Delírio, Protesto, Prurido... No Limiar da blogosfera.
junho 20, 2007
Bagged
Inspirados por Christian Troy?!
PS: Não há ninguém que dê a 4ª série?! Nem que seja às 4 da manhã?
junho 08, 2007
Grandes Frases da Publicidade
Está cansada de esperar que os seus pelos cresçam, para poder depilar-se com cera?
maio 28, 2007
Pacenza
Será este um tarado profissional?
abril 25, 2007
Sci-Real
A realidade imita a ficção?!
abril 17, 2007
Ai Portugal, Portugal
Isto está muito bem feito e é interessantissimo, exibido a horas decentes o que raramente acontece.
António Barreto, sociólogo e político, sabe fazer entrevistas e contar as estórias como os jornalistas deviam saber ou poder.
março 09, 2007
'Loiras, Roliças, Apetitosas'
Eu não digo?! Agora, até as alheiras fazem mal...
Cientistas acabam de alertar para os riscos das alheiras.
Esta é a história do enchido inventado pelos judeus
A "uma alheira, com a pele fendida, tostada ao calor da fritura, a derreter aquele unto doirado e rescendente a alho, tempero de que lhe vem o bonito nome (...) - quem haverá aí, senhores, que não se tente?" Isto é o escritor Manuel Mendes, num texto recolhido no seu livro roteiro sentimental, a falar do enchido, nascido nos finais do século XV, princípios do século XVI, em circunstâncias históricas nefastas para os "filhos de Israel", e a que chamou "a chouricinha da resistência".
Naquela época, Portugal, como tem sucedido com frequência ao longo da sua história, tinha as finanças arruinadas. O rei da altura, D. Manuel I, seguiu o caminho mais fácil. Sendo conhecida a boa situação económica dos judeus portugueses, as autoridades, a pretexto de questões religiosas e políticas, tentaram apossar-se das respectivas riquezas. o processo era simples: ou os judeus abraçavam os princípios do catolicismo, ou eram expulsos. o Estado, nestas circunstâncias, ficava-lhes com os bens.
Mas em Portugal, sobretudo nos centros urbanos mais importantes, não viviam apenas judeus ricos. havia também os pobres e os remediados que, não podendo fugir para a Flandres, Itália e França, se retiraram para as isoladas regiões do interior do país, em particular Trás-os-Montes, por considerarem pouco saudável o ambiente das cidades, onde se multiplicavam os autos-de-fé da inquisição.
Aos que ficaram não lhes restou outro caminho que não fosse deixar encharcar a cabeça com as águas do baptismo e passar a recitar o credo e o Padre-nosso nas igrejas católicas, mesmo que, no segredo das suas casas, continuassem a guardar os preceitos da lei de moisés. nasceram, assim, os "cristãos-novos", que, na região de Trás-os-Montes, foram crismados de "marranos".
Porém, nem nessas regiões inóspitas os esbirros da inquisição deixaram os "cristãos-novos" em paz e começaram a tentar saber quem não trabalhava aos Sábados, quem não comia peixes sem escama ou carne de porco. foi neste ambiente e nesta época, garante-se, que foi inventada a alheira. pendentes no pau do fumeiro, como os tradicionais enchidos de porco, as alheiras provavam aos "cristãos-velhos" que os "cristãos-novos" se tinham convertido em toda a linha aos novos preceitos da fé a que tinham sido obrigados a aderir.
Só que as alheiras, uns doirados e roliços enchidos, apesar de ressumarem farta gordura sobre as brasas em que eram assadas durante os invernos rigorosos, como acontece com qualquer enchido de porco, não levavam ponta de carne deste bicho.
Na verdade, o enchido inventado pelos judeus portugueses era confeccionado com pão de centeio, carne de várias espécies de caça, carne de aves domésticas, carne de vitela ou de vaca, azeite e o caldo do cozimento das carnes. como condimentos, a massa da alheira levava colorau doce e picante, pimenta branca, sal, salsa, louro, cebola e - indispensável - alho, que terá dado o nome ao enchido.
Os tempos ignominiosos da Inquisição já lá vão há muito e a alheira, que, até anos relativamente recentes, foi um enchido regional de trás-os-montes, encontra-se agora em todo o país. e, provavelmente, confeccionam-se mais alheiras na região de lisboa do que nas terras de Mirandela e Bragança, onde a "chouriça da resistência" nasceu. mas as confeccionadas em Trás-os-Montes são indubitavelmente as melhores.
E, tem que dizer-se, as alheiras actuais, salvo a cor dourada e a forma de ferradura, pouco têm a ver, na sua composição, com a receita original. Hoje - oh ironia! - a carne que predomina é a de porco, muitas vezes da mais gorda, o rústico, mas saboroso, pão de centeio foi substituído pelo pão de trigo, a banha é utilizada em vez do azeite. conservam-se as carnes de algumas aves domésticas, com destaque para a galinha, e os temperos. recentemente voltaram a confeccionar-se de forma industrial alheiras de caça.
O fabrico da alheira deve ser programado de modo a que todo o processo fique concluído no mesmo dia: cozem-se as carnes em água temperada com sal, alho, cebola (facultativa), salsa e louro, devendo a calda ficar bem apurada, desfiam-se as carnes muito bem desfiadas, embebe-se o pão na calda, deixa-se amolecer e homogeiniza-se a massa. depois, junta-se o colorau, a pimenta e mais alho e salsa finamente picados, além da banha e do azeite. mistura-se bem a massa e enche-se com ela tripas de porco ou de vaca, que são previamente lavadas com água perfumada com limão, louro e, por vezes, aguardente. atam-se, então, as duas extremidades da tripa, ficando o enchido com a forma de ferradura.
Lavam-se em água quente, para retirar os resíduos de massa aderentes à tripa. penduram-se as alheiras no fumeiro durante uns três dias. o fumo não deve ser muito intenso, porque é obrigatório que as alheiras conservem uma cor dourada.
Nas terras de Trás-os-Montes - e penso que é assim que as alheiras são melhores - costumam comê-las grelhadas sobre brasas: ou sozinhas, como entrada, ou acompanhadas com grelos de nabo e batatas cozidas, como prato de resistência. Nos restaurantes de Lisboa, servem-nas geralmente fritas, em frigideiras de barro, com batatas fritas e um ovo, uma irracionalidade, porque para gordura já basta a da alheira.
A alheira, a que se atribui a origem atribulada que fica descrita, é uma festa para a vista e muito saborosa. ainda mais se for servida sobre uma fatia de bom pão de centeio e acompanhada por um tinto do douro, região onde se produzem alguns dos melhores vinhos de mesa portugueses.
David Lopes Ramos, Público
março 06, 2007
Genpets
"Respiram, sentem, sangram quando são cortados, têm personalidade própria e emitem sons, embora as cordas vocais tenham sido manipuladas de forma a que os ruídos não incomodem os donos."
E eu que já achava os Tamagotchi perturbantes...
Chamam-se genpets (do inglês genetic pets, animais de estimação genéticos) e vendem-se em caixas de plástico, onde estão num estado de hibernação, à espera de serem levados por pessoas que queiram uma alternativa ao tradicional cão ou gato. São fabricados pela canadiana Bio-genica e vivem entre um a três anos.
Se, como muitos de nós, acreditou no parágrafo acima e se ficou chocado com a possibilidade de manipulação genética para criar mascotes, então o artista canadiano adam brandejs voltou a atingir um dos seus objectivos. Estes "animais" são, na verdade, robots extremamente realistas, que estremecem ocasionalmente e cujos movimentos do peito simulam a respiração de um mamífero.
O projecto fez parte do trabalho que o jovem, de 24 anos, apresentou como alternativa à tese que precisava de fazer para acabar o curso na Universidade de Artes e Design de Ontário. em vez de um trabalho académico, brandejs entregou aos professores o que seria um catálogo de venda destes genpets. a nota, recorda, foi "muito boa" e o trabalho correu algumas exposições, atraindo a atenção da imprensa nos dois lados do Atlântico.
A ideia surgiu há dois anos, durante uma viagem de comboio: "estava a fazer rabiscos e a tentar lembrar-me de algo que pudesse fazer e que incluísse grande parte das técnicas que estudei (que foram muitas) e que ao mesmo tempo transmitisse uma mensagem socialmente relevante", conta brandejs. o artista admite que "não sabia bem" qual seria o impacto: "o meu principal objectivo era criar uma peça de arte que questionasse para onde vamos em termos de biotecnologia e consumismo e que pusesse as pessoas a discutir."
O jovem já participou em alguns filmes como produtor de efeitos especiais, trabalha com vários materiais (da borracha ao plástico e à espuma), sabe programar microchips e está à vontade a desenvolver sites. Todos foram conhecimentos indispensáveis para dar vida aos genpets.
Brandejs começou por fazer os moldes das caixas, onde os robots pareceriam uma espécie de brinquedos vivos. depois, foi preciso construir os bonecos (a que brandejs chama "esculturas"), com circuitos internos que os fazem mexer e "respirar". O processo de fabrico foi longo e penoso - oito meses, até que terminou os 19 pequenos robots.
O custo do material necessário para fazer cada um rondou os 150 dólares e o dinheiro veio de trabalhos em part-time.
O passo seguinte foi mostrar os genpets ao mundo. o site (www.genpets.com) não fazia parte dos planos iniciais, "mas a meio tornou-se evidente que poderia dar às esculturas mais projecção do que apenas a exposição numa galeria de arte".
Brandejs criou o site com um design cuidado e o aspecto credível típico das grandes companhias. o produto era oferecido com etiquetas de várias cores, indicadoras da personalidade do "bicho" e autocolantes atestavam que se tratava de um brinquedo hipoalergénico e adequado para crianças. a compra dava ainda direito a todo o material necessário para cuidar e alimentar a recém-adquirida mascote. várias pessoas foram enganadas.
O último passo foi pôr os genpets "à venda" numa loja de toronto, canadá. na verdade, os pequenos robots não podiam ser comprados e o artista garante que, a qualquer pessoa que perguntasse, esclarecia que se tratava de esculturas animadas e não de animais geneticamente alterados.
Mas quem apenas passasse pela montra não poderia saber a verdade e as reacções foram diversas, conta brandejs. em algumas noites, a dona da loja teve problemas com pessoas que batiam nas montras para tentar acordar os "animais" da hibernação. e enquanto os adultos normalmente se mostravam chocados com os genpets, algumas crianças pediam o "brinquedo" aos pais: "para toda uma geração, a vida e a ideia de vida estão a tornar-se bens descartáveis."
Actualmente, os genpets podem ser comprados (os preços oscilam entre os 560 e os 760 euros, consoante o boneco seja animado ou não), mas a venda só é feita em galerias de arte. "Não quero que ninguém compre um a pensar que é real", explica o artista.
Uma sapatilha feita de borracha e látex a imitar a pele e carne humanas é outra das obras de arte de adam brandejs. a sapatilha está "cosida" com agrafos e alfinetes e tem um símbolo branco da nike.
Como se não bastasse o realismo dos materiais usados (incluindo cabelos dos colegas de casa), a sapatilha tem um motor eléctrico interno que provoca movimentos ocasionais e aleatórios, "como se ainda estivesse viva".
O objectivo desta invulgar peça - que está neste momento em exibição numa galeria de arte no canadá - é chamar a atenção para o contraste entre as crianças do mundo ocidental ("que se queixam por não terem o último modelo para levar para a escola") e as dos países subdesenvolvidos. Essas crianças, observa brandejs, nunca terão esse tipo de queixas, "porque simplesmente não vão à escola e, em vez disso, cosem sapatos por três cêntimos por dia".
João Pedro Pereira, Público
fevereiro 22, 2007
Contado Ninguém Acredita [Perdido na Tradução]
Sim, é verdade que a Câmara da maior cidade do país está minada por corrupção e incompetência, sem que o Carmona Rodrigues se digne a demitir-se; é mais que óbvio que o Alberto João Jardim anda a esbanjar dinheiros públicos e a troçar da cara dos contribuintes... sem dúvida.
Mas é tempo de, neste país de resignados e de uma vez por todas, nos revoltarmos contra os tipos que traduzem os títulos dos filmes. Não dá para viver assim. Alguém que lhes ensine, ao menos uma língua que seja, por favor!
fevereiro 15, 2007
Máximo
No renovado Maxime está tudo na mesma. O gerente/cantor enverga os mesmos casacos discretos e entoa a mesma poesia urbana delicada; o empregado de mesa mais velho continua a brincar com os macacos do nariz enquanto serve copos de cerveja e amendoins, a stripper anã continua a ser a grande atracção da casa, depois dos lustres. Já tinha saudades.
fevereiro 12, 2007
Apocalipse
Será que só eu é que reparei que foi Deus Nosso Senhor a mostrar a sua ira, com o sismo desta manhã, depois do resultado do referendo de ontem em Portugal?! Bem nos avisaram os senhores Padres nas homilias do fim-de-semana e aqueles crucifixos que pendiam por cima das mesas de voto.
O Cavaco que promulgue a lei que vai sair do parlamento e verás como a Terra treme até se abrir um buraco que tudo engole...
janeiro 25, 2007
Sobra um, Mozart
Mozart, an iguana with an erection that has lasted for over a week, will have his penis amputated in the next couple of days.
Veterinarians at Antwerp's Aquatopia had sought to treat the animal's problem, but decided removal was the only solution because of the risk of infection. The good news for Mozart and his mates is that male iguanas have two penises.
Mozart, sitting on the shoulders of his keeper as camera crews focused on his red, swollen erection, seemed unperturbed by the news.
"It doesn't bother him. He doesn't know what amputation means," said vet Luc Lambrecht, adding that Mozart's sexual activity should be undimmed by the operation. "I don't think so. That's all in his head."
Reuters
janeiro 22, 2007
janeiro 18, 2007
Como se diz 'Eunuco' em romeno?
Tu não me irrites, pá!
Grabbing a scalpel, he sliced off the penis in front of shocked nursing staff, and then placed it on the operating table where he chopped it into small pieces before storming out of the operating theatre at Bucharest hospital.
janeiro 16, 2007
Homo Promiscuus
Com galinhas ainda se admite, em situações de carência extrema... mas isto é demais!
Estudo de crânio diz que homem moderno fez sexo com Neandertais
Portugueses fazem parte da equipa que publicou um artigo numa revista científica norte-americana sobre ossos descobertos na Roménia, com cerca de 40 mil anos, a altura em que a nossa espécie terá entrado em contacto, pela primeira vez na Europa, com o homem de Neandertal.
Volta e meia, conforme as descobertas e as suas interpretações, surge a mesma dúvida: os Neandertais fizeram, ou não, sexo com os humanos modernos, a nossa espécie? A crer no estudo de um crânio quase completo, descoberto numa gruta na Roménia, foi sexo que fizeram. Porque, diz a equipa que o estudou, apresenta uma mistura de traços anatómicos de humanos modernos e de Neandertais.
Ontem, a equipa de Hélène Rougier e Erik Trinkaus, da Universidade de Washington, em St. Louis, nos EUA, publicou o estudo deste crânio encontrado em Pestera cu Oase, ou Gruta com Ossos. Integram a equipa os portugueses João Zilhão (ex-director do Instituto Português de Arqueologia, ou IPA, agora na Universidade de Bristol, em Inglaterra) e Ricardo Rodrigo (Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática do IPA).
O crânio tem 40 mil anos, por isso é dos ossos mais antigos na Europa de humanos modernos (confirmados), a par de outros achados nas grutas de Mladec (Morávia), Cioclovina e Muierii (Roménia). Pode servir para explicar o tipo de relacionamento entre humanos modernos e Neandertais, porque os primeiros contactos entre ambos terão ocorrido naquela altura.
Os Neandertais só viviam na Europa e no Médio Oriente: surgiram há cerca de 300 mil anos e ninguém nega que desapareceram há 28 mil anos, na Península Ibérica, para onde acabaram empurrados. Os humanos modernos não existiam na Europa. Ou vieram de África, onde apareceram há 150 mil a 200 mil anos e iniciaram a sua diáspora pela Terra há 50 mil anos. Ou surgiram em vários locais, a partir do Homo erectus, que saíra de África há 1,8 milhões de anos.
Para Erik Trinkaus e João Zilhão, os humanos modernos, vindos de África, mantiveram contactos reprodutivos com os Neandertais, antes de estes desaparecerem. Os Neandertais são nossos avós, portanto.
Outros cientistas defendem, no entanto, que foi a guerra entre ambos que levou ao fim dos Neandertais, que não são assim nossos antepassados.
É neste debate que entra o crânio (de um adolescente) da Roménia, cujos fragmentos foram recuperados em 2003, 2004 e 2005. Além de traços anatómicos que permitem dizer que é um humano moderno, tem outros que o distinguem dos modernos posteriores, escreve a equipa. Ou seja, reúne um mosaico de traços modernos e arcaicos, que a equipa interpreta como oriundo de Neandertais.
Tal como os humanos modernos, não tem o sobrolho saliente, a parte de trás da caixa craniana é alta e arredondada, a abertura do nariz é estreita, as órbitas oculares são quase quadradas, explica Erik Trinkaus ao PÚBLICO. Certos pormenores, internos e externos, da região dos ouvidos são também modernos.
Mas, tal como os humanos arcaicos, ou Neandertais, os dentes são grandes ("os dentes do siso são os maiores que se conhecem no género Homo"), a testa é longa e há marcas de músculos fortes por trás dos ouvidos. "Algumas destes traços arcaicos já se tinham perdido nos primeiros humanos modernos, por isso é mais fácil atribuir a sua presença à mistura entre Neandertais do que a terem voltado a aparecer", diz Trinkaus.
Mas quem defende a tese de que os Neandertais não são nossos antepassados, diz que é natural o esqueleto dos primeiros humanos modernos ter traços mais arcaicos. E, como se desconhece o padrão desses traços arcaicos nos modernos, o recurso aos Neandertais para explicá-lo não passa de argumentação. Até surgirem provas esmagadoras, que façam um dos lados ceder, o mais certo é este debate continuar.
Teresa Firmino, in Público
janeiro 09, 2007
Daqui para Acolá
Na empresa, chamemos-lhe assim, onde trabalho, acaba de ser nomeado um Chefe do Serviço de Movimentação de Suportes. Não sei o que é nem para que serve, mas candidato-me a adjunto.
janeiro 07, 2007
Setes
E falta eu, que nasci a 7.
janeiro 04, 2007
Datas
Não ter memória, servirá de desculpa?
dezembro 22, 2006
Hipo Nipo
Olha, vou ali hibernar e já volto.
Japonês salvou a vida "hibernando" três semanas
Homem de 35 anos teve uma temperatura corporal de 22 graus e recuperou totalmente.
Mitsutaka Uchikoshi é um homem de sorte. E conseguiu um feito único, que lhe salvou a vida: o seu organismo carregou no botão de pausa e ele ficou num estado de animação suspensa, em hipotermia, o que lhe permitiu sobreviver durante 24 dias, ferido, numa montanha. Como é que este funcionário público de 35 anos o conseguiu, ninguém sabe, mas os cientistas estão interessados em sabê-lo.
A 7 de Outubro, Uchikoshi foi fazer um piquenique com amigos no monte Rokko, perto da cidade de Kobe. Mas afastou-se dos amigos, tropeçou e caiu por uma ribanceira. Magoou as costas e não se conseguia mexer. Para comer não tinha mais do que um frasco de molho de barbecue. No segundo dia de estar para ali caído, arrastou-se para uma área com relva, que ficava ao Sol. "Sentia-me bem e adormeci. É a última coisa de que me lembro", contou Uchikoshi, numa conferência de imprensa dada ao ter alta do hospital esta semana.
Com a temperatura a rondar os dez graus Celsius, a sua própria temperatura corporal baixou muito rapidamente. Quando foi encontrado, a 31 de Outubro, tinha apenas 22 graus. Isso deve ter sido o que o salvou: "Ele entrou muito rapidamente num estado de hipotermia que se assemelhava à hibernação. A rapidez permitiu que as suas funções cerebrais ficassem protegidas, embora os outros órgãos tenham abrandado o seu funcionamento. Acho que foi isto que aconteceu", comentou Shinichi Sato, o médico que tratou Uchikoshi, citado pela AP.
Não é a primeira vez que se dão recuperações fantásticas de pessoas que pareceriam condenadas à morte. Um caso famoso é o de Anna Bagenholm, descrito em 2000 na revista médica The Lancet: caiu de cabeça num buraco num rio gelado, quando estava a fazer esqui. Só 80 minutos depois os amigos conseguiram tirá-la da água gelada, e a sua temperatura corporal tinha baixado até uns inacreditáveis 13,7 graus. Foi levada para o hospital imediatamente, e extraíram-lhe todo o sangue, que foi aquecido fora do corpo e reinserido no seu corpo. Ela passou 60 dias nos cuidados intensivos, recordou a revista New Scientist, mas recuperou totalmente.
Bagenholm teve também muita sorte: só 30 por cento dos adultos cuja temperatura desce abaixo de 28 graus de forma não controlada sobrevive. Mas Uchikoshi, além de se incluir nesses 30 por cento, é um caso único porque sobreviveu durante 24 dias. Até agora, os casos de sobrevivência em hipotermia têm-se limitado a muito poucas horas. "Se o paciente sobreviveu mesmo com uma temperatura corporal tão baixa e durante tanto tempo, o caso é mesmo revolucionário", comentou Hirohito Shiomi, um especialista em hibernação de Hiroxima, citado pela BBC Online.
Usa-se o procedimento de baixar bastante a temperatura corporal de pessoas que sofreram ferimentos graves, ou um ataque cardíaco, para as manter estáveis até poderem ser tratadas. O estado de animação suspensa em que entrou Uchikoshi assemelha-se à hibernação, um truque que muitos animais têm, como ursos e esquilos, mas que os humanos não conseguem imitar.Talvez o caso do japonês o venha a permitir.
Clara Barata, in Público
dezembro 15, 2006
Dada
Alguma coisa havíamos de ter...
dezembro 06, 2006
Fama
Chamo-me Sicrano Beltrano (Dj. Alay), de nacionalidade guineense, tenho 25 anos de idade, sou solteiro, tou em Portugal à pouco tempo, vivo na Rua Ana Castro Osório x, andar x. Damaia 2720-036 Amadora. Desde muito tempo tou com uma granda Ansiedade de pertar Mãos consigo, eu senpre aconpanho com os teus telejornais. Eu tenho muitos registo do que voce relatou durante muito tempo num docie que vai servir me de testumunhas que eu sempre sou uma pessoa que sonha pra te dar um abraço muito forte. A minha preferencia era pra te ligar um dia directo para Radio, mas, dada a situação da vida que eu tava a deparar em Guiné e distancia, não me deu jeito e eu preferia escrever tudo isso num pequeno bloco chamado Rádio x. Mas, eu senpre tenho Fé que um dia Deus vai facilitar um encontro ao vivo de corpo e alma entre Sicrano e Fulano Tal. Alias, cada dia sinto-me aproximação de realizar este meu grande sonho. Pois, eu tava muito longe de ti, mas agora tou a sentir o teu calor humano. Pois tou em Portugal...
Tenho um Amor em ti parece uma mulher que pertendo casar. Por isso, peço-te este grande favor de me contactar para te conhecer. Nen se for depois de apertamos mãos eu morrer, pra mim ta tudo bem. Tou convicto que tu tens muitos Fãs, mas, concerteza sinto-me iveja quado alguen ta a dizer q gosta tanto de ti, isto faz me sentir muito infirior em voce. Fulano Tal, aceita isso, eu na verdade sou o teu Fãn numero zero, não so dizer assim na boca, mas sim, é uma coisa que sinto naturalmente dentro da minha pessoa. O que tenho pra te dizer, não acabe assim, prefiro fazer quatro olhos consigo. Portanto, aceite este meu grande favor de encontramos qualquer dia que tiver dispunibilidade.
Os meus contactos São:
Telm: 96xxxxxxx
Telef: 21xxxxxxx
e-mail: alayotcha@xxxxxx.com ou alayotcha@xxx.xx
Com os meus melhores comprimentos.
novembro 23, 2006
Zonas Erróneas
Cinquenta e um?! Parecem-me poucos...
novembro 20, 2006
Banco de Trás
Tempos houve em que, para conhecer gente, era preciso esforço.
outubro 30, 2006
Telejornalista
Quando for grande quero ser como o José Rodrigues dos Santos, que bebe sopa de peixe feita com leite de mamas, escreve livros em que demonstra que Deus não existe e diz Touny Bléé.
outubro 25, 2006
E na banheira, ainda é melhor
Eu bem me queria parecer que aquilo teria alguma utilidade.
Mercedes e Oriol [2]
Um amor assim... a conclusão desta estória.
outubro 24, 2006
Mercedes e Oriol
Um amor assim...
outubro 18, 2006
Turistas por Metro Quadrado
Eis senão quando, em plena época das chuvas e sem férias no horizonte, surge mais uma lista, das 100 maravilhas do mundo. Só conheço dez delas, culpa de ter pisado apenas dois continentes, até agora.
Para conseguir que Portugal tenha uma maravilha qualquer é preciso pedir o Top 1000 deste tal de Howard Hillman, que se gaba de ter feito um milhão de milhas em mais de 100 países, para fazer inveja. E resulta.
outubro 17, 2006
Involuntária
O problema, Luís, é que se todos os que pensam assim se abstiverem, lá vence o NÃO outra vez. Porque uma coisa é certa, os padres votam e dão missa.
outubro 09, 2006
Engomar fácil
Afinal, parece que os ferros a vapor não funcionam sem água. É certo que nunca soube utilizar o vapor em causa ou a função borrifar do dito, e ainda é mais verdade que os babetes e as fraldas de pano nunca se ressentiram, muito menos esta ou aquela t-shirt mais torcida. Mas quando o fio eléctrico se incendeia como se fosse o pavio da dinamite ateado sem aviso para pintar a negro a estante dos DVD, o candeeiro de papel, o sofá e vários tacos do soalho, há que reconhecer que não custava ler as instruções de um aparelho que sempre se mostrou complicado e ameaçador, muito antes desta galopante onda de azar. Ouvido o conselho da mãe e desembolsados vários euros, aprendo no manual que a água a utilizar tem que ser destilada.
A vida é muito complicada.
setembro 30, 2006
Saudade
A Lua está pela metade.
setembro 29, 2006
Silêncio e Escuridão
Já não há heróis?! Deixo-vos aqui uma heroína.
setembro 28, 2006
Não tão Lisa
A que se deve, então, o enigmático sorriso? À invenção tardia da Epidural.
setembro 27, 2006
Sintético
Mais duas ou três piruetas encarpadas daquelas [que nem a relva artificial conseguiu afectar] e podem apresentá-lo à Merche Romero.
setembro 26, 2006
Cosmos
Não havia a escolha 24/7 do Fox e do AXN, eram dois canais generalitas apenas [com poucas horas de emissão] que só se intercalavam levantando o rabo do sofá e carregando no botão. Mas para além do Espaço: 1999, da Galáctica e do Buck Rogers, vibrava-se com isto*. Claro que também não havia esta coisa espantosa a que chamamos internet de banda larga.
* Todos os episódios disponíveis com um simples clique.
setembro 23, 2006
Bairro do Amor
Por estes dias, e apanharam-me de férias numa pequena aldeia onde só existe o Café do Concelho que fecha às dez da noite, têm-se discutido nos blogues a degradação agudizante do Bairro Alto, num interessante debate que terá sido iniciado pelo Eduardo Pitta. Nem preciso dizer que concordo. Ela é bem visível e chega facilmente ao nariz.
Conheço razoavelmente todas as noites do Bairro Alto. Até as de Domingo, quando as ruas estão menos peganhentas e é menos fétido o cheiro. Há uns quinze anos que lá vou, quase exclusivamente, porque estão lá, ou perto, os bares que mais gosto e até alguns dos restaurantes, onde continuo a perder-me com gosto à procura de um determinado local de encontro. A ideia de condicionar o trânsito pareceu-me boa, embora reconheça que os moradores foram prejudicados, e o aparecimento de lojas cool deu mais vida aos dias de um bairro que quase só tinha noites, ainda que não tanta quanto isso.
É um bairro único. Só me lembro de ter visto algo parecido em Amesterdão, mas numa atmosfera doentia claramente encenada, com neon a mais e sem este traço castiço e genuíno. No nosso, gosto dos encontrões ébrios e do pedido de desculpa tá-se bem, dos charros que se queimam e enrolam nas soleiras das portas, das várias tribos que se cruzam e misturam, dos reencontros ocasionais inacreditáveis no meio de tanta gente e das recordações, do preço da cerveja e de poder bebê-las na rua encostado a um carro que não é meu, da variedade.
A degradação que agora merece atenção existe há muito e agravou-se, mas faz parte do cenário geral da cidade. Tirando raras excepções, por todos os bairros de Lisboa se nota lixo no chão, vidrões abarrotados e cercados por objectos contra-indicados, um cheiro esquisito, buracos na calçada, paredes com gatafunhos [não confundir com graffitti] ou cartazes vários colados e rasgados, sinais de trânsito danificados e/ou ilegíveis, espaços verdes descuidados. A falta de civismo tem sido bem acompanhada pelo desleixo total das autoridades municipais e pela quase total indiferença dos habitantes.
O Bairro Alto talvez seja o melhor lugar para começar a reclamar mudança, porque toca em mais corações em simultâneo.
setembro 21, 2006
A1 sentido norte-sul
Por distracção e depois cautela, falhei a entrada na estação de serviço de Cantanhede. A caminho de Pombal, durante uma ultrapassagem, reparo que o carro à direita trava bastante, mais que o normal para um português ultrapassado, mas não dou importância. Um cão aparece do nada, em plena auto-estrada, meio perdido e levianamente descontraído, sem que pudesse evitá-lo. Ainda o vi a olhar para mim. Segurei o volante firme e bati-lhe, uma pancada seca que não fez desviar a rota. Sinto que o carro perdeu partes e que outras meio soltas fazem barulho. Resta-me encostar à berma e constatar consternado que um mero cão, que agora jaz nos arbustos do separador central ao quilómetro 185, desfaz o pára-choques e deixa zarolhos os faróis de nevoeiro em troca da própria vida. O suficiente para meter BRISA, GNR, assistência em viagem, reboque, burocracias e telefonemas, soprar no balão e uma ida de táxi para Lisboa, depois de descarregar e voltar a carregar duas abóboras gigantes, alheiras de Mirandela, uvas, peras e favias, pimentos e tomates, vinho caseiro, malaguetas em rama, mel e presunto, uma cama de campanha de bebé, uma cadeira e um carrinho de bebé, mochilas com roupa e o kit de fraldas, pomadas e loções. Pelo caminho, oiço que Bangkok vive um golpe-de-estado e que a inteligenzia lusitana aplaude a escolha do novo Procurador-Geral da República.
setembro 13, 2006
Mergulho
Gosto de chuva e das cidades quando chove. Gosto de recordar dias com gente que escorre água pelos casacos agarrados junto ao pescoço ou se esconde debaixo de um guarda-chuva negro. Gosto de cidades onde parece chover pela primeira vez em vinte anos e onde as t-shirts e as camisas se colam ao corpo, onde os ombros nus parecem saídos do banho, onde pessoas atarantadas param debaixo dos toldos e ficam. Gosto do cheiro das calçadas de pedra brilhante e de olhar o céu que me beija a face.
setembro 04, 2006
Pó de Arroz
Porque lhes conhece as olheiras matinais, lhes elimina as rugas e as cicatrizes, lhes disfarça a calvície e esconde a caspa, lhes ouve os desabafos durante o processo, a rapariga da maquilhagem trata todas as vedetas por tu, sem obedecer a formalidades, sem qualquer complexo estatutário, hierárquico ou social reinante.
As vedetas deixam tombar a pose e retribuem o tratamento, invejosos da tatuagem e dos piercings visíveis, do à vontade e do desleixo, da vantagem clara que tem sobre eles, que nada sabem sobre ela.
agosto 27, 2006
Vida sequestrada
O que aconteceu a esta rapariga perturba-me.
agosto 24, 2006
Por Plutão
É inacreditável o que a comunidade científica está a fazer a Plutão.
O pequeno planeta acaba de ser desclassificado na tabela universal, passando a ser designado por anão gelado, no que vejo como uma manobra invejosa pelas suas três luas, ainda que chamem ao processo arrumação do Sistema Solar.
Pesado herdeiro do inferno grego, Plutão vê desprezado o seu estatuto cultural e deixada para trás uma órbita ziguezagueada em torno do mesmo Sol que os outros, há tantos milhões de anos, seja quem for a contá-los.
Os cientistas nem se dignaram a dar um saltinho à Cintura de Kuiper, ou mandar alguém, para dar explicações e ouvir a devida contra-argumentação.
agosto 21, 2006
Willing to Try
Ninguém conhece a vagina como ela é.
Lamento de Francisco Allen Gomes, proferido numa entrevista ao Diário Notícias que, infelizmente, não pude ler.
agosto 17, 2006
Caixa
Tudo bem, adoro ler. Quase tanto como escrever. Artigos e contos, porque o tempo urge, mas sublinho ficção científica e romances históricos sempre que posso, com fetiches por Vian e Vila-Matas. Mas será que eu conseguiria sair da frente de uma televisão se estivesse a dar um canal como este?
julho 25, 2006
Ai o Carmona!*
Andar na rua com um carrinho de bebé é uma verdadeira aventura, pelo menos em Lisboa. Primeiro, porque a cidade não está minimamente preparada para isso: há pilaretes em passeios estreitos, buracos na calçada, merda de cão, ruas sem passeio ou com andaimes a ocupá-los, semáforos que dão seis segundos para chegar ao outro lado. E depois há pessoas, muita muita gente sem esse atributo que parece existir só no dicionário de português e a que se dá o nome de civismo.
As pessoas não se desviam quando verificam que estão paradas na única passagem possível e ficam à espera de ouvir desculpe, seguido de por favor e ainda de dá-me licença, às vezes repetidos, antes de, com um esgar de enfado e um acenar de cabeça reprovador, darem um micro passo para o lado que mesmo assim vai obrigar a uma manobra de destreza hercúlea para não lhes pisar os calcanhares e/ou tombar o carrinho.
No supermercado ou na mercearia, por mais que o bebé chore e mostre que não pode estar ali a respirar fumo ou sob o ar condicionado, ninguém deixa passar à frente, mesmo que tenhamos na mão meros 100 gramas de fiambre e um pacote de fraldas. E se nos lembramos de perguntar uma coisa completamente descabida como há caixa prioritária?, entre as cinco pessoas na fila há sempre uma que responde você não vê que eu sou idosa? ou [a melhor até hoje] Se o bebé precisasse estava com a mãe perante a passividade do caixa, que finge que não está a li.
Claro que ter um bebé que sorri para nós nos torna imensamente superiores a toda esta gente e nos faz ultrapassar qualquer obstáculo.
PS: Carmona é o palavrão que inventei para dizer a cada tropeção ou solavanco provocado pelos buracos eternos que o nosso querido autarca recusa reparar. Talvez lhe faltem assessores...
junho 28, 2006
Publicidade
Um painel publicitário tentou matar-se, esta tarde, na Ponte 25 de Abril.
É a conclusão óbvia a que chego, após cruzar duas informações: numa conversa de corredor oiço que o trânsito estava impossível na Ponte sobre o Tejo, porque um homem ameaçava suicidar-se desde as três da tarde. Mas na Antena 1 dizem que um painel publicitário caíu no tabuleiro da ponte e por isso o trânsito se processa com enormes dificuldades.
junho 26, 2006
E um golo do Maniche?
Quantas cobaias terão sido necessárias?!
Lidar
Recorrente nos jornais e noticiários portugueses é aquela estória da garrafinha de água que continha uma inusitada substância tóxica e queimou uma ou mais gargantas. Estupidamente, os jornalistas não referem o nome do estabelecimento comercial ou de restauração [...num conhecido restaurante no Bairro Alto...] onde a mesma foi adquirida e consumida.
A não ser, claro, que a proveniência seja o supermercado dos pobres.
junho 14, 2006
junho 12, 2006
Estival
Deixem-se estar à vontade, nos vossos três centímetros quadrados de areia. Nós tomamos conta das coisas.
maio 12, 2006
Racional
Amar com pragmatismo é o quê? É como comer sem mastigar!?
maio 11, 2006
O jovem quer uma literatura?!
A Avenida da Igreja é um daqueles locais raros de Lisboa onde ainda se encontram retrosarias, lojas de ferragens ou drogarias... Mas não haverá nada a fazer, para evitar as 317 Testemunhas de Jeová que nos abordam pelo caminho?!
maio 05, 2006
Samba importado
Parece-me uma óptima ideia.
abril 19, 2006
Don't Let Her Get Away!
É o regresso do velho cinto de castidade, mas invisível...
[Espero que o site seja apenas uma burla!]
abril 14, 2006
Comer carne
A fórmula matemática que faltava.
abril 13, 2006
Cinzas ao Sol
Insisto a tocar à campainha do banco, algo inédito, por estranhar a porta fechada ao meio-dia. Diz-me um jovem engravatado, do outro lado do vidro, que é 5ª feira de cinzas, que os bancos estão fechados. Fundamentalistas católicos?, pergunto eu com um sorriso largo, obtendo por resposta um encolher de ombros e um Desculpe, mas só 2ª feira.
Logo hoje, que me tinha lembrado de trazer algo que a CGD me pede há semanas, na vasta lista de burocracias obrigatórias.
No bairro dos poetas parece Domingo, tirando alguns lojistas resistentes, um quiosque de jornais e o restaurante do Sr. Antunes. Felizmente, que uma picanha destas só pode ser pecado mortal.
abril 11, 2006
Boa vizinhança
Enquanto procuro o saca-rolhas fora da gaveta, uma das estudantes do 1º dtº queixa-se que o vizinho de cima ressona tão alto que elas não pregam olho a noite toda. E que a mulher dele, que se queixa que o homem bebe e lhe bate noite sim noite sim, se limita a ser lacónica: "façam como eu e tomem uns calmantes". Com cerca de 50 anos e baptizado de Adolfo, passa os seus dias madrugadores à volta das tarefas da gestão do condomínio. Necessárias ou inventadas, para esquecer a ressaca. Uma vez calcetada a entrada do prédio com um enorme BGC de origem desconhecida, dedica-se agora a pintar as paredes da escada de "alfazema" (para mim é verde pálido!) e as portas de verde escuro, de cima para baixo, em pendant kitsch com o creme do parapeito e o cinzento da pedra. Por fora, para não destoar, o prédio é cor-de-rosa e também será alvo de remodelação porque "há infffffffffffffiltrações na fracção nn nn nn... B."
Quando entro no prédio, segundo algumas testemunhas mais atentas, a vizinha do R/C dtº queixa-se que eu não lavo as escadas como se estivesse a falar sozinha. É um facto que não, e é um facto que nunca percebi que ela se dirigia a mim. Senhora de sessenta e poucos anos, mudou-se para cá faz três anos porque o pai - nonagenário resmungão que gosta de travar umas passas de Além Mar no quintal - precisa de cuidados desde que a mulher teve uma trombose e foi deste prédio para melhor. A Estrela, essa jovem felina de pêlo longo e olhar meigo, já topou o velho e endromina-o com miados lânguidos e rabo alçado para fugir pela porta das traseiras. Costuma travar duelos do lombo mais eriçado e do rosnar mais profundo com os gatos vadios das redondezas, ao longe, mas depois queixa-se que não lhe abro uma janela para entrar no momento estratégico.
Eu, pessoalmente, não me queixo de nada, mas tenho que arranjar um pretexto para não me sentir excluído.
março 30, 2006
Em frente
Aviso: todos os forward enviados para a minha caixa de correio levam com um report as spam em cima. Sem excepção. Ainda assim, ficam amontoados até que os atropele um delete forever.
Se eu estiver interessado numa teoria sobre as vacas loucas que, por magia, também se aplica à brucelose, à peste suína africana e à gripe das aves, ou num post qualquer alterado e atribuído a Miguel Sousa Tavares, peço.
março 29, 2006
Máscaras & Luvas
 I Am Not a Manifestation [Matt O'Sullivan]
março 27, 2006
Trolha
Dedico alguma tinta branca a este teclado para confirmar que a humidade é inimiga da pintura a rolo. Inimiga mortal e letal, já a boa Fada tinha avisado. A tinta resiste melhor se for espalhada de forma generosa em grossas pinceladas, mas depois empola e torna-se ridícula. Quando olhei para baixo e vi sapatos brancos, calças brancas, chão branco e um gato branco, percebi que o ridículo era eu. Mas a parede estava lixada.
Já agora, o termo correcto é brocha e não pincel grosso. O que não faz de mim um brochante fingidor, como bem me explicou a minha amiga Ana.
PS: Não posso esquecer-me de comprar betume.
março 24, 2006
Primavera a 5 'eulo'
Na tal da borrasca que durou mais do que recomenda o dicionário, o meu ridículo guarda-chuva doado andou quase sempre do avesso, ao sabor da ventania, incapaz de cumprir a sua missão. Mas resistiu como eu, de roupa a secar colada à pele. Não posso dizer o mesmo de quatro outros chapéus, maiores e aparentemente mais resistentes, meros cadáveres despojados na calçada, ainda semi-abertos e torcidos, quais baixas de guerra onde tropecei.
Para amanhã, dão aguaceiros.
março 19, 2006
fazer lista de compras com letra legível
1ª ronda: - multilixadora 170W Black & Decker - tinta Dyrutex amarelo nuance [1 litro] - lixa P100 [4 folhas] - lixa P80 [2 folhas] - rolo anti-gota - recargas de discos de velcro [20 unidades] - aditivo anti-bolores - verniz transparente acetinado [4 litros] - cabo extensor - mini-rolo de veludo - tinta branca de borracha Robbialac [10 litros]
2ª ronda, já com o carro a trabalhar: - trincha tripla especial - tabuleiro para pintura - trincha suave
3ª ronda, num futuro obrigatoriamente imediato: - betume
março 16, 2006
Vocação
Gostas de homens? És fogosa? Tens charme? Conheces bem o mundo e a vida? Se a resposta é sim, então talvez sejas a freira perfeita.
[Fonte Diário de Notícias]
Inscrições para entrevista pessoal na caixa de comentários.
março 09, 2006
Guardanapo no Sovaco [post bicéfalossexual]
Gostas de experiências novas? O rapazito estremeceu e jurou ser maior de idade. A loira margem-sul espreitou a concorrência acabada de chegar. Encolheu a barriga suporta-copos e esganiçou umas palavras. Acendeu mais um cigarro e limpou freneticamente o balcão onde, desde o início da noite, um casal insuspeito a baralhava com convites pouco claros.
O bar, sempre vazio e triste, enchera naquela noite graças à festa d'anos de um moçambicano. Festa hormonada, pois claro. Friamente, o casal planeava a próxima jogada. Não tinham sequer que se mexer. As presas eram inexplicavelmente atraídas à armadilha. Um escanzelado enviava olhares de matador, um tipo com caracóis achou que estava com sorte, um careca disparava em todas as direcções e mais atrás um rapaz bonito observava tudo em silêncio. Não faltou sequer o macho latino de anoraque e bigodaça e uma rapariga de longa trança lateral e lenço palestiniano. Todos queriam entrar no jogo. Até a mamã masculina que aviava shots e putos atrás do balcão, orgulhosa da sua cintura descaída desprovida de curvas ou umbigo.
Mas o alvo da obsessão era M. Era com a loira oxigenada que o casal haveria de se divertir naquela noite. Trocados olhares e disparadas frases enigmáticas, M. foi incapaz de dizer não, ao pedido de um número de telefone. Quis apenas saber porquê... Por prazer, responderam-lhe.
O momento alto recorda-se em câmera lenta, como nos filmes americanos: a barmaid mais velha agarrou-se a vários guardanapos de papel e esfregou com vigor as axilas suadas. Levou lá as mãos despidas, pouco depois, e tê-las-à cheirado, já fora do alcance de uma visão distorcida por lágrimas.
fevereiro 27, 2006
Caçadores
Mas... então e as ruivas?!
Tango e Bricolage
Não era bazófia. Trata-se mesmo de uma fada do lar, jeitosa de mãos e prática de ideias.
Munida apenas de uma chave de boca e um rolo de linho por estrear, depois de abastecida com uma torrada, um café quente e uma lasca de doce-de-côco feito em Cabo Verde, o elemento feminino das Brigadas Posterrroristas 5/12 eliminou em minutos o gotejar tido por crónico de uma torneira. A falta de espaço e margem de manobra do armário do lava-loiça e a teimosia de um parafuso escondido foram ultrapassados com mestria e delicadeza.
Hoje, terminamos as tarefas evocadas. Acrescentam-se metros aos cabos de fibra-óptica e de rdis, não importa que cores têm os fios internos, e deslocam-se os móveis de uma sala para outra, não importa o peso ou o recheio dos mesmos.
É uma mulher cheia de truques, a fada... e gira, ainda por cima! No intervalo de cada missão mostra uns passos de dança, como se estivesse nas Pampas.
fevereiro 02, 2006
Sina
Mas qual secreta perpendicular, ou as jazidas de petróleo algarvias, qual casamento lesbosexual... nem mesmo o Profeta cartoonizado!
A única posta possível neste momento deve manter acesa a contenda que ali vai na coisa da Keira - essa Carneira de trejeito no lábio.
Aquariano de ascendente Caranguejo [ou vice-versa, já não me lembro], nem às paredes confesso por quem o meu coração balança. Mas juro que é o signo, a pergunta que faço antes de pedir o número de telefone.
janeiro 27, 2006
azar
E lá vamos nós passar mais uma semana a ouvi-los perguntar o que é que vai fazer se ganhar? e a fazer peças com os jogadores de futebol e os estádios que se podem comprar, com não sei quantas dezenas de milhões de euros.
chinesices
Num debate da antena 2 defende-se a aprendizagem do mandarim, língua construída a partir do som musical das palavras, a propósito da mesma ter passado a ser obrigatória num dos melhores colégios britânicos.
A dada altura, a moderadora diz que sabe apenas o que quer dizer wo ai nimen e traduz a frase, que é recebida por um Ai! que bonito entusiamado dos convidados.
As coincidências desta vida...
janeiro 23, 2006
Now, you tell us
Diz este outro professor que foi preciso aplicar a fórmula matemática de Arnall, para chegar à mesma conclusão que todos nós, assim que sentimos a tremenda dor de cabeça desta manhã.
janeiro 17, 2006
Sala de Chá
Já eu, nada tenho contra a "invasão" da China. Não só porque os produtos são baratos, mas, acima de tudo, porque as lojas chinesas são bem mais interessantes que as usuais lojas dos trezentos e estão abertas todos os dias, todo o dia. Fico a dever à lojinha chinesa da esquina ter conseguido arranjar uma ficha tripla ou uma lâmpada de casquilho delgado num Domingo à noite, quando era mesmo urgente, por exemplo. E a essa hora nem os hipermercados estão abertos.
Ora, se é verdade que os chineses trabalham como nenhum português consegue [chegam a almoçar por turnos nas traseiras da loja, só para a manter aberta], também há portugueses empreendedores que descobrem as maravilhas do oriente enquanto chamariz e potencial de negócio.
É o caso deste ó chá Tea Room, que passarei a usar como sala-de-estar, em dias frescos. Se não bebo chá para esquecer o ruído do mundo, como fazia T'ien Ye Heng, aproveito um café muito cozy para beber uma tisana com amigos, num pequeno ritual de descontracção, enquanto espreitamos os móveis e os utensílios do Nepal, do Vietname ou da China ancestral, descendo à cave dedicada à Decoração. Os preços não se assemelham, naturalmente, aos de uma lojinha chinesa, mas a qualidade também não, para melhor.
O site oficial dá uma ideia do nível e beleza do espaço. Fica junto à Avenida da Igreja, depois do meu Bairro dos Poetas para quem chega da Baixa, e está aberto até às oito e meia da tarde, incluíndo aos Domingos. Vou até lá ver se isto dá direito a comissão.
dezembro 31, 2005
Sem Medo

*imagem de autoria desconhecida
dezembro 27, 2005
O despertar de Eros
 Druuna, P.E. Serpieri
BD erótica: deve deixar-se em locais da casa onde uma jovem mente pode, secretamente, descobrir essas coisas do sexo. Alguns aprendem até outras coisas, como algumas palavras de francês e o gosto pela arte.
dezembro 23, 2005
Um Doce [de] Natal
Pudim de Mel
Ingredientes: 8 ovos 0,5 Kg de açucar 2 colheres de sopa bem cheias de mel 2 colheres de sopa de manteiga
Preparação: Bater os ingredientes Untar papel vegetal para uma forma (sem buraco), de preferência como a do Bolo Inglês Despejar os ingredientes batidos para dentro da forma forrada a papel vegetal untado Vai ao forno durante cerca de 45 minutos (mas ir verificando - está cozido depois de inserido um palito que volta seco)
Nunca fiz. É receita dos meus amigos Nuno e Luísa. É de comer e babar carinho, de tão doce e delicioso que é. Beijocas de quem acabou de ver fazer um.
posta da Filipa
dezembro 16, 2005
Horóscopo
Hoje é um bom dia para promover o romantismo na sua vida e para libertar-se de emoções.
Promover o romantismo, já me parece complicado... mas como é que o faço e, ao mesmo tempo, me liberto de emoções?!
outubro 19, 2005
No Blog com os Tachos
Tofu RápidoIngredientes: Uma embalagem de tofu Azeite Vinagre Sal Ervas aromáticas [experimentei com oregãos, mas não vou ficar por aqui] Preparação: Cortar o tofu às fatias de p’raí 1 cm Temperar as fatias de tofu com sal, azeite, vinagre e os oregãos Deixar repousar um pouco [tendo mais tempo, pode deixar-se que o tempero impregne o tofu] Colocar azeite no pirex, para que o tofu não fique agarrado ao fundo Ir ao forno até o tofu estar corado [menos de meia hora]. Fica bom, é rápido e é uma alternativa para quem não gostar de grelhados. Posta da Filipa [a.k.a Mais Vale Só que Mal Acompanhada] NR: A cozinhar assim, vais ter má companhia num instante.
setembro 29, 2005
Esfaqueador à solta
Cruzados os depoimentos de vários amigos e dos vizinhos deles, parece desfazer-se um mito urbano: anda um psicopata à solta em Lisboa, que fez várias vítimas nas últimas duas semanas.
Entre a Praça de Londres e o Bairro do Arco do Cego, mas também na Gulbenkian, perto do Corte Inglès ou na Praça de Espanha, há relatos de onze pessoas esfaqueadas por um homem árabe vestido de branco. É assim que é descrito. Por modus operandi, o homem pergunta as horas e aproveita a distracção momentânea para desferir uma facada na barriga. Não rouba nada, nem sequer tenta, e foge sem deixar rasto.
O último caso descrito foi hoje mesmo, perto do Liceu D. Filipa de Lencastre e a vítima foi um aluno do 9º ano, que ainda conseguiu fugir com ferimentos ligeiros.
Só pode ser um doido varrido, armado e perigoso, que a polícia não consegue apanhar. Por isso todo o cuidado é pouco, seja a que hora for, em toda a zona das avenidas novas de Lisboa.
setembro 14, 2005
No Blog com os Tachos
Não sou vegetariano [talvez seja o oposto] e detesto alho-francês, por isso não vou experimentar estes pratos. Mas aqui ficam as receitas, gentilmente deixadas na caixa de comentários pela Filipa [aka TarteDeCougettes, aka JardineiraDeTofu, etc.]: Alho-francês à Brás
Ingredientes: 1 cebola 3 dentes de alho 1 dl de azeite 1 alho francês 2 dl de caldo de legumes sal pimenta 50 g de batata-palha frita de compra 2 ovos 1 ramo de salsa
Preparação: Cortas a cebola e os dentes de alho e salteias no azeite quente. Acrescentas o alho francês e deixas alourar. Regas com o caldo de legumes e cozinhas em lume forte até o molho reduzir para metade. Temperas com sal e pimenta. Envolves a batata palha e juntas os ovos. Cozinhas, mexendo sempre, até os ovos ficarem como gostas. Rectificas o tempero e polvilhas com a salsa picada.
Podes fazer a mesma receita com seitan [e fica Seitan à Brás].
Receita número dois, que penso servir de sobremesa: Bolinhos de Corn-Flakes Ingredientes: 6 chávenas de corn flakes triturados na 1-2-3 [ou partidos enquanto se vê televisão] 1 chávena de cebola picada 3 colheres de azeite 1 cubo vegetal 2 chávenas de tofu triturado [ou pardido...] 1/2 chávena de salsa picada 2 colheres de sopa de levedura de cerveja
Preparação: Faz um estufado com a cebola, o cubo vegetal e o azeite. Deixas o tofu tomar o gosto. Misturas os outros ingredientes e deixas repousar durante 15 minutos. Verifica o sal. Faz as bolinhas e leva a assar num tabuleiro untado. Serve com uma salada. [ficam muito bons, crocantezinhos e sem saber a doce nem nada, até porque os corn flakes quase não têm açucar].
Posto isto, nem me atrevo a falar dos meus Bifes de Canela.
setembro 08, 2005
Tomates de Morte
 Buñol, Espanha [Jose Jordan - France Press]
julho 21, 2005
We Are Not Afraid
Os londrinos continuam calmos. Cautelosos, é certo, mas cientes que a vida continua. Tem de continuar. 
Os filhos da puta, esses, continuam à solta. Há-de haver sempre filhos da puta, que vivem só para lixar os outros.
julho 12, 2005
Princesas
Pelas quatro da madrugada, ao cimo do Bairro Alto, duas raparigas liam viagens em voz alta, com danças descalças por entre risos e lágrimas, a uma terceira que queria voar num banco de jardim.
A mim, pila racional, deram-me O Principezinho traduzido para mandarim. Mas talvez seja cantonês... não sei.
Depois de uma viagem de helicóptero de arame, amanhecemos em contra-mão numa barraquinha de Pitta's Shoarma.
Não, não metemos ácidos... Nós só metemos doces.
julho 09, 2005
Por detrás do Tejo
Seremos nós, para além de preguiçosos, completamente estúpidos?!
Será que o calor intenso que nos entorpece os músculos, nos dilata os neurónios e afecta as ideais, como se diz nos países que não têm sol?!
Só pessoas muito burras, desprovidas de qualquer massa encefálica, seja branca ou cinzenta, desprezam desta forma um rio lindíssimo como o Tejo, uma zona ribeirinha esplendorosa como a de Lisboa.
Em vez de acolher passeios públicos, esplanadas e zonas de recreio que aproveitem a luz do Verão, a zona ribeirinha de Lisboa está atafulhada de armazéns e serviços portuários, de contentores com ferrugem, de terminais de passageiros e estaleiros abandonados.
E a coisa vai piorar, agora que a Administração do Porto de Lisboa [a que a Su chama, muito bem, um polvo de 16 tentáculos] recebeu aval do Governo para ampliar o terminal de contentores de Alcântara.
Mais vale fazer-se um muro muito alto e esconder o rio, para não doer olhar para ele de um dos miradouros da cidade.
julho 04, 2005
Carne Viva
O Salão Erótico de Lisboa foi uma decepção. 
É certo que não fomos um grupo grande e animado, que pudesse ridicularizar os rituais, mas faltou erotismo. O suposto salão não passava de um conjunto de pequenas salas sem paredes, de estrados altos e sem estilo cercados por multidões de telemóvel apontado. Não havia espaços mais íntimos, onde pudesse existir provocação e sensualidade. Em vez de erótico, o cenário aspirava a pornográfico, mas não se assumia. A Expo-Queca foi apenas uma Feira da Masturbação. Muita pele exposta e música em distorção, mas nada de sedutor, nem na encenação. Nada que não possa corrigir-se numa edição futura, porque o público era variado e não se restringia ao castiço mirone lusitano.
junho 23, 2005
Idiotário
Nós queixamo-nos da falta de tempo. Mas o que nos falta é a vontade.
junho 20, 2005
Tatoo

Num momento afortunado, depois de uma manhã inteira a apanhar com um calor desértico a andar quilómetros ao longo de uma praia, um cidadão do Bangladesh vendeu quatro tatuagens não-permanentes a outros tantos banhistas, a saber: um sol espiral no ventre, uma flor na nuca, um lagarto tribal no ombro e um... simples risco, à volta do braço. Aposto que aquela tatuagem [na imagem acima] tambem é temporária. PS: - Isto não é um pretexto ridículo para colocar uma fotografia da Angelina Jolie.
junho 13, 2005
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes E eu acreditava. Acreditava. porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.
Eugénio de Andrade [1923 - 2005]
maio 18, 2005
Jogo
É preciso saber viver com azar.
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