julho 03, 2007

Copular

Este singelo anúncio institucional é dedicado à madrinha Kaku, autora do malogrado Blete, para que se entusiasme nos novos projectos...


1 même, 5 livros

Aqui fica a resposta ao desafio em forma de book crossing lançado pelo Francisco que me obrigou a puxar pela memória, já que ultimamente tenho escrito mais que lido.

- Trilogia Nikopol, de Enki Bilal, que reúne três obras do mestre franco-jugoslavo: A Feira dos Imortais, A Mulher Armadilha e Frio Equador, prenda de Natal sugerida.

- Da Cidade Nervosa, que reúne um conjunto de crónicas do catalão Henrique Vila-Matas e ainda um texto inédito Mastroianni-sur-mer, sobre cinema, literatura e o ídolo Marcelo Mastroianni.

- A Verdadeira História de Ned Kelly, romance do australiano Peter Carey que lhe valeu o Booker Prize em 2001.

- A Vida é um delírio, do galego Miguelanxo Prado, que congrega todas as pequenas estórias que compuseram Quotidiano Delirante e que encontrei em saldos na Feira do Livro.

- The Wind-up Bird Chronicle, romance do japonês Haruki Murakami, emprestadado pela MissFile e que vou lendo com vagar e devoção.

Fica o desafio a quem ler esta posta e lhe apeteça. Num outro même cruzado, alguém me pede também os cinco livros da minha vida... Em breve, quem sabe, ou então dos meus cinco pratos preferidos de massa.


maio 10, 2007

Meme**

Here her head, she lay
Until she'd rise and say:
"I'm starved of mirth;
Let's go and trip a dwarf"

Oh, what to be done with her?
Oh, what to be done with her?
Oh...

Ice water for blood
With neither heart or spine
And then just
To pass time; let us go and rob the blind

What to be done with her?
I ask myself:
What to be said of her?
Oh...

But when she calls me, I do not walk, I run
Oh, when she calls, I do not walk, I run
Oh...
Oh...

Oh

Wonderfull Woman - Morrissey, Johnny Marr

Em resposta ao desafio lançado pela Hipatia. Retribuo à MissFile, ao RG, ao Martin, à Ana, à outra Ana e a um dos Putos, vá.

(*) Um "meme" é um "gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma".
(**) Detesto "memes".


maio 04, 2007

Nu

Ouvi dizer que hoje é dia da nudez. Aqui fica então, um nu angelical da cintura para cima, ainda que neste caso não haja nada que envergonhe.

Angelica Bridges
Luana Piovani

Ainda por cima, pode considerar-se uma fotografia de mamas.


abril 10, 2007

Fumo

Olha! Já somos dois.

Ainda por cima, dá depois do CSI, em plena hora de ponta*.

*é por volta das duas da manhã, a par de coisas como Nip Tuck e Dr. House.


março 23, 2007

Favoritos

Dá jeito para filtrar, sim senhor.


fevereiro 14, 2007

Pasquim racauchutado

O novo Público não me cativa.

Criei expectativas altas, é certo, mas o tal do grafismo inovador deixa muito a desejar, nem parece feito pela equipa que fez do Guardian, o meu diário preferido.

O jornal lembra aqueles de distribuição gratuita - o Destak e o Metro. As cores escolhidas para os títulos não funcionam [lêem-se mal, e isso é a última coisa que se quer num jornal e nem eram necessárias, porque as fotos são todas coloridas] e as colunas diluem-se e confundem-se. O tal do caderno 2, ainda assim a parte mais interessante do jornal já que parece fim-de-semana todos os dias, não se livra de alguma trapalhice. Não faz sentido ter os passatempos encaixados de forma microscópica na última página [quem é que consegue fazê-los sem lupa?!], para dar espaço a uns desnecessários destaques [se já lemos o caderno, para quê recordar os temas?!].

No geral, o contéudo mudou quase nada. Um ou outro comentadores novos ou trocados de dia e remetidos para as últimas páginas, mas nenhum rasgo. A prometida aposta na reportagem não se nota. Longe vão os tempos do jornal de referência português.

PS: Vamos ver se o ypsilon surpreende, porque tenho pouca ou nenhuma esperança na Pública.


fevereiro 01, 2007

Assombrosa

É uma honra, um orgulho.

PS: gosto particularmente do dia escolhido para o lançamento.


janeiro 24, 2007

Rute Monteiro

São as primeiras, e enigmáticas, imagens da jornalista portuguesa raptada no Líbano.


janeiro 18, 2007

Mini

Pessoalmente, discordo.


dezembro 25, 2006

Presépio [2]

Eu disse que este postal de Boas Festas era imbatível. Mas sou obrigado a reconsiderar.


dezembro 02, 2006

Traiçoeira

O que fazer com o vernáculo?


novembro 23, 2006

Montador

Emprestadado pelo Eduardo.


novembro 15, 2006

De cada vez

Dos sete pecados mortais, curiosamente, cometo apenas um. Mas faço-o sete vezes mais do que seria admissível no mais profundo dos infernos pessoais.


novembro 07, 2006

Blete é Boa

Para além disso, tira fotografias sublimes...

PS: Já para não falar do design gráfico.


novembro 06, 2006

Semi-entrevista

O meu professor de Semiótica e Semiologia quer entrevistar-me e publicar o resultado no seu blogue.

Tantos anos depois já não podem tirar-me o canudo, pois não?!


novembro 02, 2006

Ai

Putativamente, as máquinas que suportam o Weblog terão entrado em sobrecarga devido a excesso de tráfego. Passou-se o fim-de-semana, o feriado de finados e nem o excesso nem a sobrecarga se acalmaram pelo que continua impossível comentar nos posts do blog. Ninguém foi, portanto, nem bloqueado, nem censurado, nem sitiado. Mas que aborrece, aborrece e até refreou a publicação, assim como que remetida à solidão e ao silêncio sepulcral da ausência de opiniões.

A aeiou está a tentar que o funcionamento da caixa de comentários volte ao normal ainda hoje.

Apesar de sermos totalmente alheios [não sei se já disse que adoro esta expressão], pedimos desculpa e compreensão.


outubro 30, 2006

Plagiadores

Eles reproduzem-se como coelhos...


outubro 24, 2006

Welcome

Não dou os parabéns a blogues, muito menos a bloggers, mas abro excepção.


agosto 19, 2006

Extrarradio

A rubrica de cinema do programa Extrarradio, na Rádio Galega, viaja esta semana até Portugal, país fonte de varias das propostas máis ousadas dos últimos anos. A convidada é a jornalista Teresa Nicolau.

O programa, conduzido por Eduardo Herrer e Belén Regueira, pode ser acompanhado online entre as 10 da manhã e a uma da tarde, aos Sábados, ou aos Domingos, entre as nove e o meio-dia e meia.

Dentro de dias, o nosso blogger preferido da Galiza, autor da rubrica, fará uma posta sobre esta materia. Cobrar-lhe-emos a promessa.


junho 22, 2006

Eu gosto de Futebol

A Vagina Woolf lembra-nos que, no fundo, quando fala naquele jogador de estatura elevada, compleição robusta e casado com dois filhos, que pensa todo o jogo a meio-campo, o Gabriel Alves confirma ser um neopositivista.


maio 03, 2006

citizen Kane



Tommy Kane


maio 02, 2006

De Naherengue a Tóquio

Japonês? Anyone?!


abril 17, 2006

Professora Marcela

Isto sim, é crítica literária a sério.


abril 14, 2006

Pawley... Martin Pawley

Deste lado do Minho, estamos muito orgulhosos.


abril 11, 2006

Camarate

Desconfio que é aqui que vive o galo esquizofrénico.


abril 05, 2006

Filmes Infantis obrigatórios

Talvez seja tempo de começar a pensar nisso e o Martin Pawley elaborou uma lista de dez grandes filmes que as crianças deviam ver antes de se tornarem adolescentes.


Les Triplettes de Belleville | Yaaba | Not One Less | Central do Brasil | 101 Dálmatas | The Miracle Worker | Onde é a casa do meu amigo? | Le Ballon Rouge | To Kill a Mockinbird | Ten Minutes Older: The Trumpet | Pather Panchali | The Night of the Hunter 


 Para serem vistos com pais, tios e afins.


março 30, 2006

Snifadela

E este blog endrominado, será que cheira a quê?!


março 29, 2006

Um caso mental

Que loira burrice... agora é que as vendas vão disparar. Ainda por cima, ao dar-se ao trabalho de fazer crítica literária, João Pedro George até elogiou a nossa Guiducha [marca registada].


março 17, 2006

M.

Há cada coincidência...

E M. também não é de MMA!


Galego como Nós

Aqui, nunca assinalamos o aniversário de blogues. acima de tudo, porque nos esquecemos. Mas o blog preferido para lá do Minho merece os Parabéns!

O que seria da vida sem dias estranhos?


março 15, 2006

Diva

Serve esta posta para formalizar que a faixa nº7 [sete] do Compact Disc das Shanghai Divas foi recomendada pela Inês, profícua auditora da mesma e frequentadora deste estabelecimento virtual, o que muito nos honra. Infelizmente, tal como apontámos em devido tempo, a faixa não toca no player do nosso Personal Computer - por causa desse sistema a que chamam Copy Controlled em que as editoras têm gasto milhões a desenvolver, aumentando o preço dos discos para não perder as suas margens de lucro de escassos 1000% e, consequentemente, levando à pirataria - esse flagelo mundial muito pior que as guerras, mais grave que o terrorismo, a prostituição infantil e o tráfico de droga juntos. Daí que esteja disponível neste singelo blog, apenas a faixa 1 [um, logo a primeira] do dito Compact Disc - uma remistura da mesma canção - Waiting 4 U [quatro, tu]. O CD, por sua vez, foi uma sugestão da boa Menina Má [nunca é demais reforçar - têm as duas um feitio que Ai Jesus! e não queiras ganhar-lhes à espadinha], desde as longínquas, no entanto próximas, terras de Macau.
A presente missiva serve, naturalmente, para pedir perdão pelo lapso, dando garantias expressas que o mesmo, salvo inusitada distracção, não se repetirá.

Sem outro assunto,

cordiais cumprimentos
mostrengo adamastor


março 08, 2006

Boa Acção

Estou com devaneios belmíricos, ainda que bem intencionados, e lanço aqui uma OPA amistosa à Menina Má Menina Boa.

Fusos horários opostos e mudanças em casa, é certo, mas com tempo para partilhar um daiquiri com morango. Pensa nisto, B.


fevereiro 23, 2006

Más acções

De acordo com os mais reputados analistas, a qualquer instante, este nosso |Substrato| será alvo de uma OPA hostil do Major-Alverca, seguida de uma contra-OPA das MMÁS...


Blog no Espelho

Volta e meia, a populaça feminina - e não só - que frequenta este respeitável estabelecimento virtual, indaga-se com ansiedade sobre o aspecto físico do homem por trás do moStrenGo [salvo seja].

Sem me conhecer pessoalmente, que eu saiba, a Péssima descreve-me na perfeição e satisfaz a curiosidade.

Parece que sou um espécime mais raro do que supunha.


fevereiro 21, 2006

O Shrek

Acho que daqui a dezasseis dias volto para Cabo Verde...


janeiro 26, 2006

Tesão de Orelhas

muito se escreveu sobre as bem-humoradas cenas de sexo de José Rodrigues dos Santos, no seu Codex 632 e de algumas passagens estonteantes que metem sopa de peixe, suco leitoso de mamas eriçadas ou berreiros libertadores de fluídos.

Depois de tanto elogio desbragado por esta blogosfera fora, João Pedro George [famoso por ter perdido tempo a analisar a escrita de Margarida Rebelo Pinto] defende o apresentador e garante que a literatura erótica de referência [Henry Miller, pois então] está repleta desse tipo de imagens, digamos, foleiras. George chama-lhe o Dogma da Infalibilidade do Pénis.


janeiro 09, 2006

Tesão de Orelha

Se a sua apresentação de notícias é simples voyeurismo esvoaçante, a escrita envereda pelo mesmo caminho, com salpicos de revista Gina. A primeira só é ultrapassada por Manuela Moura Guedes [de quem a este instante, já ninguém terá saudades, excepto naquela televisão alemã onde a confundiram com um transsexual], a segunda parece ser inspirada em Margarida Pinto Rebelo, sem recorrer a patrocínios.

N' A Memória Inventada, é-nos dado a fazer um divertido jogo com a já famosa cena erótica do último livro de José Rodrigues dos Santos.

É a chamada posta orelhuda.


dezembro 26, 2005

Mil Contos

O rio parecia sereno, mas corria em maré cheia, numa violência interna que o plano da superfície ainda ocultava. Um velho cacilheiro avançou nas águas, arfante e cansado, e só os picos nervosos das ondas desencontradas, em choque com o casco, lembravam a sua aflição na corrente. O despertar gelado da manhã tinha um vento que obrigava os apressados viajantes a fecharem mais os casacos contra o corpo.
O barco fez a manobra de acostagem e colou-se lentamente ao cais, largando um sopro de fumo, negro e leve, que se elevou na atmosfera límpida. As gaivotas voavam nos turbilhões de ar, tentando equilibrar-se com as asas estendidas, mas sustentadas pelo vento, num equilíbrio precário que lembrava uma dança, de tal forma evoluíam no nada, umas em torno das outras.
Do barco repleto saiu a multidão. A quantidade de gente que desembarcou, homens e mulheres apressados, parecia inesgotável. Depois, havia menos gente, e ainda menos, até que ficavam só alguns mais atrasados.
Distinguiu-a então, com a sua figura esguia e frágil. A mulher viu-o também, encostado, cabelo revolto pela ventania, o cigarro apagado na mão. Não se abraçaram, nem sequer se tocaram. A mulher parecia mais infeliz que nunca, olhou-o com uma timidez, um gesto de hesitação que lhe revelou tudo.
“Ele sabe de nós?”
Ela não falou. Nem sequer confirmou com um gesto. Semicerrou os olhos, por que o vento a fazia chorar e não queria chorar.
O homem largou fora a beata meio consumida e que a humidade apagara.
“Tens que sair de casa”, disse.
A mulher permaneceu em silêncio. Talvez tivesse sorrido amargamente, pois ambos sabiam que isso era impossível. Perderia as crianças.
“Vamos?”, perguntou ela.
O homem deu-lhe o braço, que a mulher aceitou.
E caminharam assim para o emprego, juntos, amantes sem endereço.
E as gaivotas pairavam no ar e o rio descia para o mar, como sempre fizera, numa corrente poderosa e invisível.

Os amantes sem endereço - Luís Naves


O meu amigo Luís também já escreve num blog - o Prazeres Minúsculos. Bom nome. O Naves é um exemplo como jornalista e um escritor inspirado e talentoso e propõe-se a publicar pequenos contos, quase um diferente todos os dias. É obra.


dezembro 14, 2005

Everybody Knows...

Será que ele recebeu a chamada que queria?!


novembro 17, 2005

The Most Beautiful Woman in The World

1. You
2. Yourself
3. That girl on my dream
4. The girl of my dreams
5. The girl [not] reading this list
6. A clone of you
7. A clone of the clone of you
8. Monica Bellucci... playing you

adaptado de McSweeney's Internet Tendency, por Runjit Chandra


novembro 16, 2005

Requisito Obrigatório

Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar,
já me queimei a brincar com uma vela,
já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda,
já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista;
já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora;
já fiz chichi no duche.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado
e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme,
já me cortei ao barbear-me muito apressado
e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas
e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas,
já subi a uma árvore para roubar fruta,
já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola
e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu;
já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar,
já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado,
já mergulhei para a piscina e não quis sair mais,
já bebi whisky até sentir os lábios dormentes,
já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos,
já quase morri de amor
e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial,
já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade,
roubei rosas num enorme jardim,
já me apaixonei e pensei que era para sempre,
mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
já chorei por ver amigos partir
e depois descobri que chegaram outros novos
e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz,
tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:
" - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro.
"Experiência...."Experiência... "
Será que cultivar sorrisos é experiência?

Resposta a um anúncio de emprego da Volkswagen


novembro 12, 2005

The Fucking Blog is on its Way

Era uma vez um blog que tinha vida própria...


outubro 16, 2005

Conversas Soltas

Girl #1: I like to surround myself with ugly people because it makes me look prettier by comparison.
Girl #2: I know what you mean.

Não esquecer de cuscar [é a palavra exacta] o blog Overheard in New York, sempre que possível. Há lá verdadeiras pérolas do dia-a-dia de uma cidade.


setembro 29, 2005

Conversas Soltas

Girl #1: Damn! You're so unhip* these days.
Girl #2: What, because I don't want to bed with my supposedly straight female friend?
Girl #1: Duhhh! The club: Bed. You really need to get out more.

Cruzam as ruas de Nova Iorque 8 milhões de pessoas, dia e noite. E o blog Overheard in New York apanha algumas das suas conversas no ar. De vez em quando, até nos carrancudos monossilábicos do metro de Lisboa se apanham pérolas destas. Temos que começar a coleccioná-las, aqui no Sub.

* unhip: careta, fora de moda


setembro 28, 2005

Antecipação

Já eu, tenho muito medo é de deixar de ter medo...


setembro 01, 2005

Blog Day - a Ressaca

Eu sei que eram só cinco e acabo por referir nove. Mas também me esqueci que são blogues novos o Abóbada Palatina , A Vida é Larga! e o Buraco na Parede.

Distraí-me! Mas a minha lista de links é bem mais atenta que eu...

[E refiro mais blogues neste dois dias que nos últimos dois anos.]


agosto 31, 2005

Blogues do Dia do Blog

3108 This!

2+2=5
Interessante veia africana [moçambicana, para ser preciso] num blogue com muita cultura urbana e opiniões incisivas e irónicas sobre a actualidade.

a Estrada
Olhar atento ao que se escreve em Portugal, com dedo firme e crítico.

Jamaica Bar
O blog mais caótico, boémio e anarca da blogosfera, às vezes esquece o disfarce e escreve belos textos de paixão.

Poloroids
Uma visão bicéfala da vida, apoiada por citações, imagens que marcam e inspirações repentinas.

Reiniciar
Imagens amplas, coloridas ou a preto-e-branco, ilustradas por textos descritivos, de uma arquitecta que gosta de viajar.

São cinco blogues apenas... Novos, como se pede [têm menos de um ano], escolhidos para o Blog Day 2005. Se a breve descrição não corresponder à desejada, é favor reclamar na caixa de comments.

Adenda: Por distracção [nem parece meu!] não incluí na lista o Paredes Oblíquas. Consulto-o com tanta frequência, que nem reparei que também se trata de um blog novo.


agosto 29, 2005

Dia do Blog

3108 This!

Faltam dois dias para o Blog Day.

E eu ainda não escolhi os meus 5 blogues...


agosto 19, 2005

Os Direitos do Blogger

A boa amiga de Elsinore, inspirou-se em Daniel Pennac e elaborou a deontologia do blogger:

1. o direito de não blogar

2. o direito de só ler algumas postas e o direito de não respeitar a ordem cronológica das mesmas

3. o direito de fechar o blog e recomeçar uns tempos depois ou de começar um novo blog ou de calar-se para sempre

4. o direito de reler postas antigas, as dos outros e os nossas, de gostar, de não-gostar, de falar acerca disso, de retocar postas, de apagar postas

5. o direito de não linkar blogues que toda a blogosfera linka

6. o direito ao bovarismo2

7. o direito a estar de férias e esquecer o blog ou o contrário, o direito de escrever postas imaginárias, o direito de escrever disparates e de escrever coisas sérias, o direito de escrever postas quilométricas, o direito de se contradizer

8. o direito de gostar de blogues de qualquer espécie e das pessoas que estão metidas neles e o direito de não gostar de um blog porque o template é horrível, o direito de nunca ler blogues de pessoas que nos provocam problemas de pele mesmo sendo de referência

9. o direito de fazer linques para blogues amigos quando nos apetece e também para os outros, sem quaisquer constrangimentos [p.e., pode perfeitamente linkar-se o Pacheco Pereira quando ele escreve algo que merece referência]

10. o direito de não desejar transformar o blog em livro

2 Identificação com a personagem ou com a mensagem.


julho 08, 2005

Aniversariantes

O tempo é uma das poucas coisas garantidas.

Ele passa, corre, com uma precisão milimétrica, de forma sistemática, sem hesitar. Não importa que o queiramos parado, ou mais rápido, a andar para trás. Se não estivermos atentos, nem damos por ele.

E dois anos passaram, precisamente, desde que comecei a escrever este blog.

É verdade que só o tempo passava por cá, nos primeiros meses. As postas eram esporádicas e não passavam de desabafos difusos, com leitores acidentais e raros, num endereço mantido em segredo. E eu gostava disso. Não sei definir o ponto de viragem. Mas sem publicidade ou divulgação noutros blogues [e a culpa é minha, que nunca fui muito de referir postas alheias, trocar piropos ou dirimir argumentação], vi as visitas começarem a solidificar-se e a regularidade dos comentários também. Nicknames como Conde de Sabugueiro [sempre bem documentado e citador], Eduardo, Hasse Paixão [prolixo e culto como eu gostava de ser] ou BruneX [mais papista que o Nuno Melo] e ainda a Carla de Elsinore, o Klank, a Ana Farrajota, o galego Martín Pawley, a Pipinha, a mamã Gotinha, a Sereia, o desbocado Jaime Andrajoso, a brasileira Deméter, a Paula T., ?Quem!, a Kate, a PéCoLa, a Queen Helga, a Margot, o Andy ou o Xung, tornavam-se figuras habituais nas caixas de comentários e de e-mail, onde reagiam aos textos, reconheciam o estilo da escrita e o meu estado de humor, liam as entrelinhas e partilhavam opiniões. E era quase tudo gente que não possuía o seu próprio blog - um fenómeno!

Pelo caminho ficavam blogues de que gostava: Abram os Olhos, The BlogLight Zone, Janela Indiscreta, Zoom Blete, Leite Creme, País Relativo, Ford Mustang... mas via com surpresa que ex-bloggers como a Kaku, a Sombra e a Twilight continuavam a visitar-me e a comentar as postas, ainda que isso não compensasse terem acabado com as suas fontes de inspiração e prazer. E que ganhava mais e mais habitués - a F3dr@, o DCveR, a Inês, o Fdv, o homemDASneves, a Fada e restantes BP 5/12, o PriK, a Alguma, o Zé Aquilino, o SirHaiva, a Ana, o Beto, o Castiço, o Bilas, a São, o Jimbrinhas, a AMR, a Lyra, o Puto, o Insondável e outros [as omissões devem-se à falta de memória - as minhas desculpas] a quem devia, pelo menos, pagar uma jantarada.

Saúdo todos os que cá vêm regularmente, esporadicamente, quando lhes apetece. Bem hajam pela cumplicidade - o feed-back que proporcionam é o melhor que o blog tem. Mais de 150 mil visitas únicas depois, perto de 500 mil pageviews, centenas de linkagens e referências directas, até algumas notícias nos jornais, o |Substrato| vai passando, no limiar da blogosfera lusitana.


julho 06, 2005

Jornal Público noticia cartazes 'Votem em Mim'

Desta vez, o Público não procurou endrominar os leitores e citou as fontes devidas. Atribui o acto às Brigadas Posterrroristas 5/12 [ainda que lhe chame brincadeira, quando se trata de um protesto legítimo - com humor - de um grupo de cidadãos contra a inundação da sua cidade com placards de pré pré-campanha] e cita o blog que tem divulgado as iniciativas - este.

O artigo é interessante [merece toda a primeira página da secção Local] e está bem estruturado por Ana Henriques [pelos vistos, foi útil a discussão mantida na blogosfera e na redacção do jornal, nos dias seguintes ao episódio de plágio sobejamente conhecido].

O jornal ouviu até os candidatos. Os mandatários de Manuel Maria Carrilho consideram os balões usuais nesta altura, Carmona Rodrigues chama-lhe vandalismo pouco cívico [é preciso ter lata, quando se espalham milhares de placards sobre tudo e sobre nada], José Sá Fernandes diz aceitar a brincadeira, Ruben de Carvalho não se sente ofendido e Maria José Nogueira Pinto [que só não ajuda a entupir tudo o que é praça e esquina desta cidade, porque anunciou mais tarde a candidatura] chama às BP 5/12 um grupo de brincalhões com piada. Faltou perguntar a todos quanto custa tanta publicidade e quem a paga.

O Público refere outras iniciativas das Brigadas e do |Substrato| - ainda que as confunda e misture - e lembra que não é proibido apelar directamente ao voto [os candidatos só não o fazem por uma questão de "bom senso", a tanto tempo das eleições], nem deverá ser punida qualquer intervenção nos mesmos cartazes, porque ainda não arrancou a campanha eleitoral.


junho 08, 2005

Blog presente

Não gosto do que escrevo.

Não é isso. Não é para ter elogios à minha escrita de quem achar o contrário. Mas eu detesto o que escrevo quando releio.
Por isso, evito reler as postas que escrevo e por isso são feitas directamente na administração do blog, de um fôlego, seguidas de um instintivo publish. E depois, arrependo-me.

Se sou obrigado a reler coisas antigas [de há bocado, por exemplo], encontro sempre mil e uma coisas que estão mal, com erros ou gralhas, que não era bem aquilo que eu queria dizer, que estão mal escritas e confusas, que não gosto como soam, que detesto a ponto de fazer caretas.

Se eu pudesse, este blogue nem sequer tinha arquivo.

Não concordo com nada do que aqui escrevi. Quer dizer, posso até concordar com a ideia por trás daquelas palavras, às vezes acontece, mas não era assim que eu o dizia, de todo. Se fosse agora, era muito mais claro, ou mais discreto, mais bem elaborado, ou mais directo.

Daí que, para responder a uma ou outra sugestão deixadas nos comentários, este blogue nunca seria... um livro.
Vai ter cheiro, um dia, isso está prometido, mas a sua publicação só faz sentido aqui, como um objecto imediato e interactivo.

Quer dizer, faz sentido se eu corrigir estes textos todos de que não gosto.


maio 31, 2005

Rádio na Cabeça III [and counting]

«De que vale ter um blogue se é só para endrominar as pessoas?»

A frase destaca-se no e-mail que acaba de chegar à redacção deste |Substrato|. Ao menos, desta vez, não nos partiram os vidros da janela da sala. A mesma pode ser interpretada como um elogio, à primeira vista, mas é uma crítica feroz. Lembra o mail que prometemos, mais que uma vez, transformar este blog numa rádio, com música para ouvir e mais não sei quê, e nada. Continua a missiva que não têm faltado ofertas de ajuda, expressas nas caixas de comentários, e nada.

Nada.

O silêncio que nos cerca torna necessário esclarecer aqueles que, começando por nós, gostariam de ter uma catrefada de canções para ouvir com um simples clique, uma verdadeira banda-sonora alternativa para as postas que aqui escrevemos e lemos, como foi propagandiado em campanha blogal.

Acontece que, amigo leitor, prezada leitora, ouvintes do há-de-vir, cumprir esse propósito parece difícil, mas não é nada fácil. E isto diz-vos quem ainda no outro dia ouviu uma jovem mas entendida voz dizer «isso é impossível, pelo menos em HTML».

Mas há-de ser feito. Nós mantemos a promessa. Pedimos é paciência e compreensão, porque o valor da dificuldade é superior ao esperado em várias percentagens de grandeza. E, já agora, pedimos ajuda. SOCORRO! HELP! SOS! 'TOU PIDIR! AIUTO! AU SECOURS! FODA-SE!

Adivinha-se uma caixa de comentários cheia de boa vontade. Já vemos nicks fabulosos e enérgicos a prometer mundos, fundos e parafernálias, para se juntarem à Sombra e ao Raxor que, mesmo virtuais na sua existência não-palpável, conseguiram transformar em código-fonte um mero mata-borrão de cores e links, e que nunca demoram mais que umas horas a responder aos pontos de interrogação em forma de e-mails que lhes enviamos quando o sobrolho franze.

Só que desta vez, já se percebeu, é preciso mais que mandar uns bitaites à distância e uns bota lá isto e faz aquilo. Desta vez, vai ser preciso chegar aqui, à matriz blogosférica da coisa no PC, onde estes ignotos confusos teclam umas palavrinhas, e escarrapachar as intrincadas leis informáticas que vão permitir pôr mais que aquelas duas musiquinhas a tocar com um simples carregar de tecla. Seja em flash, HTML ou estónio. Mas há-de ser possível. Tem que ser. Alguém já o deve ter feito.

Ou não?!


maio 26, 2005

Filmes em Cadeia

Para exercer o seu direito de vingança, o amigo galego Martín Pawley passou-me este même sobre cinema.

Quantos filmes tenho em casa:
- Poucos. Umas dezenas de VHS cheios de musgo e perto de meia centena de DVD, entre originais e carregados da net. Espera, mas grande parte está emprestada[da].

Último filme que comprei:
- 21 Grams, de Alejandro Iñarritú. Foi uma pechincha, na última incursão à Feira da Ladra.

Último filme que vi no Cinema:
- Der Untergang, de Oliver Hirschbiegel, sobre os últimos dias de Hitler. A mais recente decepção.

Último filme que vi em DVD:
- Kill Bill 2, de Quentin Tarantino. Revisto. E não foi a última vez.

Cinco filmes de entre os meus favoritos:
- In the Mood for Love, de Wong Kar Way
- Magnolia, de Paul Thomas Anderson
- Duel, de Steven Spielberg
- The Night of the Hunter, de Charles Laughton
- Amores Perros, de Alejandro Iñarritú

A quem vou passar este questionário:
- A ninguém, para inverter o processo.


maio 24, 2005

Blog Olímpico

Entre as classificações que tem recebido este blog figuram «é esquisito», «estranho e difuso, muitas vezes», «desorganizado e confuso» e «de talento apenas putativo», chegadas em generosos e-mails.

Os autores de tais epítetos aconselham o blog a tornar-se, acima de tudo, «mais formal» ou, no mínimo, que os posts «façam algum sentido». Explicam que não ficava mal se eu me referisse a outros blogues quando eles fazem anos, por exemplo. E às grandes notícias da actualidade, como o défice futebolístico. Pelo menos, que definisse as categorias do próprio blog. Afinal, reforçam a maioria dessas opiniões, o que é isso de Vida? Não estaria tudo e todos os posts abrangidos pela mesma? Para quê as outras categorias, então? E porque não há uma categoria Morte para lhe contrapor, mas há coisas sem nexo como Natural e Objecto, ou visivelmente panfletárias como Manifesto e Debate?!

A verdade é que, finalmente, encontrei uma categoria onde é fácil perceber que tipo de textos encontrar: nos Contos de Fadas estão os posts escritos pela Olímpia - a Fada.

Do meio de uma conversa por MSN [where else?!] surgiu o nick [acho que à terceira tentativa] e a ideia de publicar o texto que antecede este post. Ela acabou por dividi-lo em três postas autónomas, mas complementares.

E a promessa que esse seria o primeiro de outros posts da Olímpia. Muitos mais. E este foi o maior elogio que alguma vez fizeram ao |Substrato|.


maio 23, 2005

Matraquilhos
The human Abstract

E três perguntas. Tinhas três perguntas
Am i worth it? Are u that brave? Do u trust me?

Ora, isso, parece-me uma só pergunta.
Digo eu. Que tenho uma só vida. Que é minha. E de que gosto.
Que arrisco, porque também gosto de um bom petisco.

Parei de ler e olhei em volta.
Branco. Até perder de vista.
E o Mundo redondo. E fome. E uma sede do camandro.

Bom, e agora, Olímpia,
rapariga,
minha ursa, como vais tu resolver isto?
Ou te fazes à estrada, com IPs pelo caminho que nunca sabes como foram traçados
(Neste país onde todos sabem fazer mapas mas ninguém quer saber ler
ou saber seja o que for, ou do que for, porque já nada há a fazer.
Onde mais cartaz menos cartaz, vai dar ao mesmo,
porque as figuras de cartaz se prestam às figuras que ninguém quer fazer e,
quem quis fazer se deixou levar pelas figuras.)

Ou te fazes ao caminho
Olímpia, rapariga...

Fui.
Looking for wallie

Sabes bem.
Tu também. Conheço o teu sabor.
O sabor e o cheiro são as coisas mais importantes.
Digo eu.
Eu também.
Não quero que te doa.
Nem eu.
Passas-me a perna?
Qual delas?
A que quiseres. A que te fizer menos falta para já. Com qual vais à bola?
Porque é que toda a gente gosta mesmo é das pernas?

Como é que sabias que era eu?
Sabia. Dás-me uma da frente se fazes favor? A que quiseres? Obrigada.
Sabias? Tinhas a certeza que era eu? E se não for?
És.
E se não for?
Se não fores, enganaste-me.
Faz-te diferença?

Pensei muito nisso no caminho.
Pensaste mesmo? Eu também.
Faz?
Acho que não. Agora já não, de certeza.
Pois. Lol. Agora já não.

Olha, ainda bem que és tu.
Sejas tu quem fores.


Na sequência da glaciação mundial, e da consequente escassez de alimentos vivos, verificaram-se avanços de enormes massas brancas vivas, quer do Pólo Sul, quer do Pólo Norte, através de quilómetros, em busca de zonas onde pescar. Aparentemente, por acordo pré estabelecido via net, alguns elementos das colónias de ursos polares de ambos os Pólos, incapazes de cometer antropofagia entre as suas próprias tribos, e conscientes da hipótese de toda a calote estar já coberta de gelo, encontraram-se perto do equador numa – obrigada, de certeza que já não precisas da cabeça?

Dei-ta.
Sabe bem. Burros. A cabeça é muito melhor do que a perna.

Post da Olímpia


maio 20, 2005

Corfebol
As Time Goes By

Que resposta querias tu que eu te tivesse dado.
Que não te esteja a dar, aliás.
Dei-te as palavras que pudessem ter
o sentido que te devolvesse os sentidos.

Eu que dou tanta coisa por dada e adquirida.
Que só quero as coisas dadas.
Que a cavalo dado não olho o dente, nem cor, nem idade,
nem peso, nem passos dados. Eu nem olho, sequer.
Vou pelo cheiro e pelo tacto.

Há sentidos que há muito deixaram de fazer sentido. Digo eu que disse.
Estão proibidos. São sentidos que me deixaram sem sentidos.
E sem sentidos perde-se o sentido dos sentidos.
E quando se perde, seja o que for, fica-se perdido.

Eu não estava perdida. Eu nunca estou perdida.
Como as palavras disseste tu. Que eu quase escrevi mas que nunca escrevo.
Nunca, é uma coisa que eu digo. É só uma palavra. Digo eu.

E as palavras, dizem-se ao vento. E leva-as o vento.
As palavras têm sempre muitos sentidos.
Pode-se escolher mil sentidos para uma palavra.
Até o sentido dos sentidos podem ser várias palavras ou só uma.

Agora digam-me que as palavras não são perigosas.
Ou que não há perigo em dizer certas palavras.
Ou que os sentidos, e as palavras,
e o sentido das palavras e as palavras dos sentidos
não podem deixar-nos sem sentidos.

Como raio se tira o sentido do sentido
pelo sentido do sentido de uma palavra?

Fuck u.
As palavras foram tudo o que foste dando.
O que pode ser muito. Pode ser dar tudo o que se tem.
Dar tudo por tudo. O que é muito mais do que muito.
É um tudo ou nada muito.

Blind as a bat.
Só por palavras, chegar lá só por palavras.
Por meias palavras. Por palavras por dizer. Por palavras sem sentido.
Three blind mice. See how they run.
Ali éramos 2, ou 3 ou mesmo 4 pessoas diferentes.
Disseste. Quem és tu?

Que te respondesse e te tirasse daquele inferno.

Mas porque raio há-de alguém tirar alguém
de onde esse alguém quer estar.
Se com o inferno dos outros todos podemos bem.
E se bem aventurados os pobres de espírito
que deles será o reino dos céus.

E, se de todas as palavras, e de todos os sentidos,
são as mais idiomáticas as menos diplomáticas.
As mais carregadas de todos os sentidos. De duplos sentidos.
De sentidos proibidos. De sentidos sem sentido. De um só sentido.
De dois sentidos. De trânsito parado.
Fuck u. Disse eu. O mundo é redondo.

Post da Olímpia


maio 19, 2005

Abrupto Sexual [o Melhor Blog do Mundo]

Bem vindo ao meu Blog. Chamo-me Bino Coutinho d'Almeida Quintela Mexia*
Sou um cidadão do mundo, embora português de nascimento. Radicado durante muito anos na Suiça, falo fluentemente português, espanhol, françês e italiano, além de inglês e grego que falo não tão bem e alemão ainda menos porque é um idioma muito dificil de aprender.
Regressei à 4 anos ao nosso amado Portugal e estou ligado ao sector da venda de automóveis de luxo semi-novos, com facilidades e garantia, embora a minha grande paixão seja a música, pois sou cantor romântico e muito em breve espero gravar um cd com temas inéditos todos compostos por mim próprio.
Sou solteiro, porque ainda não encontrei a minha verdadeira alma gémea (serás tu ?) e porque o meu coração é um zingaro muito romântico. Mas apesar de infeliz ao amor namoradas não me faltam, os namoros é que por azar duram pouco. Um dia espero que durem mais, com sorte.
O tipo de mulher que prefiro são as ruivas, mas também aprecio as loiras e as morenas, desde que sejam honestas e asseadas é o que importa.Que eu também tenho cuidado com a saúde e faço sempre sexo seguro com perservativos que trago sempre comigo no porta luvas do carro.
Aliás, tenho vários automóveis e um jipe e também possuo casa própria com piscina, antena parabólica e lareira.
Os meus passatempos são a música, namorar, sexo, passear de carro, ir a bailes, comprar roupa cara, comer e beber em bons restaurantes, ver DVDs, navegar na internet, conversar ao telemóvel, assistir a touradas e ver jogar o Benfica.
Animais não tenho porque detesto gatos e os cães são porcos e dão muito trabalho. Também não gosto de mulheres que fumem ou que não saibam cozinhar bem e depressa.
Decidi começar a escrever este blog porque achei interessante poder publicar coisas que fui escrevendo ao longo da minha vida e nunca consegui publicar e também porque acho que tenho uma palavra a dizer sobre tudo o que se passa ao nível da política e outras notícias, em portugal e no mundo. Enfim, é a minha liberdade de expressão (além de cantor gostaria de ter sido jornalista, escritor de sucesso ou mesmo um grande político, só que neste país desgrassado nunca há oportunidades).
Não mostro a minha cara toda no blog porque não quero ser reconhecido quando for a passear na rua ou nalgum hipermercado.

*Heterónimo.

Agradeço o link [e sei que não devia, porque ele tem a Bomba Inteligente por musa!]. É incontornável convidá-lo para o próximo encontro de bloggers.


maio 17, 2005

Love Is Not Enough
Mapa Mundi

Eu volto. Garanto. Disseste.

Be careful out there. Disse eu

Há coisas que já ninguém te tira.

Se não as tinhas nesse momento um abraço deu-tas. Disseste.

Pois. Eu não tinha nada a perder. Disse eu.

Não te vi os olhos agora. Disseste.

Viste, viste. Agora viste. Disse eu

Vou ligar para ver melhor, ok? Disseste tu.

As coisas nunca começam por acaso. Muito menos um caso.
Um caso pode ser um caso sério.
E com as coisas sérias não se brinca.
Porque a brincar, a brincar, já lá vão noites e dias e semanas,
e o tempo, a páginas tantas, transforma-se em vidas e as vidas, ah, as vidas…
essas não podem ou não devem ser feitas de páginas soltas.
Tal como os livros, precisam de capas e contra capas.

Ou talvez seja ao contrário como tu uma vez disseste.
Melhor, escreveste. E pediste que eu editasse.
Porque que as capas e contracapas precisam de páginas
que as transformem em livros e daí em vidas
e há quem só as saiba ir escrevendo
mas não as saiba editar e transformar em qualquer coisa séria. Disseste tu.
Com que não se brinque. Que possa ser um caso, que não o é por acaso.

Ora eu, que tanto brinco,
eu podia ter-te dito tudo o que querias ouvir.
Não disse.
Ou quase disse e parei no limite do possível não dito.
Há coisas que nunca digo. Que já não digo.
Há pessoas que lutam por aquilo que querem
e há pessoas que recebem o que lhes querem dar.
Há coisas que já disse, houve lutas em que já entrei, sou bruta.

E sempre quis viver em paz.
Posto isto, há batalhas em que já não entro.

Mas tu chamaste-lhe um jogo. Em que o serviço e a vantagem eram meus.
Combinando o resultado antecipadamente, propuseste.
Para garantir que ninguém perdia, mesmo que ninguém ganhasse.
Com trocas longas de bolas, umas curtas, outras longas, vá.
Os volleys eram permitidos e eram as pancadas que me caracterizavam.
Subidas à rede, disseste.

E tudo isto, sem que nunca nos tivéssemos medido em campo.
Ao ar livre. Ou fora do ecran do jogo virtual.

Depois deste-me uma bomba de asma fora de prazo.
Que isso já te passara, e que a minha era das más.
Agradeceste a sorte de me descobrires a mim por companheiro de jogo
E deste-me a tua cabeça para que fizesse dela o quisesse.
Como regra número um instituíste a verdade,
como número dois não ser necessário pedir desculpas.

A verdade. A que tu sabes e eu sei.
Que disseste que o jogo estava viciado, sim.
Mas não que era cronometrado.
E eu joguei bolas lentas. Pelo prazer de jogar, de ir fazendo jogo,
de viver como gosto de viver porque tenho realmente uma vida.
Com dias para mim, para o que trago comigo, e dias para o que desse e viesse.

Não sabia que os meus dias contigo podiam estar contados.
Dar conta disso fez-me estacar. Alto e pára o baile. A música é outra.
Acerta o compasso que o de espera não existe. Quem espera nem tudo alcança.
Vê se te avias, isto é um vê se te avias. Quem vai ao mar avia-se em terra.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra, e quem tem terra chama-lhe sua.

Eu volto. Garanto. Disseste.
Be careful out there. Disse eu
Há coisas que já ninguém te tira.
Se não as tinhas nesse momento um abraço deu-tas. Disseste.
Pois. Eu não tinha nada a perder. Disse eu.
Não te vi os olhos agora. Disseste.
Viste, viste. Agora viste. Disse eu
Vou ligar para ver melhor, ok? Disseste tu.
Fuck u. Tens 20/20 de visão. Disse eu.

Post da Olímpia


maio 16, 2005

Outro 'Meme'

Por puro sadismo, estou certo, a incontornável Blogotinha passou-me este questionário:

Que fazes neste momento?
- Respondo a um forward, quem diria, enquanto sorvo o meu batido de banana e maçã, devagarinho, à procura de acordar.

Que planos tens para este fim-de-semana?
- Bolas! Ainda hoje é segunda-feira e já me falas nisso. Olha, o meu plano é chegar lá depressa e depois pegar no carro e fugir para a beira-mar.

Que coisas te causam stress, neste momento?
- Eu não sou uma pessoa de stresses, mas sou capaz de ficar colérico se faltarem muitas perguntas para isto acabar.

Que fizeste desde o acordar até agora?
- Por ordem, a ver se me lembro: abri os olhos, fiquei a olhar para o tecto do quarto, brinquei com o gato que me acordou a passar-me por cima, levantei-me, espreguicei-me, entrei na casa de banho, lavei a cara com água fria e cumprimentei o gajo que estava no espelho a olhar para mim mal-encarado, espreguicei-me, verti umas águas do joelho e sacudi duas ou três vezes, voltei a lavar as mãos e a cara mas já não cumprimentei o antipático, fui até à sala para abrir as janelas e tropecei no gato, liguei a aparelhagem e pus o volume mais alto, fui até à cozinha, descasquei uma maçã e cortei em quatro, separei o caroço mole de uma banana, juntei tudo com leite na batedeira e carreguei no botão do meio, dei comida ao gato que não parava de miar, deitei o batido num copo grande e testei cor, textura e sabor, partilhei um pouco com o gato que voltou a miar, vim até ao escritório, abri a janela e senti o sol na cara por uns minutos enquanto ouvia aquela canção nova dos Nine Inch Nails que não é grande coisa, liguei o PC quando passaram umas nuvens frias, sentei-me na poltrona e abri o e-mail, li as mensagens novas e apaguei o spam, comecei a escrever este post.
Ufff... Tanta coisa! Estou a ficar cansado. Acho que vou voltar para a cama.

A quem irás passar este teste fantástico?
- Sei lá eu, assim de repente. Olha, à Susana - do Reiniciar, ao Rui Bebiano - d' A Noite e ao Martín - do Días Estranhos. Siga.


maio 03, 2005

Acólitos de Stewart

Jon StewartO melhor blogador da Galiza dedica um post extenso e documentado a Jon Stewart.

Depois de um elogio que é fruto exclusivo da sua bondade, Martín Pawley explica que foi neste |Substrato| que descobriu o comediante americano. Tal como eu, o galego começa a tornar-se fã incondicional da crítica irónica e voraz do Daily Show.

Este blog podia acabar hoje, que já tinha cumprido a sua missão. E mesmo quando o dermos por terminado, os clips de Stewart continuarão disponíveis na coluna de links.


abril 18, 2005

Fahrenheit 451

Não respondo a forward de email. Nem sequer os abro, venham de quem vierem. Mas tenho uma atitude diferente quanto aos meme dos blogues, se gostar de quem os lança.
Este desafio sobre livros foi-me colocado pela blogadora do Tou na Lua e aqui ficam as minhas respostas.

Não podendo sair do contexto de Fahrenheit 451, que livro querias ser?
- Não quero.

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?
- Fico sempre apanhado pelo herói, anti-herói e até pelo vilão dos livros de que gosto. Acho que a primeira 'paixão' foi o Spider-Man, se bem me lembro.

Qual o último livro que compraste?
- Foi o 2º volume da História Universal editada pela Salvat e pelo jornal Público. Na 4ª feira, para não ter que comprar o pasquim.

Qual o último livro que leste?
Estive a reler A Pomba, do Patrick Süskind.

Que livro estás a ler?
- Portugal, Hoje: O Medo de Existir, de José Gil; Encontro Magick: Fernando Pessoa/ Aleister Crowley, de Miguel Roza. Estão os dois na mesa de cabeceira e é conforme a disposição.

Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
- A Insustentável Leveza do Ser, de Kundera
- O Outono em Pequim, de Boris Vian
- O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder
- O Velho e o Mar, de Hemingway
- Quotidiano Delirante, de Miguelanxo Prado
Foram os cinco primeiros que apareceram, de entre os essenciais. Não pode ser uma ilha deserta com biblioteca?
Também gostaria de levar resmas de folhas em branco e muitas canetas.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Uma vez que isto é mesmo obrigatório [como foram a minha respostas], aqui vão os três primeiros blogadores de que me lembrei, o que não é desprimor:
- João Pedro Costa ou Clara, d' As Ruínas Circulares
- São Rosas ou Gotinha, d' A fUnda São
- Carla, do Welcome to Elsinore

Se não responderem, acho que têm dez anos sem visitas registadas pelo Sitemeter ou lá o que é. A verdade é que o questionário obrigou a uma arrumação nas minhas estantes, que bem precisavam.


abril 04, 2005

Fora do Mundo

Quando me iniciei na blogosfera, não conhecia pessoalmente ninguém que tivesse um blogue.

Ao contrário do Pedro [e quem sou eu para falar no autor do Fora do Mundo!?], o cenário pouco mudou, em quase dois anos de blogosfera activa. No meu círculo de amigos raramente posso falar de blogues, porque a conversa transforma-se num monólogo entediante.

Valem os dois amigos que fiz, graças aos blogues... e as Brigadas Posterrroristas 5/12.


março 24, 2005

Só mais um 'Meme'

1 - Pega no livro da tua vida.
2 - Procura uma frase sublinhada.
3 - Se não encontrares nenhuma, procura um trecho desse livro que te marcou.
4 - Transcreve-o no teu blog, juntamente com estas instruções, ou nos comentários deste postalhito, se não tiveres um.

Esta era a ideia inicial, pegar no livro preferido e deixar no blog o registo da melhor parte - a frase que mais me marcou. Mas isso vislumbrou-se impossível. Não só estou indeciso entre vários, como estarão todos emprestados. É uma mania que tenho: não permitir que as pessoas de quem gosto deixem de ler os meus livros preferidos. E deixa de ser uma vantagem, aquele meu hábito de sublinhar os livros.

Assim, se não conseguires reunir isso - a frase literária ou parágrafo que mais te marcou - pega num dos últimos livros que achaste muito bom e transcreve uma das partes que mais gostaste. Este é uma corrente cibernauta diferente da outra em que participámos, que vivia puramente do acaso.

Eu encontrei uma excepção, nos tais favoritos, que não terá sido emprestado porque estava fora do sítio, na prateleira dos dicionários e afins: O Outono em Pequim, de Boris Vian.

«Os pés derrapavam-lhe na areia quente. Ângelo sentia sentia os grãos miúdos de encontro aos artelhos, por debaixo das tiras de cabedal das sandálias espartanas. Tudo o que Ana lhe dissera, a própria voz dela, ressoava-lhe nos ouvidos, mas o que via era o rosto meigo e fresco de Rochela, a curva bem desenhada das sobrancelhas e a boca brilhante da rapariga sentada em frente da máquina de escrever, no escritório de Amadis Dudu.
Divisava-se, lá ao longe, a primeira faixa escura, sem uma ruga sequer, traçando no chão uma linha sombria que penetrava, direita e inflexível, nas sinuosidades das dunas. Ângelo ia andando neste terreno instável o mais depressa que lhe permitiam as pernas, perdendo, nas subidas, alguns centímetros em cada passo que dava, o que recuperava em seguida, ao descer. Sentia-se fisicamente feliz por ser o primeeiro a deixar pegadas impressas sobre a imensa pista amarela. A pureza porosa de quanto o rodeava, essa presença absorvente do deserto, ia-lhe, a pouco e pouco, insidiosamente, acalmando o desgosto.
Aproximava-se da franja de sombra, que se erguia a perder de vista como uma muralha nua e baça, mais atraente que uma sombra autêntica, porque, na realidade, era uma ausência de luz, um vazio compacto, uma solução de continuidade, cujo escrupuloso rigor nada podia perturbar.
Uns passos mais e entraria na completa escuridão. Estendeu timidamente a mão: a muralha ali estava, e a mão desapareceu. Sentiu a frialdade da outra zona. Então, sem uma hesitação, entrou por completo, logo ficando envolvido num véu de sombra.
Avançava devagar. Tinha frio, sentia o coração bater mais depressa. Procurou na algibeira a caixa de fósforos. acendeu um. Teve a impressão que a chama pegara; a escuridão, porém, era total. Largou o fósforo, um tanto assustado, e esfregou os olhos. Voltou a riscar, com todo o cuidado, a ponta do fósforo no lado rugoso da caixa. Sentiu o fósforo arranhar, antes de pegar fogo. Meteu a caixa no bolso esquerdo e, por palpite, às apalpadelas, aproximou o indicador livre da minúscula labareda e queimou-se. Largou o fósforo. Virou-se ccom cautela, para tentar voltar ao ponto de partida. teve a impressão que estava a andar há mais tempo que da primeira vez, sempre numa escuridão impenetrável. Parou novamente. O sangue corria-lhe mais depressa nas veias, embora tivesse as mãos geladas. Sentou-se: era preciso ter calma. Meteu as mãos debaixo dos braços, para aquecer.
Ficou à espera. O ritmo do coração diminuía. Sentia, nos membros, todos os movimentos qque fizera desde que entrara no escuro. Tentou orientar-se, sem grandes pressas e, com um andar decidido, dirigiu-se para o sol. Segundos depois sentia o contacto da areia quente e, com os olhos piscos, viu outra vez o deserto amarelo e imóvel. Lá estava ao longe aquela vibração, por cima do telhado liso do hotel Barrizona.
Afastou-se do muro de sombra, deixou-se cair na areia fofa. Uma lumeta deslizava preguiçosamente, mesmo ali, numa erva longa e recurvada, que logo se cobriu de uma película irisada. Estendeu-se no chão, escavou uns buracos para os braços e para as pernas e, relaxando por completo os músculos e o cérebro, deixou-se ficar a respirar, tranquilo e triste.»

Naturalmente, não se exige que transcrevas todo um capítulo, como eu fiz. Fi-lo por impulso, maravilhado pela releitura de cada frase.


fevereiro 10, 2005

Precisa-se: Free-lancer com 'tomates'

Luís Delgado [Imagem gentilmente surripiada ao blog Afixe]

E que tal... investigar o passado de Luís Delgado?

A sugestão é do Paulo Querido e merece um reforço, por mais humilde que seja.

De facto, seria de todo o interesse perceber como é que um «ex-jornalista sem história e "empresário" sem dinheiro se tornou em pouco tempo, num dos homens influentes da comunicação social de Portugal».

Lembra o autor do blog (