julho 05, 2007

The End

No dia 8 de Julho este blog chega ao 4º aniversário.

E termina.


junho 05, 2007

Wish I Was There

A notícia rebentou como uma granada. Os estilhaços atingiram de raspão os mais prevenidos e em cheio aqueles que se julgavam invulneráveis à surpresa noticiária da última hora. Alguns dos da Torre correram a avisar os outros para serem os primeiros a dar a novidade, necessidade absoluta de obterem sucesso à custa da divulgação dum acontecimento sentimental, verdadeiro sadismo de propagarem em palavras o texto completo da carta recebida.
Madeleine Barbelat ia casar-se. Escrevera para a Torre a dar parte, e a convidar todos para o casamento em Paris. Mas, por um sentimento acanhado e pouco comum nas francesas e ainda menos em participações nupciais, não dizia com quem ia casar. Dentro de meses se realizaria o casamento e esperava todos os primos da Barbela no dia da boda. Estava a fazer planos para os receber, tão bem como fora colhida na Torre, se isso fosse possível. E, nos parágrafos finais da carta, endereçada ao colectivo, lembrava mais uma vez os tempos maravilhosos passados na Ribeira Lima, «um dos únicos sítios no mundo onde a beleza da paisagem compreende o silêncio de almas».

A Torre da Barbela, Ruben A.


maio 08, 2007

Alumbramiento
por Victor Erice

Dez minutos que assinalam um ano babado.

E sim, Martin, tenciono seguir o conselho.


março 02, 2007

Fusão


Edvard Munch
Edvard Munch


fevereiro 26, 2007

Viva a Diferença

Je suis ton pile
Tu es mon face
Toi mon nombril
Et moi ta glace
Tu es l'envie et moi le geste
Toi le citron et moi le zeste
Je suis le thé, tu es la tasse
Toi la guitare et moi la basse

Je suis la pluie et tu es mes gouttes
Tu es le oui et moi le doute
T'es le bouquet je suis les fleurs
Tu es l'aorte et moi le coeur
Toi t'es l'instant moi le bonheur
Tu es le verre je suis le vin
Toi tu es l'herbe et moi le joint
Tu es le vent j'suis la rafale
Toi la raquette et moi la balle
T'es le jouet et moi l'enfant
T'es le vieillard et moi le temps
Je suis l'iris tu es la pupille
Je suis l'épice toi la papille
Toi l'eau qui vient et moi la bouche
Toi l'aube et moi le ciel qui s'couche
T'es le vicaire et moi l'ivresse
T'es le mensonge moi la paresse
T'es le guépard moi la vitesse
Tu es la main moi la caresse
Je suis l'enfer de ta pécheresse
Tu es le Ciel moi la Terre, hum
Je suis l'oreille de ta musique
Je suis le soleil de tes tropiques
Je suis le tabac de ta pipe
T'es le plaisir je suis la foudre
Tu es la gamme et moi la note
Tu es la flamme moi l'allumette
T'es la chaleur j'suis la paresse
T'es la torpeur et moi la sieste
T'es la fraîcheur et moi l'averse
Tu es les fesses je suis la chaise
Tu es bémol et moi j'suis dièse

T'es le Laurel de mon Hardy
T'es le plaisir de mon soupir
T'es la moustache de mon Trotski
T'es tous les éclats de mon rire
Tu es le chant de ma sirène
Tu es le sang et moi la veine
T'es le jamais de mon toujours
T'es mon amour t'es mon amour

Je suis ton pile
Toi mon face
Toi mon nombril
Et moi ta glace
Tu es l'envie et moi le geste
T'es le citron et moi le zeste
Je suis le thé, tu es la tasse
Toi la putain et moi la passe
Tu es la tombée moi l'épitaphe
Et toi le texte, moi le paragraphe
Tu es le lapsus et moi la gaffe
Toi l'élégance et moi la grâce
Tu es l'effet et moi la cause
Toi le divan moi la névrose
Toi l'épine moi la rose
Tu es la tristesse moi le poète
Tu es la Belle et moi la Bête
Tu es le corps et moi la tête
Tu es le corps. Hummm !
T'es le sérieux moi l'insouciance
Toi le flic moi la balance
Toi le gibier moi la potence
Toi l'ennui et moi la transe
Toi le très peu moi le beaucoup
Moi le sage et toi le fou
Tu es l'éclair et moi la poudre
Toi la paille et moi la poutre
Tu es le surmoi de mon ça
C'est toi qu'arrives des mois si ?
Tu es la mère et moi le doute
Tu es le néant et moi le tout
Tu es le chant de ma sirène
Toi tu es le sang et moi la veine
T'es le jamais de mon toujours
T'es mon amour t'es mon amour

Le Toi du Moi, Carla Bruni


janeiro 05, 2007

R.I.P.

A rádio onde trabalho nunca tinha passado Pixies, Depeche Mode ou The Strokes. Gostava muito que o Nuno Carvalho ouvisse a emissão de hoje, que lhe é dedicada.

Já não há pessoas como o Nuno, assim com um coração tão enorme, com aquela sede de saber, com uma calma zen intrínseca e disponibilidade para partilhar, para dar sem receber em troca. Produtor de som desde o berço, o Nuno transformava qualquer conjunto heterogéneo de depoimentos falados numa bela reportagem musicada, sempre com aquele ar pachorrento de quem tinha todo o tempo do mundo para aperfeiçoar um pouco mais. O mesmo tempo que agora lhe foi tirado, oito anos depois de ter descoberto que tinha um filho da puta de um cancro.

Não tenho jeito para obituários, para esta coisa de resumir a vida de uma pessoa a poucas palavras, prestar-lhe a homenagem devida. Como amigo, deixo-lhe um abraço de saudade, um enorme bem haja.

Esta não será a última vez que me lembro de ti, Nunai, ou que choro a ouvir ...this monkey's gone to Heaven.


novembro 08, 2006

Luz


Louise Elisabeth Vigée-Lebrun
Auto-retrato com a filha Jeanne-Lucie

setembro 12, 2006

Livre [3]


Oprime la imagen para endrominar

Desdobro mapas e olho para eles com os dedos. Puro paradoxo, perco-me insistentemente, mas posso voar sem saber o destino. Pior ainda, gosto de conforto e de saber com o que, e com quem, contar. E fujo.


setembro 07, 2006

Livre [2]

As horas apoderam-se de mim desenfreadamente e raramente cumpro os planos traçados. Crio demasiadas expectativas, mergulhado num sonho infinito. A mesma teimosia que me fez resistir, leva-me a mudar de direcção sem admitir uma segunda oportunidade.

Não sei se uma coisa tem a ver com a outra, mas acontece-me partir objectos importantes ou queimar pensamentos escritos, apenas porque me trazem uma má recordação, ainda que não deva dar maus exemplos. Depois arrependo-me, claro, porque nada disto tem a ver com rotina.


setembro 06, 2006

Livre

Apodero-me de cada segundo tranquilamente e raramente antecipo ou faço planos, que nunca batem certo. Sonho até ao infinito sem criar demasiadas expectativas. O único paradoxo é mesmo a teimosia.

Não sei se uma coisa a tem a haver com a outra, mas gosto de reler trechos de livros, de rever determinada cena de um filme ou colocar uma canção em repeat constante, agora que já não preciso de encher uma cassete crómio de 90 minutos para não estar sempre a rebobinar. Depois farto-me, claro, porque nada disto tem a ver com rotina.


agosto 31, 2006

Querido Blog

Por problemas técnicos aos quais somos alheios, não foi possível publicar postas nem comentar neste blog nos últimos dias. Ainda assim, naturalmente, pedimos desculpa pelo incidente que não foi minimizado pelos sketches de Monty Python disponíveis duas postas abaixo.

As dificuldades estão longe de estar ultrapassadas, depois do que se afigura como o maior ataque de incompetência e desleixo da história da blogosfera lusitana.

Desde que esta plataforma foi adquirida pela aeiou.pt, o serviço é, e não encontro outra palavra que se ajuste, uma merda. Principalmente porque os problemas se repetem, sempre causados por spam, sem que pareça haver uma solução eficaz. Mesmo sem spam, é irritante ver que os comentários colocados nos posts não aparecem quando o acesso é feito pelas entradas individuais ou pela lista dos últimos comentários. E por mais que me queixe, ninguém responde ou ajuda a resolver o problema.

Se alguém souber como posso mudar-me para outra plataforma de blogues, levando todo este template comigo, entre em contacto. Dão-se alvíssaras.

PS: A própria aeiou reconhece os problemas desta plataforma e diz-se agora empenhada em construir uma nova, de raiz. Algo me diz que o serviço deixará de ser gratuito...


agosto 01, 2006

Lifting

As obras na fachada do blog estão conluídas, pelo menos para já.

As alterações foram minimalistas, mas essenciais, nomeadamente na correcção de alguns erros que continha o template, detectados pela assombrosa Cátia Mourão. Por exemplo, agora já se pode ouvir uma canção da Rádio na Cabeça do Blog enquanto se navega por outras páginas, o que não acontecia a quem utilizava o Firefox.

O menu do topo da página, aquela mariquice imediatamente acima dos textos, permite alguns acessos mais rápidos e intuitivos, como à mailing list [Subscrever] - que permite incluir todos os blogues preferidos e ser avisado quando eles são actualizados.

Como sugeriam alguns comentários, que agradecemos, foram diminuídos os links e os menus, para além de se incluir em todas as postas a Categoria da mesma e a possibilidade de a enviar por e-mail.

A Kaku está a tratar do último detalhe - a criação de um novo banner.
Sim, porque este blogue não faz férias em Agosto. Quanto muito, vai a algumas festas de praia.


julho 21, 2006

Fachada na Obra

Aproveitamos a Época Parva e as férias de grande parte dos frequentadores desta Casa de Pasto blogosférica para proceder a uma recauchutagem. Afinal, são três anos a endrominar, acabadinhos de fazer.

A assombrosa Cátia Mourão está a corrigir alguns erros do template causados por moi même em intervenções ousadas e redículas. Pretende-se ainda tornar a página mais prática e, digamos, pós-clássica para surpreender sem chocar ou baralhar de modo a facilitar em simplicidade e intuição o acesso e a fruição. Nada de radical, portanto, apesar de apetecer e de, no fundo, eu não fazer a mais pequena ideia do que vai sair daqui.

Pedimos desculpa pelo pó e por alguma tábua que caia do andaime. Aceitam-se sugestões. Aproveita agora.

Durante o processo, a publicação prossegue, as usual.


julho 13, 2006

Viagens no Tempo

É fácil ver-me transportado para a infância com os sons do dia-a-dia, no Bairro dos Poetas. Geralmente, é a buzina da carrinha dos gelados, que pára no largo da minha rua, à espera dos avós e dos netos. Mas hoje, ao fundo, ouvi aproximar-se o toque inconfundivel do apito de amolador.

Não resisti a puxar conversa, debaixo de uma árvore. Vai andar por estas bandas, agora que Alfama já não dá nada. O negócio em si teve melhores dias, com os chineses a venderem guarda-chuvas e facas a 1 eulo e as pessoas a preferirem deitar fora e comprar outro, a reciclar. Até o fabuloso apito que ele sopra enquanto empurra a bicicleta, é feito na Alemanha mas compra-se nas lojas dos trezentos.

Felizmente, todas os gumes, lâminas e arestas cá de casa precisavam de ser aguçados com a máxima urgência.


junho 30, 2006

Código

Todas as minhas costelas são perversas, por isso uso com parcimónia expressões de linguagem como hádezirlá [hás-de lá ir, em linguagem corrente], é assim [no início de cada frase, tirou de moda o portanto, eu uso no fim.], Bom Descanso [que uso como despedida, em qualquer ocasião, excepto quando uso Felicidades para o Programa ou Obrigado por teres vindo], essa cena e é mesmo à portuga [dita, sempre, por outro portuga], entre outras que posso enumerar quando me lembrar. Olha, aplicar diminuitivos, que já fazia muito antes de ser transformado em gag pelos Gato Fedorento.

Naturalmente, o sarcasmo com que as profiro [prefiro] nem sempre é percebido [perceptível].

Estarei, eu mesmo, a contribuir para o amerdamento [enfodamento] da língua portuguesa?


junho 20, 2006

Coisas que Mudam

Consta que, sejam seis ou sete horas da manhã e três mal dormidas ou menos que isso, mudo a fralda, dou um semi-banho com massagem na barriga e cremezinho, embalo ao antebraço com palmadinhas nas costas, danço pela casa para conter repelões do choro a cantarolar e adormeço em conjunto, sem danificar.

Não sou sonâmbulo, mas não dou por nada, muito menos me lembro seja do que for a horas decentes, quando acordo de facto, na esquina do sofá.


junho 15, 2006

Hediondo segredo

Começo por advertir com altruísmo, há uma coisa que vai afastar todo e qualquer leitor deste blog. Agora sim, fico definitivamente arredado da querida e amiga elite blogosférica lusitana.
Assim que confessar neste blog este facto inconfessável, indesculpável apesar de não ter culpa nenhuma, serei visto como um hediondo monstro não-virtual, um ser repulsivo e desprezível, uma verdadeira aberração da natureza.
Sem mais demoras, porque não mereço sequer suspense, aqui deixo a estrondosa revelação, que servirá de inevitável despedida: sou filho único.


maio 31, 2006

Choque térmico

Até me admirava que um dos meus passatempos preferidos - e nada de lhe chamar vício, porque isso é coisa que não tenho - não fizesse mal à saúde.

Antes ficar mudo e desdentado, a deixar de roer cubos de gelo!
A seguir vão dizer que snifar livros é feio e cria alergias...


maio 25, 2006

Coisas que nunca mudam

Continuo a esquecer-me que é preciso deixar actuar, antes de enxaguar.


maio 18, 2006

Ode ao mecónio

Não é possível transmitir o que sinto quando estes pequenos olhos negros procuram focar os meus, quando se solta um sorriso, quando se espreguiçam caretas que reagem ao toque nas bochechas. É impossível descrever as sensações que traz o agarrar minúsculo e forte dos meus dedos, o espernear e o esbracejar sem propósito aparentes, os berros de língua de fora que param quando lhe pego e a faço flutuar no colo de barriga para baixo ou encostada ao ombro, tolerante à minha falta de jeito.

Não me falta o tempo, falta-me a vontade de me afastar dela, de evitar decorar cada feição do rosto adormecido, de inspirar o perfume dos cabelos lisos macios... e a impossibilidade de verbalizar o que tudo isto me faz sentir.


maio 08, 2006

Umbigo




The Three Ages of Woman [detail] 
Gustav Klimt - oil on canvas, 1904


maio 07, 2006

Pàjó

No baú das memórias do seu 58º aniversário, o meu pai contou-me que só a sua teimosia impediu que o meu nome fosse... Paulo Jorge.

Ficar-lhe-ei eternamente grato.


maio 06, 2006

Ruas que Falam

Ontem, perdi-me aqui.


posta da Menina Má


maio 04, 2006

Castelo dos Corvos

O que me levava ao Castelo de São Jorge eram os corvos. Sempre que podia, corria pelas ruelas de Alfama até lá acima, atravessava as muralhas, escalava degraus de pedra quase tão grandes quanto eu e ia ver aqueles pássaros negros ladrões e ladrantes, que me ignoravam vaidosos. Também gostava dos poços que só podia ver no colo de alguém e das fontes de água fresca, mas as birras surgiam quando me desprendiam as mãos das grades de ferro e me puxavam para trás. Lembro-me de ter sentimentos dúbios, triste por ver que os corvos estavam presos, feliz porque sabia que eles estariam lá da próxima visita. Foi por causa deles que me perdi da minha tia-avó Mariquitas, certa vez, ainda mal falava. Um senhor bondoso e paciente levou-me a casa, ainda que eu nada mais dissesse do que em Lisboa, quando ele me perguntava onde morava. Quando o meu pai parou de me perseguir pela casa, foi escondido atrás do sofá onde a minha mãe se sentara que o ouvi dizer: vou comprar-lhe um canário para ver se ele pára com estas coisas. Um canário que, não sendo um corvo, voltava para casa sempre que lhe abria a gaiola, depois de quatro ou cinco cabeçadas nas janelas vizinhas.


março 02, 2006

E um sinal na nádega direita... ou será esquerda?!

Pede-se o tipo ideal de mulher, em resposta ao delírio hormonal que grassa nos comentários. Há uns anos, responderia um óbvio lugar-comum superficial da alta-ruiva de olhar felino e mãos esguias ou da morena roliça e dançarina quente, para contrapôr. Que fosse interessante e com sentido de humor, atrevida e elegante, blá, blá, blá... porque a tesão era muita e os critérios q.b.

Hoje, nunca diria o que me atrai no sexo oposto, assim, de jarda, nunca o confessaria, mesmo que soubesse. Não sou capaz de definir o que me seduz numa mulher, o que me distrai de tudo o resto, de todas as outras.

Mas tudo passará pelos lábios. Pela forma como eles sorriem, primeiro, pelo sabor que passam num beijo, depois. Pelo choque dos dentes, pelo encaixe dos maxilares e dos narizes cruzados. E pelo cheiro, claro. Tudo passará pelo cheiro que emana da raiz dos cabelos, mais que os tons avermelhados que devem ter, e o comprimento. De facto, ela deve divertir-me e divertir-se, e entreter-me até nos silêncios. E importa sobremaneira o timbre da voz, a cadência das palavras. Há ainda o toque das mãos, a textura da pele percorrida pelos dedos, a reacção espontânea dos músculos.

Depois, a inteligência, a capacidade para se afirmar, a auto-suficiência que aceita companhia, a minha companhia em aventuras sem fim, em viagens sem nexo.

Não tem explicação, não tem comparação.


fevereiro 09, 2006

Tudu dreto

Choveu na Praia.

Algumas gotas apenas, é verdade, como a neve de Lisboa, mas salpicou a aridez persistente da tarde e encheu de alegria [é preciso pouco] esta gente abençoada. A dança irrompia sempre que passava uma pick-up com colunas gigantes atrás e as músicas da campanha eleitoral que vai longa.

Chegam-me de Lisboa os ecos de OPAs e contra OPAs, dos cartoons satânicos malditos e da manif a favor [eu lá estaria, pelas 3 da tarde, junto à embaixada dinamarquesa], dos Depeche Mode em palco e do Munich em exibição, mas a única notícia que interrompe a morabeza em que estou mergulhado é esta, proporcionada pela Vanity Fair.

A coisa ficou bem menos morna...


janeiro 28, 2006

Roubar-te um Beijo pra Te fazer Feliz

Porque se procura o mar, na noite mais fria?!

Afinal, o vento corta, mas não anestesia. Nem os espamos musculares travam as sinapses que repetem o wo ai ni que ficou sempre por dizer.
Mantenho-me acordado, para interromper um sonho que se alimenta sozinho.

Para quê o esforço?!

Gostar de alguém devia ser bom, devia ser quente. Esquisito porventura, mas não complicado. Que a vida não tem fórmulas matemáticas que a resolvam.
Molho nas mãos os restos da areia que foge entre os dedos roxos e lavo o suave veneno que me adocica a pele.

O frio é avassalador mas não me acolhe... e o Sol não nasce, como se fosse incompatível com o horizonte.


janeiro 24, 2006

Todos com bigode

Alguém conhece um electricista honesto? E um canalizador, já agora?

Dão-se alvíssaras. Nomeadamente, os contactos de um mecânico honesto e de um carpinteiro competente e, igualmente, honesto.


janeiro 13, 2006

Liquidação

Sou um ávido consumidor de saldos. Em contramão, durante a parte do dia em que os outros trabalham, lá estou eu na maior das FNAC - no Colombo, à procura de tudo o que tenha um autocolante verde, assim que termina o Festivus.

Deixados para trás com passo largo os grandes corredores do shopping, pergunto no guichet de apoio por coisas específicas, que poderiam ser consultadas na base de dados [La Haine, O Sargento da Força Um, etc.], mas sou remetido com desdém para a secção respectiva, por ordem alfabética. Com os dedos encardidos de pó negro que limparei às calças [não há quem, entre aquelas dezenas de jovens de colete, se preocupe em passar um pano pelas prateleiras], não encontrei mais que alguns packs de dois filmes dos clássicos de Hitchcock por 5 euros [está explicado porque vendia o pasquim Público a mesma colecção por 8 cada um, há pouco tempo] e uma preciosidade de Sergio Leone por 10 - Por Mais Alguns Dólares. Há poucos filmes decentes ao mesmo preço, que não são edições-especiais, e os restantes rondam os 20 euros, como Oldboy. Há ainda The Meaning of Life, cheio de extras, a menos de 8 euros e Aviator a 15. Prefiro uma edição de coleccionador de Red Dragon. Nos discos, a decepção é grande, com preços verdes estranhamente a rondar os 16 euros, salvo discos que já merecem o estatuto de antiguidade. Nos livros, nem dei pelos saldos.

Deve ser o reflexo da tal de crise. Pobres comerciantes das grandes superfícies.


janeiro 10, 2006

9 horas da manhã

Nesta manhã glaciar, tão clara que doía, fui obrigado a fingir-me acordado, a construir e a trocar frases gramaticamente correctas ou, pelo menos, perceptíveis, depois de ter sido forçado a tirar a mão direita do bolso para dar um passou bem de pele azulada e músculos trémulos. O levantar da cama ao som do telemóvel propositadamente estridente no meio de um sonho com mar, foi mecânico e de raiva. Num salto, afastei o gato e vesti-me com o que deixara na poltrona. Pus a cara debaixo de água fria sem me encarar e gargarejei. Pior ainda, sempre, é enfrentar as pessoas, reconhecê-las, compreender o que dizem. Os mais corajosos costumam dizer que pareço um zombie, inexpressivo e amnésico, quase tão hirto como um Cavaco, ainda assim com melhor aspecto, apesar das olheiras e do rigor mortis. A mim, todos me parecem disformes, estridentes nos ruídos não-traduzidos, frenéticos como moscas-varejeiras de que tento desviar-me sem sucesso antes de um encontrão indolor, apesar da sua aparente agilidade, de quem está acordado há horas. E eu também, afinal. Estava acordado há poucas horas. Não agora.


janeiro 05, 2006

Wasted years

Foi uma experiência traumatizante, daquelas que nos fazem parar quedos e olhar para trás, se não com arrependimento, deveras com uma vergonha cabisbaixa e proeminente rubor na face. Foi-me dado a reler coisas que escrevi há quase dez anos, durante o reencontro ocasional com uma colega de Faculdade. Em fitas lilazes e sedosas assinadas por mim, figuravam referências ao local onde me encontrava aquando da abordagem dos finalistas. Não se tratava da sala de aulas ou de um corredor barulhento, nem do auditório, ou da biblioteca, muito menos de um estúdio de aulas práticas, nem sequer do refeitório. Era o bar da esquina, no Poço do Borratém - a saudosa Tasca do Lagarto.

Em todas as dedicatórias, de uma turma inteira que vai reunir esses testemunhos em livro de souvenirs [vá-se lá saber porque superstição], lá vinha uma referência minha ao dono da Casa de Pasto ou à sua inflada esposa, aos azulejos verde-esbatido e às mesas de madeira tosca com oleado quadriculado, aos tremoços e às canecas vazias espalhadas...

Eram referências claras e constantes, em cada uma das dedicatórias que escrevi... umas trinta. O rubor permanece.


janeiro 03, 2006

Lobos e Cordeiros

Quais os ingredientes para uma passagem de ano memorável?

Juntar um grupo de deslocados ou desirmanados sem planos precisos, em casa acolhedora de amigos comuns. Com chilli, David Bowie, Nouvelle Vague e sangria, rapidamente se superam as baixas expectativas - provocadas por experiências mal passadas - e se transforma a timidez em empatia partilhada.

Afinal, o Jogo do Lobo pode ser jogado por quem não se conheça bem. E podem ser dois lobos em vez de um só, rodando o papel de Moderador.

Ainda que soberbo, nem o espectáculo kitsch dos Irmãos Catita e suas strippers, no inolvidável Maxime, conseguiu ser tão animado. A noite de alguns acabou na praia, a convite do Sol.


dezembro 14, 2005

Tua

Não posso ficar indiferente a uma Lua assim...


novembro 25, 2005

Na Bica, podia ser na Glória

Apesar do frio, havia muita gente à porta da Bicaense, na rua do ascensor da Bica, ao Bairro Alto. Desta vez, juntaram-se para o lançamento do roteiro Pisa-Papéis.

Acabámos por ser dispersados com jactos de água.

Não, não foi o corpo de intervenção da PSP, nem havia tumultos. Mas dois funcionários da Câmara estavam ali para "fazer o seu trabalho" e não hesitaram em lavar as pessoas dali para fora. Pouco passaria das duas da manhã, mas havia que varrer a calçada de beatas e copos, lixo e sujidade, pernas e sapatos.
A coisa acabou em verdadeira luta de classes e num desacato paradoxal: os homens da mangueira é que estavam ébrios e reagiam com irritação aos sarcásticos "tem lá calma, que eu tomei banho hoje!"...
"Não é tu, é você!" gritava um deles, de barriga proeminente encostada naquele que escolhera para adversário. Foi preciso um berro mais veemente deste, que lembrou "eu não estou bêbado!" e a debandada dos restantes estorvas, para que a rua fosse lavada, entre resmungões. Nada de grave aconteceu, afinal.
Quando todos respiravam de alívio, eis que surge o que alguns apelidaram de luta de titãs - o ascensor da Bica decidiu descer em direcção à Rua da Boavista!
Trata de afastar mangueiras, e esquecer exibições de força, que o dragão é de metal e electricidade e a água não trava tudo. Pelo menos, esta que esguicha de uma boca de incêndio.

Quando o outro eléctrico subiu, apenas o frio, o silêncio e uma conversa de três resistentes sobre as pessoas que ligam para as rádios a perguntar coisas, animavam a porta do Bicaense.

PS: Fiquei a dever um copo à Inês. Fica registado.


novembro 23, 2005

Penumbra permanente 2

E aproveitar cada nesga de sol para fugir.


Penumbra permanente

Com tanta chuva... só me resta abraçar o Inverno.


novembro 21, 2005

Renascer

Está gelado, o chão da casa-de-banho. E apertado, aqui entre a parede, o bidé e o armário do lavatório. Consigo ver o tecto e a lâmpada fosforescente. Tudo branco e ofuscante. Espero que aquele quadro não me caia em cima. Se ao menos tivesse deixado a porta encostada, como costumo fazer, o gato já tinha dado por mim aqui estendido, para encostar o focinho molhado na minha cara e ronronar por cima do corpo. Tapo os olhos com o braço num pequeno alívio de escuridão. Há vozes ao longe. São várias, mas fundem-se numa só, em ecos. Há três mulheres na minha sala e eu estou deitado no chão do WC... Não sei o que sinto. Deitei-me para não desmaiar. Há instantes, a conversa era sobre Mark Sandman, um gajo novo a quem deu uma coisa em palco. Quem me dera um palco, agora. Ao menos uma casa de banho pública, sei lá. Pelo menos esta, cheira bem. Mas estou desconfortável em todas as posições. Só consigo esticar uma perna de cada vez e tenho frio nas costas, nos pés, na barriga, nas mãos. Mas o que raio é este entorpecimento? Que inércia é esta, que me cativa no chão da minha casa-de-banho? Virá a incapacidade do corpo, ou da cabeça? Terei entrado em paranóia ou parou-me a digestão? O eco de vozes fundidas numa só continua. Mas está mais difuso e arrastado. E o frio é cada vez maior. É isto?! O tal túnel de que falam!? Esconso, branco... e gelado.


novembro 13, 2005

Explicação

Um blog é só um blog. Nem sei bem definir o que é isto de um blog, mas sei que não terá grande importância na vida de uma pessoa. Nem de quem escreve, nem de quem reage, ou apenas lê.

E este blog acabou. Acabou porque serviu de pretexto para pôr fim a algo que, de facto, tem importância na vida de alguém. Toda a importância. É verdade que foi só um pretexto, mas serviu. E a intenção de o encerrar era determinada, não foi uma tentativa de chantagem emocional barata, nem sequer dramática.

Ora acontece que não era justo que o blog acabasse. Muito menos assim, sem explicação, sem nexo. Se um blog não tem importância, também não devia ser utilizado como fonte de ciúme, como desculpa.

É óbvio que os comentários deixados naqueles momentos de desencanto contribuíram, e muito, para que eu voltasse atrás. Se este blog é só um blog, também é verdade que reúne um grupo considerável e muito interessante de pessoas, que partilham experiências, pensamentos, dúvidas, ilusões. E ter um grupo de pessoas com quem possamos discutir coisas, desta forma... é muito importante.

Para além do que, este blog só pode ser terminado por todos os responsáveis por ele... e não apenas por mim, que o edito.

Agradeço todos e cada um dos comentários deixados ante-ontem e já esta madrugada. Por tudo isso e muito mais: Filipa, Klank, Pipinha, Fada, Jaime Andrajoso, Twilight, Fada, Castiço, Kaku, Beto, Ana, Benedita, Cândida, São Rosas, Jimbrinhas, Amiga Comum, Billy, Gotinha, Susa, Nuno Vieira, Inês4Jazz, FilistEu, Alguma, Andy, Impensado, Helga, M, Fdv, Kate, Hipatia, Joana, Xico, Jmn, Rafik, Voquesuange, Rui Guilherme, Marisa, Conde de Sabugueiro, Rita, Aida, Vasco, Paulo, Zita, Anaximandro, Pequena Couve, Jorge, Mojo Pin, Insondável e DaLheGas... Bem Hajam!

É bom saber que este blog está vivo e que olha por nós.


novembro 11, 2005

Beco Sem Saída

Era uma vez um blog...


outubro 27, 2005

Vidas de Chuva

Fica assim cumprida a promessa de ilustrar a posta sobre aquele vizinho que tem os seus dois carros por amor eterno e infinito.

Calca para Ampliar Imagem

O prédio onde vive é o mais estragado da rua, porque ele se recusa a mover dali o seu precioso Fiat Punto para dar espaço a andaimes. As duas garrafinhas de água, uma em cada canto, servem para os dias quentes, porque são horas e horas as que passa à janela, a contemplar os seus queridos. Esta fotografia foi tirada hoje mesmo e chovia copiosamente. Geralmente, o homem fica inerte e mudo, de braços apoiados no parapeito, atento contudo, até que alguém se atreva a tocar num dos carros ou pare em frente dos mesmos, seja por que motivo for [descarregar compras, por exemplo]. Aí, desata aos berros e gesticula energicamente, para que tirem a merda do carro, dali. Sim, todos os outros carros, sejam Jeep Grand Cherokee ou Mercedes SLK Compressor, não chegam às jantes do seu querido Fiat 127 castanho, com mais de 30 anos.

Pode parecer inútil, a vida deste homem, mas já é atracção turística.


outubro 17, 2005

Não à indiferença

Então? Que se passa contigo!?

Este blog não é uma coisa virada para o umbigo, um chorrilho de sensações pessoais de alguém que se isola frente ao monitor. Se os comentários estão abertos - e bem destacados nos links - é para que tu opines.

Partilha connosco o que pensas da vida. Fala daquele filme ali em baixo, das canções na play list e da banda nova que descobriste e podia estar ali, ou fala daquele poema que sabes de cor, desse partido em que votas sempre, daquela gente que nunca topaste.

Onde estão as tuas 31 canções, hã?! E a tua indignação pelos cartazes na cidade?! Ou a demonstração de raiva contra as coisas que escrevemos, contra as reclamações das Brigadas? E porque não juntares-te a elas? Sim, civismo!

Fala da intoxicação alimentar que te provocaram as receitas da Filipa, do cagaço apanhado pelas demonstrações anárquicas do Sam, fala dessa vontade que dá viajar para os locais de certas fotografias, ou das recordações que tens de locais ainda mais bonitos. Extravaza as tuas emoções, faz disto o teu psicólogo, que a gente repete o fim de cada uma das tuas frases em interrogação e nem te cobra nada.

E a Sharon Stone, a Keira Knightley, o Johnny Depp?! Não te dão tesão nenhuma? És ainda melhor?! Boa.

Mostra lá o que vales.


outubro 09, 2005

Cruzinha com Giz

Votar tem uma coisa boa: o regresso à escola. Que está exactamente como a recordo, remendada e fria.


setembro 25, 2005

Maus sinais

Estava acordado a essa hora, tanto ontem como hoje, mas não dei pelo nascer-do-sol, mesmo de frente para o Mar da Palha.

Logo eu, que estou em pleno Outono.


setembro 12, 2005

Ed Oliveira

Na mesma festa de aniversário, depois de tentar defender o cinema americano independente, acabei a troçar com Manoel de Oliveira, juntando-me a uma renomeada actriz da nossa praça [mas nada vedeta]. Deliciado com episódios que só os actores conhecem, contava-lhe como via o mais ancião dos realizadores, daqui a alguns anos: um verdadeiro Ed Wood europeu.

E eu fiquei de ver Noite Escura e ler Philip Roth, para me deixar de coisas.


Cera que não Escorre

Ao fim de 46 anos de vida, e um de séria preocupação com isso, a Fada aprendeu que basta pôr as velas no congelador, antes de as acender, para que elas não pinguem. A fonte da descoberta foi o livro Survivor, de Chuck Palahniuk.

E ali estavam elas, as velas submetidas a teste, sem gota de cera, ao fim de cinco horas de festa.


agosto 24, 2005

The child as a monster

Não há explicação para o penteado à foda-se ou as olheiras de ressaca. Nem para as sobrancelhas ruivas e as sardas dispersas aleatoriamente. Muito menos se percebe aquela boquinha de menina, que deu origem a uma infância andrógina que podia ter corrido mal.

O que tem explicação lógica é a vista esquerda - vesga e mais aberta que a direita. Uns anos antes enfiara o olho pela esquina de uma mesa adentro, depois de tropeçar em mim próprio [sim, já nasci desastrado!]. Mesmo assim, tive sorte: a coisa ficou por uns grauzitos de miopia, algum astigmatismo e o olho acabou por ficar igual ao outro, com o correr dos anos.

A fotografia foi tirada no início dos anos 80 [daí a bela da camisa!] pelo magnífico Fotógrafo de Casamentos, Baptizados e Eventos Culturais da Luzfama, cujo nome não me recorda mas que tinha um bigode farfalhudo, risco ao meio e um chapéu de chuva para controlar a intensidade do flash. Foi a fotografia escolhida para aterrorizar quem entra na sala de estar da casa dos meus pais, em tamanho gigantesco.


julho 28, 2005

Folhas sépia

Não costumo ler livros recentes. Espero sempre que saiam da prateleira das novidades para os comprar ou pedir emprestados, sem me despertar a mínima curiosidade aquele best-seller que todos levam debaixo do braço.

A título de exemplo, ainda não li o Equador - de Miguel Sousa Tavares, nem o Código de Da Vinci - de Dan Brown. Felizmente, o último ainda deve demorar a deixar o top.

Por mim, o mundo fica um lugar melhor já hoje.


julho 26, 2005

Clima Térico

Tinha saudades do cheiro a chuva em terra quente.


julho 22, 2005

96 000 000

Se me saísse o Jackpot do Euromilhões, este blog não acabava.

A única diferença é que passaria a ser escrito em diversos lugares do mundo, cheio de fotografias e estórias das viagens. E muitas canções disponíveis para ouvir [daria boas alvíssaras a quem percebesse de HTML e fizesse o tal upgrade necessário para ter uma rádio online].

A probabilidade disso acontecer é que não é muito grande, porque eu não joguei. Nunca jogo, de resto.

Não vale a pena apostar na lotaria e essas coisas, com a sorte que eu tenho ao amor...


julho 13, 2005

Esquisitisses

Fico quase hipnotizado a olhar para mapas.

Adoro percorrer o tracejado azul dos rios e as estradas principais com os dedos, enquanto sussurro os nomes das terras e das maiores elevações. Ou os bairros, as ruas e zonas verdes de uma cidade.

Mas pareço desprovido de qualquer sentido de orientação.

Mesmo em Lisboa, onde nasci e sempre vivi, confundo ruas e perco-me frequentemente, mesmo depois de ter visitado os locais duas, três, quatro vezes.

É esta mania de gostar do impossível.


junho 23, 2005

Aprender a Nadar


Queria poder dar-te o mar de amor onde me afogo.

de Mara Grazuna [frase solta, escrita num caderninho, junto a extractos de poemas de Al Berto e recortes de fotografias]


junho 14, 2005

Nuvens

Desta vez, é o tempo que acompanha a melancolia.


junho 02, 2005

A Praia e Tu

Se não vou ao mar, enlouqueço.
Não! Minto. Preciso de mar para desenlouquecer.

E quem nunca beijou a pele salgada não sabe o que é viver.
Eu não sei.


maio 31, 2005

Skimming

«Este blog é bom para ser lido sem ler.»

Afinal, é escrito sem escrita. Feito por impulso, às vezes de um só fôlego.


E se ofereceres a Lua...

«See you in my dreams.»


maio 29, 2005

Janelas e Persianas

Encontro sempre uma película natural de pudor, de medo até, às vezes indiferença, nos outros. Por qualquer motivo, não a desenvolvi.

Não é mania, nem teimosia, mas incapacidade. Sou instintivamente frontal.

Repito. Onde posso frequentar essa escola de cinismo?


maio 10, 2005

Cães e Gatos - II

Estrela, o gato literário

E para quando, uma série da tv em que o gato é protagonista?

Sei lá! Uma Lassie persa ou um Inspector Rex siamês?


maio 06, 2005

Blog para o Nariz - II

Tenho um único vício. Um vício que não quero perder.

Sou viciado num cheiro.


maio 04, 2005

Blog para o Nariz

Qual música, quais videos, ou fotografias, qual quê!...

Em breve, muito em breve, este blog vai poder ser cheirado.


abril 10, 2005

Quem conta um conto...

Seja, então. Estou a endrominar um conto.
Tudo começou com aquela primeira parte, em que uma sirene de ambulância rasga o sossego de um bairro dos arredores de Lisboa.
A coisa era para ficar por ali, porque foi escrita assim, num impulso, porque as primeiras três linhas aconteceram mesmo, junto a minha casa, enquanto lia os meus suplementos deitado na cama. Desatei a escrever no meu caderno de cabeceira e a coisa saíu assim, aparentemente uma parábola qualquer à situação política nacional.

A insistência nos comentários levou-me a desenvolver um pouco o episódio, situar a acção, descrever o personagem, antes de desenvolver o enredo.
Já comecei a fazê-lo. O segundo capítulo, também dividido em duas partes mais fáceis de ler, chamar-se-à O Jardim. Em princípio, já que ainda nem tenho título para o conto propriamente dito. E ainda não decidi quando é que o meu herói morre. Ou se morre de todo. Ou se chega a viver depois disto.
Bom, a coisa está alinhavada na minha cabeça, o problema é que a minha cabeça é tudo menos alinhavada.


abril 08, 2005

A Hora do Lobo

Chama-me optimista, mas eu acho-me um tipo com sorte.

O facto de sair do trabalho por volta da meia-noite, por exemplo, e fazer a viagem para casa a ouvir as escolhas do António Sérgio, n' A Hora do Lobo, sem limites sonoros e de velocidade, é uma sorte tremenda.


março 29, 2005

Rádio na Cabeça

Tivera eu os conhecimentos suficientes de programação informática e este blogue tinha a sua própria rádio online, com músicas escolhidas por mim e pelos leitores assíduos.

Aliás, se eu percebesse um pouco mais de código HTML, haveria post-musicais a rodos, com as respectivas letras disponíveis.

Até que eu aprenda a fazê-lo [e é coisa para demorar], peço aos leitores deste blog endrominado que espreitem o video do dia [ali à direita, por baixo do avatar] ou sintonizem os rádios na RadaR [97.8 fm, em Lisboa].

É a estação oficial da escrita destes textos.


março 21, 2005

Viver na Ignorância

Queres saber a verdade?
Será que queres?
Mesmo?
A verdade?

A origem das coisas.
A verdade da História.
As regras da física.
Os porquês da química.
A essência dos seres.

Queres mesmo saber?
O que os fantasmas significam?
O que eles contêm de real?
Queres mesmo?

Queres mesmo saber o que os outros pensam de ti?
Queres mesmo saber quem tu és?


março 15, 2005

Freak

Pelos vistos, há traços da minha personalidade que tomava por corriqueiros, que são considerados quase insuportáveis:

- Ficar à espera que termine a canção, antes de sair do carro.

- Sublinhar frases e tomar notas nas bordas dos livros.

- Não abandonar o cinema nem parar o DVD, antes que termine o genérico final do filme.

- Comer a última fatia de bolo, se esta permanece abandonada no prato, há vários minutos.

E, se calhar, aquele quase está a mais.


março 09, 2005

Esquisitisses

Tenho um sonho recorrente em que sou ave. Ou, pelo menos, em que voo por cima das árvores e dos prédios da cidade, com o vento na cara e a liberdade na ponta dos dedos.

Mas sempre tive medo de andar de avião.
Não deixo de o fazer, mas não me agrada nada a ideia de não estar dependente de mim próprio. Acabo por nunca conseguir adormecer a bordo, por mais longa e cansativa que seja a viagem.

E sempre gostei de barcos.
Em miúdo, muito pequeno, ficava a comer broa de milho com manteiga e a olhar para o Tejo, para ver os cacilheiros atravessá-lo na diagonal.
Mas enjoo.

Adoro balançar-me nas ondas, o vento e o cheiro a sal, mas nem aquela força magnética que transforma o mar numa estrada suave, evita a agonia e a inusitada vontade de vomitar.

É esta mania de gostar do impossível.


fevereiro 24, 2005

Zeca

«A morte saíu à rua num dia assim

Ainda não tinha ideais na cabeça [acho que nem ideias, sequer] e não fui ao Coliseu com o meu pai. Não percebia o simbolismo de um «concerto qualquer», e não compreendi a euforia do relato que ele fazia à minha mãe, sobre a empatia emocionada sentida por todos quantos acompanharam o Grândola, Vila Morena.

O tempo não recua, mas a educação que os meus pais me deram, a compreensão da História que permitiram que eu tivesse - apesar de ter nascido apenas alguns meses antes do 25 de Abril e de nunca ter, de facto, sentido a ditadura na pele - corrigiram eventuais lacunas na minha formação cívica. E tive a liberdade para poder fazer os meus próprios juízos.

E hoje, não podia estar mais grato a Zeca Afonso e ao que ele cantava.


fevereiro 23, 2005

Ilusão

Sou frontal de uma forma tão inconsciente, que fico vulnerável.

E depois invocam sempre aquele ditado do «quem comete o mesmo erro três vezes...» que é totalmente castrador. Detesto sabedoria popular empacotada em frases feitas e com resposta aparente para tudo. Eu nunca consigo adornar as minhas reacções nem esconder os sentimentos.

Onde posso frequentar essa escola de cinismo?


janeiro 27, 2005

O fenómeno das cócegas auto-infligidas

Um bom contador de piadas é aquele que o faz com o ar mais impávido deste mundo. Também entro naquelas correntes de gargalhada grupal em que já ninguém se lembra porque começou a rir, mas não consegue parar, só que adoro aquelas 'bocas foleiras' bem mandadas, aquela piada seca verrinosa, que é disparada no momento oportuno, sem o mínimo esgar da parte do autor, por mais que mandemos gafanhotos para a sua cara ou pareçamos um porco no chiqueiro. E rimos ainda mais só de lhe ver a indiferença profissional.

Um estudo feito por Robert Prudine, autor do livro Laughter: A Scientific Investigation mostra quão raro é esse dom.

Na maior parte das vezes, garantem as observações feitas por este estudioso do riso, quem discursa ri mais que quem ouve, e muitas vezes ri de coisas que não têm piada nenhuma. Ainda assim, um grande número dessas tiradas sem piada acaba por arrancar risos da audiência.

Entre essas frases estão:

Imaginem um bébé numa incubadora a quem a família dá estalos.
Era uma casa de vidro a quem todos atiravam pedras.
Havia um menino no recreio que não queria brincar comigo.
Não vou falar de incubadoras porque parece que eles não gostam.
Nós governámos bem e vamos ganhar as eleições.


Estou, naturalmente, a gozar. Não são estas as frases de que fala Prudine. São coisas tipo I should do that, but I'm too lazy e I try to lead a normal life.

Até porque as frases destacadas acima têm mesmo piada, sobretudo se nos lembrarmos da carinha de vítima sofrida de quem as proferiu. Mas não mostrei um milímetro de dente, quando as escrevi.

O livro de Prudine diz ainda que o riso é um comportamento social, e que a gargalhada só se solta aos pares, mas também o tenho por um prazer quase onanista.

Naquelas alturas em que, por exemplo, vejo 'às escondidas' os meus VHS empoeirados e com grão do Fliyng Circus. Facilmente, desmancho o sofá e enrolo o tapete do espernear compulsivo e quase rebento o estômago e os canais que o ligam à boca, para além de deixar dúvidas sérias sobre a minha sanidade mental se sou 'apanhado'.

E chega a ser anti-social, porque os motivos que tenho para rir nem sempre são os óbvios. Há quem lhe chame sentido de humor refinado, eu chamo-lhe personalidade distorcida. Bem vincada pelas rugas de expressão à volta dos lábios que ostento desde os 15.


janeiro 18, 2005

Influenza [actualização]

A primeiro investida envolveu um xarope para tosses secas - Bromidrato de Dextrometrofano - e o composto de Paracetamol, Ascorbato de Cálcio 2H20, Cafeína, Hidrogenomaleato de Bromofeniramina e Excipientes, comercializado sob a marca de Ilvico N.
Nem sempre foram tomados na hora indicada, mas isso era compensado com uma sobredosagem estratégica.

A febre não baixou, nem o torpor em todo o corpo. E os dias e as noites passaram-se a custo, num maremoto de ranho, numa tempestade de tosse, sem apetite, nem forças.

Seguiram-se um antibiótico - cocktail de Amoxicilina, Crospovidorona, Aspartame e Estereato de Magnésio, ou Clamoxyl, e um xarope para tosses com expecturação - Ambroxol HCI.
E a febre baixou.
Apenas isso.
Mas foi uma conquista tremenda, mesmo para quem começava a gostar dos delírios.

if you think your desk is a mess...

Porque a tosse não pára, uma última tentativa, desta vez assistida por um Médico, envolve a insistência no composto do Ilvico [que, aliás, esteve sempre comigo], e a aquisição de um terceiro xarope - Cloridrato de Clobutinol [depreendo que seja para tosses mistas] e mais dois tipos de comprimidos - Nimesulida Jabasulide e Desloratadina Aerius.

Um dia depois deste novo tratamento, continuo ranhoso, é certo, tusso que me desconjunto e já não tenho voz, mas estou vivo.

Embora não pareça a quem lê este post.

Para a minha sobrevivência contribuíram ainda o chá de casca de cebola, limão e mel e o xarope de cenoura - verdadeiras 'mezinhas' luso-moçambicanas ministradas com um carinho e paciência infinitos.


A tortura da tosse

«Todos os dias enlouqueço de uma loucura qualquer, de qualquer sentido doente que sobre o meu sangue se curva. Todos os dias tenho perguntas para tudo e não tenho respostas nenhumas e a minha mente, que é carnal de medo e memória sem propósito, não descansa; e a minha alma, que é uma névoa e arde de mentira e de vácuo, não tem luz; e a minha vida, essa aspiração imensa, que quase já não é palpável e humana, não me sabe a nada a não ser ao álcool a que me reduz.
Queria amputar-me dessas manias mas não sou capaz, queria rebentar com elas, abri-las até ao pus com que me envenenam, esquartejá-las maliciosamente paciente e voraz. Depois, bebia-lhes o sangue e dava pinos de alegria por estar a fazê-lo.
No entanto, não sou capaz.
Se ainda o fosse.
A vida que levo é um suposto mal entendido como, aliás, eu próprio. Existo com esta ironia que não é, esta tortura que não morre. Quero fugir disto.
Quero dormir.
Quero dormir e que não me belisquem pois é a dormir que não sonho comigo.
»

O Desafio à Tristeza [Eduardo White]


janeiro 12, 2005

Influenza

Percebi ontem que nunca tinha tido gripe.

Quando me constipo, e não é muito frequente, passo um dia inteiro a tossir. Sem parar. Parece que a garganta quer separar-se do resto do corpo. E levar a língua e os dentes com ela. Não há xarope que atenue a tosse, com todas as forças do corpo [mesmo contra minha vontade] a quererem expulsar rapidamente o vírus. E no dia seguinte estou consideravelmente melhor.

Mas ontem acordei diferente.

À tosse juntava-se um torpor em todo o corpo, dores em cada músculo, a cabeça a latejar e uma sensação de frio polar cof,cof. Não conseguia comer [o que é inédito], nem fazer seja o que for. cof,cof,cof

Fiquei a manhã toda em casa, em zappings constantes entre a TV Shop e a SIC Radical, ambos sem som, com a emissão da Radar como pano de fundo. cof

Apesar disso, convenci-me que teria que ir trabalhar [sem aviso prévio - concertos e afins - só faltei uma vez em toda a minha vida, por causa de uma indigestão] e fui. cof,cof,cof,cof

A caminho passei na farmácia e pedi, resoluto, Ilvico e um xarope.
- Tem especulação?
- Desculpe?
- Se tem expectoração?
- Ahh... Não. cof, cof
- É tosse seca, muito bem...

Emborquei logo 3 comprimidos, apesar de desaconselhável, e duas tampas de xarope, amargo como tudo, e lá fui eu, desta vez incapaz de me impor um ritmo de trabalho superior aos meus colegas. cof

Via tudo tremido, com suores quentes o mesmo torpor lânguido que me acompanhara todo o dia. Não cheguei a ter alucinações [infelizmente], mas fui mergulhar a cara em água fria várias vezes, para tentar manter-me acordado. cof,cof,cof

O pior foi à saída. Aquelas oito horas debaixo de um ar condicionado tropical e o choque do frio, vento e humidade que faziam no parque de estacionamento, jà depois da meia-noite. Tremia tanto que não conseguia andar a direito e estive vários minutos só para acertar com a chave na ranhura da ignição. cof,cof Terei feito vários riscos na pintura, até me lembrar de tirar a mão esquerda do bolso e amparar a direita.

Tive que ficar um bom bocado [e 'bom' é relativo à quantidade, não à qualidade] com a solfagem no máximo, para aquecer as mãos e a cara. cof,cof,cof E foi a vinte à hora que percorri a distância entre a rádio e a minha casa, já que os vidros do carro estavam completamente embaciados e só via rasgos de luz e vultos demasiado próximos. cof

Pelo caminho lembrava-me de ter lido, algures, que estes choques de temperatura podem ser fatais. O coração bomba quantidades enormes de sangue para activar o tremor dos músculos, mas pode não resistir ao esforço. cof,cof,cof,cof Delírios. cof,cof

Hoje estou um pouco melhor. Graças ao Ilvico, ao xarope para tosses secas e ao chá de cebola e mel dado com carinho. cof,cof

Acho é que fiquei viciado na TV Shop.




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