescenta mensagens subliminares no seu Blete.


janeiro 19, 2006

A Máquina

Diz a peça que a reacção do povo foi espontânea e esmagadora.

Espontaneamente, dizem os repórteres das televisões que já não disfarçam a encomenda, todos se dirigiram à sua varanda e lançaram do alto papelinhos com as cores da candidatura, que esvoaçavam à volta do candidato triunfante. Espontaneamente, havia câmaras nas próprias varandas, onde pessoas espontaneamente maquilhadas, jovens e sorridentes, festejavam e gritavam motes eleitorais à passagem da comitiva de Cavaco.

E esta é a única verdadeira diferença entre PSD e PS. Os do centro-direita têm traquejo e estão oleados na forma como conduzem a propaganda. Às vezes exageram, em cartazes despropositados e ofensivos, mas dominam os truques básicos da ilusão. Já os do centro-esquerda, quase sempre*, ficam-se pela birra, pela crítica à comunicação-social que não podem controlar (tirando pela militância dos jornalistas) e repetem o beijinho e passo de dança populares, bem mais atabalhoados.

O resto são interesses maiores e camuflados, que lhes conduzem o destino.


*As únicas excepções: Guterres recebeu a ajuda de um publicitário brasileiro e da música de Vangelis para vencer, quando Cavaco fugiu à derrota. Sócrates imitou a direita e aproveitou as asneiras de Santana para bater o record do partido.


janeiro 18, 2006

Últimos Cartuchos
[aka Recta Final]

Fotografia e Texto de Kaku [blog Blete]

Se os cartazes de propaganda dos candidatos de esquerda tivessem metade da qualidade das 'mensagens subliminares' da Kaku, teríamos evitado uma derrota humilhante, logo à primeira volta.

Com aquele teríamos, refiro-me a todos os portugueses, não apenas aos de esquerda.


janeiro 14, 2006

Aníbal, o pequeno

Sr. professor, não coma, terá dito um assessor quando Cavaco se preparava para atacar uma qualquer vitualha ante uma equipa de reportagem. Sr. professor, não diga nada, ignore, ter-lhe-ão dito a propósito de Santana. A indiferença pode ser a mais acabada forma de desprezo e a melhor afirmação de poder (desde que, bem entendido, se tenha poder) . Mas é preciso saber encená-la. E Cavaco não sabe. Estava demasiado irritado para que o silêncio e a superioridade lhe saíssem bem - e quando o silêncio não é superior, sai ao contrário Cavaco "ficou-se". O "não merece comentários" que se seguiu já não serviu de nada.
Incapaz de esconder o azedume que o seu ex-secretário de Estado lhe provoca, não logrou um pingo de ironia, de graça - qualquer coisa como "ainda tentei ver a entrevista até ao fim, mas deu-me o sono, é que é sempre o mesmo", ou "compraz-me verificar que o Dr. Lopes já saiu do período de incubação mas, apesar dos seus esforços, não se tornou infeccioso" (esta é pedir de mais, mas pronto).
Perante as caretas de um ex-aluno que ele próprio chumbou e contribuiu para expulsar, o professor reagiu sem autoridade nem segurança nem poder de encaixe. Não teve grandeza. E chegar aos 60% nas sondagens sem grandeza para esmagar um santana é obra.

Fernanda Câncio*, in Diário de Notícias

* a jornalista que tem despertado a inveja de vários tabloideiros, não porque namora com o 1º ministro, mas porque escreve bem, e é gira [mais que na pequena foto apensa ao artigo].


Euforia

[...] Eu não sou é do campeonato dele. Eu não ando nesta campanha para pedir uns tostões e para juntar uns votinhos, eu estou nesta campanha para vencer esta eleição presidencial.

Manuel Alegre, a falar de Francisco Louçã, fez-me lembrar um amigo meu. Basta-lhe beber uns whiskies e acha-se logo capaz de engatar a Soraia Chaves numa festa da Central models.


janeiro 11, 2006

Lisboa a arder

Um grupo de empresários e juristas do norte exige um referendo sobre a OTA e outro sobre o TGV.

Nós concordamos e apoiamos. Desde que, claro, seja feito antes um outro referendo sobre essa possibilidade - a de submeter estas obras públicas, e outras, a referendos.

E, já agora, que se faça um outro referendo sobre o uso de galheteiros nos restaurantes, que foram proibidos e substituídos por garrafinhas de Oliveira da Serra.


janeiro 04, 2006

Apatia

O povo português, que tem a ventura, sem exemplo na história moderna, de ser guiado neste grande e magnífico certame por seu grande Rei, o povo português, digno desta glória por sua docilidade e moderação, caminha lento, é certo, rodeado de embaraços, por uma estrada minada, semeada de estrepes, bordada de ciladas, mas caminha todavia apesar de tudo isso.

Almeida Garrett, n' O Cronista, em 1827

Mas para onde caminhamos nós, apetece perguntar, na véspera da demolição da casa onde viveu Almeida Garrett, apesar da vigília de protesto que hoje se organiza na Rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa.


dezembro 22, 2005

o Mal do Mundo

É preocupante que haja jovens que têm como ícone Che Guevara, um dos grandes assassinos do século XX. É importante que a esquerda se saiba libertar dessas suas referências tremendas de violência, crueldade e intolerância. A esquerda tem responsabilidades em grandes males do mundo. Isso é indiscutível. Olha-se para o cortejo de miséria na África contemporânea e sabe-se que isso é devido a regimes de esquerda que têm governado o continente. Acontece o mesmo em Cuba e na Coreia do Norte. O terrorismo contemporâneo tem origem numa deriva totalitária do pensamento marxista-leninista e isso tem que estar presente no consenso do combate ao terrorismo.

José Ribeiro e Castro, presidente do CDS/PP

Solidários com o líder da direita portuguesa, propomos a imediata beatificação de Adolf Hitler, Pinochet, Hideki Tojo, Muammar Khadafi, Ismail Enver, Papa Doc Duvalier, Franco, Hafez Al-Assad, Omar Torrijos, Mussolini, Rojas, Ayatollah Komeini, Rios Montt, Marcos, Idi Amin, Saddam Hussein, Suharto, Slobodan Milosevic, Noriega, Anwar Sadat e Salazar, que conseguiram exterminar, cada um, vários milhões de perigosos esquerdistas, um pouco por todo o mundo.


dezembro 20, 2005

Duelo

Esta noite, na televisão, desinteressadamente, vi o "velhinho de 81 anos" humilhar o economista autoritário que mais não conseguia que contorcer-se na cadeira e sorrir nervoso para os amigos apresentadores, tal a frontalidade dos argumentos, disparados com precisão contra a sua, afinal, frágil carapaça.

Houvesse vontade para mudar as coisas e seria decisivo, a um mês das eleições. Podíamos começar por discutir as diferenças entre este debate... e os outros 'confrontos' entre candidatos, promovidos pelas várias televisões. Fica para daqui a dez anos.


Pachorra

O que eu acho extraordinário, absolutamente extraordinário, é que ainda haja quem veja O Eixo do Mal.


dezembro 15, 2005

O Tempo da Televisão

Quando saíu, o seu filho era criança... agora já é adolescente.

Diz a jornalista da SIC, falando do co-piloto português que esteve preso 14 meses, na Venezuela.


dezembro 11, 2005

Missa do Dia

Calca para Ampliar
por BZ



dezembro 08, 2005

No Tempo da Democracia

Mário Soares está velho. É o ancião da democracia portuguesa que já podia estar reformado e ter o seu lugar de glória na História. Mas não se ficou. E mostrou na curta entrevista ao cavaquista editor de política da RTP, à chegada aos estúdios do Lumiar, porque também nós não devemos ficar-nos.

Vivemos num regime mediático onde não há qualquer discussão de ideias, mas um voyeurismo apático. São as televisões que decidem quem ganha e quem perde, são elas que nos mostram um produto final, ao qual devemos reagir com aplausos ou apupos, nunca questionar.

Soares protestou que a pergunta feita pelo jornalista, antes de um debate entre ele e Jerónimo de Sousa, não fosse nem sobre ele, nem sobre o líder do PCP. Era sobre Cavaco, claro. E Soares lamentou que o debate não pudesse ser olhos-nos-olhos, com interpelações e argumentação. Porque as televisões não deixam. Será apenas mais um show de monólogos sensaborão, que não prejudica a imagem pré-concebida criada para cada um dos candidatos.

Cavaco já venceu. E com 60% dos votos ou mais, à primeira volta. É isso que se vê, que se diz, todos os dias, em todos os telejornais, em todos os jornais e rádios. E ninguém questiona.

Paradoxalmente, o regime mediático passará a ser encabeçado por um bibelot desengonçado e ignorante, cheio de jagunços e seguidores oportunistas, mas vazio de carisma, de telegenia, ou de gosto.

Mas não será com o meu voto.


dezembro 06, 2005

Whisky velho e Bolo-Rei

Curiosamente, é no pasquim Correio da Manhã que encontro a melhor análise ao primeiro "debate" presidencial televisivo.

Alegre cavaqueira na SIC
O título resume tudo. E alguém ainda acredita nas "boas intenções" do poeta?!



dezembro 02, 2005

É Quando uma Televisão Quiser

No Verão, os jornalistas invadem as matas para relatar os incêndios. Agora, na pré-época natalícia, fazem directos dos hipermercados para relatar as compras. E é vê-los nos corredores da secção de brinquedos das grandes superfícies, mesmo que não tenham quase ninguém, em qualquer dia da semana.

Os mais ousados, conseguem substituir o como é que sente? por um conseguiu comprar o que queria?, quando apanham uma mãe aflita ou uma avó prevenida.


dezembro 01, 2005

E uma vacina?

Os cientistas acabam de demonstrar que a paixão resulta da secreção de uma molécula - a NGF, cujos efeitos duram pouco tempo, no máximo um ano.

Mas até eu, que me apaixonei por uma cientista, prefiro continuar a ver a paixão como os poetas, a senti-la como uma magia que não precisa de explicação.


novembro 28, 2005

We are the Robots

Ter seguranças nos corredores e polícias à porta das escolas, não há outro remédio... Mas ver as associações de pais exigirem medidas mais drásticas para impedir que, nos recreios, os alunos mais fortes hostilizem os mais fracos, parece-me um disparate.

Ou alguém acha que no mundo real, ao longo da vida, vamos ter um guarda-costas que nos proteja dos outros, prontinhos para nos lixar e passar por cima?

]Curiosidade: em miúdo, estive nos dois lados dessa barricada: no liceu, comecei por ser tímido e imberbe e fui gozado, excluído, espancado, praxado e roubado. Lá para os 15 anos cresci abrupta e desmesuradamente: com mais de metro e oitenta e voz grossa ganhei popularidade, engatei as miúdas mais giras e vinguei esses actos de violência. E estou certo que contribuí para fazer uma melhor pessoa daquele rapaz que, depois de me ter amarrado a um caixote do lixo em pleno pátio do Liceu Camões, apenas para se exibir, se viu, dois anos lectivos depois, pouco antes de me reconhecer, conduzido pelas orelhas para dentro do mesmo caixote, já quase cheio, e rebolado até à náusea pelos campos de futebol. Eu sei que exagerei, o Conselho Directivo bem mo lembrou, e o meu pai nem se fala, mas soube melhor que a minha primeira vez.[


novembro 22, 2005

IdiOTAs

Se percebo o ridículo do TGV - quando estiver pronto, já há soluções mais rápidas, práticas e baratas em termos de comboio de alta velocidade - e de outros projectos do governo, não apoio a contestação à construção de um novo aeroporto na capital.

Já fui [obrigado a ir] de avião a várias cidades da Europa e de África e nunca estive em mais nenhuma com o aeroporto no centro da cidade. Heathrow, Orly, Leopold Senghor ou Mavalane, ficam a muitos quilómetros da cidade e obrigam a utilizar combóio ou autocarro e, nalguns casos, o táxi. Ou uma boleia generosa, mais barata e confortável.

Eu sei que é muito bonito chegar a Lisboa, e engraçado poder dizer para quem está sentado ao lado - Olhe, aquela é a minha casa! Viu, o meu gato à janela?! Reconheceu logo o dono, a malandra... Mas quando estamos em terra custa muito, levar com o barulho dos motores de dois em dois minutos. E são milhares, as pessoas afectadas por essa coisa a que ninguém liga chamada poluição sonora.

No outro dia, em mais uma pseudo-notícia de um pasquim semanário, falava-se dos turistas que a cidade ia perder. Mas quem é o atrasado mental que acha que alguém, no seu perfeito juízo, deixará de vir a Lisboa porque o aeroporto fica fora da cidade?! Então e Londres, Paris, Maputo, Joanesburgo, Dakar, Bruxelas, Roma, e por aí fora?! Ahh, não. Buenos Aires, não. Mude aí o destino do voo para Nouakchott, que ouvi dizer tem uma pista de terra mesmo junto ao mercado!

Não se trata só de reconhecer o óbvio - que a Portela já está a rebentar pelas costuras e a colocar sérios riscos de segurança -, mas um aeroporto fora da cidade é bom para a região em que for construído: vai desenvolver infra-estruturas, transportes e comércio, trazer empregos [milhares] e serviços. E vai fazer deste país, um sítio menos centralizado e dependente da capital, porque haverá outras cidades [Santarém, por exemplo] que passarão a reclamar - temos aeroporto internacional.

Melhor ainda, com um novo aeroporto, deixarei de discutir com o taxista, de toda e qualquer vez que chego a Lisboa, por mais cansado ou saudoso que esteja, apenas porque lhe digo que vou para a Avenida da Igreja.


Night of the Chicken Dead

Finalmente, alguém ridiculariza o frenesi mediático/popular à volta da gripe das aves.

O trailer deste Poultrygeist: attack of the chicken zombies mostra uma Troma em grande forma, em mais uma sátira gore assinada por Lloyd Kaufman.

Para além de exorcizar o medo à volta do H5N1, explora como ninguém o provincianismo americano e o negócio das redes de fast food.

O filme [ou o trailer] não deve ser visto depois de uma refeição... de frango, ou de outra coisa qualquer.


novembro 20, 2005

Nepotismo descarado

Vejam só

Fazem parte dos quadros da Portugal Telecom os filhos de Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres, Jorge Sampaio, Edite Estrela, Jorge Jardim Gonçalves, Otelo Saraiva de Carvalho, Teixeira dos Santos, bem como o irmão de Pedro Santana Lopes. Estão também nos quadros da PT, ou da TMN, João de Deus Pinheiro, Briosa e Gala, Jaime Gama, José Lamego, Luís Todo Bom, Álvaro Amaro, Manuel Frexes, Isabel Damasceno. Bonito, não é? Portugal é o campeão do descaramento.

in Expresso das 9, 18 de Novembro de 2005


novembro 15, 2005

Blog Calhamaço

É óbvio que o |Substrato| nunca será um livro [até porque estamos a falar de dois veículos diferentes e um não pode ser reduzido ao outro e vice-versa - nem 'quando' este blog tiver cheiro ou textura], mas divirto-me a imaginar a lombada que era precisa, para suportar as postas e os respectivos comentários.


novembro 10, 2005

Momento televisivo do Dia

Ora bem... Os distúrbios em França estão a esmorecer... e já ninguém tem paciência para imagens de carros calcinados... Dois atentados bombistas no Iraque... nada de novo... O Cavaco continua calado que nem um rato a comer bolo-rei... e ainda bem... O Marques Mendes não sabe fazer contas, coitado... mas não devia conseguir ver o quadro negro, nas aulas...

Ah!! Cá está!!

Um caso de gripe das aves descoberto na... onde é que foi... ah, na Indonésia! É longe, mas olha... Não, outro caso... Há um cisne com sintomas... em Itália!

Serve: Gripe das Aves regressa em força! O Medo apodera-se dos cidadãos da Europa.

Ufff.


novembro 02, 2005

La Haine

Clichy-sous-Boys, Val d'Oise, Seine-et-Marne, Yvelines, bairros periféricos de Paris, respondem à desintegração a que são sujeitos com ódio extremo.

É um filme conhecido. Bem real.


novembro 01, 2005

Desistimos se formos Eleitos

Ainda que as nossas postas de teor político-demagógico o tenham deixado bem claro, reforçamos que o nosso candidato é este.


outubro 28, 2005

País sub-desenvolvido

Moçambique prepara-se para despenalizar a interrupção voluntária da gravidez.

Diz o take da Agência LUSA que o governo de Maputo quer pôr fim à catástrofe que representa o aborto clandestino: milhares de mulheres morrem, ou ficam impossibilitadas voltar a ter filhos, todos os anos, quando tentam interromper a gravidez de forma não assistida clinicamente.

Remata a LUSA que a actual lei moçambicana sobre o aborto ainda se baseia na legislação colonial portuguesa que previa a prisão das mulheres que praticassem o aborto.

Uma lei arcaica e desumana...


outubro 20, 2005

Aníbal, o boçal

O Presidente de Portugal é, tão somente, o representante do país no estrangeiro, o cicerone que desce a escadaria e recebe os outros estadistas e lhes mostra os jardins do Palácio, a figura simbólica que levanta o pescoço e semi-cerra os olhos durante o hino nacional, dono de sotaque firme quando comenta questões generalistas numa qualquer língua estrangeira, em conferências e cimeiras internacionais, para parecer tudo menos subserviente.

Assim, e uma vez que não somos uma monarquia há orgulhosos anos, quer-se do Chefe de Estado português que tenha bom aspecto e vista bem, seja prolixo e culto, viajado e reconhecido, simpático mas respeitado. Exige-se ainda que saiba exercer os poderes constituídos, dissolvendo o parlamento em casos extremos - se aparecer um novo Santana Lopes, por exemplo - declarando a nossa participação numa guerra, vetando leis que lhe pareçam absurdas, concedendo indultos a presos vários.

Ora, Cavaco Silva, o homem que hoje quebrou o tal do tabu nº 2 qual D. Sebastião que aparece do denso nevoeiro ao fim de séculos, é o oposto de tudo isso:

- Tropeça em palavras que decorou durante anos a fio, mesmo em frases com nada mais que sujeito, predicado e complemento directo, com uma timidez rígida que o impede de mover as sobrancelhas com conexão e objectividade.

- Limpa com a própria mão, de dedos bem destacados, a baba que se acumula nos cantos da boca durante o discurso, por mais água que beba a cada quatro palavras.

- Come de boca aberta - seja bolo-rei ou qualquer outra coisa que se mastigue, apesar de ter estudado em boas escolas de Inglaterra.

- Consegue dar a sensação imediata que dormiu e acordou dentro daqueles fato, gravata, meia cinzenta e laca capilar.

- Tem um sorriso tão natural como o do elefante que toca o sino no Jardim Zoológico, quando se lhe atira uma moeda.

- Sabe a raiz quadrada de 56.342 sem pestanejar, mas não faz a mínima ideia quantos cantos têm Os Lusíadas e muito menos saberia citar um qualquer poema de Fernando Pessoa, quanto recordar a prosa de qualquer importante autor estrangeiro.

Dito isto, por muito má que a memória seja, bastou uma tarde inteira a ver nas televisões os encontrões dados pelo grupo de seguranças de Cavaco aos jornalistas [que apenas queriam dar-lhe colo], para recordar os tempos das Forças de Bloqueio, das PGA, do SIS e de leis como aquela que obrigava todo e qualquer português a ter sempre consigo o B.I., mesmo que fosse passear ao café da esquina, arriscando-se a passar a noite na prisão até que fosse identificado pela polícia. Sim, foi Mário Soares quem vetou essa lei... na frescura e irreverência naturais dos seus 70 anos.


outubro 14, 2005

O Culto dos Líderes
[neste caso, lê-se lidres]

Ainda não é desta.

Eu tinha esperança que o regozijo de uma vitória contundente mudasse o edil da Câmara de Lisboa. Apesar do péssimo exemplo destes quatro anos - o Parque Mayer está mais abandonado ainda, apesar dos milhões gastos num projecto; a Feira Popular fechou e talvez vá para a Docapesca, no dia de São Nunca; o tal do Casino não arranca, só ameaça; o túnel do Marquês continua à espera de uma saída que não colida com as estruturas do metropolitano para se abrir... à sua inutilidade; a cidade continua a ter cheias aos primeiros pingos de chuva; a poluição atinge níveis da Ciudad de Mexico, mas Lisboa tem 5% da população; o trânsito é o mais caótico daqui até Bombaim; os transportes públicos não são melhores que os chapas de Maputo, mas atrasam-se mais; a especulação imobiliária só se compara a Paris ou Nova Iorque, nas zonas mais hip; os assaltos são cada vez mais frequentes, em plena luz do dia, mas as únicas autoridades que se vêem são funcionários da EMEL a bloquear carros, que se encostam em segunda fila e em cima dos passeios, sem outro lugar onde estacionar.

Apesar de tudo isto, tinha esperança que Carmona Rodrigues quisesse, desta vez, fazer mesmo qualquer coisa para melhorar a vida em Lisboa. Mas a primeira promessa que fez, foi vã. Logo para começar. E podia ter prometido mil e uma outras coisas.

Vou tirar os placards que inundam a cidade, disse ele na 2ª feira, a seguir às eleições. A cidade não pode estar assim! Vamos ter uma cidade arrumadinha, mais bonita, mais limpa e segura, - foi a bandeira pós-eleitoral vociferada nas diversas entrevistas.

Pois não pode. Mas continua assim. E assim vai continuar. Os placards gigantescos que estão espalhados em cada esquina, praça, rotunda, jardim ou viaduto, ali vão permanecer. E o primeiro partido a dar o 'exemplo' foi o PCP.

Já lá estão os cartazes novos, gigantes, a vermelho berrante, que falam na necessidade de um Portugal com futuro, num Portugal a caminho do desenvolvimento.
Merda para isto! Ainda por cima descubro que Portugal só tem futuro e só atingirá o desenvolvimento com o Partido Comunista. Assim, tipo Albânia e Coreia do Norte... países tão desenvolvidos e cheios de futuro, onde vigoram regimes comunistas vermelho berrante.

As Brigadas Posterrroristas 5/12 vão ter muito trabalho pela frente. Eu proponho queimar tudo. Deixar só as cinzas desses placards, para se varrerem de manhã.

Nada mais que cinzas e as fachadas da nossa cidade.


outubro 02, 2005

Manipulação

É suposto Portugal ser uma democracia. Uma jovem democracia, como se diz, saída de uma áspera e prolongada ditadura que deixou marcas profundas que a nossa sociedade ainda não ultrapassou. Mas é suposto sermos uma democracia onde há liberdade de expressão. E o que temos?

Temos um povo ainda iliterado na sua maioria, distraido na generalidade, pessimista e preguiçoso, que esquece facilmente o passado e parece não ter futuro. Um povo que vive para o futebol e para a televisão, que não lê, que não debate, que apenas desenrasca quando a isso é obrigado.

Na televisão que nos domina, por exemplo, seja qual for o canal, em sinal aberto ou fechado, ninguém tem tanta atenção como Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Ferreira Torres e Isaltino Morais. E não porque se destacaram a fazer obra, apenas porque são polémicos e causam sensação e furor. Dizem uns que são esses os exemplos de como a democracia fracassou, porque vão ganhar. Pudera. Com tanta atenção mediática até os cães votaraim neles.

Concordo que há um fracasso. Mas a democracia fracassou na sua génese e devia ter dentro de si a matéria para se regenerar. E não tem. Não tem porque o chamado 4º poder se tornou o maior dos poderes da Democracia. E porque esse 4º poder é ainda mais corrupto que os outros que devia vigiar.

A comunicação social - e não só a televisão - subverte a realidade e serve-se da ignorância, para impôr as suas próprias caricaturas.

Hoje, por exemplo, o telejornal da SIC elaborou uma 'peça' de vários minutos para mostrar que José Sócrates - o Primeiro-ministro - tinha vestido a mesma camisa e casaco em dois comícios diferentes, em dois pontos distintos do país, com vários dias de intervalo. E que disse coisas semelhantes em ambos os discursos, "vejam bem". Abordou exactamente os mesmos problemas, fez as mesmas promessas, utilizou os mesmos slogans.

Mas o jornalista [que nem dá voz] não fez qualquer análise ao conteúdo, apenas à forma. Ali, José Sócrates deixou de ser um político em campanha, ou o governante máximo do país em digressão, e passou a ser uma qualquer 'celebridade' que vestiu a mesma roupa em duas ocasiões diferentes.

E cada vez mais me convenço que já não vivo numa democracia. Vivo num reality show permanente.


setembro 26, 2005

BP 5/12 - Operação Posta-Ito

Mais uma vez, uma ideia simples e uma frase explicativa: um post-it em cada cartaz denuncia quanto custa tanta e tanta campanha aos lisboetas. Afinal, o aluguer comercial daqueles espaços e a recuperação do chão destruído pelos pilares não ficaria por menos que 5 mil euros, no caso dos placards maiores. Cada um.
Já que não foi preciso o habitual brainstorming para a criação de slogans, viu-se [e reviu-se] o filme de uma outra acção, e a adrenalina aumentou. Às ausências forçadas da Fada e do Reizinho, contrapôs-se o reforço com dois novos elementos, vindos do Instituto Superior Técnico [sim, parece que tem Arquitectura, afinal] e da... Câmara Municipal de Lisboa [a revolução vem de dentro!].


Assim se imprimiram 40 post-it tamanho A3 [porque falamos de placards enormes], de várias cores, para legendar outros tantos cartazes, de todos os candidatos à Câmara de Lisboa. O Insone teve a minúcia de criar dois tipos de post-it: porque os placards menos grandes são menos caros - 3 mil euros.
E foram sendo colados junto à cara amigável de Ribeiro Telles e outra 'gente de Lisboa' que apoia o Zé do Túnel [apoia, mas não sabemos se vota], junto ao sorriso estridente do pai de Dinis Maria e marido de Bábá, por baixo do ar misto de tia/intelectual de Zézinha misericórdia, a abrilhantar o aspecto de Padrinho da Máfia de Carmona [e quanto mais perto se vê a cara, mais medo se tem - aconselhamos um olhar de esguelha]. Nem os poupadinhos comunistas foram poupados [ainda que não tenham sido fotografados em condições].
Desta vez o clima era ameno, o vento calmo, os cartazes pequeninos, a cidade tranquila. E nem uma bacia de lavar a roupa, cheia de cola, ou duas vassouras compridas com um rolo de tinta na ponta, chamam a atenção dos poucos transeuntes. Quer dizer... Ao polícia de plantão até chamam. E bem ficou ele a olhar para o que estava a acontecer, sem conseguir perceber. Just in case, passo bem acelerado a contornar o bairro pelas traseiras e batida em retirada estratégica, que há mais praças na terra.
Eram 3 da madrugada e estavam calcorreados Areeiro e Praça de Londres, Saldanha e Bairro Azul, Rossio e Terreiro do Paço, Entre-Campos, Campo Pequeno e Praça de Espanha. E que bom foi ver que, ao menos o Rossio, continua sem placards a esconder tudo o que é monumento e fachada histórica!


A Campanha arrancou


Calca para Ampliar

E as Brigadas Posterrroristas 5/12 saíram à rua!

Calca para Ampliar

São quase 40, os cartazes devidamente explicados, nalguns pontos nevrálgicos da cidade de Lisboa ou nos locais onde os candidatos tomam o pequeno-almoço.


setembro 21, 2005

Cidade Maravilhosa

Acho incrível, inaceitável mesmo, que nenhum dos 312 jornalistas em directo do Tribunal de Felgueiras tenha mencionado o penteado novo que a ex/futura autarca trouxe do Brasil.


setembro 01, 2005

O Terceiro Mundo não é Aqui

Nos locais atingidos pelo Katrina, no Louisiana, os bandos armados 'organizam' o saque às casas destruídas e pilham os poucos haveres que sobram nos destroços. Até um helicóptero de salvamento, que resgatava sobreviventes dos telhados, foi alvejado a tiro e obrigado a partir, deixando feridos pelo caminho.

Enviados para Biloxi e New Orleans, os soldados acabados de chegar do Iraque, têm ordens para atirar a matar, mesmo que seja contra alguém que apenas tenta sobreviver à custa das prateleiras de um supermercado fechado, sem mais nada para comer ou sarar feridas. Deve ser isto a que eles chamam civilização.

Adenda: São de ler, as crónicas de Luís Costa-Ribas, enviado-especial da SIC e da TSF.


Lisboa não é Loura [nem pintada!]

Mesmo quem nunca leu um livro dela [é o meu caso, que me fiquei por esta crónica na Maxim], sabe que Margarida Rebelo Pinto pensa muito em sexo. Nas suas muitas crónicas por essa imprensa cor-de-rosa fora, o tema domina tudo. A mais recente com que deparei, fala da cidade de Lisboa.

Para a Guiducha, Lisboa seria uma mulher se tivesse sexo. Sim, uma cidade com sexo. Ela não explicita onde fica a greta de Lisboa. Já Nova-Iorque, claro, seria homem. Também não chega a dizer se o Empire State Building seria o falo. Não vale a pena tentar perceber o porquê da apreciação. E isso não interessa. O que destaco no artigo do Portugal Diário é a forma como Margarida vê a cidade que diz adorar, principalmente em Agosto quando se esvazia de residentes e se enfeita de turistas.

Se as cidades tivessem idade, Lisboa era uma velha gaiteira, de saia rodada, camisa justa sobre o peito farto e saltos altos para disfarçar a idade e ignorar as rugas. Pintaria o cabelo da cor que nunca foi, louro, por exemplo e, nos dias de festas, saberia como nenhuma outra enfeitar-se de outros e caracóis, ao mesmo tempo barroca e simplória, ao mesmo tempo gaiata e madura, ao mesmo tempo digna e devassa. É assim que vejo a minha cidade, confusa, perdida dentro de si mesma, poética nos miradouros, assustadora nas novas urbanizações sem lógica nem critério, onde edifícios vencedores do prémio Valmor toleram no silêncio do betão autênticos monstros arquitectónicos que me despertam uma alma implosiva, e de repente imagino-me num terraço qualquer da cidade a descer com convicção e ardor uma alavanca que reduzir a pó, cinzas e nada alguns destes abortos gigantes que me fazem doer os olhos e me ferem o orgulho alfacinha.

E depois há ainda o rio. Nenhuma cidade fica completa sem um rio ou o mar na sua beira. Paris, Buenos Aires, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro e Budapeste são exemplos disso. Quando a água está por perto ilumina a cidade, tornando-a muito mais bela. E Lisboa é uma cidade bela, porque não é perfeita nem simétrica, não é fácil de conhecer nem previsível, muda com as estações e com os humores e nunca perde a poesia.

Eu gostava que todos os lisboetas vissem Lisboa pelos meus olhos.

Foda-se! Salta-me logo depois disto. Nem pelos teus olhos, Guiduxa, nem pelos teus dedos. Preferia que Lisboa fosse gay.


agosto 30, 2005

Alegre ma non troppo

Tenho andado muito desligado da política portuguesa e talvez por isso não tenha percebido nada da conferência de imprensa/jantar que Manuel Alegre - logo ele, que fala tão claro e escreve tão bem - promoveu esta noite.

A única parte que compreendi foi quando a delegada da RTP em Viseu, numa intervenção em directo pouco depois do discurso, lhe colocou o microfone à frente enquanto Alegre estava ao telemóvel. Pude perceber claramente, mesmo sem ouvir a voz do outro lado [faltaram os meios técnicos, à repórter], que agradecia a alguém o apoio e desejava uma boa noite e cumprimentos lá em casa.


agosto 07, 2005

Limpar a Mata?!

Uma mulher observa uma enorme "frente de fogo" à sua volta e a cinza incandescente que lhe sobrevoa a cabeça. O repórter da tevê indaga-lhe a tranquilidade, no meio daquele "inferno que lavra":
- Na 4ª feira, limpámos a mata toda aqui à volta da casa. Porque são os nossos bens, não é?! - responde-lhe ela.

Pois é. Tão simples quanto isto.

Na televisão, repetem-se as imagens da labaredas a lavrar nas costas de repórteres, gritos de desespero e expressões como "nunca vi nada assim", mas o que eu não vejo é mais gente com a sensatez daquela senhora.


julho 28, 2005

Economia de Bolso
[Posta Naïf]

A Economia pareceu-me uma coisa relativamente simples, enquanto cadeira da Faculdade. Apesar de ser pouco ou nada dado a matemáticas e vítima de alguma ronha colectiva, lá tirei 14 valores no exame de Setembro, mesmo sem a memória necessária para decorar as fórmulas. Baixou a média geral, é certo, mas não envergonha um estudante desde sempre virado para as letras.

Já a Economia enquanto política, ganha nuances bem menos claras para mim.

Repare-se como, depois de saír do poder, qualquer economista encontra soluções para resolver os graves problemas económicos do país. É vê-los nos painéis a recomendar isto e aquilo, tirar daqui e pôr ali e já está. Que azar tremendo, eles não terem chegado a essa conclusão há uns anos, quando até podiam aplicar as medidas e mudar o rumo da fatalidade.

Menos óbvia também, é a capacidade de, numa mesma frase, esses economistas conseguirem falar de uma crise profunda, de um futuro hipotecado para os nossos filhos, e depois explicarem que a bolsa de Lisboa sobe pelo 5º dia consecutivo, em contra-ciclo com os outros mercados, que os lucros da BRISA subiram 10 por cento no primeiro semestre deste ano, que a IMPRESA e a Media Capital estão de vento em popa e contam dobrar resultados em vários milhões, que as receitas publicitárias nos média não páram de subir, que a banca nacional nunca esteve tão bem, que a SONAE de Belmiro de Azevedo continua a ser um exemplo mundial, que a TAP conseguiu um verdadeiro milagre e tornou-se uma companhia aérea viável, etc..

A crise profunda sinto-a eu, que mesmo com as fórmulas escritas numa cábula, e por mais contas que faça, não percebo como serei capaz de comprar o que preciso para viver. Nem percebo como conseguirá fazê-lo qualquer português que não seja economista.

[Não falo do que eles sabem, mas do que ganham ao fim do mês.]


julho 21, 2005

Um Messias português

Descubro pelos telejornais e pelo vox populi habitual que o arrogante, carrancudo e duplo-pensionado Campos e Cunha era afinal um homem bom e generoso, um técnico perfeccionista e competente, um óptimo ministro das Finanças.

Basta o Primeiro-ministro Sócrates chamá-lo de volta [ele que tome vitaminas para o cansaço, sei lá] e acabam-se já a crise profunda e a contestação social generalizada.


Chamas

O país continua a arder. Afinal, ficou qualquer coisa para queimar do ano passado.

Lá estão os jornalistas [agora são outros, para todos se divertirem] a entrevistar as desgostosas pessoas 'afectadas' e os corajosos bombeiros 'sem meios'.

O país continua a arder, mas ainda ninguém se lembrou de chamar a Força Aérea para apoiar no combate aos incêndios. Ou mesmo para conduzir as operações, já que nada mais tem para fazer [e assim sempre se evitava haver caças bombardeiros a perseguir helicópteros espanhóis chamados para ajudar].

As matas continuam a arder, mas continuamos sem as manter limpas e com acessos largos e ordenados, como diz a lei. Nem sequer desmatamos o terreno à volta das casas e construções que entretanto, e incorrectamente, se fizeram em plenas áreas florestais.

O país continua a arder porque somos todos Nero, e apreciamos a cinza espalhada de ambos os lados da estrada e as árvores negras despidas. Sempre fica limpo, assim. Naquele lugar já não há incêndios, para o ano.

Mas o país vai continuar a arder.


julho 20, 2005

Por falar em frases tiradas do contexto

«O problema é que as mulheres elegantes, são ilegais.»

Frase apanhada no zapping por um daqueles pseudo-debates que a SIC Notícias faz pela noite dentro, conduzido pela Conceição Lino. Foi proferida por um homem, mas nada sei sobre ele.

Mais do que fora do contexto, é bem provável que a frase nem sequer tenha sido correctamente percebida. Curiosamente, ou talvez não, nem assim fiquei mais que uns segundos a ver o programa. Apesar da Conceição Lino.


julho 13, 2005

os fazedores

Gosto de folhear devagar a revista os fazedores de letras, publicada todos os meses pela associação de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A textura e o cheiro do papel são suaves, as ilustrações excelentes, os artigos muito bem escritos e os temas interessantes, procurando dinamizar a actividade cultural e o debate político-social do espaço universitário.

Mas nem tudo é bom. No cabeçalho da revista aparece um endereço de internet, só que a o site oficial é pobre e desinteressante e permanece desactualizado desde 2002. E é uma pena, porque há muitos ex-estudantes que não têm acesso à revista em papel.

Deixo a sugestão: Que tal fazer um blog da revista? Como dizem os próprios, no editorial do número um: Não basta estar em Letras... é preciso fazê-las.

E a internet é hoje um meio obrigatório de divulgação.


julho 07, 2005

julho 04, 2005

Férias a Dobrar

Somos quase dez milhões de preguiçosos, mas só quinhentos mil têm esperteza.

A Junta de Freguesia lisboeta do Campo Grande, por exemplo, está a precisar de sangue novo...


junho 30, 2005

Professor Guerreiro

A morte de Álvaro Cunhal teve o destaque mediático que todos vimos. De repente, não havia vivalma que não quisesse destacar num microfone a coerência do líder comunista, a vida de luta constante.

Pois bem, Emídio Guerreiro lutou cinquenta anos contra a ditadura. Lutou contra a ditadura desde que ela foi implantada em Portugal, nos anos 20 do século passado. Pegou em armas e tentou impedir que a ditadura governasse. Depois criou uma loja de maçons para conspirar contra ela. Foi detido, torturado, esteve preso e evadiu-se. E foi forçado ao exílio, em Espanha. Porque também havia causas por lá, e coragem de sobra, lutou contra o franquismo. E depois contra Hitler e os nazis. Nos anos sessenta, em Paris, cria a LUAR [Liga Unificada de Acção Revolucionária] para minar o regime de Salazar. Após o 25 de Abril, regressado ao país sem a pompa de Soares, ou Cunhal, fundou o PPD e lutou pela democracia. E não hesitou em virar um pouco à esquerda e aproximar-se do PS, quando sentiu que era tempo de continuar a lutar. Para ele, a única coisa que importava era a liberdade. Só em liberdade existe o homem, dizia, já velho de corpo mas com a cabeça num vulcão de ideais.

A vida e a morte do Professor Emídio Guerreiro não tiveram, nem terão, o destaque mediático que todos vimos com o desaparecimento físico de Álvaro Cunhal. Mas Portugal teve poucos heróis assim.


junho 29, 2005

Castração

Educação Sexual sim, mas controlada. Dizem os bispos portugueses que esse é o seu desejo e incitam os pais a intervirem na definição dos programas ministrados aos filhos.

Em comunicado, a enviar ao ministério da Educação, a Conferência Episcopal insurge-se contra o que chama metodologias pedagógicas que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória.

Mas... há mais alguma coisa?!


junho 24, 2005

O crime compensa

Se há profissão que deve dar-se ao respeito, é a de agente de autoridade.

Eu compreendo, e apoio, a manifestação dos polícias, que precisam de mais e melhores meios para combater o crime e têm direito a, pelo menos, não pagarem do próprio bolso um colete à prova de bala. Mas depois de ontem ter ouvido polícias a entoar palavras de ordem como aldrabões e palhaços frente aos ministérios do Terreiro do Paço... hoje oiço um porta-voz sindical ameaçar o governo com uma greve de zelo às multas e o aumento dos pedidos de baixa por doença.

Não haveria, por ventura, formas de luta mais... legais?!


junho 20, 2005

Para que serve o jornalismo?!

Duas reportagens, na SIC Notícias, o mesmo pormenor irritante: os jornalistas optaram por ocultar um detalhe essencial.

Primeira estória: Para verificar a competência e o profissionalismo das empresas de informática, desliga-se propositadamente um cabo, no interior de um PC. Sem funcionar, o computador é levado a algumas lojas, para se proceder à necessária reparação.
Sem surpresa, só uma das lojas foi correcta e competente e nada cobrou por ligar o cabo. Houve até duas que foram incapazes de perceber o que estava mal, cobrando verbas avultadas por um diagnóstico falso.

Segunda estória: um homem que teve um grave acidente de trabalho e ficou inválido vai deixar de receber a pensão vitalícia a que tem direito. A companhia de seguros em causa decidiu calcular um valor médio da pensão, a esperança de vida por baixo, e deu-lhe o valor total de uma vez. Claro que calculado sem a devida inflação, etc.

A SIC achou que não era útil, de todo, sabermos qual é a loja de informática honesta ou a seguradora sem escrúpulos. Eu acho que dispenso à televisão de Balsemão futuras estóriazinhas destas.


junho 16, 2005

Por trás da máscara

Estou em plena indigestão.

Não tem a ver com o almoço, que não podia ter sido melhor. Uma belíssima cachupa bem temperada por música ao vivo, no restaurante da associação cabo-verdiana de Lisboa. O aperitivo foi um pezinho de dança na coladera [a sala estremeceu com o ranger dos meus ossos hirtos].

O estômago só começou a remoer ao fim da tarde, diante do discurso de Nuno Melo - líder da Bancada Parlamentar do PP - que decidiu debater o "arrastão de Carcavelos".

O racismo sempre me provocou náuseas. Principalmente assim, mergulhado em populismo cobarde para atiçar o ódio.


junho 15, 2005

Esquartejar o Cadáver

«Uma tarde histórica em Lisboa.»

A frase sai projectada do altifalante por uma voz feminina excitada, no arranque do noticiário da Antena 1. Fala em "centenas, não! milhares" de pessoas que "enfrentam o calor para prestar uma última homenagem" [porquê a última?!] e "o último adeus" [outra vez?! e se o visitarem no túmulo, já é o primeiro olá?!] ao "líder histórico". A voz chama os repórteres à emissão, "aqui em directo" que confirmam, "exactamente", a tal multidão "na rua Morais Soares a caminho do Alto de São João", e falam das "muitas lágrimas que se choram" [haverá lágrimas que não se chorem?!], dos aplausos, dos hinos que cantam as pessoas...

E em vários minutos, levo com dezenas [talvez milhares] de "como é que se sente?" seguidos de outros tantos "foi um homem coerente que fez tudo pelo nosso povo". E descrições exaustivas de um caixão e de uma bandeira, como se de um relato de futebol se tratasse, feito por jornalistas em catadupa.

Espreito a SIC Notícias e o espectáculo é mais estrondoso ainda. Apesar da imagem, os "repórteres" insistem em substituir-nos os olhos e os ouvidos e descrevem o vermelho, "a multidão histórica" que acompanha o cortejo fúnebre "de punho no ar", os gritos e os cânticos que se escutam, os rostos e os nomes que reconhecem[os].

Esvaída a esperança de saber o que se passa "em Portugal e no Mundo", mudo de canal, à procura de outra coisa qualquer e, não refeito do susto, penso: serei o único que não aguenta mais que alguns segundos deste macabro cenário?


junho 07, 2005

Comenta, se te atreves

O que é queres dizer com isso de não há nada de novo neste blog há três dias?!

Mera distracção, pá! O ping-pong verbal dos comentários dos últimos posts [principalmente o da Constituição Europeia e o de Timor] está bem aceso e interessante. Nem a praia os desconcentra.

Nunca esqueças: o melhor deste blog endrominado são os comentadores. Chamemos-lhes os postadores refundidos.


junho 03, 2005

Outubro Endrominado
O Referendo Bipolar

Na página 42 - artigo II-62 (Direito à Vida) - de uma coisa a que chamaremos de futuro a Constituição Europeia, diz-se: Ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado. Sim, sim, Fada, desta alucinaste. Já sabemos, esse direito faz parte da nossa constituição, da Portuguesa, há muito tempo.

Pois, pois fazia. Mas como esta que não é nossa nem de ninguém, mas de todos que a apanharem, temos a páginas 426, uma “adenda”. Onde se lê: Um estado pode prever na sua legislação a pena de morte por actos praticados em tempo de guerra ou de perigo iminente de guerra....
Um Estado? Qual Estado? E em que estado andam os Estados?

Mais?


Pois é. Enquanto nós discutimos qual o livro mais perigoso, a que sabe a pele salgada ou se o amor deve ser ensinado na escola, há uns gajos que nos andam a endrominar. Devagar, devagarinho. À custa de adendas.


Alguém já leu o documento em si? Nã. Sabiam que tem “adendas”? Alguém quer saber?

Eu quis, por alto. E este skimming – maldita mania – deixou-me em derrapagem descontrolada.

Deixo-vos pois mais alguma nata hilariante (não, não fumei) retirada daqui, e daqui, de onde possam skimmar à vontade o muito que deixo de fora.


Skimpemos para a página 43 - artigo II-66 (das liberdades):
Todas as pessoas têm direito à liberdade e à segurança”. Belo. Adendemos na página 429 e à lista das razões pelas quais nos pode ser retirada essa liberdade, parando na alínea e), que diz: [...] “se tratar da detenção legal de uma pessoa susceptível de propagar uma doença contagiosa, de um alienado mental, de um alcoólico, de um toxicómano ou de um vagabundo”. Abaixo, declara-se ainda que, no caso da alínea c) – mas não a e), a essa não se aplica – a pessoa deve ser apresentada imediatamente a um juiz, ou, magistrado, etc… e tem direito a ser julgada, etc, etc, etc. E a e)? Acaba em quê essa detenção?


Ou eu não sei ler, ou a gripe é uma doença contagiosa, alienados mentais para as forças policias, seremos quantos? Alcoólicos em Portugal? Toxicómanos? Vagabundos!!!!

Posso continuar, por episódios, a fazer skimming da Constituição Europeia. Ao fim de cada noite, para vos ir dando nata. Enquanto me pergunto se ando a ver mosquitos na outra banda, se aluei de vez, se me parece que vem aí uma bela limpeza, ou se… sabiam ainda que, face à Comissão Europeia - que produziu a Constituição - o Parlamento de um qualquer país Europeu baixa a cabeça? Tipo: sim pai. Porque ela tem o poder Executivo… e Legislativo? Dois em um! Outra novidade! Falamos de PODER. Antes eram divididos ou recordo-me mal?


E finalmente. Sabiam que esta Comissão não é eleita mas sim nomeada pelos governos? Ou seja, pode exercer a politica que entender.

Fada safada que não nos oferece a Lua em véspera de fim-de-semana!

[post de Fada, elemento feminino das Brigadas Posterrroristas 5/12, à revelia]


junho 01, 2005

Os Dez Livros mais Perigosos

1. O Manifesto Comunista - Freidrich Engels e Karl Marx [1848]
2. Mein Kampf - Adolf Hitler [1926]
3. Citações de Mao Tsé Tung [1966]
4. O Relatório Kinsey - Alfred Kinsey [1948]
5. Democracy and Education - John Dewey [1916]
6. O Capital - Karl Marx [1867 - 1894]
7. A Mística Feminina - Betty Friedan [1963]
8. Introdução à Filisofia Positiva - August Comte [1830 - 1842]
9. Para Além do Bem e do Mal - Freidrich Nitzsche [1886]
10. General Theory of Employment, Interest and Money - John Maynard Keynes [1936]

Estes foram os livros considerados mais perigosos dos últimos dois séculos, de acordo com um painel de políticos e analistas conservadores.

A filosofia de Hitler parece surgir desfasada na lista, ainda que seja, naturalmente, considerada bem menos nociva que o livro de Marx e Engels.


maio 30, 2005

Fazer o Amor

Nota-se cada vez mais gente, e até alguns pais, preocupada com a Educação Sexual que é ministrada aos jovens na escola. Porque será excessivamente explícita, dizem.

Mas que raio! Digo eu, que não sou pai nem gente... Estão mesmo convencidos que o sexo se aprende na escola?!

Quer dizer, na escola até se aprende, mas não é com os professores, salvo raras excepções. Por falar em excepções, um aparte para o tremor que acabo de sentir só de recordar a minha professora de Francês, no 8º ano, decotada diante de mim, que tinha uma dúvida no verbo prendre ali no meu caderno de argolas, naquela minha caligrafia que lhe levava alguns minutos de inclinação a decifrar. Infelizmente, a única coisa que aprendi com ela é quão desconfortáveis são as calças de ganga e quão confortável deve ser não usar soutien. O verbo prendre, nem por isso.

É verdade que eu não sou um bom exemplo. Afinal, aos 14 anos foi-me ministrada uma aula de anatomia aplicada por uma prima mais velha. Eu até nem queria. Bom, só um bocadinho. A teoria veio dos colegas do liceu, nas revistas Gina traficadas de livro de Filosofia em livro de Geografia e na Playboy brasileira desdobrada no balneário das aulas de ginástica, por entre comentários dos repetentes que faziam isto à actriz do poster e mais aquilo.

Não me lembro de, por uma única vez, ter associado a sexo qualquer daquelas aulas de Ciências da Natureza que falava dos aparelhos reprodutivos, do corpo humano, da fecundação, da importância da vitamina D, etc.

Fosse qualquer uma das professoras de Biologia parecida com a professora de Francês e a história teria sido um pouco diferente. Mas duvido que fosse ali, numa sala de aula, que eu viesse a aprender tudo o que ainda hoje não sei sobre sexo.


maio 25, 2005

País Ladrão e Preguiçoso

Estamos a ser roubados. E pelo Estado, ainda por cima.
Esta é a conclusão óbvia a que chegamos quando vemos um défice orçamental de 6,83% e não encontramos serviços públicos de qualidade em lado nenhum, neste país.

Mas porra, se o canalizador quando vêm cá a casa por cinco minutos cobra 86 euros se for sem factura e eu aceito; se no emprego ganho oficialmente 400 euros e o resto em prémios, porque senão a empresa não aguenta os impostos; se até no médico eu evito levantar ondas, para não pagar o dobro pela consulta... Acho que é melhor aguentarmos a bronca caladinhos.

Isso, e continuarmos a festejar a vitória do benfica.


maio 12, 2005

Do Púlpito

Estou de acordo.

É mais violento fazer um aborto, do que matar o Padre Domingos Oliveira.


abril 26, 2005

O Estado [de espírito] do País

«A inauguração de uma Casa do Benfica, em Tavira, foi ontem a terceira notícia do bloco informativo da tarde da TVI. A terceira notícia. E com direito ao directo. Começava com o repórter no terreno a noticiar uma onda vermelha na cidade, seguindo-se a entrevista ao presidente do clube, acompanhado naturalmente pelo presidente da Câmara. Era caso para perguntar onde estava a notícia?
[...] Este ano, a televisão inventou o Benfica a caminho do título, como forma de potenciar a sua própria audiência. O jornalismo desportivo, no seu todo, favorece hoje os clubes com mais sócios e quase eliminou os clubes pequenos. A notícia já não é o futebol. A notícia são os adeptos. E vende.»

Esta crónica de Miguel Gaspar, no Diário de Notícias, deixa a pergunta que todos temem fazer: E se, depois disto tudo, o Benfica não for campeão?


abril 21, 2005

Casa da Música

Terminado o show-off mediático, ouvi uma pessoa que percebe de música, de facto - a Brigadeirinha*, e retivémos o seguinte:

1. O projecto de Rem Koolhaas é imponente e os interiores são especialmente vistosos, mas não parece ter sido pensado para ser uma Casa da Música, melhor, para ser uma casa das músicas.

2. A sua existência é óptima para a cidade do Porto e vai trazer muito mais gente aos espectáculos de música erudita, clássica, etc., mas foram descurados pormenores inadmissíveis, num projecto desta envergadura.
O estilo não pode ser justificação para as acentuadas inclinações, os corredores labirínticos e as escadarias. Os idosos e os deficientes motores não têm um único apetrecho para lhes facilitar a vida.

3. O Grande Auditório é grande demais. Viu-se nos espectáculos de abertura, bem compostos por convidados e imprensa, que será difícil encher uma sala daquelas com público pagante. Até porque a sala não está preparada para concertos de música electrónica e rock n'roll. Não se pode agradar a gregos e a equeus, nas questões da acústica. E as cadeiras do público são fixas. Vai ser uma desgraça, o tal Festival de Reggae que está programado.

4. A acústica foi pensada para música sinfónica - e bem pensada, com os truques todos - bem como o palco, que é amovível e com vários níveis. Mas descuraram-se, mais uma vez, aspectos essenciais, e não falamos apenas do tal fosso de orquestra que ficou por fazer.
O Pequeno Auditório fica no 5º andar, mas as salas de ensaio estão na cave. Instrumentos maiores, como o piano ou as marimbas, não cabem no elevador. Na inauguração foi preciso desmontar instrumentos, colocá-los no elevador, remontá-los, reafiná-los, voltar a desmontá-los, etc. E os que não podiam ser desmonatados foram carregados às costas, escadaria acima. Duvido que haja sempre boa vontade e tempo para tanto.

5. O palco do Pequeno Auditório não tem uma sala de apoio. Não há onde guardar os instrumentos, entre actuações de músicos, a não ser no próprio palco. Se for preciso desmontar tudo e voltar a carregá-los para a cave, esqueçam a organização de festivais.

É certo que a Casa da Música é fantástica, e vai trazer mais música às pessoas e mais pessoas à música, mas é mais um exemplo de como Portugal perde oportunidades de ouro sem conseguir fazer uma coisa como deve ser.

*A nossa Brigadeirinha teve direito a uma visita guiada acidental, conduzida pelo arquitecto himself, que mostrava a 'sua' Casa a um grupo de amigos. Entre antipatia e arrogância, e a tentativa de engate do secretário pessoal de Koolhaas, a insistência e o charme acabaram por lhe dar direito a flutes de champanhe e convívio privilegiado, na maior das salas vip, com vista para o céu.


abril 07, 2005

Expurgar

Como reza a tradição:

Para ver o Papa morto, paga-se bilhete.
Para furar a fila, subornam-se os guardas e os outros peregrinos.
Os previlegiados, esses, têm lugar marcado na primeira fila.

[Pela programação da televisão, principalmente a do 'serviço público', entre directos, biografias, directos e documentários, parece que vivemos num país fundamentalista católico.
Não vivemos, pois não?!]


abril 06, 2005

Excomungar

Com as televisões invadidas por jornalistas vestidos de preto, com cara fechada e voz arrastada, a repetir os mesmos impressionante manifestação de fé. Com tantas exéquias, orações e procissões, com o desfile de cardeais, de perfis e historiais... Pergunto: e o Quirguistão?!

Alguém me diz como ficou a história do Quirguistão?


abril 01, 2005

1º de Abril

É bom ler O Independente no dia das mentiras.

Obrigado a ler todos os pasquins por questões profissionais, posso desta vez tentar adivinhar qual das muitas notícias falsas vai ser desmentida na semana que vem.

Padoxalmente, no entanto, o semanário faz uma honesta confissão, logo por baixo do cabeçalho: Abaixo de Cão.


março 28, 2005

Era uma vez... a defesa da língua e cultura portuguesas

Moribundo e abandonado, o Instituto Camões solta um gemido de socorro.

O artigo completo, no verrinoso O Bazonga da Kilumba!


março 18, 2005

À espera do Dilúvio

A crónica semanal de Miguel Sousa Tavares merece ser relida:

«O que eu queria mesmo agora é que chovesse sobre nós. Uma chuva densa, constante, dias a fio. Uma chuva que tudo lavasse, que devolvesse a esperança onde só há desilusão, que reanimasse todas as coisas verdadeiramente importantes. Uma chuva refundadora.»


«Sábado passado, no Palácio da Ajuda, a televisão proporcionou-nos uma daquelas imagens que valem por mil palavras. José Sócrates discursava, depois de empossado como primeiro-ministro, tendo ao seu lado o Presidente da República, ambos de pé. Sentada à sua frente, uma restrita plateia, que incluía os membros do novo Governo, os cessantes e as figuras institucionais do Estado. Sócrates falava da magna questão do défice externo e das escassas soluções para o enfrentar. De repente, a câmara dá-nos um plano do primeiro-ministro cessante, sentado na primeira fila: Pedro Santana Lopes bocejava perdidamente. Eram cinco da tarde de sábado, o assunto era certamente penoso e, a partir daquele momento, já não havia mais necessidade de manter poses de estadista.
Nos três dias que se seguiram, assistimos a mais um episódio, dos tais de que se socorreu o Presidente da República para despedir Santana das suas funções governativas. Um milhão de lisboetas só podem ter-se sentido enxovalhados pela forma eloquente como Santana mostrou que estava a ver se caía qualquer coisa de pessoalmente mais apetecível, antes de se decidir, por ausência de alternativas, a regressar à câmara da maior cidade do país. Para quem se reclamava de "uma forma nova de fazer política", esta demonstração foi definitiva. Ele próprio se encarrega de reduzir a nada os argumentos daqueles que criticaram a decisão de Sampaio, falando da interrupção do ciclo governativo ou do precedente aberto de o Presidente poder dissolver um governo assente numa maioria parlamentar. Como percebeu a grande maioria dos portugueses, não se tratou de doutrina nova, nem de abuso dos poderes presidenciais: tratou-se de uma medida de excepção, ditada pela necessidade de repor a dignidade do Estado, ao nível da sua representação governativa.
Mais do que esperança, o que os portugueses sentem, desde 20 de Fevereiro, é uma sensação de alívio. Sócrates pode governar bem ou mal, mas ninguém espera dele uma atitude de leviandade, enquadrada por uma constante e primária cobertura de propaganda e promoção da imagem.
Apesar deste nenhum tempo decorrido, há já quem reclame que os colunistas que antes criticavam Santana Lopes comecem já a fazer o mesmo com Sócrates, abolindo, como o fizeram com Santana, o tradicional período do "estado de graça". E, mais curioso ainda, até há quem o tenha já começado a fazer, com medo de que lhe chamem incoerente. Pois eu, que não só não respeitei o período de graça, como até comecei a criticar o Governo de Santana antes mesmo de ele ter tomado posse, não enfio o barrete. Porque as diferenças são, à partida, abissais: Sócrates não é Santana, e esse é o ponto essencial. O homem que escolhe os cargos políticos de acordo com as suas conveniências pessoais não merece dúvida nem condescendência - ou então acabemos com o choradinho sobre a falta de categoria da classe política. Por outro lado, Sócrates foi eleito por metade dos portugueses, e Santana foi cooptado, e também por razões de interesse pessoal, por aquele que eu, pessoalmente, considero o mais vazio e o mais profiteur de todos os políticos portugueses contemporâneos: Durão Barroso.
As tentativas de encontrar, desde já, terreno para atacar o Governo de Sócrates, de tão esforçadas, tornam-se ridículas. Vítor Constâncio abre a boca, defendendo impostos sobre o sector automóvel e, apenas porque é socialista, toda a gente toma as suas palavras como uma declaração do Governo, passando logo a criticar a "medida governamental". O ministro das Finanças diz uma coisa perfeitamente banal - que, se não se conseguir conter a despesa pública, será fatal aumentar impostos - e os mesmos que criticaram o descontrolo do défice, as manobras de encobrimento, como a expropriação das reformas dos pensionistas da Caixa Geral de Depósitos, ou o célebre discurso do "milagre das rosas" de Santana Lopes (aumento dos salários e das pensões, descida dos impostos), e que exigiram uma "política de verdade", caem-lhe em cima, como se ele fosse obrigado, em alternativa, e descobrir jazidas de ouro ou poços de petróleo.
No primeiro dia de trabalhos do novo Parlamento, o líder comunista, Bernardino Soares, anunciou que o PCP já tinha entregue seis propostas de lei, entre as quais duas, apresentadas como verdadeiras evidências, de elementar justiça e execução fácil: a subida intercalar das pensões e dos salários. A seriedade da proposta é directamente correspondente à sua facilidade: falta dizer quanto custaria tal medida e onde é que o Governo iria retirar verbas do Orçamento para a satisfazer, sem ofender sagrados direitos adquiridos de todos os outros sectores - agricultura, indústria, obras públicas, saúde, educação, poder local.
No domínio do politicamente correcto, as "mulheres socialistas" ficaram indignadas por José Sócrates ter apresentado apenas duas mulheres entre 16 ministros - e, seguramente também, pelo facto de essas duas terem escolhido homens, e não mulheres, para seus secretários de Estado. Para lavar a honra do género, aqui no PÚBLICO, Mário Mesquita e Ana Sá Lopes congeminaram um governo alternativo só de mulheres, para provarem a sem razão de Sócrates, quando se justificou dizendo que não havia mulheres socialistas em qualidade suficiente para a função. O resultado do exercício é verdadeiramente patético: são aproveitadas todas, rigorosamente todas, as mulheres que se conhecem com alguma ligação ao PS. Nem sequer lá falta Edite Estrela, autora de uma gestão autárquica tão notável em Sintra que os eleitores, embora já habituados a serem abusados e cimentados, a despediram na primeira oportunidade. Aliás, fiquei agora a saber (confesso que até aqui não tinha reparado) que Edite Estrela, certamente pelos méritos revelados em Sintra, e não por ser "mulher socialista", é deputada europeia e agora líder da bancada do PS em Estrasburgo (de cujo conforto e abrigo se declara também "desiludida" por ver tão poucas mulheres no Governo de Sócrates. Quero apostar que a desilusão é tanta que ela vai seguramente renunciar ao seu cargo, como forma de protesto: esperem sentados para verem). Neste caso até, a crítica extravasou fronteiras e apareceu uma deputada europeia húngara, de seu nome Zita, a declarar-se também chocada com a composição sexual do Governo do seu "amigo José Sócrates". "Numa próxima remodelação", diz a deputada Zita, "espero que ele substitua homens por mulheres." Repare-se: ela deseja ao seu "amigo" uma rápida remodelação, que é como quem diz um rápido fiasco. E deseja que ele a aproveite, não para substituir incompetentes por competentes, independentemente do género, nem sequer para substituir homens incompetentes por mulheres competentes: trata-se apenas de substituir homens, competentes ou não, por mulheres, competentes ou não.
Quanto ao resto, ainda não reparei se o professor Marcelo já começou a criticar o novo Governo, se Freitas do Amaral já virou pró-americano, se Luís Delgado ainda continua a chorar pelo "Pedro", se Eduardo Prado Coelho já desistiu de fuzilar o Luís Delgado e de promover, semana sim semana não, Manuel Maria Carrilho a qualquer coisa, e se Jaime Nogueira Pinto já começou a "refundar a direita", com base nos valores defendidos pelo "doutor Salazar" - Deus, Pátria, Família - acrescentados de um quarto, de sua lavra: "A Propriedade!"
O que eu queria mesmo agora é que chovesse sobre nós. Uma chuva densa, constante, dias a fio. Uma chuva que tudo lavasse, que devolvesse a esperança onde só há desilusão, que reanimasse todas as coisas verdadeiramente importantes. Uma chuva refundadora


março 07, 2005

A Dança da Chuva [2ª parte]

Numa peça da RTP sobre a seca que afecta o país, em directo, um Padre explica à repórter porque razão as novenas alentejanas não têm dado resultado, na obtenção da tão desejada chuva.

Porque as explicações do pároco não nos pareceram satisfatórias, apontamos os motivos prováveis:

1 - as orações não têm sido as indicadas. Há falhas em certas estrofes quando cantadas em grupo e faltam palavras-chave ou rimas precisas [é como numa poção mágica - a fórmula tem que ser a exacta ou o feitiço não resulta].

2 - ainda não foram encontradas virgens disponíveis para se submeterem a sacrifício [ou veio a demonstrar-se que as mulheres escolhidas não eram virgens].

3 - as pessoas que invocam a chuva já usaram contraceptivos em alguma fase da sua vida, ou conhecem quem tenha usado e não o denunciaram à santa Igreja [Andam a matar criancinhas - não merecem beber água!].

Se forem seguidas estas indicações, estamos em crer, todos dançaremos à chuva enquanto o Diabo esfrega um olho.


Garotices

No correio desta manhã, a Acácia recebeu cinco encomendas sem remetente e cinco fotografias minhas lá dentro.

Numa das imagens, ainda a preto-e-branco amarelado, eu não teria mais que 15 anos. Trazem moldura e tudo.


março 04, 2005

Afinal, eles não voltam?!

Em vez de se criticar o excesso de tecnocratas de direita, ou de académicos com pouca prática, ou a heterogeneidade que parece querer agradar a todas as correntes, a oposição preferiu reagir à equipa de governo escolhida por José Sócrates com o mais despudorado e hipócrita saudosismo. Uma manifestação uníssona, que lembra aquele cartaz da JSD que dizia: Quer mesmo que eles voltem?, mas expresso ao contrário.

O Partido Popular lamenta a ausência de Jaime Gama e de Vítor Constâncio.
O Bloco de Esquerda questiona porque ficaram de fora Maria de Belém e João Cravinho.
O PSD sente a falta de Jorge Coelho e António Vitorino [este é comum a todos os partidos - estaria lançado para Belém, se o candidato socialista não fosse... Freitas do Amaral].

Por lapso, estamos certos, esqueceram-se de pedir o regresso de António Guterres.


março 02, 2005

Maria Filomena Mónica
o que seria de nós, sem ti?!

«Quando casei, o que de mim se esperava, além da procriação continuada, era que passasse o dia a arrumar a casa, a cozinhar pratos requintados e a vigiar a despensa. Hoje, a estas tarefas vieram juntar-se outras. As mulheres modernas são também supostas ser boas na cama, profissionais competentes e estrelas nos salões. Mas isto é uma utopia. Nem a mais super das supermulheres pode levar as crianças à escola, atender os clientes no escritório, ir à hora do almoço ao cabeleireiro, voltar ao escritório onde a espera sempre um problema urgente, fazer compras num destes modernos supermercados decorados a néon, ler umas páginas de Kant antes de mudar as fraldas do pimpolho, dar um retoque na maquilhagem, telefonar a três "babysitters" antes de arranjar uma, ir ao restaurante jantar com os amigos do marido, discutir a última crise governamental e satisfazer as fantasias sexuais democraticamente difundidas pelos canais de televisão. Estou a falar, note-se, de mulheres socialmente privilegiadas. A vida das pobres é um inferno sem as consolações de que as suas irmãs de sexo, apesar de tudo, usufruem.»

[Excerto de um artigo de jornal chamado As mulheres portuguesas são parvas.]


fevereiro 23, 2005

2005-2009: a Tgavessia do Desegto
[ganda nóia, man]

Calca para Ampliar [e para conseguires ver o 'Ganda Nóia']

As Brigadas Posterrroristas 5/12 já têm candidato.


fevereiro 22, 2005

Luís Delgado
astrólogo do [antigo] Regime

Luís Delgado [pelas Brigadas Posterrroristas 5/12]

«Na noite de domingo, os portugueses castigaram severamente uma coligação governamental de três anos e três líderes: dois que estavam cá e um que foi para Bruxelas. Está também à vista que, por muito que Santana e Portas tentassem inverter o descontentamento, ele era incomensurável, indesmentível e irreversível. [...]

[Durão] Barroso prometeu baixar os impostos, com um choque, e não só os aumentou, como criou uma onda de pessimismo e austeridade, que em tudo era contrária às suas promessas. Santana e Portas ainda tiveram a ingenuidade e a convicção de que poderiam inverter o ciclo, com um mandato completo, mas o novo estilo de ruptura - que um dia terá de acontecer - não foi compreendido.

O resultado seria o mesmo, convenhamos, com qualquer outro primeiro-ministro. Estava nas estrelas


Estado Desgraça

Calca para Ampliar

As auto-denominadas Brigadas Posterrroristas 5/12 zelam pela democracia portuguesa e assumem a oposição.


fevereiro 20, 2005

Não desiludas...


Boicote à Inteligência

Na freguesia do Soito, a população está descontente porque não tem um Centro de Saúde.

O Hospital mais próximo, no Sabugal - capital do Concelho, fica a não-sei-quantos quilómetros e não serve a população que não tem carro, é idosa... ou está doente e não pode deslocar-se.

Mas em vez de protestar com o voto [em Democracia, pode e deve fazer-se], os habitantes do Soito decidiram boicotar estas eleições. E estão a contribuir para que tudo fique na mesma.

Curiosamente, uma das apostas do Programa de Governo do maior partido da Oposição, na área da Saúde, até era "aproximar os Centros de Saúde da população: melhorar os que existem, torná-los aptos a conceder cuidados básicos de Saúde e criar novos Centros onde não existem e são necessários."

Mas os cidadãos do Soito preferem esperar mais quatro anos, para reivindicarem os seus direitos.


fevereiro 18, 2005

Reflexão Política

Estabilidade, ou incerteza?

Mudança ou resignação?

Voto Útil, ou irresponsável?

Domingo à noite veremos, se a Democracia portuguesa é adulta... ou imatura e sujeita aos caprichos de meninos de colo e meninos de coro.


fevereiro 16, 2005

Politicus lusitanus: a evolução da espécie

Santana Lopes queria ter apresentado hoje a sua equipa de 'Governo' [e eu a pensar que ele já tinha uma, há vários meses], mas não conseguiu. E lá se foi a oportunidade de limpar a imagem pálida, deixada no debate de ontem à noite.

Pelos vistos, e mais uma vez, ninguém lhe atendeu o telefone.

A única excepção foi Pinto Balsemão - patrão da SIC - que não conseguiu dizer que não, porque ele até é «o militante número um do PSD e tal, e foi o único Primeiro-ministro de Portugal [quase] tão mau quanto ele e tal»...

Esta criança foi muito maltratada pela família e procura agora uma família de acolhimento [depois de 20 de Fevereiro]

Neste momento, os assessores de Santana procuram na lista telefónica da Madeira por nomes possíveis e o líder social-democrata tentará, amanhã ou sexta-feira, apresentar uma lista dos seus 'ministeriáveis'.

É provável que Alberto João Jardim venha a receber um super-ministério que integre as Finanças, Negócios-Estrangeiros, Educação, Saúde e Justiça. Arnaut ficará como vice-Primeiro-ministro responsável pela Segurança-Social e Ambiente. Gomes da Silva terá o ministério da Administração Interna só pra si e Morais Sarmento fica o responsável pela Comunicação Social, Defesa, Assuntos do Mar e Pesca Submarina.

Desta forma, haverá menos ministérios, ainda que estes sejam deslocados cada um para sua ponta do país [e o super-mega Ministério de Jardim fica no Funchal, naturalmente], ficando os ministros isentos de pagar portagens ou taxa de aeroporto para os Falcon, por estarem "a servir o povo".

Ainda mais penoso que a falta de algo novo para dizer, no Parque das Nações esta manhã, foi o comentário do Primeiro-ministro aos números do INE que cifram a taxa de Desemprego nos 7,1%. Santana chamou-lhe uma notícia «menos boa», que se deveria exclusivamente à dissolução da Assembleia da República, e garantiu que «a situação do país vai melhorar depois do dia 20, quando as coisas mudarem e regressar a confiança».

Parem de atirar pedras ao menino, por favor. Mas desliguem-lhe a máquina.


fevereiro 14, 2005

As vítimas

A freira carmelita morreu, velhinha na clausura, e os partidos da Direita servem-se do cadáver.

Ainda o corpo está quente a ser velado, a alma lhe foge para qualquer lado, e já os abutres pairam à volta da pastorinha, para a usarem como trunfo da campanha - que não têm muitos.

Santana vai a um comício do PSD como Primeiro-ministro e pede que emudeçam, só desta vez, a apoteose do 'Menino Guerreiro', para mostrar pesar. Com a voz embargada pela dor [se bem que tem estado assim desde o início da pré-campanha] apela à contenção e ao luto nacional, "aproveitando a presença da comunicação social".

Volta a fazê-lo depois de trocar beijinhos e prendas com os militantes presentes e compara até Lúcia de Jesus... a Amália. Que triste fado.

Paulo Portas é muito mais rigoroso no teatro montado. De fato azul claro e gravata preta [não fosse alguém distrair-se e não reparar] cerra os lábios quando não fala e franze a testa quando gesticula.

O partido "dos bons valores" chora e decide também ele cancelar os jantares-comício por dia e meio.

Choram-se votos, nesta campanha eleitoral.

Tal como os princípios morais, da família e cristãos, as lágrimas parecem património da Direita.

P.S. - Este blog está de luto. E fica de luto até que mude o Governo de Portugal.


fevereiro 11, 2005

Desespero sem Causas

«CIA E INTERPOL INVESTIGAM SÓCRATES
Um pacto estabelecido com o diabo, em troca da vitória socialista nas eleições, terá levado Portugal à maior seca dos útimos 350 anos.
Agricultores anunciam voto maciço em Santana Lopes e convidam-no a vir ao Alentejo sem os autocarros da JSD, nem nada» O Independente.

«GARCIA PEREIRA MINISTRO DAS FINANÇAS, SE PS NÃO GANHAR COM MAIORIA
POUS procura quem saiba fazer nó de gravata, porque Sócrates vai dar-lhes a pasta dos Negócios Estrangeiros. Primeiras medidas do governo serão estabelecer relações previligiadas com Cuba e Coreia do Norte e a nacionalização do BCP e do Benfica. Manuel Alegre anunciou que vai filiar-se no PSD.» Diário Económico

«SANTANA MOBILIZA 13 MILHÕES EM COMÍCIO
Emigrantes regressaram ao país, entusiasmados com o crescimento económico anunciado. Intervenções do repórter em directo, destacam quão jovens, saudáveis e bonitas eram as pessoas presentes e quão cristalina era a voz de Santana Lopes. Noutra intervenção, comparou os festejos laranja aos da última vitória do Porto na liga dos Campeões, na Avenida dos Aliados. Chegou a citar um popular benfiquista que trocaria o Simão e um campeonato nacional, pela vitória do PSD nestas eleições. Referência ao 25 de Abril de 74 foi interrompida pelo pivot de Carnaxide, porque o repórter ainda não era nascido na altura.»
SIC Notícias

[Lamentamos a extensão deste último trecho, mas é complicado resumir três horas de directo - e esta parte não é sarcasmo].

Amanhã, não percas:

«SÓCRATES DÁ ASILO A SADDAM,
ASSIM QUE PORTUGAL ABANDONAR UE

Sérvio Karadzic escolhe casa na Rua Braancamp, para ficar perto do futuro Primeiro-ministro»

E no dia 19 - grande exclusivo dos órgãos controlados pela Media Capital, Lusomundo e PT [afinal, não é assim tão exclusivo, porque só sobram A Capital e o Diário de Portalegre]:

«BUSH AMEAÇA INVADIR PORTUGAL, SE SÓCRATES FOR ELEITO
Durão Barroso já convidou Santana Lopes, Blair e Aznar [não está no poder, mas Zapatero é amigo do outro] para nova Cimeira nas Lajes.»

Nota do blogger: Nenhuma destas 'notícias' consta da edição de hoje de O Inimigo Público. Todas elas são inspiradas em manchetes da dita imprensa séria e do semanário O Independente.


fevereiro 09, 2005

No Jardim do Lopes

Interrompendo a 'reportagem' dos desfiles de Samba e dos cortejos de gigantones, vemos no ecrã da televisão um Primeiro-ministro indigitado-demitido de fato domingueiro cor-de-merda, a passear os filhos nos recantos solarengos dos jardins do palácio de São Bento.

Já no gabinete, mas espojado numa poltrona de pele marron [para parecer que se desprende dela sem pena], o Primeiro-ministro garante aos jornalistas convidados que não fez ponte e ficou a 'trabalhar'.

Ainda mais refastelado e com a gravata à banda, mas de óculos não-graduados na cara para parecer intelectual, aquele que gosta de ser conhecido por menino guerreiro mostra uns papéis de 2001 para justificar a utilização indevida de um Falcon do Estado.
- Eles também faziam!, choraminga.

Quando já sentimos falta das carantonhas de gesso e das meninas do Rio, a imagem seguinte traz-nos um Presidente regional vitalício a debitar o que parecem ser os disparates do costume, mas desta vez sobre um tal de Sr. Silva.

Naquele sotaque inconfundível, pede a «expulsão desse senhor» [mas com letra bem pequena] do partido no poder, porque «tudo o que ele é, deve ao PSD».
O madeirense desbocado garante que o Sr. Silva pertence a uma «brigada do reumático, que deve ser banida» do país.

O desrespeito é tal, que desconfiamos da veracidade, que olhamos para o lado a ver se ouvem o mesmo que nós, e tapamos os olhos, implorando que tudo isto termine.

Mesmo tratando-se do dia de Carnaval, haverá algum português consciente que não tenha levado a mal?


fevereiro 08, 2005

JSD ultrapassada

Não há limites para o mau gosto, nesta campanha eleitoral.

E mau gosto, é adjectivação mais indicada para aqueles cartazes da JSD onde aparece um José Sócrates trabalhado em Photoshop para parecer mais circunspecto, ou ladeado por figuras dos governos de Guterres [mais Edite Estrela - porque algum jovem laranja nutre uma qualquer fantasia erótica pela ex-autarca].

Este cartaz de campanha de um partido de extrema-direita [não, não falo no PP - ainda que tenha ouvido dirigentes populares dizerem coisas equivalentes, para defenderem a prisão de mulheres obrigadas a interromper uma gravidez] merece uma classificação que não consta no dicionário.

Repare-se no pormenor da criancinha loira - ariana tipicamente portuguesa.

Temo pela 'resposta' dos jovens sociais-democratas.


fevereiro 03, 2005

Ao lado

A abrir o tão propalado debate único, foram-nos servidos largos minutos de chafurdice no boato e na utilização do mesmo por uma das campanhas. E deu-se azo a novas insinuações, a mais fingimento descarado, a ainda menos vergonha na cara. Santana merecia ser sodomizado por um semáforo com as luzes a piscar. E que depois dissessem que ele adorou a experiência.

De seguida, começaram a ser disparadas perguntas alternadas que permitiam a evasão, o lugar-comum, a promessa demagógica.

Os jornalistas do 'painel' tinham tudo escrito e ponderado, mas não colocaram uma questão concreta sobre a Educação, a Saúde, a Justiça ou a Política Externa, nem exigiram explicações aos números atirados para o ar, muito menos interromperam disparates como aquele dos referendos sobre a clonagem, a eutanásia e o casamento de homossexuais ou o da redução do Imposto Automóvel.

E como irritavam aquelas vozes constantes que interrompiam as respostas, para lembrar o tempo que faltava.

Um único tropeção quebrou a monotonia, quando se defendeu que os idosos com pensões sociais precárias deviam ser sujeitos a estágios profissionais [se calhar, até faz bem à artrose - o Santana deve saber do que fala, pelo menos convicção não lhe faltou].

Este foi um frente-a-frente que passou ao lado, porque cada um jogava no seu meio-campo, como num aquecimento. Mas nem sequer houve remates à baliza, ou passes curtos e longos, uma pequena rabia, nada. Apenas uma exibição de toques sem bola.

Na declaração final, Sócrates esqueceu-se de olhar para a câmara e Santana mentiu com toda a naturalidade, sem pestanejar.

Ganharam o debate Portas, Jerónimo de Sousa e Louçã. E eu perdi noventa preciosos minutos da minha vida.


fevereiro 01, 2005

Facadas e Colo

Muito se tem escrito contra Santana Lopes. Não que seja um qualquer fétiche dos jornalistas que exercem opinião [directores, analistas e afins], mas o ainda Primeiro-ministro dá azo a muitos comentários, seja pelos disparates que lhe saem da boca [são antológicos os processos às empresas de sondagens, as metáforas que envolvem facadas e incubadoras ou as gabarolices sobre o seu carácter engatatão], seja pelos actos irresponsáveis e inconsequentes que lhe saem das mãos e destroem o país.

Mas pensam os distraídos que só o Luís Delgado luta contra esse 'Desígnio Nacional'. Enganam-se redondamente.

Tenho reparado que a SIC Notícias, e mesmo os telejornais da SIC [ainda que estes me mereçam, regra geral, apenas alguns segundos de atenção] estão a levar Santana Lopes ao colo [é uma expressão futeboleira muito querida ao ainda líder do PSD].



Comecei por notar esta diferença de tratamento, aquando da apresentação dos programas eleitorais. O do PSD mereceu directo integral de todo o discurso de apresentação - não houve interrupções à cerimónia, e quando Santana bebia água ou limpava os óculos não-graduados, Anabela Neves destacava os aplausos daquela "sala a rebentar pelas costuras", fingindo não saber que eram todos convidados.

E todo aquele fim de tarde e noite, e nos dias seguintes, houve análises, comentários de tudo o que é experts e coisa-e-tais, intercalados por figuras do PSD.

É verdade que Balsemão não conseguiu que José Gomes Ferreira [o editor de economia da estação] dissesse bem do documento, quando o analisou em estúdio, mas a sua opinião parecia bem menos crítica quando foi 'tratada' e encurtada, nos noticiários seguintes.

Pelo meio, houve até Expresso da Meia-Noite com Santana Lopes como convidado especial, onde os jornalistas presentes primaram por não interromper ou contrapor os dislates e as diatribes do Primeiro-ministro.

E nenhum outro programa de governo teve tão grande destaque.

O do PS, maior partido da oposição e líder destacado nas preferências sondadas dos eleitores, mereceu apenas um "António Vitorino apresentou a noite passada o programa do PS" durante vários noticiários intercalares dessa noite.
E só na tarde seguinte houve peça - um trabalho jornalístico de dois minutos para destacar o tal do "choque tecnológico" e o discurso com teleponto de Sócrates [já agora, o pivot podia destacar que ele próprio também não consegue falar sem a mesma bengala].

Depois lá veio o José Gomes Ferreira lixar tudo e dizer que aquele documento até era, "pelo menos, mais ambicioso que o do PSD". Por causa disso não voltei a ouvi-lo, e tive sempre a televisão ligada na SIC Notícias, enquanto fazia outras coisas [ainda não me habituei aos robots da RTP N].
Também não vi o mesmo desfilar de opinion makers, muito menos de dirigentes socialistas, para dissecarem o Programa. E até era mais importante fazê-lo, porque é bem provável que sejam as linhas com que se cose o futuro imediato do país.

Não venham dizer-me que Santana é mais mediático, por causa dos tais disparates que solta à média de seis por minuto e que só por isso merece tanta atenção.
Regra geral, os jornais da SIC notícias abrem com o directo de um comício de Santana, ou com um resumo alargado de uma intervenção popular de Santana [a regra é desfeita quando há 'novidades' do futebol, mas Santana aparece no alinhamento sempre antes de Sócrates] e vão ao mesmo comício algumas vezes, em directos onde o repórter só serve para pé de microfone.

Ao fim-de-semana esta evidência é gritante, com destaque enorme à prolixa verborreia de hipocrisia - que nem todos detectam, note-se, porque é dita com aquela convicção quase esquizofrénica. Os restantes dirigentes partidários merecem apenas a habitual peça de campanha ou nada [nunca vi na SIC notícias Garcia Pereira, por exemplo, ou dirigentes de partidos sem assento parlamentar, com excepção de Manuel Monteiro].

Quando a opinião de Santana Lopes é polémica [e é-o quase sempre, diga-se em abono da verdade], a redacção da SIC tenta uma reacção de José Sócrates, mas este nem sempre está para aí virado [ou tem o teleponto à mão] e a coisa fica por alguns segundos de tempo-de-antena.

Não sei se Pinto Balsemão terá espalhado pelos corredores de Carnaxide que ia ter que despedir mais pessoas se Santana saísse do governo, mas até os senhores do grafismo entraram no jogo do colo.
Durante os directos, as cores do oráculo [penso que é assim que se chama aquele rodapé que aparece com o nome do jornalista, do local, do entrevistado, etc.] foram mudadas para... as cores oficiais da campanha social-democrata.

Se a lavagem cerebral explícita não resultar, tenta-se a subliminar.


janeiro 28, 2005

Faltam 23 dias...

O ivan lançou uma corrente de optimismo a que deu o nome de Desígnio nacional: faltam 23 dias para o fim da carreira política de Pedro Santana Lopes.

aqui escrevi que, de facto, a vida de Santana depende do resultado das eleições de 20 de Fevereiro. Mais que a carreira política, está em jogo a própria sobrevivência e a confirmarem-se os resultados das sondagens - e a pior votação de sempre no PSD - Santana terá que pedir exílio nalgum lugar, ou o estatuto de refugiado político, que teria que ser criado de propósito para si, numa qualquer ilha deserta.

A iniciativa do blog A Praia merece todo o meu incentivo, mas não consigo ser tão optimista.

Afinal, estamos a falar do país que seguiu religiosamente a Quinta das Celebridades e que admira e venera aquela coisa que dá pelo nome de José Castelo-Branco [que é candidato a deputado pelo PSD - a pedido do próprio Santana Lopes]. E estamos a falar de eleitores que manifestam o seu descontentamento com capitulação e não têm pejo em dizer: eu não vou votar, que aqueles cabrões só querem é poleiro!

E o pior é que me faltam argumentos e pachorra para os convencer a tomarem outra atitude [ou a utilizarem a televisão para reproduzir DVD's].

Temo que possam faltar 23 dias para que... eu emigre.


janeiro 26, 2005

Uns e Outros

No mesmo dia, os dois mundos debatem o futuro do planeta.

Em Davos, na Suiça, os senhores do poder trocam impressões sobre as suas intenções e políticas. E em Porto Alegre, no Brasil, os restantes expurgam os seus medos face à 'globalização'.

São duas realidades distintas, mas os segundos dependem dos primeiros para sobreviver. E os primeiros precisam dos segundos para permenecer ricos.

Entre as discussões de Porto Alegre estarão as questões ambientais. As mesmas que pouco ou nada preocupam os senhores de Davos.
O Fórum Social Mundial terá que analisar as consequências do aquecimento global da Terra e a desgraça que isso trará para algumas zonas já desfavorecidas.
Em Davos, a questão também será abordada, mas de um outro ponto de vista.
Com o aquecimento global do planeta, o maior banco de gelo do Ártico vai derreter.

A NASA fotografou o fenómeno o ano passado, e o ritmo de degelo é acelerado.

De tal modo que, em largos períodos do ano, os barcos conseguem navegar no Mar de Barents, entre Churchill - no Canadá e Murmansk - na Rússia, onde as águas sempre estiveram geladas, bem junto ao Pólo Norte.

Haveria medidas a tomar para reverter o processo e salvar a Terra [degelo = desertificação = morte], mas os governos de Moscovo e de Ottawa estudam já as possibilidades comerciais que abre essa nova rota marítima entre os dois países. [Notícia]

E nós percebemos que o Fórum de Porto Alegre não passa de uma utopia.


janeiro 25, 2005

Guerra de Outdoors II




janeiro 20, 2005

Portas, o pecador

Paulo Portas é um excelente actor. É o que retenho do debate desta noite, com Francisco Louçã. Confirmei-o com maior clareza.

Da goma e do vinco do seu fato às riscas, Portas foi mestre em desacreditar o líder do Bloco de Esquerda. Sempre que este lhe apontava erros, como o da dúbia política fiscal da banca, era das próprias virtudes sem igual que falava o líder popular.
Portas pode ter apenas 7% dos votos, mas fala como se representasse 100% dos eleitores e o oponente não passasse de um miúdo birrento sem direito a queixume.

Paulo Portas só desarmou mesmo no fim, quando se discutia a interrupção voluntária da gravidez e o julgamento de mulheres que a praticaram.
O líder do PP chegou mesmo a ficar corado, num claro contraste à sua gravata dourada, quando Louçã lhe disse "o Senhor nunca gerou uma vida, não tem legitimidade para falar sobre isso".

A tirada radical custou-lhe o debate, mas Francisco Louçã abriu uma brecha no submarino de cinismo: tocou na questão melindrosa, no calcanhar de Aquiles invisível.

Portas diz ser o bastião da democracia cristã e dos valores morais da família... mas vive em pecado mortal.


janeiro 19, 2005

Santana tem que ganhar

O PSD tem utilizado a táctica que tão bem serviu aos Republicanos, nas eleições dos EUA.
Incapaz de defender as suas políticas, George W. Bush percebeu que só ganharia as eleições se denegrisse a imagem dos Democratas e se convencesse o eleitorado que John Kerry tinha posições dúbias e contraditórias, que iam contra a moral e os bons costumes do povo americano.

Pedro Santana Lopes debate-se com um problema idêntico - os seus seis meses de governação não podiam ter sido mais catastróficos - e resta-lhe lançar a confusão.
Todos os dias, num novo comício com militantes, acusa o principal adversário de uma contradição ou várias. Porque sabe que os portugueses não têm memória nem lhe topam os truques de retórica, inventa declarações e posições a José Sócrates e garante que este se desdiz, se confunde, se engana.
Sejam a retirada da GNR do Iraque, o Orçamento Geral do Estado, obras públicas programadas, ou as reformas necessárias para sair da crise, Santana cria os factos, interpreta-os, analisa-os, explica-os e baralha-os. E aproveita Sócrates ainda não ter recebido das mãos de António Vitorino o Programa de Governo PS.

Mas ao contrário de W. Bush, Santana é movido pelo desespero. Se o presidente americano podia sempre regressar ao seu enorme rancho no Texas e prosseguir uma existência tranquila e próspera, Santana Lopes tem a própria vida em jogo.

O ainda chefe do governo português está cercado por encargos fixos elevados e não possui bens ou imóveis de assinalar. O ordenado de Primeiro-ministro e presidente de Partido mal lhe chegam para pagar às ex-mulheres e manter alguma vida de socialite. Porque não é um advogado de sucesso, muito menos um empresário astuto, terá que viver da política. Mas se perder as eleições terá que humilhar-se num regresso à Câmara Municipal de Lisboa, onde deixou um buraco orçamental e obras sem nexo ou utilidade, a meio.

E será uma despromoção, ainda por cima. Um gigantesco passo atrás para o homem que, um dia, sonhou ser Presidente da República de Portugal.


janeiro 13, 2005

Guerra de Outdoors


janeiro 12, 2005

Viva a Democracia

Acabo de decidir em quem vou votar nas eleições de Fevereiro.

No gajo que não tiver fato às riscas.




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