maio 23, 2007

Lort

Mais que a antipatia generalizada e a má vontade para falar inglês, a grande decepção foram as dinamarquesas. As ruas estão cheias de camafeus pedalantes excessivamente maquilhadas, demasiado musculadas ou a atirar para o obeso, altas e tortas como faróis de indumentária truncada. E tatuadas, muito tatuadas.


maio 22, 2007

Elske


Caspar David-Friedrich
Caspar David-Friedrich, En Bateau


maio 21, 2007

Køreplan

A cidade é verde, muito verde, cheia de jardins e parques com lagos e canais, rotundas relvadas e árvores na própria estrada, que afunila para não as perturbar. Os ciclistas têm direito a pavimento azul por todo o lado, estacionamento próprio e é preciso estar atento às prioridades porque os semáforos ficam quase todos verdes ao mesmo tempo. Mas não há carros em excesso, apenas confusão e maus modos como em Lisboa. Ao Domingo, com sol, os parques enchem-se de gente de fato de banho. E tatuagens.

Os dias são longos e o sono troca-se, como se houvesse jetlag: só anoitece por volta das dez e o sol nasce pouco depois das quatro da madrugada.


maio 18, 2007

Dansker

Segundas impressões: as pessoas são quase sempre rudes e evitam falar inglês, reproduzem-se imenso e também fazem ponte depois de um feriado à quinta-feira. Mesmo num dia primaveril, também é no maior shopping da Escandinávia que se concentram, aproveitando para deixar os filhos num maravilhoso centro de diversão infantil labiríntico.


maio 17, 2007

København

A primeira impressão de Copenhaga é que eles não são tão altos nem tão loiros como eu pensava. Mas têm ainda mais tatuagens [a cara e a cabeça também contam] e piercings maiores. A Dinamarca é composta por várias ilhas, mas a capital fica fora de mão, afastada da ilha maior, numa extremidade do Reino encostada à Suécia.

Para já, folgo saber que o metro não tem condutor e passa, pontualmente, a cada 4 minutos.


fevereiro 27, 2007

Mapa de Desastres e Catástrofes

It's the End of the World, as we know It.


agosto 07, 2006

Intervalo na 'Época Parva'

Preparava-se há onze meses para o momento entre todos apetecido - especialmente se formos de comboio - que é fugir na manhã clara para as solidões queimadas do Auvergne tropical que vai até Aude e apenas se esvai ao cair da noite. Revivia a última manhã passada no escritório, o esforço que era pousar um pé de cada lado do telefone e atirar ao cesto as amachucadas bolas da correspondência ainda há pouco distribuída, a amenidade do ar que foge por baixo do elevador com um sedoso rangido, o raio de sol a dançar à sua frente, reflectido pela pulseira metálica, e de volta ao apartamento da Rua do Cais o pio das gaivotas e dos pertinazes cinzentos e pretos, a animação um tanto mole do porto e o cheiro forte de alcatrão na farmácia do senhor Latulipe, seu vizinho de baixo.


As Formigas, Boris Vian
[Tradução de Aníbal Fernandes - Assírio & Alvim]


fevereiro 20, 2006

Santiago

A maior ilha do arquipélago lunar atravessa-se em duas horas. Da Praia, ruma-se a São Domingos, aproveitando a estrada nova em construção. Pelo interior da ilha, as curvas são estreitas e sinuosas, verdadeiras serpentes de calçada que cortam os maciços montanhosos que povoam Santiago e dão a muitas zonas um micro clima invernoso. A paisagem árida e vulcânica é salpicada por vales verdes onde se plantam bananas e erguem palmeiras, quase indiferentes à seca crónica. Só em Chão-Bom se vislumbra o mar que banha o Tarrafal.

Não fosse o abandono e a falta de tinta [mal que parece afectar todo o Cabo Verde], a vila onde outrora havia um campo de concentração da ditadura portuguesa seria um enorme centro turístico. De ruas amplas e perpendiculares, o Tarrafal é cercado por praias e montanhas, como a que lembra um elefante que descansa e observa o Atlântico.

É por aqui que provo o famoso cous-cous. O cabo-verdiano, totalmente diferente do maná dos vegetarianos, bem mais saboroso, pelo menos para gulosos. Mistura-se farinha de milho ralada com farinha de mandioca, açucar, canela, leite e põe-se a cozer num binde - um pote de barro com cinco furos em baixo. Deve comer-se com manteiga, como se fosse pão.

O regresso é feito por costa, ao longo das ribeiras que desaguam no mar. Calheta de São Miguel e Pedra Badejo são pequenas vilas que já merecem município, mas onde se vive essencialmente da pesca e do pastorício. À excepção da capital, do Tarrafal e da Assomada, todas as povoações da ilha parecem aglomerados de gente que cria cabras, vacas e galinhas, planta uma horta e sobrevive. Mas sempre com um sorriso dançante e muita batukada.

O regresso à Praia significa também a partida para Lisboa. O tempo não passa assim tão devagar como se diz, em África.

PS: Não dei pelos macacos que dizem existir na Ilha. O único animal selvagem com que me deparei foram mesmo os condutores das carregadas Toyota Hiace...


fevereiro 16, 2006

Maleita

A baixa desta cidade fica na parte alta: o bairro do Plateau. A maior parte dos ministérios e serviços funciona aqui, mas também é onde se encontra o mais antigo mercado da Praia. O espaço ezíguo não substitui um outro mercado, em todos os passeios destas ruas estreitas, onde se vende quase tudo. E também pululam as lojas chinesas.

Mas venho ao mercado com um fim específico: aconselharam-mo para curar esta tosse que me irrita há dois dias. Terei apanhado ventinho em África, veja-se bem, depois de chegar da neve lisboeta. Vá-se lá entender o corpo humano.

No meio de frutas e verduras, carne e peixe em tabuleiros, animais vivos e ovos frescos, gente que compra e discute o preço, encontro tratamento tradicional para praticamente tudo... Folhas de abacate secas para fazer chá, erva doce para os gases, escontra para as lombrigas, arruda para as dores menstruais, azeite purga para a prisão de ventre e as dores de barriga... pedra de carvão para afastar o mau olhado. E babosa, muito abundante por estas ilhas - há quem lhe chame alloe vera.

No meio de tanto tossir, lá me indicam a Dona Virgínia, senhora de 75 sábios e desdentados anos, que me fala da semente de manjericão. É tiro e queda. Pisa-se, mistura-se em água morna e bebe-se. Vai ver que fica tudu dreto.

Mas se não funcionar, há a empinchera - uma verdadeira bomba, tão forte que até os tubercolosos a tomam: mistura-se com grogue, pois então.

Levo dois saquinhos de cada para casa e mais um litro de grogue puro e transparente. A tosse não tem chances.


fevereiro 14, 2006

Pleito

O pontche faz-se de quase tudo, mas prefiro o de côco. Leva a aguardente de grogue, pois então, para além do sumo que lhe dá um sabor adocicado e a cor respectiva. Na Cidade Velha havia garrafinhas já envelhecidas para acompanhar a moreia frita. Junto à Fortaleza de São Filipe, onde voltei a cruzar-me dos José Rodrigues dos Santos [começava a pensar que Cabo Verde era pequeno para ambos quando ouvi dizer que ele regressou a Lisboa], vi o famoso pôr-do-sol que pinta o céu e as nuvens de um cor-de-laranja absolutamente único, bem devagar, como tudo, por aqui. A passagem do tempo é sempre relativa, em África. E por mais europeus que os cabo-vedianos procurem ser, ou brasileiros, as duas referências culturais de um cultura que não precisaria de imitar ninguém, não o fazem no stress. A espera, aqui, é encarada com naturalidade. Se combinamos algo para as três da tarde, é porque se vai conversando até às cinco, ou seis, quando começa, efectivamente, a reunião marcada.

As eleições e as campanhas terminaram. Foram cinco semanas em que as pessoas se ocupavam, prioritariamente, com comícios-festa, desfiles-festa, discussões apaixonadas e discursos políticos, pintando as dez ilhas de amarelo ou vermelho, conforme a simpatia. A paixão política é enorme, por aqui, mas raramente a animosidade extravazou. Fui apanhado num desses raros episódios, na noite a seguir à votação. Tenho que ser um pouco inconsciente, para me aproximar em vez de fugir, para estar de gravador ligado no meio de uma troca de pedras, paus, tiros e gritos, mesmo que a minha presença ainda provoque mais show off, ou ira. Uma câmara seria bem pior. Alguns colegas meus, que não presenciaram os incidentes ou os viram de longe, relataram uma noite de confrontos violentos que mancharam a noite eleitoral e a democracia que se diz exemplar de Cabo Verde. Mesmo correndo o risco de ter a cabeça aberta em três sitios por meio de uma pedrada, enquanto ia rodando à volta de um pilar confrme o lado de onde voavam as ditas, tive a serenidade para perceber que a atitude titubeante e violenta de um grupo de dez ou quinze jovens sob a influência do grogue e da decepção, não passava disso mesmo, e não substituiu o comportamento ordeiro e cívico com que os cabo-verdianos viveram estas eleições e as consequentes vitória ou derrota. Um pouco como a ventania tremenda que se levantou esta noite: não significa que vá chover outra vez.

Quanto ao pontche tradicional, esse, provoca, na grossa maioria das vezes, reacções positivas, mesmo quando é consumido em excesso.


fevereiro 10, 2006

Mantenhas

A feijoada de feijão pedra é herança clara, como muita coisa em ilhas outrora desertas e orgulhosamente lusófonas. Já o xerém é típico do interior de São Tiago. Provei-o de atum, mas a base é o milho. O carolo amarelo é esmagado - fica parecido com cous-cous, e misturado com cebola, leite de coco e malagueta, pouca, que os cabo-verdianos são doces, nessa matéria. Talvez a ordem não seja esta e podem faltar ingredientes, mas foram os paladares que identifiquei, num almoço caseiro na Cidade da Praia. Tudo regado com grogue. E fica-se mesmo, porque o sabor distrai do grau. Na sobremesa ainda tive direito aos doces tradicionais de goiaba, coco, e queijo, um de cada.

A hospitalidade é, de resto, avassaladora, e nem uma média de três almoços por dia e dois jantares por noite conseguem dar resposta à oferta. È provável que chegue a Lisboa duas ou três gramas mais gordo - o que será um feito histórico, no metabolismo mais ruim que a minha mãe conhece. Nada de espantoso, para quem dançou e provocou chuva [todos me garantem que terá sido um fenómeno causado pela forma como os meus pés se afastaram um do outro sem coordenação, à medida que se contorcia o pélvis e bamboleavam os ombros, de forma igualmente disconexa mas prazeirenta], numa cidade onde bastará um garrafão de água rebentar para provocar uma inundação.

Hoje acabam as festividades eleitorais, por aqui. Ontem, no mercado do Plateau, as vendedoras queixavam-se de tantas semanas de campanha, das duas eleições cansativas, barulhentas e seguidas. Mas comparadas com as cavaquentas e nada alegres presidenciais portuguesas de que ainda não me refiz, esta festa eleitoral salpicada de música, sabores e sorrisos, lembra-me quão triste Portugal se tem tornado, por mais neve que o viesse a pintar de branco-luz.

De cada vez que aqui venho, e falo do continente que alberga tantas ilhas e tantas cores, guardo sempre algum calor comigo.


fevereiro 07, 2006

Morabeza di nos tud

Longe dos Depeche Mode [que me garantiram um concerto extra no início do Verão lisboeta], sem poder dar uma saltada ao Nimas para ver Il Gattopardo pela primeira vez num cinema, com o coração em Lisboa aos pedaços, chega-me a morabeza deste povo para esquecer saudades.

Definir morabeza?!

Isso seria impossível... Talvez truncando a própria palavra - uma mistura de amor e beleza que inunda de música e alegria a vida dos crioulos e a dos que com eles convivem. Tanto, que ainda me põem a dançar, um dia destes! [era capaz de chover e tudo, se isso acontecesse].

PS: Nas ruas do bairro de Fazenda, no centro da Cidade da Praia, cruzei-me ontem à tarde com José Rodrigues dos Santos. Sorridente, o famoso apresentador de notíciários televisivos e romancista erótico-satírico procurava por um restaurante que fizesse Sopa de Peixe Loron com leite de mamas.

Também gostava de provar, já agora...


fevereiro 06, 2006

Cabo Verde

Ainda tinha neve no bolso, quando esta terra seca me acolheu.

O vento quente na cara funciona como vitamina, assim que saio do aeroporto, no banco de trás do taxi que rasga o sossego da noite. Às primeiras impressões, noto nestas gentes muita energia e vontade, expressas em sorrisos e cores garridas. Falta a chuva, mas dança-se. E talvez poucos sítios sejam assim, uma mistura tão intensa de África e Europa. Não é isso o crioulo, afinal?!

Falta-me provar os sabores, mas já se me entranham os cheiros. Os mesmos que inebriam docemente, logo que chego a este continente que se apresenta sempre como a minha segunda casa.


fevereiro 05, 2006

Partida

O arquipélago lunar é o destino.

Nos próximos dias, andarei por Kauberdi a viver e a contar estórias, no meio de umas eleições presidenciais. Conto descreve-las neste blog, com a devida colaboração dos transpórtis virtual da Ilha de São Tiago.


janeiro 09, 2006

Calor

Calca para Aquecer
Baía de Nacala, Moçambique


dezembro 09, 2005

Poor people have no Heartbreaks

The Break Up Package
Breaking up is hard to do. But, with a little pampering from our professional staff, memories of him will be distant, to say the least. Your package will include a deluxe king size guest room (you'll no longer have to share the bed), a one-hour professional massage (we'll loosen those "knots" you almost tied), your very own copy of the book "Cowboys are my Weakness" (written by Pam Houston), an exquisite dinner in your room prepared by our Executive Chef (finally someone to cook for you), 2-pints of your favorite ice cream (what better to do than eat ice cream to forget him), and breakfast served in your room the following morning. Spend the time alone or bring your best friend with you. Either way, he'll be a forgotten memory at check-out time. Sorry guys, this package is only for the ladies. Packages from $289.00 per night.

O Hotel Magnolia tem pacotes especiais para corações partidos. Espero que haja um desconto para os que acarinham desgostos vitalícios.


dezembro 06, 2005

Pescadores-Fantasma


Calca para Aproximar

Naherengue, Moçambique

Calca para Aproximar

Há sítios assim, e momentos destes, onde ser mau fotógrafo não tem qualquer importância...

Às vezes, até ajuda. 


outubro 31, 2005

Bairro da melancolia

Calca para Aproximar

Alfama é, muito provavelmente, o sítio feio mais bonito do mundo.

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outubro 07, 2005

Reflexo


Calca para Aproximar
Nacala-a-Velha, Moçambique
[Dezembro de 2003]


setembro 15, 2005

Hemisférios

Calca para Aproximar
Baía de Nacala, Moçambique
[Dezembro de 2004]

O importante é que, aqui ou ali, é sempre Verão, há sempre Sol.


agosto 23, 2005

O nome do Paraíso

A primeira vez que fui a Moçambique, já lá vão oito anos, levava uma referência obrigatória transmitida por boca - uma praia especial na Baía de Nacala com um nome estranho começado por R [tenho fraca memória e não fui lesto a tomar nota]. Assim que cheguei a Maputo e falei na intenção de ir para o Norte, por entre os habituais Bazaruto, Tofo e Pemba, o escritor Mia Couto - que nos recebeu em sua casa - voltou a aconselhar a dita praia, que descreveu idílica e cujo nome começava de facto por R, mas que nenhum dos membros da expedição conseguia memorizar passados poucos minutos - e éramos uma dezena!

Percorrido o sul do país, e praias sem igual na Ponta do Ouro, em Xai-Xai, Zavala ou Inhambane, acabámos por esquecer a tal referência, acreditando ser mais uma. Mas assim que pusemos pé em Nampula, no Norte, e na estrada quente e penosa a caminho da costa, os locais voltaram a falar na tal praia...

Passámos a tratá-la por Renhaunhau, nome que ridicularizava apenas a nossa preguiça mental. Íamos ficando entretidos pelas águas cálidas de Fernão Veloso [agora Naherengue] e assim nos referíamos à outra praia - Renhaunhau - expectantes, enquanto não lhe descobríamos o rasto, sem grande pressa. Certo dia de manhã, depois de uma desconfortável viagem na caixa de uma pick-up, chegámos à misteriosa praia. Foi uma verdadeira expedição em caravana de 4x4 [diz-se fó bai fó], mas até nem ficava longe da cidade de Nacala.

Bastaram alguns segundos e uma troca de olhares, para percebermos - todos e cada um de nós - que jamais esqueceríamos o nome Relanzapo.


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Praia de Relanzapo, Nacala - Moçambique


agosto 09, 2005

O misterioso Gang do Couvert

Tudo começou numa vinha de beira de estrada. O putativo líder da quadrilha irrompeu do carro ainda mal parado e surripiou dois cachos de uvas para vinho. Foi com extrema dificuldade que os restantes membros do grupo conseguiram provar os pequenos bagos colados uns aos outros, mas estava lançado o mote para uma série de incursões que aterrorizaram a restauração do barlavento algarvio durante uma semana.

Dois homens e duas mulheres, alegadamente jovens, passaram como foguetes pelas esplanadas das terras incautas de Alcantarilha, Guia, Chão das Donas e Vila do Bispo, para lhes tirarem o maior ganha-pão sazonal. O modus operandi variava pouco: os couverts que chegavam à mesa antes das refeições eram consumidos com afoito - queijo e filetes de biqueirão incluídos - antes de os elementos desaparecerem para parte incerta, disfarçados com bonés da FRELIMO. Nalguns destes incidentes chegaram a pedir Sopa de Peixe, ou de Legumes, partindo depois de barriga e bolsos cheios, para desespero dos proprietários.

Um vendedor de Bolas de Berlim com creme da Praia da Marinha, em Lagoa, descreve ter sido vilipendiado num processo rápido e sem violência. Não que esta atemorizasse o Gang. Recorrendo apenas à força bruta de um dos elementos, evitaram que o carro de fuga resvalasse para uma vala, à saída de Sagres, e acabasse prematuramente o que os analistas consideram ter sido o crime perfeito.


julho 30, 2005

Intermission

Calca para Aproximar - Retroceder para Voltar
Christina's World - Andrew Wyeth, 1948 [têmpera]

As minhas férias de infância tinham disto. A solidão dos campos largos de Trás-os-Montes, num mês inteirinho de outra realidade, sem obrigações nem horário.

Por agora, as férias serão apenas alguns dias, à procura de uma vaga no bulício algarvio, de um desvio das estradas apinhadas de carros, de espaço para boiar no mar sem ondas.
Ainda há parcelas de areia livre, por lá. Mas não digo onde.


julho 25, 2005

Trocar o Tempo e o Espaço

[Calca para Aproximar, Retroceder para Voltar]
Nacala-a-Velha, Moçambique [Novembro de 2004]

Legenda: a árvore - um Mangueiral - está sempre ali, no lugar que ficou dela. O barco à vela chega e a pequena barcaça parte, mas talvez seja o contrário. No céu, as nuvens dançam em círculo, sem assustar. E por mais azul que o céu ficasse, mesmo assim nublado, mais verde cristalina estaria a água, morna e calma.


julho 21, 2005

Nómada

Um trabalho artístico composto por desenho a lápis-de-cor, recortes e fotografia atraíu a atenção do Mandu, enquanto esperávamos pela chegada da Eka, no café do aeroporto de Lisboa.

A autora, interpelou ele de imediato, é uma canadiana de nome Jessica, nos seus trintas, que nada mais faz que viajar. Mostrou-nos desenhos e fotografias do Gana e da Etiópia, onde passara dois anos a trabalhar com ONG's, antes de rumar a Portugal, onde permaneceu nos últimos três meses.

Daqui, ia partir para Toronto apenas para refazer as malas, já com planos traçados para passar uns tempos no Nepal, na Tailândia e no Japão. Nunca repete um destino, ainda que goste dos lugares e das pessoas... porque há tanto por descobrir - explicou.

E muito gostaríamos nós de voltar a cruzar-nos com a Jess.


julho 18, 2005

Golden Days

As cores da minha infância foram garridas, apesar das fotografias a preto-e-amarelo que a testemunham.

O verde seco de Trás-os-Montes, feito em bicicleta e trambulhões, está numa imagem ofuscada por uma camisa aos quadrados desabotoada no corpo de um miúdo escanzelado que tenta pedalar duas rodas maiores que ele. O azul fresco dos riachos da Beira-Baixa e as azedas amarelas chupadas no canto da boca adivinham-se numa outra, que mostra uma encosta de flores com mil cinzentos e casas de pedra, junto a uma placa que diz Sarzedas de S. Pedro. As calçadas brancas e reluzentes de Alfama daquelas tardes de chuvisco a jogar à bola contra as nódoas negras, vêem-se na fotografia tipo passe que resultou numa enorme careta, fruto do espirro provocado por um holofote colocado num chapéu de chuva.

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[Praia de Naherengue, Moçambique - Novembro de 2004]

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Agora, com estas maravilhosas e instantâneas máquinas digitais, perde-se essa magia do instante raro, preciso, captado com mestria. Com os mega-píxeis, qualquer reles amador desajeitado pode obter os testemunhos de belas recordações douradas, sem precisar de as enriquecer com a imaginação.


julho 14, 2005

Don't cry for me, Argentina

Num táxi, em Buenos Aires:
- De onde é, senhor?
- Sou de Portugal.
- Ah... Aquele país que está sempre a arder!


junho 17, 2005

Viagens

Logo após um fim-de-semana na Costa da Caparica, intercalado pelas filas na ponte e à saída do parque de estacionamento, debaixo de 45c mais os do motor do carro, mas ao menos isso e espero que o tempo não piore outra vez, e se chover vou na mesma, que fica mais fresco e há menos gente, este blog vai contar as estórias e mostrar as fotografias dos enviados-especiais a Nova Iorque, Moçambique e Ilhas Berlengas.

Inveja?! Quem!?


maio 24, 2005

Conta-me estórias...

O Dudu aka Eddie Baby é o enviado-especial deste blog ao paraíso.

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Praia da Fortaleza - Ilha de Moçambique
[Ana Mântua - Junho 2004]
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O plano é atravessar Moçambique de sul para norte, à boleia e de machimbombo.
Boas Férias, bro! E conta-nos estórias, daquilo que não vimos.


maio 18, 2005

Pôr-do-Sol Prata [Tríptico]

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Praia de Naherengue, norte de Moçambique - Dezembro de 2004.


abril 29, 2005

[Por falar em] Fuga

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Naherengue [antiga praia de Fernão Veloso]
Nacala, Moçambique

O calor aperta, e as saudades de África também.


março 28, 2005

Viagens paralelas

A passenger aboard a tour boat on the Li River viewed the famous landscape that had been a favorite subject of classical Chinese painters, making the mountains and river near Guilin an icon of beauty in the Chinese mind.

Continuam a ser distribuídos os prémios para as melhores foto-reportagens de 2005.

Serão imagens tiradas de um ângulo que opina ou constata?


março 19, 2005

Primavera à vista

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An Indian villager shouts religious slogans as he watches a re-enactment of a local tradition of Latthmar Holi celebrated since the times of Hindu Lord Krishna in the town of Barsana, Uttar Pradesh state. The tradition of Holi heralds the beginning of spring and is celebrated with great enthusiasm all over India. - Photo Kamar Kishore/ Reuters


março 06, 2005

Vontade

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Naherengue - Moçambique [Novembro de 2003]


fevereiro 25, 2005

Ténis nas Estrelas

Se há tenistas que elevam o seu jogo ao patamar de deuses, são André Agassi e Roger Federer. O americano rebelde não envelhece e o suiço não erra uma bola, mesmo quando se deixam perder.

E foram estes dois homens, os escolhidos pelos 'senhores do petróleo', para fazerem algumas trocas de bolas no héliporto do Burj al Arab - hotel de 7 estrelas do Dubai.

Parece uma imagem alterada em photoshop, mas aconteceu mesmo, para apresentar o Dubai Duty Free Tennis Open. É pena que as partidas não se joguem mesmo neste court, porque seria bem engraçado ver os apanha-bolas mergulharem para a praia de Jumerah, em bunjee jumping, e ver quem recuperava mais bolas perdidas, sem partir o elástico.

Os árabes lunáticos do Dubai é que ainda não se lembraram desta.

Entretanto, continuo a imaginar o que significa um hotel ter sete estrelas. Presumo que cada suite venha com um harém incluído.


janeiro 31, 2005

Memória Futura


Chefchaouen - Marrocos [Dezembro de 2004]
Fotografia de Rui Pires


janeiro 10, 2005

Passagem-de-continente


Chefchaouen - Marrocos [Dezembro de 2004]
Fotografia de Rui Pires




Leituras